quinta-feira, 12 de maio de 2022

 

 

 

 

ACOMPANHAR AS AÇÕES

 

Acompanhar as ações! Certamente que o ritual da investigação não se encerra com a entrega do relatório. A prevenção de ocorrências similares futuras depende da adoção das observações, da implantação das ações recomendadas e da verificação da sua eficácia.

 

Deste modo, um ciclo de investigação pode se estender por longos períodos, dependendo da ocorrência, da sua abrangência, das suas consequências e das ações requeridas para evitar recorrência. Assim sendo, é fundamental a etapa de acompanhamento das ações ilustrada na figura 1

 

Figura 1 – Processo de acompanhar as ações

 

O processo de acompanhamento tem início com o detalhamento das ações recomendadas, na forma de um plano de ações, desdobrando o que precisa ser feito na forma de ações executáveis, indicando os seus responsáveis, definindo o tempo de execução das mesmas na forma de um cronograma e detalhando os recursos necessários para que as ações sejam efetivamente implantadas.

 

O papel primeiro da administração é assegurar os recursos necessários para que o plano de ações seja conduzido.

 

Adicionalmente, é recomendado que auditorias sistemáticas sejam conduzidas para avaliar o andamento, a execução das ações, assim como a avaliação da efetividade das mesmas como meios de prevenção de recorrência de incidentes, uma vez implantadas. Deste modo, o ciclo do ritual da investigação somente é encerrado quando a última ação é concluída e tem a sua efetividade atestada.

 

Sumário do ritual de aprendizado para com o incidente

 

É certo que um ritual completo de uma investigação como apresentados nos 10 artigos, somente faz sentido ocorrer, observando todas as suas etapas, no caso de eventos mais sérios e de consequências maiores. Haverá eventos que não justificam o investimento em tempo e recursos na condução de uma investigação completa. Há eventos em que as causas são claramente conhecidas apenas com uma análise simples; há eventos em que as causas são claramente reconhecidas e que as ações de prevenção são de simples execução; há eventos em que, embora as causas sejam de fácil reconhecimento, as ações necessárias têm mais complexidade e há eventos em que as causas são de difícil identificação, mas que, uma vez identificadas, as ações são de fácil execução.

 

Deste modo, não há por que insistir no uso e aplicação do ritual completo e mais detalhado de investigação com todas as suas etapas para todo e qualquer tipo de ocorrência.

 

Uma forma de considerar este aspecto é definir um critério combinando a facilidade ou dificuldade de identificação das causas com a facilidade ou dificuldade de adotar as ações para evitar a sua recorrência, para escolha da abordagem do ritual de investigação. A figura 2 mostra uma sugestão de como utilizar esta combinação e construir o critério.


Figura 2 – Critério para uso do ritual de investigação

 

Independente da abordagem, o registro do ritual de investigação adotado deve ser feito na forma de um relatório. Naturalmente, no caso da abordagem “Ver e agir” o relatório deve ser bem mais simples e expedito, comparado àquele do ritual completo da investigação.

 

Em qualquer abordagem será necessário descrever o sumário executivo, a justificativa da escolha da abordagem para o ritual da investigação, a sequência de eventos, as consequências, a técnica de investigação adotada, as conclusões e as recomendações. No entanto, dependendo da abordagem selecionada, adotando o critério mostrado na figura 2, as descrições destes elementos, parte do relatório da investigação, vão requer mais ou menos detalhes.

 

O ritual da investigação do incidente é a forma de “aprender com o incidente” individualmente. Para a grande maioria dos eventos classificados como “quase acidentes” a abordagem será a de “Ver e agir”, especialmente quando o potencial de severidade for baixo. Normalmente, poucos eventos são tratados com uma investigação completa. Sabemos que, se atuarmos na base da pirâmide de consequência seja a de Frank Bird, seja a de Heinrich, estaremos aprendendo com os incidentes, não individualmente, mas globalmente, verificando tendências e tratando fatores de causa comuns aos eventos, prevenindo assim a ocorrência de eventos mais sérios.

 

As técnicas e as ferramentas para proporcionar este aprendizado são abordadas são as mais diversas. Uma abordagem dessas técnicas e ferramentas é encontrada no livro Investigação e Análise de Incidentes publicado em 2011. No entanto, para que o uso das técnicas e ferramentas seja incentivado e mesmo facilitado é fundamental que se disponha de um banco de dados sobre os incidentes registrados e suas respectivas investigações.

