segunda-feira, 13 de março de 2023

 





 

ESQUELETO ROBÓTICO PROMETE BARATEAR USO DE TECNOLOGIA DE REABILITAÇÃO DE PONTA

 


Primeiros testes com pacientes devem começar este ano. Projeto em desenvolvimento envolve parceria entre Unesp, UFSCar e USP, e destina-se a pessoas que apresentam incapacidade motora em virtude de AVC.

 



Marcos do Amaral Jorge

 

Em alguns animais do grupo dos artrópodes, como aranhas, escorpiões e caranguejos, a estrutura responsável por prover sustentação e proteção aos órgãos vitais se localiza não no interior do corpo como é o caso do nosso esqueleto – mas sim fora dele. São os exoesqueletos. O conceito de exoesqueleto é hoje uma ideia investigada pelos pesquisadores que trabalham no campo da tecnologia de reabilitação de pacientes com dificuldades motoras. No campus da Unesp em São João da Boa Vista, um projeto de pesquisa está desenvolvendo um exoesqueleto robótico voltado para a recuperação dos movimentos de membros inferiores, com foco principal em pacientes que apresentem incapacidade motora em virtude de terem experimentado um acidente vascular cerebral (AVC).

O projeto do ExoTAO, como é chamado, vem sendo desenvolvido pelo professor Wilian Miranda dos Santos desde 2011, quando ele ainda era aluno de mestrado financiado pela Fapesp no Laboratório de Reabilitação Robótica da Escola de Engenharia de São Carlos, da USP, do qual ele hoje é professor colaborador. O foco principal do projeto, que além da USP tem também como colaboradora a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), está em pacientes que apresentam sequelas de AVC e que tenham sofrido lesão medular incompleta, cujo quadro demande um processo de reabilitação dos membros inferiores.  Um protótipo do exoesqueleto já está em funcionamento e vem sendo testado, por ora, em indivíduos sem incapacidades motoras. Mas a meta é começar seu uso em pacientes ainda este ano, de forma experimental.

 

AVC é a principal causa de mortes no Brasil

 

O AVC é a principal causa de morte no Brasil, e estimativas do Ministério da Saúde apontam que mais de dois milhões de pessoas vivem hoje com sequelas. Destas, mais de 500 mil apresentam incapacidade grave. Muitas vezes, estes pacientes têm sua mobilidade e autonomia comprometidas, sendo necessário passar por um longo, disciplinado e complexo processo de reabilitação que envolve, por exemplo, dezenas de sessões de fisioterapia e de terapia ocupacional, além de deslocamentos frequentes até os centros de reabilitação.

Santos explica que os primeiros dispositivos robóticos desenvolvidos com fins de reabilitação trabalhavam na imposição de uma marcha ideal. Isto é, o aparelho orientava a execução do movimento correto, mas não exigia que o paciente desempenhasse esforços: ele cumpria os exercícios de forma absolutamente passiva. Com o tempo, descobriu-se que essa abordagem era pouco eficaz. “Para que o paciente consiga reaprender a realizar o movimento após um AVC, é necessária uma reorganização cortical. Essa reorganização só é possível se houver esforço por parte dele”, explica o engenheiro.

Desde os primeiros passos do projeto do ExoTAO os pesquisadores estabeleceram como um dos seus desafios desenvolver um mecanismo que seja capaz de fazer uma leitura da intensidade necessária para que o paciente execute o movimento, mas não ao ponto de substituir seu esforço. “É como a relação entre o professor e o aluno. O robô deve auxiliar o paciente, mas não pode fazer o movimento pelo paciente. Ele deve auxiliar até um certo ponto. O aluno precisa ser capaz de realizar a tarefa por sua própria conta”, compara Santos.

Para conseguir do aparelho uma resposta compatível ao esforço empreendido pelo paciente e ao mesmo tempo oferecer segurança, os pesquisadores equiparam o aparelho com uma série de atuadores elásticos, que são motores dotados de molas situados em cada uma das articulações do exoesqueleto. Por meio da leitura da força do paciente realizada por algoritmos, os atuadores são capazes de calcular a intensidade de força que o exoesqueleto deve imprimir no movimento que está sendo realizado pelo paciente. O funcionamento das estruturas foi detalhado em artigos publicados na revista científica Control Engineering Practice em 2019 e em 2017. “O exoTAO permite executar diversas assistências ao longo dos diferentes momentos que constituem uma marcha. O que o caracteriza como dispositivo robótico é justamente o fato de que pode obter informações e se adaptar a elas, exibindo algum grau de autonomia para a tomada de decisões”, explica Santos.

Outro objetivo foi conferir ao projeto uma estrutura modular. Isso facilita que os atuadores localizados nas articulações possam ser retirados para atender às demandas de tratamento de cada pessoa, permitindo assim individualizar o uso do aparelho e do tratamento.

 



Willian Santos demonstra o protótipo do exosesqueleto para membros inferiores que está sendo desenvolvido em parceria que envolve pesquisadores da USP, UFSCar e da Unesp.

