EPI:
A ÚLTIMA BARREIRA ENTRE O TRABALHADOR E O ACIDENTE
Nesse momento de emergência de saúde pública global
relacionada à Covid-19, a importância da conscientização do uso de EPI'''''''s como as
únicas barreiras entre os trabalhadores da saúde e a contaminação, ganhou
relevância em toda sociedade em âmbito mundial, infelizmente, pela falta deles.
Nos últimos 40 anos, os EPI's foram negligenciados e
muitos “especialistas” os trataram como forma de as empresas atenderem a lei (a
um preço barato) e não serem multadas. Externavam que esses dispositivos de
proteção eram apenas paliativos, e que no fundo prejudicavam a segurança maior
dos trabalhadores, chegando ao ponto de questionarem sobre a eficácia dos EPI's.
Essa batalha dos especialistas contra os EPI's não foi bem-sucedida,
simplesmente, porque é difícil ir na contramão do conhecimento e das boas
práticas mundiais de saúde e segurança do trabalho. Mesmo assim, conseguiram
plantar dúvidas, impactando em decisões judiciais Brasil afora, inclusive nos
tribunais superiores. Decisões que prejudicaram não somente as empresas
produtoras e consumidoras, mas, principalmente, os trabalhadores.
No contexto de guerra contra o novo coronavírus, sem
sombra de dúvida, precisamos e devemos aplaudir os profissionais da área da
saúde que enfrentam a pandemia dentro das limitações que os EPIs permitem, mas
devemos aplaudir, sobretudo, todos os trabalhadores que diariamente enfrentam
os riscos de acidentes e doenças no trabalho para plantar e produzir nossos
alimentos, transportar cargas essenciais, continuar construindo moradias,
manter a energia em funcionamento em nossas casas, e todos aqueles que atuam em
atividades que permitem a todos nós viver.
No Brasil, considerando somente os acidentes
comunicados de trabalhadores registrados, morrem anualmente 3.000
trabalhadores, e ficam com incapacidade permanente mais de 15.000
trabalhadores. Se computarmos os acidentes do trabalho nos últimos 10 anos,
faleceram mais de 30.000 trabalhadores e mais de 150 mil ficaram incapacitados
para o trabalho e, na grande maioria, para manter seus dependentes.
Esses dados são referentes ao registro de acidentes
ocorridos por trabalhadores com carteira assinada. Um levantamento realizado,
em 2013, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou
uma quantidade de acidentes sete vezes maior que os registrados. Um assunto de
suma importância, mas que não gera pauta de interesse da grande imprensa, ou um
aplauso de reconhecimento da sociedade a esses também heróis, que batalham no
dia a dia para o país funcionar. Eles também dependem desses EPI's tão
mencionados atualmente para salvá-los de possíveis acidentes.
Sim, porque o EPI é a última e única barreira entre o
trabalhador e o acidente, para a esmagadora maioria dos trabalhadores.
E os “especialistas”? Continuam pregando para
“noruegueses”, sem lembrar que estamos no Brasil.
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