 


Para que o uso das técnicas e ferramentas seja incentivado e mesmo facilitado é fundamental que se disponha de um banco de dados sobre os incidentes registrados e suas respectivas investigações.

 

Deste modo é possível parametrizar as variáveis que envolvem um incidente e analisá-las de maneira coletiva e mais ampla, de modo que possamos definir ações preventivas para evitar, não somente a ocorrência de eventos similares, mas também atenuar as consequências dos mesmos, caso ocorram.

 

A NBR 14280 pode ser um bom ponto de partida para esta parametrização, pois esta norma apresenta os fatores de causa e outros parâmetros associados ao incidente, já codificados. Em outras palavras, estamos fazendo referência à importância da adoção de um sistema de informações para registro sistemático dos incidentes e suas decorrências, que possa ser utilizado com as características de um banco de dados.

 

É importante lembrar que os incidentes custam caro considerando suas consequências sociais e econômicas. É importante também inaugurar a prática de compartilhamento público dos resultados de investigações, mesmo que entre segmentos específicos, especialmente aqueles que causaram ou tem potencial de causar consequências sérias, de modo a ampliar o aprendizado para com os incidentes, considerando que é o mínimo que se pode fazer, face às consequências sociais e econômicas dos eventos maiores, catastróficos.

 

”os acidentes não acabam nunca… deixam marcas profundas nas vítimas…” haja vista o que aconteceu no incêndio do Edifício Joelma (1974).

 

Citando Michel Llory, autor do livro-texto Acidentes Industriais, publicado em 1999, ”os acidentes não acabam nunca… deixam marcas profundas nas vítimas…” Haja vista o que aconteceu no incêndio do Edifício Joelma (1974), no vazamento de Metilisocianato em Bhopal (1984), no vazamento de gasolina em um oleoduto seguido de incêndio na Vila Socó em Cubatão(1984); no vazamento de radiação em Chernobyl(1986), na explosão da plataforma Piper Alpha(1988), no afundamento da plataforma de petróleo P36(2001), nos desastres aéreos como por exemplo a queda do vôo RG 234(1989), a colisão do vôo G1907(2006), a explosão do vôo TAM 3054(2007), nas explosões de minas de carvão na Polonia (Ruda Slaka – 2009), na Rússia (Kemesovo – 2010) e, mais recentemente, o episódio de desmoronamento na mina San Jose no Chile, que não matou ninguém mas que deixou sequelas significativas que dificilmente serão extintas ao longo do tempo. Em consideração e respeito aos milhões de óbitos e mutilações advindas de incidentes do trabalho no mundo, o mínimo que podemos fazer é “aprender com eles”.

 

No próximo artigo abordaremos a etapa 10, que trata a importância de preservar e controlar os dados de todo o ritual de aprendizado com o incidente de trabalho, encerrando esta sequência de 10 artigos.

 

 

Autor: Reginaldo Pedreira Lapa
Engenheiro de Minas e de Segurança do Trabalho

 

Fonte: Lapa, Reginaldo Pedreira. Investigação e Análise de Incidentes, Editora Edicon, São Paulo, 2011

 

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ELABORAR CONCLUSÕES E

 PROPOR AÇÕES

 

 

A etapa de elaboração de conclusões e proposição de ações, mostrada na figura 1 engloba, não somente o enunciado das ações propostas baseado nas conclusões da análise, mas também define a necessidade de avaliação dos controles propostos e/ou os existentes além da priorização das ações propostas, avaliando seus impactos e benefícios.

 

Figura 1 – Processo de elaborar conclusões e propor ações

 

As conclusões são deduções derivadas dos resultados analíticos da investigação e devem, portanto, ser sustentadas e justificadas pelos fatos coletados, pelos resultados de testes e ensaios e pela análise das evidências na construção do desencadeamento do incidente. A profundidade, a abordagem e a natureza das conclusões devem ser feitas de maneira que qualquer pessoa, mesmo leiga e que não tenha participado da investigação, seja capaz de entender e compreender a sua pertinência aos fatos que conduziram ao incidente.