Outra característica é a possibilidade de captar uma série de dados sobre o paciente por meio do aparelho. O exoesqueleto consegue fornecer, por exemplo, informações sobre a medida de força aplicada tanto pelo indivíduo quanto pelo robô ao longo de uma marcha, e também o comprimento da passada e a velocidade de deslocamento do paciente, entre outros indicadores.

Incorporar esses dados na avaliação do paciente ou na elaboração de protocolos de reabilitação, entretanto, não é a especialidade dos engenheiros que desenvolvem o exoesqueleto. Para cuidar desta esfera clínica, o grupo conta com a colaboração de pesquisadores da área de Fisioterapia da UFSCar. Marcela de Abreu Silva Couto atualmente realiza estágio de pós-doutorado no Laboratório de Reabilitação Robótica, mas desde 2013 integra o grupo, contribuindo com a perspectiva clínica dos projetos. Em seu doutorado, avaliou os efeitos de uma única sessão de terapia robótica associada a uma atividade com videogame em pacientes crônicos de AVC. O estudo detectou resultados positivos.

 

Potencial para acelerar a recuperação

 

Uma questão relevante levantada no trabalho é a sua colaboração para o desenho de futuros protocolos e reflexões sobre o uso desse tipo de recurso tecnológico. Couto explica que um dos diferenciais da reabilitação robótica é sua capacidade de  gerar e disponibilizar conjuntos de dados, que permite seu emprego como ferramenta de avaliação. Entretanto, explica a pesquisadora, ainda existe um caminho a ser percorrido no sentido de sincronizar esses dados com aquilo que já é passível de interpretação.

Parte das pesquisas realizadas pela fisioterapeuta tem foco em associar esses resultados fornecidos pelo equipamento às técnicas de padrão ouro usadas atualmente —  por exemplo, a análise da marcha feita com o emprego de câmeras. “A ideia é desenvolver não apenas o equipamento em si, mas todo esse aporte riquíssimo de informações que o equipamento traz consigo, e dessa forma estabelecer uma conversa entre os testes funcionais típicos que já aplicamos na fisioterapia e essa tecnologia em desenvolvimento”, explica.

A pesquisadora lembra que o processo de reabilitação de alguém que sofre com restrições motoras por conta de um AVC costuma ser longo, cansativo e desmotivante, tanto para o paciente quanto para os profissionais da saúde. O que os pesquisadores têm notado, contudo, é que a aplicação da robótica tem mostrado potencial para acelerar o processo de recuperação.

 “A reabilitação robótica tem a característica de oferecer uma terapia intensiva. Dependendo do equipamento e do modo como é usado, proporciona-se ao paciente um número maior de horas, em comparação ao que é feito por meio da terapia convencional. Às vezes, em meia hora de utilização de um equipamento robótico pode-se obter o resultado equivalente a mais de três horas de reabilitação convencional”, afirma a pesquisadora, que recentemente tem estudado a aplicação da robótica também em pacientes com mal de Parkinson.

Couto faz a ressalva de que a aplicação da robótica deve ser vista como mais um recurso a ser associado à reabilitação e não como uma solução mágica. “Não adianta romantizar um futuro em que as pessoas vão estar sentadas em máquinas se recuperando. Sempre precisaremos de uma visão individualizada e da associação de várias abordagens na terapia”, diz. Ela usa o conceito de ambiente de terapia, no qual são empregados recursos tecnológicos como robôs, videogames e realidade virtual, mas que não dispensa as técnicas convencionais.

 

Possibilidade de baratear acesso a tecnologia

 

O desenvolvimento de um dispositivo para reabilitação robótica com tecnologia nacional traz ainda a perspectiva de baratear essa modalidade de tratamento. O valor dos equipamentos importados é, na opinião de Santos, um dos maiores impeditivos para que a reabilitação robótica se torne mais acessível à população em geral. Dispositivos comerciais semelhantes ao aparelho desenvolvido pela equipe da Unesp, USP e UFSCar custam hoje  no mínimo 300 mil euros, o que praticamente inviabiliza a sua aquisição, exceto para alguns grandes centros de reabilitação.

Em 2018, foi depositada uma patente destacando a estrutura e o conceito modular do exoesqueleto, e mais recentemente o grupo vem trabalhando para transformar o protótipo em um produto. Para esta nova etapa, Santos aponta como principais desafios a otimização de algumas peças, de forma a reduzir seu peso, e a elaboração de um desenho otimizado que ajude a torná-lo viável comercialmente.

Mas, apesar dos preços ainda impeditivos, ele diz que a aplicação de dispositivos robóticos na reabilitação tem bons motivos para se tornar mais comum no futuro, amparada por aspectos vantajosos como a eficácia comprovada na melhora da reabilitação dos pacientes, o desenvolvimento de novos protocolos e estratégias de tratamento com este recurso e a tendência de incorporação da Inteligência Artificial na tomada de decisão dos aparelhos.



Fotos do exoesqueleto: acervo pessoal.

 

 



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VOCÊ UTILIZA OS EQUIPAMENTOS DE BLOQUEIO E ETIQUETAGEM DE FORMA CORRETA?

