quinta-feira, 25 de setembro de 2025

 



 

INDÚSTRIA DE EPI: CRESCIMENTO, AUTOSSUFICIÊNCIA E OPORTUNIDADES

 

 


 

Após meses vivenciando uma realidade ainda desafiante em todos os sentidos, com os impactos gerados pela pandemia de Covid-19 na sociedade e na economia, é justo afirmar que somos uma nação altamente resiliente. Muitas empresas estão se reinventando e vários setores da economia estão se adaptando para enfrentar a crise. A indústria nacional de EPI, especificamente na área médico-hospitalar, é um exemplo do potencial empreendedor que o país tem, mas que tem sido negligenciado nos últimos 30 anos pela falta de uma política industrial que favoreça a produção nacional.

Hoje, as fabricantes brasileiras de máscaras respiratórias do tipo PFF2 têm a capacidade de produzir cerca de 480 milhões de unidades ao ano. Independente do apoio do governo, elas agiram rapidamente quando o EPI estava em escassez no mercado global no início da pandemia. Em medidas extremadas, alguns países fecharam suas fronteiras e proibiram a exportação de insumos hospitalares, enquanto esses mesmos reclamavam que os demais não forneciam os materiais. Ou seja, a solidariedade entre países deixou de existir rapidamente.

Mas a resposta da indústria nacional de EPI veio rápido. Empresas que fabricavam outros EPIs, por exemplo, investiram em infraestrutura, insumos e mão de obra para produzir máscaras PFF2 (N95). Outras aumentaram o volume de produção, comprando novos equipamentos para fabricação das máscaras.

Na cadeia de suprimentos, a principal fornecedora da matéria-prima lançou um produto 100% nacional, o que diminuiu a dependência da importação, antes de 70%. Para explicar, o material é um tipo de nãotecido com função filtrante, que garante a eficiência da máscara. O projeto, segundo fontes dessa empresa, já estava bastante adiantado e, por isso, foi possível colocar a matéria-prima rapidamente no mercado.

A soma de todos esses empreendimentos quase triplicou a capacidade de produção, saltando dos 15 milhões de máscaras PFF2 por mês para os atuais 40 milhões. Um volume muito maior do que o total de todas as importações do produto feitas pelo governo em caráter emergencial até o momento, seja pelo simples desconhecimento ou por não dar a devida importância à capacidade nacional.

Muitas importações desnecessárias foram feitas a preços superiores dos produtos nacionais, mesmo o setor sinalizando a todo momento a sua capacidade elevada em atender as demandas. Reforçando, não há falta de máscaras PFF2 (N95) no Brasil. O fornecimento está normalizado à demanda e os preços já estão voltando a uma regularidade.

Agora é necessário desenvolver uma política incentivadora para essa indústria no pós-pandemia. O Brasil adquiriu a sua autossuficiência e não dependente de importações. Pelo contrário, temos condições de exportar para os países vizinhos desde que o governo libere as exportações brasileiras.

 

 

 

 

 

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AVALIANDO CORRETAMENTE O CICLO DE EXPOSIÇÃO EM ANÁLISES DE CALOR

 

 


 

Nas avaliações de exposição ao calor no ambiente de trabalho é fundamental compreender que a correta caracterização do ciclo de exposição é um dos pilares para uma análise precisa e representativa da realidade. Entre os conceitos essenciais, destaca-se a necessidade de se analisar os 60 minutos mais críticos, considerando as diferentes situações térmicas envolvidas nas tarefas realizadas pelo trabalhador.

Um exemplo comum ocorre em áreas industriais onde múltiplas situações térmicas podem coexistir em um mesmo posto de trabalho.

 

Suponhamos uma rotina operacional composta por três etapas:

1. Abastecimento de forno — realizado próximo à fonte geradora de calor, com alta carga térmica, por 20 minutos;

2. Atividade auxiliar — executada a cerca de 10 metros do forno, com menor intensidade térmica, durante 10 minutos;

3. Monitoramento em sala de controle — com duração de 30 minutos, sendo possível inclusive que o ambiente seja refrigerado.

 

Esse ciclo total de 60 minutos reflete a verdadeira dinâmica da exposição térmica do trabalhador. No entanto, um erro bastante recorrente entre avaliadores é realizar a quantificação do IBUTG (Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo) apenas na situação térmica de maior carga térmica (por exemplo, o abastecimento do forno), mantendo a medição por 60 minutos contínuos nessa situação.

Essa abordagem desconsidera a variabilidade térmica ao longo do turno e acaba eventualmente superestimando a exposição térmica. O objetivo da avaliação não é avaliar apenas a situação térmica com a maior temperatura absoluta, mas sim determinar qual ciclo de 60 minutos apresenta o maior potencial de risco térmico, considerando a intensidade do calor, os tempos proporcionais em cada situação térmica e a respectiva carga metabólica de cada tarefa.

 

CICLO DE TRABALHO REAL
Em alguns casos, torna-se necessário avaliar diferentes ciclos de 60 minutos dentro da jornada para identificar qual intervalo é realmente o mais crítico. A partir daí, é possível estabelecer a taxa metabólica média ponderada, comparar os dados com os limites de exposição ocupacional (LEO), níveis de ação, região de incerteza e valor teto, conforme preconizado na NHO 06 da Fundacentro, e compatibilizar os resultados com os critérios estabelecidos no Anexo 3 da NR 9 (Exposição Ocupacional ao Calor) e no Anexo 3 da NR 15 (Atividades e Operações Insalubres – Calor).

Portanto, focar exclusivamente na situação térmica mais extrema, ignorando a alternância de atividades, compromete a fidelidade da avaliação e pode levar a decisões inadequadas sobre medidas de controle, bem como à caracterização incorreta do adicional de insalubridade e das condições especiais de trabalho. A avaliação deve ser fiel ao ciclo de trabalho real e baseada em critérios técnicos sólidos, refletindo a complexidade e a dinâmica do ambiente térmico ocupacional.

 

NOTA DE PESAR
Uma das coisas que eu mais aprendi, em quase 20 anos de atuação na área de  SST, é que as coisas simples, quando bem feitas surtem muitos resultados práticos.

Essa era uma das inúmeras virtudes do prevencionista Cosmo Palasio, que nos deixou recentemente. Uma pessoa que compartilhava o seu conhecimento de forma simples, objetiva e com uma didática ímpar.

Meus sentimentos a toda família, amigos e à nossa comunidade de SST, que perde um dos melhores profissionais que já tivemos em nossa área.

 

 

 

 

 

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