 

As recomendações podem ser feitas considerando as causas imediatas ou diretas, as causas contribuintes, mas necessariamente devem abordar como prioridade as causas fundamentais, básicas ou causas raiz identificadas, pois serão estas ações que efetivamente, ao serem adotadas, serão capazes e suficientes para prevenir a ocorrência de eventos similares no futuro. As recomendações abordam ações que podem significar a necessidade de alguma mudança, substituição, melhoria ou adição nos controles operacionais associados ao incidente investigado.

 

Os controles são quaisquer dispositivos, sistema, procedimento ou ação sistêmica que contribuem para reduzir o risco de recorrência do incidente. 

 

Os controles em segurança são adotados para se lidar com as condições perigosas no exercício do trabalho, diminuindo o risco de que venham causar uma lesão ou uma doença às pessoas, quando a elas expostas, e devem ser propostos na seguinte prioridade em termos de níveis de ação:

 

·       Eliminar a condição perigosa;

·       Reduzir, substituir as energias envolvidas;

·       Remover as pessoas do contato com a condição perigosa;

·       Reduzir as consequências;

·       Reduzir a probabilidade de ocorrência do evento indesejável;

 

Os controles são classificados segundo uma hierarquia de efetividade, na qual a classe superior de controle é menos dependente do comportamento humano, em contrapartida à maior dependência da classe imediatamente inferior de controle, conforme ilustra a figura 2.

 

Figura 2 – Hierarquia de controles

 

Na hierarquia de efetividade das medidas de controle, a prioridade é eliminar a condição perigosa que resultou no incidente. Eliminar a condição perigosa significa eliminar a energia envolvida que é o agente causador da lesão ou da doença. Não sendo possível eliminar, pode-se pensar em diminuir a energia, representado na figura 2 na classe de substituição. A classe de projeto ou engenharia representada na figura 3 significa isolar as pessoas da energia que é a terceira tentativa de definição de controles. As ações de controle que se seguem têm natureza de advertência e de proteção.

 

Ao enunciar as ações recomendadas esteja seguro de que elas estejam descritas de maneira clara, direta, objetiva, concisa, tangíveis e viáveis de serem executadas e que sejam baseadas nas evidências coletadas, seja de testemunhos, evidências físicas ou mesmo documentais. Evite fazer recomendações vagas e genéricas. Nunca inclua nas recomendações medidas disciplinares ou punitivas a quem quer que seja.

 

A introdução de novos controles e mesmo a alteração de controles existentes podem ser considerados como mudanças. E, em toda e qualquer mudança, sempre precisamos avaliar se a introdução ou a alteração pode agregar condições perigosas, diferentes daquelas existentes, aumentando o risco para as pessoas. Portanto, as ações propostas devem passar por uma análise de risco antes de serem implementadas, pois pode haver a necessidade de melhor avaliar ou introduzir outros controles, em decorrência de condições perigosas novas, introduzidas na condução do trabalho para evitar a recorrência do evento investigado.

 

A análise dos controles propostos pode ser feita de várias maneiras, porém, a efetividade de um controle precisa atender pelo menos três condições:

 


Um sistema de jatos de água pode ser eficaz ou não. A questão chave é: “o controle funcionará adequadamente quando solicitado? ”

 

1 – Funcionalidade: capacidade de a medida de controle reduzir o risco, imaginando que ele funcione como planejado. Por exemplo, um sistema de jatos de água projetado para proteger uma instalação onde se armazena materiais combustíveis em caso de incêndio, instalada no seu interior e acionado por chama ou presença de fumaça pode ser eficaz no caso de o incêndio iniciar dentro do compartimento de armazenamento, mas certamente não será eficaz se o incêndio ocorrer nas proximidades da instalação. A questão chave é: “o controle funcionará adequadamente quando solicitado? ”

 

2 – Confiabilidade: capacidade de funcionamento e disponibilidade de atuação ao longo do tempo, em função da dificuldade de detecção de falhas, de manutenção difícil ou deficiente ou mesmo, se ele pode ser rotineiramente ignorado ou anulado facilmente por razões outras. Por exemplo, os controles bi manuais utilizados em prensas podem não ser confiáveis se eles apresentam defeitos frequentes decorrentes da vibração e se é possível, fácil e aceito colocar um “jump” num deles em caso de defeito, operando apenas com o outro. A questão chave nesta condição é: “o controle estará disponível o tempo todo para cumprir a sua função? ”

 