 



O Abril Verde já passou, mas lembrar da importância da segurança dentro do ambiente de trabalho nunca é demais. Segundo o Anuário Estatístico de Acidentes de Trabalho (AEAT), o Brasil ocupa a quarta posição no ranking dos acidentes de trabalho, com 4,5 milhões de ocorrências entre o ano de 2012 e 2018. Esse número elevado é alarmante e medidas protetivas devem ser tomadas para mudar urgentemente essa situação.

Por isso, queremos saber: você utiliza os equipamentos de bloqueio e etiquetagem corretamente? Eles estão de acordo com a NR-12? Os sistemas de bloqueio e etiquetagem são grandes aliados à prevenção de acidentes, à cultura de segurança de sua empresa e à melhoria contínua de resultados, o que evidencia ainda mais sua importância dentro do ambiente de trabalho industrial.

 

Como funciona o sistema de bloqueio e etiquetagem?

Para começar, vamos entender como o sistema de bloqueio e etiquetagem funciona. Quando um funcionário está fazendo alguma manutenção na máquina, apenas desligá-la pode ser muito perigoso, levando em consideração que outra pessoa pode ligá-la sem saber da intervenção. Essa situação pode colocar os dois colaboradores em risco ou outras pessoas que estejam por perto e até mesmo causar grandes complicações para a empresa como um todo.

Além disso, quanto aplicado corretamente, o sistema de bloqueio e etiquetagem oferece melhoria dos processos de manutenção e uma boa redução de custos e tempo. Trabalhos de manutenção são considerados perigosos, principalmente quando envolvem o uso de energia elétrica e substâncias tóxicas, por isso, equipamentos de bloqueio e etiquetagem são indispensáveis dentro da indústria.

Por sua vez, o sistema de bloqueio e etiquetagem pode ser aplicado por meio de diversos equipamentos. Eles isolam e demarcam a área de manutenção, por isso são tão importantes para a segurança e, consequentemente, para a diminuição dos acidentes de trabalho.

 

Bloqueio e etiquetagem de acordo com a NR-12

A NR-12 é uma norma regulamentadora que tem como objetivo estabelecer medidas de proteção para garantir a saúde e segurança dos trabalhadores. Por isso, ela destaca em seus itens os requisitos para que acidentes de trabalho não aconteçam. Confira os tópicos que falam sobre bloqueio e etiquetagem e certifique-se que sua empresa está de acordo com as normas.

 

Item 12.113

A manutenção, inspeção, reparo, limpeza, ajuste e outras intervenções devem ser executadas por profissionais capacitados, qualificados ou legalmente habilitados, adotando os seguintes procedimentos:

 

a) Isolamento e descarga de todas as fontes de energia das máquinas e equipamentos, de modo visível ou facilmente identificável por meio dos dispositivos de comando

b) Bloqueio mecânico e elétrico na posição “desligado” ou “fechado” de todos os dispositivos de corte de fontes de energia, a fim de impedir a reenergização, e sinalização com cartão ou etiqueta de bloqueio contendo o horário e a data do bloqueio, o motivo da manutenção e o nome do responsável (produtos personalizados).

c) Medidas que garantam que à jusante dos pontos de corte de energia não exista possibilidade de gerar risco de acidentes

d) Medidas adicionais de segurança, quando for realizada manutenção, inspeção e reparos de equipamentos ou máquinas sustentadas somente por sistemas hidráulicos e pneumáticos

e) Sistemas de retenção com trava mecânica para evitar o movimento de retorno acidental de partes basculadas ou articuladas abertas das máquinas e equipamentos

 

Item 12.116 – Sinalização

As máquinas e equipamentos, bem como as instalações em que se encontram, devem possuir sinalização de segurança para advertir os trabalhadores e terceiros sobre os riscos a que estão expostos, além das instruções de operação e manutenção e outras informações necessárias para garantir a integridade física e a saúde dos trabalhadores. A sinalização de segurança compreende a utilização de cores, símbolos, inscrições, sinais luminosos ou sonoros, entre outras formas de comunicação de mesma eficácia. Esta sinalização deve ser adotada em todas as fases de utilização e vida útil das máquinas e equipamentos.

 

Item 12.117

A sinalização de segurança deve ficar destacada na máquina ou equipamento, em localização claramente visível e ser de fácil compreensão.

 

Item 12.118

Os símbolos, inscrições e sinais luminosos e sonoros devem seguir os padrões estabelecidos pelas normas técnicas nacionais vigentes e, na falta dessas, pelas normas técnicas internacionais.

 

Item 12.119

As inscrições das máquinas e equipamentos devem ser escritas na língua portuguesa e ser legíveis. As inscrições devem indicar claramente o risco e a parte da máquina ou equipamento a que se referem, e não deve ser utilizada somente a inscrição de “perigo”.

 

Item 12.120

As inscrições e símbolos devem ser utilizados nas máquinas e equipamentos para indicar as suas especificações e limitações técnicas.

Devem ser adotados, sempre que necessário, sinais ativos de aviso ou de alerta, que indiquem a iminência de um acontecimento perigoso, como a partida ou a velocidade excessiva de uma máquina.

Se ainda está com dúvidas, baixe o material da Tagout e saiba como bloquear disjuntores de forma segura e eficiente!

