sexta-feira, 26 de setembro de 2025

 



 

E DE REPENTE A MP 905 FOI REVOGADA

 


No meio do turbilhão do enfrentamento da COVID-19, observa-se a total falta de conhecimento das autoridades e da população sobre as formas adequadas de proteção e um total desconhecimento das estruturas já existentes com capacidade para auxiliar no enfrentamento da situação.

Diante desse cenário, de fragilidade das lideranças, da falta de estratégia de país, o Congresso, por motivos políticos, deixa de aprovar Medidas Provisórias, dentre as quais a MP 905/2019.

Sem que nenhum dos congressistas tivessem conhecimento do assunto, pois o cerne da MP era o Contrato Verde-Amarelo, o Art. 167 da CLT teve a sua redação alterada, extinguido o Certificado de Aprovação (CA), que há 42 anos era emitido pela Secretaria do Trabalho como requisito para comercialização e utilização do Equipamento de Proteção Individual (EPI).

Após cinco meses e 10 dias, a MP foi retirada da pauta e o CA passou a existir novamente, pegando de surpresa a Secretaria do Trabalho, fabricantes, importadores e todo o mercado de usuários de EPIs. Como a Secretaria do Trabalho não emitia o CA desde 11 de novembro de 2019, atendendo a Lei, cerca de 1.300 EPIs instantaneamente, na virada de 20/04 para 21/04, passaram a estar ilegais.

Todas as medidas tomadas pelo setor para se adaptar à ausência do CA, como utilização de laudos de ensaios ou de certificados de conformidade, ou ainda o Registro da Animaseg, criado para preencher uma lacuna da MP 905, a fim de manter o setor em funcionamento enquanto a MP 905 tramitava no Congresso, de repente passaram a não ter mais validade ou precisarão ser readaptadas.

Enfrentando uma pandemia mundial de Covid-19, o Congresso jogou na ilegalidade todos os fabricantes e importadores de EPI’s, muitos desses fornecedores de equipamentos de proteção para o combate ao novo coronavírus.

Felizmente, a reação dos fabricantes e importadores de EPI’s, que contou com auxílio da ANIMASEG, como também da própria Secretaria do Trabalho, foi imediata. Em 1º de maio, no DIA DO TRABALHO e data que escrevi este artigo, fazia 10 dias que o CA tinha retornado, e a boa notícia é que o setor aguarda a emissão de uma Portaria que concederá um prazo para as empresas e o mercado se adequarem, criando um sistema mais ágil de emissão e renovação do CA.

O Brasil, como diz o ditado popular: “Não é para amadores”. O próprio mercado teve a paciência de, neste período, entender a situação complexa que tanto a Secretaria do Trabalho quanto os fabricantes de EPIs ficaram.

Mas ainda estamos enfrentando a COVID-19 e faço um elogio para a sociedade civil brasileira que, apesar da ´pandemia política´, tem se unido para enfrentar o problema, juntando os esforços de entidades, associações, empresas, voluntários (muitos voluntários) para criação de soluções variadas, abrangendo novas tecnologias a projetos sociais, e assim superar a crise.

É nesse sentido que congratulo o lançamento da plataforma “EPIMatch” (epimatch.abdi.com.br), criada com o objetivo de conectar demandantes da área médico-hospitalar e serviços de apoio a fornecedores e fabricantes de EPI's. O projeto é uma iniciativa da sociedade com amparo da Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), e contou com a parceria da Microsoft e o apoio de voluntários de várias entidades.  

 




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EPI: A ÚLTIMA BARREIRA ENTRE O TRABALHADOR E O ACIDENTE

 


Nesse momento de emergência de saúde pública global relacionada à Covid-19, a importância da conscientização do uso de EPI'''''''s como as únicas barreiras entre os trabalhadores da saúde e a contaminação, ganhou relevância em toda sociedade em âmbito mundial, infelizmente, pela falta deles.

Nos últimos 40 anos, os EPI's foram negligenciados e muitos “especialistas” os trataram como forma de as empresas atenderem a lei (a um preço barato) e não serem multadas. Externavam que esses dispositivos de proteção eram apenas paliativos, e que no fundo prejudicavam a segurança maior dos trabalhadores, chegando ao ponto de questionarem sobre a eficácia dos EPI's.

Essa batalha dos especialistas contra os EPI's não foi bem-sucedida, simplesmente, porque é difícil ir na contramão do conhecimento e das boas práticas mundiais de saúde e segurança do trabalho. Mesmo assim, conseguiram plantar dúvidas, impactando em decisões judiciais Brasil afora, inclusive nos tribunais superiores. Decisões que prejudicaram não somente as empresas produtoras e consumidoras, mas, principalmente, os trabalhadores.

No contexto de guerra contra o novo coronavírus, sem sombra de dúvida, precisamos e devemos aplaudir os profissionais da área da saúde que enfrentam a pandemia dentro das limitações que os EPIs permitem, mas devemos aplaudir, sobretudo, todos os trabalhadores que diariamente enfrentam os riscos de acidentes e doenças no trabalho para plantar e produzir nossos alimentos, transportar cargas essenciais, continuar construindo moradias, manter a energia em funcionamento em nossas casas, e todos aqueles que atuam em atividades que permitem a todos nós viver.

No Brasil, considerando somente os acidentes comunicados de trabalhadores registrados, morrem anualmente 3.000 trabalhadores, e ficam com incapacidade permanente mais de 15.000 trabalhadores. Se computarmos os acidentes do trabalho nos últimos 10 anos, faleceram mais de 30.000 trabalhadores e mais de 150 mil ficaram incapacitados para o trabalho e, na grande maioria, para manter seus dependentes.

Esses dados são referentes ao registro de acidentes ocorridos por trabalhadores com carteira assinada. Um levantamento realizado, em 2013, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou uma quantidade de acidentes sete vezes maior que os registrados. Um assunto de suma importância, mas que não gera pauta de interesse da grande imprensa, ou um aplauso de reconhecimento da sociedade a esses também heróis, que batalham no dia a dia para o país funcionar. Eles também dependem desses EPI's tão mencionados atualmente para salvá-los de possíveis acidentes.

Sim, porque o EPI é a última e única barreira entre o trabalhador e o acidente, para a esmagadora maioria dos trabalhadores.

E os “especialistas”? Continuam pregando para “noruegueses”, sem lembrar que estamos no Brasil.

 

 

 

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