BRINCADEIRAS INADEQUADAS
(DDS) Brincadeiras inadequadas no
ambiente de trabalho
O problema das
brincadeiras excessivas nos ambientes de trabalho é tão maior quanto mais
perigos e riscos ocupacionais existiram no ambiente. Em um escritório com
poucos riscos é uma coisa. Numa siderúrgica cheia de riscos é outra coisa.
Vamos refletir juntos
sobre esse assunto e no final veremos algumas sugestões de como realizar ações
práticas para contornar o problema.
Primeiro vamos definir
o que são brincadeiras
É muito importante que tenhamos claro o que são as brincadeiras. E
como elas se diferenciam de atividades recreativas ou corporativas.
Por exemplo, existem algumas empresas que possuem quadras de
futebol, mesas de ping pong e outros estímulos recreativos. Nesses casos,
quando essas atividades são praticadas, não estamos chamando de brincadeiras.
Além disso, existem alguns momentos onde a empresa incentiva recreações, como é
o caso das SIPAT (Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho) por
exemplo.
Em todas essas situações, a empresa está estimulando as práticas
recreativas. Portanto, não é a isso que refiro quando falamos de brincadeiras.
Nessas situações as atividades são saudáveis e acontecem dentro de condições
controladas ou pré-estabelecidas pela empresa.
O que estamos chamando de brincadeiras são atividades informais e
descontraídas que ocorrem entre os colegas durante o expediente. Elas podem
variar desde piadas e brincadeiras leves até práticas mais elaboradas, como
pegadinhas ou zombarias.
Óbvio que nem todas as brincadeiras são um problema. Um pouco de
humor e descontração sempre pode ajudar nos ambientes de trabalho, deixando o
clima mais leve.
O problema surge quando atravessamos a linha, quando ultrapassamos
os limites do respeito e da profissionalidade. E vale lembrar que essa linha
não é muita clara. Portanto todo cuidado é pouco.
Exemplos de brincadeiras consideras problemáticas:
·
comentários depreciativos,
·
brincadeiras com ferramentas ou máquinas,
·
piadas ofensivas com base em gênero, raça ou religião,
·
comentários com base em aspectos pessoais,
·
práticas que causem desconforto ou humilhação para um ou mais
membros da equipe.
Brincadeiras saudáveis estimulam a camaradagem, o relaxamento, um
clime mais leve, o espírito de equipe, etc. Elas costumam ser leves e não
comprometem o bem-estar emocional dos colaboradores.
Já as inadequadas geram hostilidade, diminuem a motivação e
atrapalham o relacionamento interpessoal. Em geral, possuem elementos
discriminatórios ou de assédio.
Quando a Brincadeira
Vira Acidente Físico
1. O Perigo Oculto do
Ar Comprimido
Muitas vezes visto como
inofensivo (“é só ar”), o ar comprimido é uma das ferramentas mais perigosas
para se “brincar”.
O Risco: direcionar o jato de ar contra um colega para
limpá-lo ou assustá-lo pode causar danos irreversíveis.
A Consequência: se o ar entrar na corrente sanguínea através de
uma ferida ou até mesmo pelos poros da pele, pode causar uma embolia
gasosa, que pode ser fatal em questão de segundos. Além disso, o jato nos olhos
pode causar cegueira imediata e o ruído súbito pode romper tímpanos.
2. Ferramentas não são
brinquedos de arremesso
No ambiente de trabalho, a
familiaridade com as ferramentas gera excesso de confiança.
O Cenário: jogar uma
chave de fenda para o colega pegar no ar, ou fingir que vai jogar algo pesado.
O Risco: reflexos
falham. Mãos escorregam. O que era um arremesso “calculado” vira um ferimento
perfurocortante ou uma contusão grave na cabeça ou nos pés. Ferramenta tem
lugar certo: na mão de quem usa ou na caixa/painel. O transporte deve ser sempre
manual e seguro.
3. O “Susto” e o
Reflexo Involuntário
Assustar um colega que
está concentrado operando uma máquina é uma das atitudes mais imprudentes
possíveis.
O Mecanismo: quando
levamos um susto, o corpo reage com espasmos involuntários.
O Acidente: se o
colaborador estiver operando uma prensa, uma serra, ou dirigindo uma
empilhadeira, esse espasmo pode fazer com que ele insira a mão na zona de
perigo ou perca o controle do veículo. O “engraçadinho” que dá o susto é
diretamente responsável pelo acidente que ocorre a seguir.
Efeitos negativos das
brincadeiras inadequadas
Agora que já defini melhor
o que estamos chamando de brincadeiras, vamos avançar no nosso DDS. Nesse
tópico vamos analisar os efeitos negativos das brincadeiras inadequadas no
ambiente de trabalho.
Veremos também como elas
podem ter uma série de efeitos negativos que afetam tanto os trabalhadores e,
por consequência, a empresa como um todo.
Problemas de
relacionamento
Relacionamentos saudáveis
e colaborativos são essenciais para o bom funcionamento de uma equipe.
Brincadeiras inadequadas podem criar ou agravar conflitos entre colegas de
trabalho. Dessa forma, ocorre uma piora no ambiente de trabalho. Algumas
pessoas vão se sentir excluídas ou ofendidas, gerando um clima de tensão e
falta de cooperação.
Impacto na saúde mental
Hoje em dia falamos muito
de saúde mental, isso é inegável.
E esse é um dos pontos onde as brincadeiras inadequadas podem ter um impacto
significativo. Piadas depreciativas, comentários ofensivos ou práticas
humilhantes vão gerar estresse e ansiedade, podendo agravar casos de saúde
mental. Não podemos negar que saúde e bem-estar são são parte integrante de um
ambiente de trabalho produtivo.