 

*João Marcio Tosmann – formado em Engenharia Elétrica, com ênfase em Eletrônica, pela PUC-RS, com pós-graduação em Administração Industrial pela USP e MBA em Marketing pela ESPM. Possui experiência em projetos de manutenção industrial e logística em autopeças. Atuou como membro da diretoria do Complexo Industrial Automotivo General Motors (CIAG) e líder de projetos de novos veículos como Celta (General Motors) e EcoSport (Ford). Atualmente é diretor da Tagout, indústria de produtos de Bloqueio e Etiquetagem que oferece consultoria, treinamento e elaboração de procedimentos para implantação do Programa de Controle de Energias Perigosas (PCEP).

 

 

 



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sexta-feira, 10 de março de 2023

 





 

SELEÇÃO ADEQUADA DOS DISPOSITIVOS DE INTERTRAVAMENTO DE PROTEÇÕES MÓVEIS EM MÁQUINAS

 



Conhecidos também como chaves de segurança, os interruptores de intertravamento para proteções móveis, como portas basculantes, corrediças ou removíveis, são dispositivos de proteção utilizados para indicar e garantir que as proteções estejam posicionadas no local correto em uma máquina ou equipamento. A utilização destes dispositivos é indicada após a apreciação de riscos realizada, em princípio, pelo fabricante da máquina, senão pelo proprietário dela. Fazem parte de sistemas de comando relacionados à segurança (SRP/CS) e produzem um sinal que indica a condição segura de uma proteção física móvel.

A instalação correta deste componente em conjunto com a interface de segurança e os atuadores de saída atende aos requisitos das Categorias de Segurança (Cat. B, 1, 2, 3 ou 4), dos Níveis de Desempenho PL (a, b, c, d ou e) e dos Níveis de Integridade de Segurança SIL (1, 2 ou 3), conforme suas respectivas normas.

Chamadas de carenagem, caixa, tampa, tela, grade, porta etc., as proteções físicas fixas e móveis são utilizadas para evitar o contato direto e constante com partes perigosas de uma máquina no momento em que os trabalhadores executam tarefas como a operação normal, a limpeza, o ajuste, a manutenção e outras atividades que fazem parte dos ciclos de vida de uma máquina.

A seleção destes interruptores de proteção deve ser feita por meio de critérios técnicos levando em consideração, principalmente, o tempo da abertura da proteção móvel. Este tempo de abertura deve ser suficiente para que cessem os movimentos perigosos, reduzindo o risco alto, médio ou baixo de acidentes na área de perigo da máquina que está sendo protegida.

Existem máquinas cujo mecanismo de funcionamento de partes móveis tem o comando de acionamento e desacionamento com velocidades de resposta muito pequenas. Nestes casos, o projeto, a construção e a seleção do dispositivo de intertravamento não precisa jasa kontraktor de bloqueio e de travamento, mas sim evitar o acidente e a tentativa de manipulação ou de burla por parte de pessoas mal intencionadas.

Caso um determinado mecanismo de uma máquina tenha movimentos perigosos com origem e sistema de transmissão com muitos elementos, além de um acúmulo de força e energia muito grande, dificilmente este sistema poderá ter uma frenagem em um tempo muito curto. Para esses casos deve ser considerada a inércia do sistema como um todo e o dispositivo de intertravamento deve permanecer bloqueado e travado até que o sistema esteja em movimento zero.

Para garantir essa condição é necessário que exista um sistema de segurança que detecte a condição de movimento zero por sensores de pulsos indicando movimentos residuais ou pelo monitoramento da sequência de fases do motor que gera os movimentos. Este tipo de dispositivo de intertravamento deve bloquear e travar a proteção móvel de modo a impedir o acesso ilegal, em termos de segurança efetiva, e somente liberar a proteção após um monitoramento seguro.

 

De acordo com a norma ISO 14119:2013, que trata dos princípios para o projeto e seleção dos dispositivos de intertravamento associados às proteções, existem quatro tipos de dispositivos e são eles:

 

Ø Tipo 1. Dispositivo de intertravamento com interruptor de posição acionado mecanicamente com atuador não codificado. Ex.: dispositivos de intertravamento tipo dobradiça, tipo came linear ou tipo came rotativo.

 

Ø Tipo 2. Dispositivo de intertravamento com interruptor de posição acionado mecanicamente com atuador codificado. Ex.: interruptores de posição acionados por lingueta (significa que o atuador possui um formato codificado) e a chave transferível (trapped key).

 

Ø Tipo 3. Dispositivo de intertravamento com interruptor de posição acionado sem contato com atuador não codificado. Ex.: interruptores de proximidade do tipo indutivo, tipo capacitivo, tipo magnético, tipo ótico e tipo ultrassônico.

 

Ø Tipo 4. Dispositivo de intertravamento com interruptor de posição acionado sem contato com atuador codificado. Ex.: interruptores de posição atuados por campo magnético codificado, atuados por um transponder (tag) de RFID (Radio-Frequency IDentification) ou atuados por um transponder (tag) ótico.