3 – Sobrevivência: capacidade do controle permanecer intacto e atuante, ser efetivo quando requerido e que não dependa de outro sistema ou mecanismo para funcionar, pois, em caso de falha do sistema do qual ele depende, o controle não atuará ou poderá ter a sua efetividade reduzida. Por exemplo, a proteção de um determinado ambiente contra incêndio é uma parede corta-fogo. Se esta parede puder ser atingida por uma explosão externa a este ambiente, a proteção daquele ambiente contra incêndio perde a sua efetividade, pois a parede pode explodir antes da ocorrência do incêndio. A questão chave nesta condição é “o controle permanece ileso e cumpre a sua função na ocorrência de um evento indesejado?

 

Além da análise de controles propostos para evitar a recorrência do incidente, com base nas causas fundamentais ou causas raiz, pode ser que a análise tenha identificado que algum controle existente falhou ou não cumpriu na íntegra a função dele esperada.

 

Neste caso, é pertinente também que uma análise de efetividade seja conduzida, considerando os controles existentes antes do incidente ocorrer, para identificar que melhorias precisam ser propostas e implementadas para diminuir o risco, melhorando aqueles controles.

 

Por fim, é importante que as ações propostas sejam priorizadas em função da facilidade de execução, o tempo de sua efetiva implementação, a demanda de recursos e a efetividade de proteção proporcionada pelas mesmas.

 

Deste modo as ações propostas podem ser ordenadas por horizonte: curto prazo, médio prazo e longo prazo, sempre considerando os riscos associados à ausência da medida de controle na rotina de trabalho.

 

A literatura apresenta diversas formas de priorização, desde o modelo tradicional denominado G.U.T – Gravidade – Urgência e Tendência, até modelos mais complexos utilizados em planejamento estratégico de negócios. Uma maneira simples de priorizar, pode ser a combinação da avaliação de efetividade com a classe do controle, utilizando a hierarquia de controle e outra variável que representa a exequibilidade, considerando o tempo requerido para execução da ação proposta, a facilidade da sua execução e a demanda de recursos para a implantação da mesma, conforme ilustra a figura 3.

 

Figura 3 – Critério para priorização das ações

 

Neste caso, basta criar uma escala numérica para cada um dos eixos e avaliar cada ação segundo a escala definida. Assim sendo, cada variável terá um ponderador e o produto dos ponderadores produz um número que pode orientar a definição das prioridades, considerando todas as ações propostas e todas as variáveis pertinentes.

 

Em se tratando de um ritual e considerando que as ações do aprendizado para com o incidente devem ser registradas, observe os documentos e registros pertinentes a esta etapa, indicados na figura 1.

 

No próximo artigo abordaremos a etapa 8 do ritual de aprendizado para com o incidente, que é documentar o ritual de aprendizado para com o incidente em todas as etapas.

 

Autor: Reginaldo Pedreira Lapa
Engenheiro de Minas e de Segurança do Trabalho

 

Fonte: Lapa, Reginaldo Pedreira. Investigação e Análise de Incidentes, Editora Edicon, São Paulo, 2011

 

 

 

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quarta-feira, 11 de maio de 2022

 



 

PRESERVAR E CONTROLAR OS DADOS

 

 


A preservação e o controle das evidências são essenciais para evitar a perda ou alteração, para conferir credibilidade à investigação e para poderem ser facilmente encontradas quando necessário. Deste modo, é recomendado que se tenha procedimentos definindo a forma de preservação e controle dos mesmos.

 

Embora esta etapa do ritual de investigação de incidentes esteja mencionada logo após etapa de coleta de dados, deixamos propositalmente para aborda-la por último para incluir na preservação e no controle os relatórios que documentam a investigação além dos dados propriamente ditos.