Queda na produtividade
Brincadeiras inadequadas
vão drenar tempo e energia que poderiam ser direcionados para projetos
empresariais. Quando elas ultrapassam o limite saudável, os colaboradores podem
se distrair acima do que seria desejável. Logo, haverá perda de foco, atrasos com
consequente queda na produtividade em geral.
É importante que os
líderes e gestores estejam atentos aos efeitos negativos das brincadeiras
inadequadas e tomem medidas para preveni-las.
O problema da
discrimição e do assédio
Nos dias de hoje o tema do
assédio nos ambientes de trabalho é muito debatido. E existe uma forte
correlação entre esse tema e o problema das brincadeiras inadequadas.
Um tipo bastante
preocupante de brincadeira inadequada é aquela que possui conotação
discriminatória ou de assédio. Essas brincadeiras as mais prejudiciais porque
violam os princípios fundamentais de respeito, igualdade e dignidade.
Exemplos clássicos destas
brincadeiras são aquelas que se fundamentam em características pessoais, como
gênero, raça, religião, orientação sexual, deficiência física, entre outros.
Elas se focam em estereótipos negativos, reforçam preconceitos e criam um
ambiente de exclusão. Nesses casos os “alvos” das brincadeiras podem vir a se
sentir inferiorizadas ou agredidas.
Por exemplo, piadas
sexistas, raciais ou homofóbicas são exemplos de brincadeiras discriminatórias.
Essas atitudes podem causar desconforto e constrangimento para as pessoas
afetadas e podem contribuir para a criação de um ambiente de trabalho tóxico e
hostil.
É fundamental destacar que
atitudes discriminatórias e de assédio são passíveis de criminalização. Existem
diversas legislações hoje em dia, o que pode trazer consequências legais sérias
para a empresa, incluindo ações judiciais. Sem falar dos danos à reputação
quando esses casos chegam na mídia.
As empresas têm a
responsabilidade de criar uma cultura organizacional que rejeite qualquer forma
de discriminação ou assédio. Isso requer a implementação de políticas claras
que proíbam tais comportamentos, bem como a promoção de treinamentos e programas
de sensibilização.
Educar os funcionários
sobre a importância do respeito mútuo e da igualdade no local de trabalho é uma
das etapas para reduzir o problema. Agora que já entendemos melhor o que são as
brincadeiras inadequadas, vamos avançar e começar a pensar no que pode ser
feito para controlar o problema.
O papel de líderes,
gestores e profissionais SST
Não podemos negar que
líderes, gestores e profissionais SST desempenham um papel crucial na promoção
de um ambiente de trabalho profissional e livre de brincadeiras inadequadas.
Para compactar, vou me referir apenas a líderes daqui em diante.
Vejamos quais são os
papéis que podem ser desempenhados pelos líderes para reduzir o problema das
brincadeiras inadequadas.:
Criar diretrizes e
políticas
Os líderes podem criar
políticas e diretrizes claras. Por exemplo, definido quais brincadeiras são
aceitáveis ou não. Deve-se deixar claro quais possuem conotação discriminatória
ou de assédio moral ou sexual. Essas políticas devem ser comunicadas de maneira
clara e ampla para todos os funcionários, para que todos estejam cientes dos
limites.
Promover uma cultura de
respeito
Os líderes têm o papel de
promover uma cultura organizacional que valorize o respeito mútuo, a
diversidade e a inclusão. Eles devem enfatizar a importância de tratar todos os
membros da equipe com dignidade e profissionalismo. Isso requer a promoção de um
ambiente onde as diferenças são valorizadas e onde todos se sintam seguros e
respeitados.
Comunicação aberta
Os líderes devem
incentivar a comunicação aberta, rápida e transparente entre os membros da
equipe. Isso inclui a criação de um ambiente em que os funcionários se sintam à
vontade para expressar preocupações ou relatar situações de brincadeiras
inadequadas sem medo de retaliação. Os líderes devem estar disponíveis para
ouvir e agir prontamente quando surgirem questões relacionadas a brincadeiras
inapropriadas.
Treinamentos e
sensibilização
Os líderes devem investir
em treinamentos regulares sobre diversidade, igualdade e respeito no local de
trabalho. Esses treinamentos ajudam os funcionários a entenderem as
consequências das brincadeiras inadequadas e a desenvolverem habilidades de
comunicação e relacionamento interpessoal saudáveis. Os líderes também devem se
engajar nesses treinamentos e demonstrar seu compromisso pessoal com um
ambiente de trabalho onde há respeito.
Colocando em prática
Parabéns por ter chegado
até aqui nesse DDS sobre brincadeiras inadequadas nos ambientes de trabalho.
Agora é hora de colocar em prática ações concretas para controlar o problema.
Nesse quesito, umas das
coisas mais importantes é não demorar para agir quando detectar um problema.
Quando forem comprovadas situações de brincadeiras inadequadas, os líderes
devem agir de forma imediata e decisiva.
Os líderes devem
investigar adequadamente as denúncias e quando necessário tomar as medidas
disciplinares apropriadas. E mais, devem acompanhar as medidas para garantir
que foram implementadas. Ao demonstrar que a empresa leva a sério a questão das
brincadeiras inadequadas, os líderes estabelecem um tom claro de que tais
comportamentos não são tolerados.
Como referi anteriormente,
as ações práticas passam por treinamento, políticas, criação de canais de
denúncias, investigação e medidas corretivas.
Espero que esse DDS
contribua para tornar o seu ambiente de trabalho mais agradável, onde as
brincadeiras são sadias e contribuem para um clima mais prazeroso.
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