 

Os atuadores são codificados de acordo com os níveis possíveis, aos quais os formatos permitem ser diferenciados em baixo nível (de 1 a 9 níveis disponíveis), médio nível (de 10 a 1.000 níveis disponíveis) e alto nível (mais de 1.000 disponíveis). Quanto maior o nível de codificação, maior a dificuldade de burlar o dispositivo.

Em termos de seleção do dispositivo de intertravamento, vale considerar ambientes com altos níveis de humidade e que necessitam de um grau de proteção (IP) maior e, eventualmente, com temperaturas também elevadas. Nestes casos, existem dispositivos que atendem às exigências com as devidas certificações e garantias de cada fabricante.

Outra informação importante relacionada quanto à seleção de um dispositivo de intertravamento é o fato de que, caso sejam acionados repentinamente, podem produzir novos perigos. Muitos processos contínuos, como a usinagem com desbaste de uma peça grande em alta velocidade ou um sistema automático de soldagem de precisão, não podem ter uma parada brusca, pois podem gerar outros perigos, tais como o estilhaço devido à quebra da ferramenta situs poker de corte e o incêndio ou explosão devido ao superaquecimento de superfícies. Torna-se necessária uma parada controlada para que o sistema se ajuste para permanecer em condição segura. O dispositivo de intertravamento com bloqueio e travamento é requerido.

Existem ainda outras formas de intertravamento que permitem o comando de partida da máquina. Porém, devem ser muito bem analisadas, compreendendo suas exigências por meio da apreciação de riscos e identificando os mecanismos e perigos existentes em cada tipo de máquina.

Em resumo, os avanços tecnológicos, especialmente na área da eletrônica, proporcionaram o desenvolvimento de dispositivos de intertravamento com maior confiabilidade quanto à aplicação nas diversas áreas industriais. A solução atende a principal meta de garantir a segurança nas operações e nas intervenções humanas nas máquinas, evitando ao máximo os acidentes e as possibilidades de manipulação ou burla.

 

Referências normativas


ISO 14119:2013 – Safety of machinery – Interlocking devices associated with guards – Principles for design and selection.

ISO 14120:2015 – Safety of machinery – Guards – General requirements for the design and construction of fixed and movable guards.

ABNT NBR ISO 12100:2013 – Segurança de máquinas – Princípios gerais de projeto – Apreciação e redução de riscos.

ABNT NBR ISO 13849-1:2019 – Segurança de máquinas – Partes de sistemas de comando relacionados com segurança – Parte 1: Princípios gerais de projeto.

ABNT NBR ISO 13849-2:2019 – Segurança de máquinas – Partes de sistemas de comando relacionados com segurança – Parte 2: Validação.

IEC 62061:2012 – Safety of machinery – Functional of safety of safety-related electrical, electronic and programmable electronic control systems.

ABNT NBR IEC 60034-5:2009 – Máquinas elétricas girantes – Parte 5: graus de proteção proporcionados pelo projeto completo de máquinas elétricas girantes (Código IP) – Classificação.

*Justiniano Vieira Lima Junior – instrutor técnico de segurança da Schmersal

 

 

 

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COMO SUPERAR OS DESAFIOS DE RESPOSTA A EMERGÊNCIAS EM SEU LOCAL DE TRABALHO

 

 


Não importa o quanto você se preparou para emergências com treinamento operacional ou equipamentos confiáveis, sempre há fatores que estão simplesmente fora do seu controle.

É por isso que é vital ter planos de resposta que minimizem a oportunidade de erro humano e permitam que você reúna as informações necessárias para resgate e resposta quando ocorrer um incidente. Velocidade e precisão são fundamentais quando a vida de seus trabalhadores e membros da comunidade está em jogo, então a hora de criar um plano de preparação para emergências é agora.

Vamos examinar um cenário de emergência e como o pessoal de segurança respondeu a uma liberação de gás não planejada.

 

Os desafios da resposta a emergências

 

No início da jornada de trabalho, um tanque desabou no lado norte de uma planta industrial. Uma quantidade desconhecida de gás perigoso foi liberada, criando um ambiente potencialmente explosivo e tóxico tanto para os trabalhadores quanto para a comunidade do entorno.


Esta cena ilustra algumas das frustrações que o pessoal de segurança, como chefes de bombeiros, gestores de segurança e técnicos de segurança, enfrentam em uma emergência industrial e as perguntas que podem se seguir:

 

Ø Quando começou o vazamento?

Ø Que tipo de gás e quanto foi liberado?

Ø Para onde está indo depois?

Ø Quem será afetado? Quem já foi exposto?

Ø Como posso proteger minha equipe e a comunidade eles podem se abrigar no local ou devo ordenar uma evacuação? Como posso proteger nossas instalações?

 

As respostas a essas perguntas podem esclarecer a situação para que você implemente os procedimentos de emergência adequados, interrompa a ameaça e acompanhe quando for necessário.

Mas onde você pode conseguir essas informações? Aqui estão as três coisas que você deve examinar ao criar qualquer plano de resposta a emergências.

 

1. Comunicação e informação acessível

 

Ação rápida para entender e comunicar a situação é fundamental para as equipes de resposta a emergências e todos os envolvidos.