Antes de remover qualquer evidência da cena da ocorrência, é necessário adotar ações que preservem a sua integridade tais como:

 

·       Registrar o local e orientação exatos da evidência na cena utilizando medidas, anotações, esquemas, fotografias, vídeos ou mesmo marcas indicativas no local como, por exemplo, utilizando tinta spray;

 

·       Providenciar local de armazenamento seguro para as evidências;

 

·       Embalar cuidadosamente e etiquetar com clareza para identificar a evidência e sua procedência;

 

·       Equipamentos e peças que estejam com defeito, avariados, montados inadequadamente e removidos para avaliação técnica devem ser registrados e terem seu posicionamento identificados com mapas, croqui ou imagem mostrando a sua posição na cena da ocorrência;

 

·       Itens que tenham sido quebrados ou danificados devem ser embalados cuidadosamente para preservar os detalhes da sua superfície;

 

·       Peças frágeis devem ser acondicionadas adequadamente para preservar a sua integridade;

 

·       O cuidado ao trafegar no local de ocorrência do incidente é essencial, pois além de evitar descaracterizar a cena do incidente pode ser perigoso pela possível presença de material nocivo ou mesmo estruturas enfraquecidas decorrente da ocorrência.

 

·       Embalar cuidadosamente e etiquetar com clareza para identificar a evidência e sua procedência;

 



É essencial prover um registro sistemático das imagens em foto e vídeo numa folha de controle descrevendo o local, data e hora em que foram produzidas. Não é recomendado utilizar anexos fotográficos que gravem digitalmente a data e hora na própria imagem, pois podem tornar ilegível parte da cena do incidente ou detalhes importantes. Da mesma forma, o uso das datas impressas no verso de fotos processadas em laboratórios fotográficos não deve ser considerado como o registro de fotos, pois as datas ali impressas são normalmente as datas de processamento e não a data na qual a imagem foi obtida.

 

Os itens, peças, materiais removidos da cena do incidente e coletados como evidências, devem ser registrados numa folha de controle indicando também data, hora, quem coletou e onde estão guardados.

 

Os documentos e registros coletados devem ser registrados em uma folha de controle indicando o tipo, a origem, o seu propósito e a data da versão do documento, pelo menos.

 

O acesso às evidências deve ser controlado. Elas devem ser disponibilizadas apenas para quem precisa examinar ou utilizar para outro fim durante o ritual da investigação. O acesso ao local físico onde as evidências estão armazenadas deve ser também controlado e restrito.

 

Os registros eletrônicos devem ser mantidos organizados num local apropriado e de acesso restrito. As declarações das testemunhas e informações médicas devem ser tratadas com confidencialidade e armazenadas de modo a impedir acesso público.

 

Após o término da investigação, é recomendável que todos os arquivos eletrônicos, incluindo o relatório final sejam copiados para um CD ou outro formato de armazenamento adequado e todos os dados deletados do computador onde a equipe de investigação estava trabalhando.

 



É recomendável que todos os arquivos eletrônicos, incluindo o relatório final sejam copiados para um CD ou outro formato de armazenamento adequado

 

Há de se lembrar de que podem existir ações recomendadas que tenham tempo de implantação mais longo e, consequentemente a verificação de sua eficácia também estendido no tempo. E assim sendo, pode ser também que alguma ação implantada não tenha sua eficácia comprovada ou reconhecida. Nestes casos, será necessário revisitar a investigação, rever os dados, a análise e, se os dados não estiverem preservados e com acesso facilitado esta ação fica dificultada ou mesmo impossibilitada.

 

Autor: Reginaldo Pedreira Lapa
Engenheiro de Minas e de Segurança do Trabalho

 

Fonte: Lapa, Reginaldo Pedreira. Investigação e Análise de Incidentes, Editora Edicon, São Paulo, 2011

 

 

 

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COMO INVESTIGAR UM

ACIDENTE DE TRABALHO?

 



Investigar um acidente de trabalho requer técnica e cuidado. Saiba como este procedimento deve ser feito com responsabilidade.

 

A investigação do acidente do trabalho é uma das facetas do gerenciamento de riscos. Digamos que a investigação do acidente é uma forma reativa de gerenciar o risco considerando que ela pretende identificar “o que aconteceu” e “como aconteceu” de modo que se possa propor ações que possam evitar a sua recorrência e/ou diminuir a sua consequência caso volte a ocorrer. Em outras palavras, a investigação busca identificar as causas do acidente.

 

Passos para investigar um acidente de trabalho

 

A investigação de acidentes de trabalho deve iniciar o mais rápido possível, e deve ser conduzida em etapas bem definidas:

 

Ações Imediatas: as ações imediatas incluem a notificação do acidente de modo que o acidentado possa ser atendido e socorrido, a comunicação do acidente para a empresa e às vezes externamente à empresa (INSS, Ministério do Trabalho, Polícia, etc), proteger a área onde ele ocorreu para evitar a descaracterização do cenário, documentar a cena e o cenário do incidente com fotos, croquis ou mesmo filmando, iniciar a coleta de evidências e identificar as principais testemunhas.

