INDÚSTRIA
DE EPI: CRESCIMENTO, AUTOSSUFICIÊNCIA E OPORTUNIDADES
Após meses vivenciando uma realidade ainda desafiante
em todos os sentidos, com os impactos gerados pela pandemia de Covid-19 na
sociedade e na economia, é justo afirmar que somos uma nação altamente
resiliente. Muitas empresas estão se reinventando e vários setores da economia
estão se adaptando para enfrentar a crise. A indústria nacional de EPI,
especificamente na área médico-hospitalar, é um exemplo do potencial
empreendedor que o país tem, mas que tem sido negligenciado nos últimos 30 anos
pela falta de uma política industrial que favoreça a produção nacional.
Hoje, as fabricantes brasileiras de máscaras
respiratórias do tipo PFF2 têm a capacidade de produzir cerca de 480 milhões de
unidades ao ano. Independente do apoio do governo, elas agiram rapidamente
quando o EPI estava em escassez no mercado global no início da pandemia. Em
medidas extremadas, alguns países fecharam suas fronteiras e proibiram a
exportação de insumos hospitalares, enquanto esses mesmos reclamavam que os
demais não forneciam os materiais. Ou seja, a solidariedade entre países deixou
de existir rapidamente.
Mas a resposta da indústria nacional de EPI veio
rápido. Empresas que fabricavam outros EPIs, por exemplo, investiram em
infraestrutura, insumos e mão de obra para produzir máscaras PFF2 (N95). Outras
aumentaram o volume de produção, comprando novos equipamentos para fabricação
das máscaras.
Na cadeia de suprimentos, a principal fornecedora da
matéria-prima lançou um produto 100% nacional, o que diminuiu a dependência da
importação, antes de 70%. Para explicar, o material é um tipo de nãotecido com
função filtrante, que garante a eficiência da máscara. O projeto, segundo
fontes dessa empresa, já estava bastante adiantado e, por isso, foi possível
colocar a matéria-prima rapidamente no mercado.
A soma de todos esses empreendimentos quase triplicou
a capacidade de produção, saltando dos 15 milhões de máscaras PFF2 por mês para
os atuais 40 milhões. Um volume muito maior do que o total de todas as
importações do produto feitas pelo governo em caráter emergencial até o
momento, seja pelo simples desconhecimento ou por não dar a devida importância
à capacidade nacional.
Muitas importações desnecessárias foram feitas a
preços superiores dos produtos nacionais, mesmo o setor sinalizando a todo
momento a sua capacidade elevada em atender as demandas. Reforçando, não há
falta de máscaras PFF2 (N95) no Brasil. O fornecimento está normalizado à
demanda e os preços já estão voltando a uma regularidade.
Agora é necessário desenvolver uma política
incentivadora para essa indústria no pós-pandemia. O Brasil adquiriu a sua
autossuficiência e não dependente de importações. Pelo contrário, temos
condições de exportar para os países vizinhos desde que o governo libere as
exportações brasileiras.
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