Em nosso cenário, os socorristas chegam ao local e usam os monitores multigás pessoais Ventis Pro5. Há monitores de área Radius BZ1 e Gateways RGX ao redor do tanque e em toda a comunidade para monitorar continuamente a situação em tempo real e criar uma segunda linha de defesa.

Momentos após a implantação, as medições de gás em andamento e os dados em tempo real do equipamento são compartilhados entre os socorristas, melhorando a visibilidade do perigo no solo e permitindo que o pessoal de segurança permaneça a uma distância segura.

Por meio do compartilhamento de alarmes e resumos visuais de alarmes, a equipe de resposta descobre quem precisa de ajuda, onde encontrar as pessoas, qual é a ameaça e mais, permitindo um resgate mais seguro e eficaz.

Para garantir que todos os envolvidos sejam atualizados continuamente sobre a liberação, os alertas móveis personalizáveis são configurados, que notifica os socorristas quando há alguma mudança nas condições.

 



2. Previsão de zona de perigo

 

As medições de gás e dados meteorológicos locais dos sensores também alimentam, um software de modelagem dinâmica de plumas que cria um modelo da liberação de gás e seu caminho futuro para um período de duas horas. Com essas perspectivas, os operadores podem reduzir o risco de mais incidentes e dar aos socorristas as informações necessárias para configurar bloqueios de estrada, centros de evacuação, postos de comando e áreas de descontaminação, triagem e preparação.

Você pode visualizar um modelo de pluma em tempo real que se ajusta constantemente às condições do seu local, combinando dados de sensores de gás, estações meteorológicas e padrões de tráfego local. Ao capturar os fatores de mudança automaticamente, você pode eliminar cálculos e estimativas manuais de seu plano de resposta a emergências e dar ao pessoal de segurança a capacidade de agir com confiança durante emergências, protegendo sua equipe, comunidade e o meio ambiente.

 

3. Relatório e acompanhamento de incidentes

 

Depois de resolver uma emergência controlando o perigo e confirmar que todos estão em um local seguro, a última coisa que você deseja é o fardo de uma documentação extensa. No entanto, os insights obtidos de seus dados de detecção de gás são extremamente valiosos para relatórios de conformidade e prevenção de incidentes.

Um software de gerenciamento de detecção de gás, pode ajudar você a automatizar os relatórios para que possa se concentrar mais em como evitar exposições repetidas e menos em pesquisar dados em busca de informações relevantes. Você pode visualizar todos os registros do seu local, registros de dados e de alarmes em um painel fácil de acessar.

Sem essa combinação de hardware conectado e soluções de nuvem inteligentes, esse cliente precisaria mobilizar muito mais pessoal e, ao mesmo tempo, fazer cálculos de modelo manualmente para entender o impacto na comunidade.

No entanto, como a equipe investiu em soluções de resposta a emergências eles economizaram tempo, reuniram os insights certos e agiram na hora para proteger seu pessoal e a comunidade.

 





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quinta-feira, 9 de março de 2023

 




 

6 DOENÇAS QUE CAUSAM AFASTAMENTO DO TRABALHO E COMO EVITÁ-LAS

 



Você sabia que as doenças ocupacionais são registradas juntamente com os acidentes de trabalho? Sim, o (MTE) divulga, anualmente, o número de trabalhadores que sofreram ocorrências com ou sem afastamento do trabalho. O Brasil registra, em média, 700 mil acidentes de trabalho por ano desde 2010. Já os valores pagos pelo governo entre os anos de 2012 e 2016 para trabalhadores afastados chega a R$ 20 bilhões.

Segundo o MTE, as doenças ocupacionais são “produzidas, adquiridas ou desencadeadas pelo exercício da atividade ou em função de condições especiais de trabalho”. Legalmente, os trabalhadores afastados por doenças ocupacionais possuem os mesmos direitos daqueles que sofreram acidentes.

Por isso, é preciso ficar atento às principais causas de doenças ocupacionais e como evitá-las. Você sabe quais são?

 

1 – Lesões por esforços repetitivos (LER) e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT)

 

As principais causas são esforços repetitivos, posturas inadequadas e a ansiedade por pressão psicológica. No caso dos distúrbios, as doenças mais comuns são tendinites e lesões de ombro.

Para as lesões por esforços repetitivos e de posturas, é preciso ter um correto posicionamento para o trabalho, com adequação da mesa e cadeira, reduzir o número de repetições de movimentos, incluir pausas nas atividades, exercícios preparatórios para evitar as lesões. Sempre é indicado a realização de atividades físicas regulares.

Já para a pressão psicológica, o ideal é sempre haver um diálogo aberto entre funcionário e gestor, com a definição de metas adequadas e clareza sobre o que é esperado de cada profissional.

 

2 – Problemas de coluna

 

Os problemas de coluna, como a hérnia de disco, por exemplo, ocorrem muito frequentemente com trabalhadores que têm posturas inadequadas, que estão acima do peso ou são sedentários, quando fazem movimentos repetitivos para o levantamento de peso, já que envolve o uso da força e a movimentação do tronco.