 

Constituir o Grupo de Investigação: designar pessoas para conduzir a investigação das causas, propor ações para evitar recorrência ou diminuir a consequência de eventos futuros similares e documentar o processo de investigação.

 

Coletar, organizar e analisar dados e informações:

 

Ø Obter dados relativos a pessoas (histórico de trabalho e de saúde dos envolvidos, entrevistas de testemunhas e do próprio acidentado);

 

Ø Ambiente (físico no momento do incidente, ex. clima, iluminação, ruído, níveis de vibração, etc., localização de pessoas e equipamentos, arrumação do local do incidente);

 

Ø Equipamentos (Análise física e teste de equipamento; análise do registro de equipamento, funcionamento, controles, vazamentos, comparação com outros novos ou similares, ferramentas e equipamentos de segurança);

 

Ø documentos e registros (análise de procedimentos aplicáveis: ART, PTP, etc.,, disponibilidade e uso de procedimentos; relatórios de turno; relatórios e registros de produção e de manutenção, análise de tarefas e avaliação de risco; permissões de trabalho, relatórios de treinamento, especificação e manuais de operação e de manutenção, registros de sistemas de controle e de supervisão eletrônica de equipamentos e instalações, auditorias, inspeções e relatórios, registro de incidentes anteriores, etc);

 

Ø Fatores organizacionais (cargos e responsabilidades, supervisão de funcionários, ambiente de trabalho, metas de produção e segurança, etc).

 

Estes dados e informações devem ser organizados para facilitar a análise e, portanto, a identificação de causas, parte do trabalho de investigar um acidente de trabalho A organização dos dados e informações pode ser feita com uso de ferramentas apropriadas tais como: Diagrama de Causa-Efeito; Diagrama de Mudanças, Diagrama de Barreiras, Diagrama de 5 Por Que, dentre outros.

 

Elaborar conclusões e propor ações: as recomendações devem estar relacionadas diretamente ao incidente e ter o propósito de evitar a recorrência, seja eliminando a condição perigosa, a probabilidade de ocorrência ou mesmo a consequência caso ocorra novamente. Normalmente, as recomendações abordam o uso de defesas, barreiras ou controles inexistentes ou inadequados. É importante que as recomendações sejam ações viáveis e exequíveis, capazes de mitigar o risco.

 



Documentar a investigação é produzir um relatório sobre a ocorrência, a investigação das causas e as ações e recomendações propostas.

 

Documentar a investigação: produzir um relatório sobre a ocorrência, a investigação das causas e as ações e recomendações propostas. Inclui um sumário executivo, descrição da sequência de eventos e suas consequências, da ferramenta de organização de dados e de investigação, listagem das causas, recomendações e ações propostas, além dos anexos pertinentes. Não é incomum as empresas disporem de formulários estruturados e padronizados para o registro da investigação.

 

Acompanhar e validar as ações: investigar um acidente de trabalho não termina com a elaboração do relatório. O ciclo de investigação somente é completado quando todas as ações propostas tenham sido concluídas e validas. Portanto, é fundamental que seja designado um responsável para esta tarefa.

 

 



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terça-feira, 10 de maio de 2022

 

 

 

SAÚDE E SEGURANÇA NO TRABALHO É UM CUSTO OU INVESTIMENTO?

 



Saúde e Segurança no Trabalho é um custo ou investimento? Se ainda você tem essa dúvida, ajudamos a esclarecer.

 

Por conta da crise econômica, muitas empresas buscam reduzir seus custos para tentar driblar a crise. Essa redução acaba sobrando para a área de Saúde e Segurança do Trabalho (SST) – algo que deve ser evitado! Para isso, os profissionais precisam estar sempre em contato e informar aos gestores sobre a importância de não realizar tais reduções de custos. E ainda sobre os prejuízos oriundos dessa decisão.

 

Todas e quaisquer empresas buscam obter lucro, seja lá qual for o seu segmento. Sendo assim, a área de SST também deve apresentar números aos gestores que comprovem o fato de prevenção ser um investimento para a organização graças a sua eficiência. Diante de tantos prejuízos que os acidentes de trabalho podem significar, tanto para a empresa quanto para os colaboradores, é essencial analisar quais os custos diretos e indiretos envolvidos num acidente para entender se Saúde e Segurança no Trabalho é um custo ou investimento.

