sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

 



 

#ESSELIVROÉOBICHO

 

Poucos são os livros informativos que apresentam às crianças – com arte, ciência e estética – a diversidade da #faunabrasileira

 


Diagrama Pantanal, da coleção Manual dos Bichos, de Manu Alves e Rafa Mayer: “Internamente [em cada livro] há uma ilustração de uma paisagem que representa o bioma, onde localizamos todos os animais presentes no livro. Essa arte funciona como uma espécie de brincadeira interativa, instigando o pequeno a identificar onde cada bicho está”.

 

 

Otávio Maia

Médico veterinário, doutor em Desenvolvimento Sustentável, divulgador e explicador vinculado ao Laboratório de Informação para a Sustentabilidade do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia – Ibict →

 

 

Em 1974, eu precisei passar por uma cirurgia de emergência: apêndice supurado, peritonite aguda e toxemia. Aos cinco anos, eu me orgulhava – não de ter sobrevivido – de ser capaz de repetir para muitos curiosos o diagnóstico quase funesto, e mostrar o corte suturado com 52 pontos no abdômen infantil. Em casa, deixado o hospital, ao lado da minha cama – transferida do quarto que eu dividia com meus dois irmãos mais velhos para o da minha mãe –, encaixada entre ela e a mesa de cabeceira, uma sacola cheia de livros de histórias protagonizadas por animais.

 

Cresci acompanhado dos HQs da Disney – porque os personagens eram animais – e escutando histórias gravadas em LP’s coloridos que giravam na pequena vitrola enquanto eu folheava as revistinhas que os acompanhavam mesmo sem saber ler. Na mesma vitrola, minha mãe colocava uma agulha especial e selecionava a “rotação 78” (rpm) para os frágeis discos de goma-laca – um polímero natural que precedeu o vinil, e que tornava os discos pesados e quebradiços – com gravações de orquestras e cantores eruditos. Eu ainda os tenho, os discos – que não quebraram – e a vitrola vermelha – que funciona a pilha ou à eletricidade –, substituta da primeira, branca, à pilha. Na minha casa havia LP’s, violões, um piano Pleyel do século XIX, muitos livros e coleções, como os Clássicos da Editora Abril, capas vermelhas tipografadas em dourado, a obra de Érico Veríssimo, em capas azuis também tipografadas em dourado, uma coleção de Dostoiévski, outra dos Irmãos Grimm, os cinco pesados volumes do Dicionário Caldas Aulete que cedo aprendi a consultar. Havia uma segunda coleção da Editora Abril – cujas capas também eram vermelhas –, com dois volumes dedicados a histórias da Disney, praticamente desmantelados de tanto serem folheados. 

 

Na casa da Vozinha – avó materna –, onde eu gostava de estar porque tinha quintal e cachorro, uma prateleira fixada na parede de um dos quartos guardava A porquinha do rabinho enrolado, de Teresinha Casasanta, publicado pela Editora do Brasil em 1968, cujas ilustrações foram coloridas a lápis. Não sei dizer quantas vezes o folheei. Agora, ele descansa na minha estante, ao lado de os colegas, de Lygia Bojunga, publicado pela Editora José Olympio em 1972, outra obra que marcou a minha infância de leitor.

 


“E a gente canta » E a gente dança » E a gente não se cansa » De ser criança » A gente brinca » Na nossa velha infância” (Velha infância, do CD Tribalistas)

 

Eu gostava dos livros – talvez por crescer rodeado deles –, revistas e produções televisivas e cinematográficas “de bichos”, com bichos, sobre bichos. Muitas “memórias da divulgação científica”… Na TV – na “televisão” preto e branco, que tinha um tipo de acrílico azul sobre a tela para criar a ilusão de uma imagem colorida,  substituída por uma colorida na qual os canais eram selecionados em teclas ao invés do grande botão giratório que fazia um clique a cada canal selecionado –, O mundo animal apresentado por Bill Burrud – exibido nas manhãs da segunda metade da década de 1970 pela Rede Globo –, Daktari, Tarzan, As aventuras de Daniel Boone, Flipper, A turma do Zé Colméia – paródia ao comportamento dos ursos do Parque Nacional de Yellowstone, nos EUA –, A História de Elsa (Born free) – 13 episódios baseados no livro (1960) e no filme homônimos (1966), que contam a saga da leoa que permaneceu sob os cuidados do casal Adamson no Parque Nacional de Meru, no Quênia (uma das primeiras experiências de reabilitação da história da conservação) –, os documentários do celebrado inglês David Attenborough, reunidos nas 18 “fitas de VHS”  da coleção Os Desafios da Vida, lançada pela Abril Coleções entre 1996-97, em parceria com a Time Life.