Para evitar este tipo de problema é importante primeiro, estar em forma. Por isso, as empresas devem incentivar a prática regular de exercícios e a reeducação alimentar.

As atividades que requerem o levantamento de peso devem ser feitas gradualmente, com exercícios preparatórios e compensatórios. Além disso, as cargas devem ser fracionadas e com maior número de repetições, garantindo a redução da velocidade de execução das tarefas.

 

3 – Depressão e ansiedade

 

Cobranças excessivas por resultados satisfatórios, frustração profissional, problemas familiares e condições de trabalho inadequadas, por exemplo, são alguns dos motivos que causam estresse e depressão.

Em alguns casos os sintomas podem ser físicos, apresentando dores de cabeça, dor nas costas, fadiga, insônia e gastrite — o que pode causar confusão e fazer com que as pessoas acreditem ter outros problemas. O tratamento requer acompanhamento médico e o afastamento pode chegar a meses, dependendo do quadro clínico que o colaborador apresenta.

 

4 – Problemas articulares

 

Os problemas nas articulações são geralmente causados por movimentos repetitivos, posturas inadequadas, além da obesidade e do sedentarismo. As articulações são as conexões naturais existentes entre dois ou mais ossos.

Assim como em outras doenças ocupacionais, neste caso, recomenda-se a prática de exercícios, a reeducação alimentar e a adequação do mobiliário onde o trabalhador atua. Além disso, a redução da necessidade de uso da força e do número de repetições; pausas e exercícios preparatórios e compensatórios.

 

5 – Varizes

 

As varizes são veias que se tornam tortas e dilatadas devido ao acúmulo de sangue e surgem principalmente nas pernas e nos pés, causando dor e inchaço. Nas doenças ocupacionais, ocorrem mais comumente em pessoas que trabalham em pé ou sentada com pouca movimentação. Além de serem comuns em pessoas obesas e sedentárias.

Nestes casos, é preciso haver uma adequação das tarefas para que o trabalhador tenha a possibilidade de se movimentar, alternando a postura e realize exercícios preparatórios e compensatórios. No caso de pessoas obesas ou sedentárias, recomenda-se a prática de exercícios físicos.

 

6 – Problemas auditivos

 

A redução ou perda auditiva pode ocorrer devido à exposição excessiva ruídos ou até no caso de trabalho com produtos químicos solventes (tinner, tolueno, xileno e similares).

 

7- Acidentes de trabalho

 

Causalidades no próprio ambiente laboral são responsáveis por grande parte dos afastamentos dos trabalhadores de suas atividades. Fraturas, lesões e cortes por descuido ou má utilização das ferramentas são as causas desse tipo de acidente, bem como a não utilização dos equipamentos de proteção individual (EPI’s).

 

8- Dor nas costas

 

As dores nas costas, que incluem problemas na coluna, configura entre as principais causas de afastamento do trabalho. O motivo, normalmente, são problemas relacionados à ergonomia — seja para trabalhos realizados em escritório (que envolve postura), seja para trabalhos no processo produtivo (carregando peso de forma inadequada, por exemplo).

 

9- Lesões no joelho

 

As causas podem estar relacionadas a sedentarismo, doenças genéticas, trabalhos em escritórios (em que se passa muito tempo sentado), obesidade e carregamento de peso de forma inadequada. Em casos mais graves, pode ser necessário fazer cirurgia e acompanhamento com fisioterapia, o que aumenta o período de afastamento.

 

10- Hérnia inguinal

 

Acomete mais homens do que mulheres e não necessariamente está ligada a problemas no ambiente de trabalho — o que faz com que o empregador não tenha meios de elaborar planos de prevenção. Porém, ainda assim, esse problema possui um índice alto de afastamento do trabalho.

 

11- Doenças do coração

 

Problemas do coração podem estar ligados a condições genéticas, má alimentação e sedentarismo. O estresse no ambiente de trabalho pode ser um agravante, que, inclusive, também pode provocar hipertensão.

 

12- LER

 

As lesões por esforço repetitivo são uma doença crônica que afeta o desempenho do trabalhador ao atingir músculos, nervos, ligamentos e tendões. É cada vez mais comum, principalmente entre aqueles que desempenham tarefas manuais recorrentes

 

13- Problemas urológicos

 

Problemas urológicos acometem homens e mulheres e podem estar relacionados à incontinência, infecção urinária e pedra nos rins, por exemplo. Apesar de em menor número, esse tipo de doença também causa afastamento do trabalho no caso de inflamação da bexiga (cistite) e da pedra nos rins, por exemplo, o funcionário pode mesmo ter que passar por cirurgia, o que aumenta o tempo de afastamento.

 

Qual é o papel do profissional de saúde ocupacional na prevenção dessas doenças?

 

A empresa pode e deve exercer um papel ativo na prevenção de doenças decorrentes das funções e do ambiente de trabalho dos colaboradores.