 

Os custos diretos e indiretos dos acidentes de trabalho

 

Os custos diretos de um acidente de trabalho são os que podem ser mensurados de maneira mais fácil, como: tempo perdido, interrupção da produção ou do serviço, danos de equipamentos ou materiais, pagamento de horas extras, gastos com recuperação de empregados, vencimentos dos trabalhadores afastados, despesas com primeiros socorros, requalificação da mão-de-obra, substituição de trabalhadores, despesas administrativas e gastos com medicina e engenharia de reparação.

 

Esses custos diretos têm um efeito muito grande financeiramente para as organizações, uma vez que podem representar a necessidade de elevar preços dos produtos ou serviços oferecidos pela empresa para compensar tais despesas

 

Ø O que afeta a sua competitividade no mercado e, consequentemente, seu faturamento.

 

Já os custos indiretos são mais difíceis de avaliar, pois tratam-se das perdas de vidas, mudanças nas vidas e nas atividades do trabalho dos acidentados, impactos nas suas famílias e diminuição da própria qualidade de vida.

 

Saúde e Segurança no trabalho é investimento!

 

Logo, fica claro que despesas em Saúde e Segurança do Trabalho com foco em prevenção é um investimento, pois evita inúmeros danos às empresas, seja em suas finanças ou na imagem e reputação perante à sociedade, seus clientes, parceiros e investidores.

 

O custo existe quando se gasta apenas para cumprir a legislação ou quando a atuação em relação aos acidentes de trabalho é apenas reativa. No entanto, estamos falando de um investimento em que o foco da SST deve valorizar a vida e avaliar os riscos de forma ativa e proativa. Assim, ao criar um ambiente de trabalho seguro, lucra-se com diversos outros benefícios, como: redução das faltas, menor rotatividade, maior produtividade e, é claro, diminuição dos custos com acidentes e ações trabalhistas. Os valores gastos para a prevenção de acidentes são recompensados em ganhos diretos na produtividade na qualidade do trabalho e na construção de uma imagem e reputação no relacionamento com seus públicos.

 



Como mitigar riscos e evitar acidentes?

 

A grande maioria dos acidentes pode ser evitada por meio de medidas de controle sejam elas de eliminação, minimização, engenharia, administrativa ou mesmo de proteção individual. Para selecionar a medida apropriada é necessário implementar a gestão de riscos como parte da cultura organizacional.

 

Neste contexto, é possível facilitar a participação de todos os níveis organizacionais na gestão do risco, criando um ambiente onde o risco é um dos elementos a ser considerado na tomada de decisões sejam elas decisões estratégicas, táticas ou operacionais. O Papel das lideranças é angariar seguidores pelo exemplo, construindo uma cultura de segurança em todos os níveis organizacionais.


 

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CULTURA DE SEGURANÇA:

COMO PROMOVER UMA MUDANÇA ORGANIZACIONAL?

 


A cultura de segurança é um conceito muito importante a ser tratado para promover uma importante mudança organizacional.

 

Já abordarmos algumas vezes sobre a necessidade de se priorizar a criação de uma cultura de segurança nas empresas para a prevenção de acidentes e mitigação de riscos. Contudo, a cultura de uma organização não é tão difundida e esclarecida como deveria ser, pois poucos entendem realmente o que é ou como gerenciá-la.

 

O que é cultura organizacional?

 

Entende-se por cultura organizacional como um conjunto de padrões de comportamento, crenças e conhecimentos que, juntos, servem para caracterizar a maneira de atuar da maioria das pessoas de uma empresa. Assim, muitas pessoas acabam vendo a cultura organizacional como algo somente emocional, que pode ser resolvido na base da conversa. Certas empresas chegam até a discutir em reuniões como promover uma cultura de segurança, por exemplo, somente através de comunicados em murais ou ações do tipo.

 

Até certo ponto, tratar a cultura organizacional de forma “emocional” não está errado; porém, é muito mais do que isso – apesar de a mentalidade fazer muita diferença na questão. O importante, na verdade, é estar ciente de que a cultura organizacional não deve ser trabalhada de maneira isolada, pois é parte integral de um sistema de gestão!

 

Uma cultura de qualidade, por exemplo, é somente um efeito de seu próprio Sistema de Gestão – resultado de como as coisas são realizadas em sua empresa. Um ótimo exemplo disso é caso sua empresa seja de prestação de serviços: a qualidade dos serviços depende diretamente da qualidade dos processos envolvidos na prestação dos serviços. O mesmo vale para a criação de produtos.

 

Como mudar a cultura de segurança de uma empresa?

 



A cultura de segurança de uma empresa deve ser transformada através da mudança do pensamento das pessoas.

 

A cultura de segurança de uma empresa deve ser transformada através da mudança do pensamento das pessoas. Mudanças que devem ser realizadas através da aprendizagem e vir da alta diretoria, da gestão, principalmente através do exemplo e do alinhamento das ações dessas pessoas com o discurso da empresa, traduzido nos seus valores, missão e visão. Ou seja, essa aprendizagem tem origem no comportamento individual daqueles que são reconhecidos como líderes ou formadores de opinião, que em última análise deveriam ser os gestores. .

 

A corrente de contaminação do comportamento desce da alta direção e contamina aqueles que estão na linha de frente e portanto, expostos aos agentes perigosos inerentes às suas atividades.

 

Você, individualmente, independente da “patente” que tenha na sua organização, pode ser o agente alavancador da formação da cultura de segurança por que você sempre terá alguém próximo que o elegerá como líder. Certamente que o processo de adesão e de contaminação das pessoas por comportamentos seguros formando uma corrente que se transforma em cultura será mais intenso quanto mais você for reconhecido como um líder.


 

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segunda-feira, 9 de maio de 2022

 

 

 

 

PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NA VIDA DOS TRABALHADORES

 

 

Qual o impacto dos Programas de Segurança e Saúde no Trabalho na vida dos trabalhadores?

 

Um estudo publicado no periódico Ideias e Inovação fez uma análise sobre o impacto de programas de Gestão Ocupacional que têm como foco a saúde e segurança da realidade dos trabalhadores brasileiros. O artigo, Qualidade de Vida no Trabalho: Contribuições dos Programas de Saúde e Segurança no Trabalho, foi criado com base em uma análise bibliográfica de Saúde e Segurança no trabalho (SST), apoiado por debates sobre os riscos e consequências de doenças na qualidade de vida dos trabalhadores. Também levaram em consideração estatísticas de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho.

 



Gestores e responsáveis pela segurança devem estar atentos a possíveis mudança de rotina ou comportamento em um ambiente de trabalho.

 

Promovendo um ambiente de trabalho seguro

 

A pesquisa revela que para promover um ambiente de trabalho seguro é fundamental analisar o cenário organizacional com profundidade. Os gestores e responsáveis pela segurança devem estar atentos a possíveis mudança de rotina ou comportamento em um ambiente de trabalho, mesmo que pareça uma alteração pequena a princípio. Elas podem gerar situações, atividades e fatores de riscos para os profissionais.

 

De acordo com o estudo, o número de trabalhadores com alguma doença ocupacional tem crescido nos últimos anos, transformando-se em dois problemas para as empresas: mais custos e dificuldades na vida dos trabalhadores. Entre os principais problemas enfrentados pelos colaboradores, estão: sobrecarga de trabalho, máquinas, equipamentos e ferramentas sem análise ergonômica adequada, má postura, estresse e fadiga. 

 

Saúde e Segurança no Trabalho: custo ou investimento?

 

Infelizmente, a pesquisa mostra também que algumas empresas ainda têm a percepção errada de considerar o aporte de recursos em gestão de riscos e segurança no trabalho como um custo sem retorno. Porém, a realidade é bem diferente, uma vez que tais investimentos são devidamente compensados em ganhos com a produtividade, melhores condições de trabalho, identificação dos funcionários com a empresa, reconhecimento diante da sociedade e, é claro, o fato de a empresa ter menos gastos com afastamentos por causa de acidentes de trabalho e com possíveis ações judiciais.

 

Por fim, o estudo deixa claro que não tem a intenção de dar conclusões definitivas sobre o tema programas de segurança, mas sim ampliar o debate em relação à importância de as empresas se preocuparem com a sua gestão de riscos ocupacionais e focarem na segurança para uma melhor qualidade de vida no trabalho.

 

 

 

 

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