 

Nesse sentido, algumas ações podem ser tomadas, como:

 

·       Realização de ginástica laboral diariamente, ensinando exercícios de alongamento que, além de ajudar a iniciar o trabalho de maneira mais disposta, servem para incentivar os movimentos nos intervalos, evitando longos períodos sentados ou lesões em decorrência da atividade realizada;

·       Treinamentos de ergonomia, orientando sobre a postura adequada, a forma correta de abaixar e carregar pesos, entre outras coisas;

·       Fornecimento das ferramentas e equipamentos adequados para a realização das atividades;

·       Palestras para conscientização a respeito de alimentação correta, hábitos saudáveis e a importância de realizar check-ups com o médico periodicamente;

·       Acompanhar e monitorar os afastamentos do trabalho, avaliando quais são as principais causas e qual a frequência em que eles ocorrem.

 

Para evitar é preciso que a empresa implante as medidas de proteção coletiva, com o isolamento das fontes de ruído e a ventilação exaustora no caso dos solventes, o trabalhador use o protetor auditivo ou máscaras de proteção específica para produtos químicos.

Além disso é importante estar atento com relação aos equipamentos de EPI e EPC, pois em qualquer área de atuação a segurança do funcionário é de responsabilidade da empresa.

Proteja-se! Se tiver dúvidas ou quiser compartilhar comigo a sua opinião, envie um e-mail para. Aguardo o seu contato!

 

 



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EDIFÍCIOS DOENTES:

PERIGO INVISÍVEL AOS FREQUENTADORES

 



Síndrome do edifício doente: Saiba mais sobre esse perigo invisível que afeta muitos trabalhadores no ambiente de trabalho.

 

Alguns sintomas como:

 

·       Dor de cabeça;

·       Mal-estar;

·       Fadiga;

·       Náusea;

 

Irritação nos olhos, nariz e garganta.

São muito comuns nos locais de trabalho que aparentemente são seguros e saudáveis.

Torna-se até difícil imaginar que um ambiente assim possa prejudicar nossa saúde.

 

Mas …. Ao contrário do que muitos pensam, esses locais podem ser muito prejudiciais.

 

O perigo é invisível, mas está em nossa volta.

Muitas pessoas se preocupam em ter uma alimentação saudável, praticar exercícios, beber três litros de água por dia.

Mas quem de fato presta atenção no ar que respira?

E olha que respiramos por volta de 9000 litros de ar por dia…

 

Mas afinal, o que é a Síndrome do Edifício Doente?

 

A síndrome do edifício doente foi reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1982.

Trata-se de um conjunto de doenças desencadeadas pela proliferação de microorganismos infecciosos e partículas químicas em prédios fechados. 

E foi identificada a partir da grande incidência de doenças acometidas em trabalhadores que não desenvolviam suas atividades em setores industriais.

Uma vez que a princípio todos os olhares estavam voltados a assuntos relacionados a emissão de poluentes por parte das indústrias e dos automóveis.

 

Pode não parecer, mas nossas roupas, cortinas, móveis, produtos de limpeza, plantas, impressoras, papéis e até mesmo nossa pele desprendem aerossóis, gases e vapores que se dispersam pelo ar.

Outro fator de poluição é a biológica no ambiente, e ela se dá através da emissão de bio aerossóis, como fungos, mofos e bolor, e esses são justamente nossos maiores inimigos.

Na Resolução RE nº 09, de 16 de janeiro de 2003 ficou estabelecido que o ideal para o ambiente seria a relação de 750 unidades formadoras de colônia por metro cúbico.

Portanto se a taxa estiver maior, nós teríamos um ambiente com o ar de baixa qualidade.

 

O que devemos fazer?

 

Primeiramente a medida macro, ou seja, a eliminação da fonte do problema.

Ela pode estar no sistema de climatização de ar condicionado, ou até mesmo no próprio ambiente de trabalho.

Além dos aerossóis temos também a questão química, onde não pode haver mais 1000 PPM (partículas por milhão) de CO2 no ambiente e na questão física a temperatura ideal seria em torno de 22 a 24 graus célsius com a umidade relativa do ar entre 40% e 60%.

A falta de limpeza e manutenção regulares e o mal funcionamento do sistema de ar condicionado podem trazer diversos malefícios a nossa saúde, como lesões sérias no pulmão, olhos, pele.

A forma de implantação e multiplicação dos microrganismos no ar condicionado se dá onde a água condensada é recolhida,

Nessa água eles se multiplicam exponencialmente e com a ajuda do próprio equipamento eles são dispersados pelo ambiente.

 

Existem medidas de prevenção Síndrome do edifício doente?

 



Existem medidas práticas e muito eficazes de prevenção que podem evitar a síndrome do edifício doente, sendo elas:

·       Salas claras e espaçosas;

·       Pouco tecido na decoração;

·       Móveis com superfícies lisas, claras e fácil de limpeza.

 

Essas medidas são muito importantes, mas não podemos esquecer que nada disso vale se o sistema de ar condicionado não for de qualidade e ter um programa de limpeza e manutenção preventiva.

O segredo para evitar a síndrome do edifício doente está ligada a não somente a limpeza e higienização, vem desde as etapas de projeto, instalação e operação do sistema de ar condicionado.

Sem esquecer é claro de ficar atento às normas e legislações.

 

Autor:  Guilherme Severiano Lage / Engenheiro de saúde e segurança.

 

 

 

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