Na estante, os dez volumes de Fauna, os seis de O mundo submarino (de Jacques-Yves Cousteau) – editora Salvat –, os seis volumes de Vida Selvagem – editora Nova Cultural – foram encadernados a partir dos fascículos comprados sempre na mesma banca de jornal a três quadras da minha casa –, os livros de Eurico Santos, o divulgador esquecido – que eu tinha preguiça de ler – e o álbum Animais de Todo o Mundo, para colar os 20 cartões colecionáveis encontrados dentro das embalagens das barras de chocolate Surpresa, com a imagem de um animal  selvagem e informações como nome popular, nome científico, família, habitat, alimentação, reprodução e particularidades. Sem falar de outras encadernações – por exemplo, Conhecer Universal (Abril, 1982), Selos de Todo o Mundo (Nova Cultural, 1986), Patrimônio Mundial (Nova Cultural, 1987), revistas Globo Rural, Ciência Hoje e Superinteressante – e outra leituras marcantes – por exemplo, Brasil: nunca mais (1985), Perestroika: novas ideias para o meu país e o mundo (1988), A história da riqueza dos homens (1936), As veias abertas da América Latina (1971) e Genocídio americano: a guerra do Paraguai (1979).

 


Na primeira fileira, o divulgador da vida selvagem e influenciador Bill Burrud (1925-1990). Na segunda, o influenciado, autor desta coluna.

 

Dando um salto de canguru no tempo, ou melhor, de suçuarana – para privilegiar a #faunabrasileira –, em 2011, já servidor público, “caí de paraquedas” em “mares nunca dantes navegados”. Eu me envolvi na revisão de uma cartilha sobre sustentabilidade, para crianças, da qual saltei para ter com o “pai da Turma da Mônica”, editar um livro, editar um segundo livro, e dar outro salto – um reverso de 4,5 mortais na posição estendida – para o mundo imaginativo da literatura infantil, ou “literatura para as infâncias”, expressão, segundo o Gemini, preferida por especialistas em educação que adotam uma visão mais progressista e socioconstrutivista da criança e da educação, reconhecendo que não existe uma infância única e ideal, mas múltiplas infâncias, vividas de maneiras diferentes a depender do contexto social, cultural, econômico e geográfico de cada criança; a literatura, nesse contexto, deve ser diversa e inclusiva, respeitando essas diferentes realidades. Perdoem-me os “universitários”, mas eu prefiro o “infantil” de Caldas Aulete, referente ou inerente à infância ou à criança; próprio para crianças.

Comecei a farejar pelas livrarias e sebos procurando #livrodebicho da #faunabrasileira, porque livro com espécies exóticas – aquelas que não têm a sua distribuição natural compreendida dentro do território nacional e nas águas jurisdicionais brasileiras –, esses existem de montão. Um rápido exercício de busca na seção de livros infantis em português, de uma livraria virtual tão grande como a floresta Amazônica – antes do desmatamento e das queimadas –, vai resultar em 192 livros protagonizados por ursos, 191 por coelhos, 126 por leões, 89 por elefantes, 87 por borboletas, 81 por lobos (maus e bons), 70 por macacos, 62 por girafas, 57 por jacarés, 51 por tigres, 49 por baleias, 47 por tubarões, 45 por pandas-gigantes, 30 por papagaios, 29 por tatus, 25 por golfinhos, 16 por focas, 13 por onças, 13 por tucanos, etc. etc. A despeito da inquestionável imprecisão da busca, ela se presta para revelar a abundância de livros cujos protagonistas são espécies da fauna exótica em detrimento à fauna brasileira que, por acaso, é a mais diversa do planeta.

As editoras poderiam demonstrar pela fauna nacional o mesmo interesse comercial direcionado à fauna exógena, com os mesmos atrativos estéticos e precisão biológica – obrigatória nos livros informativos e desejável, na medida do possível, nos de ficção –, com frequência negligenciada. Penso ser um bom momento desta coluna para destacar pedrinhas brilhantes que ficaram na bateia. Em Animais da nossa terra (2003), “pela primeira vez um livro infantil traz informações precisas sobre animais dos diversos ecossistemas brasileiros. Ricamente ilustrado com esculturas de papel, a obra revela a beleza e o encantamento da nossa fauna. Uma leitura informativa e prazerosa para alunos e professores”. Em Brasil 100 palavras (2014), bichos e plantas de cada bioma são representados por caricaturas coloridas acompanhadas de curiosidades. Um livrão informativo que não pode faltar na estante da criançada.

Paulo Vanzolini (1924-2013), que se notabilizou como zoólogo, mas também como sambista, apresenta sua paixão pelos bichos brasileiros em 80 verbetes acompanhados de ilustrações expressivas que atraem cientistas e crianças em Terra Papagalorum (2019). E por falar em samba, Bichos de cá (2020) apresenta a fauna brasileira acompanhada de canções com ritmos regionais. No Youtube, é possível escutar todas as músicas do livro, gravadas pelo grupo Nhambuzim. Bicho que chama bicho (2025) – de Mateus Rios, um craque da retratação da fauna brasileira – é um dos livros mais incríveis e surpreendentes que tive a alegria de ler. E no Livro vermelho das crianças (2015), informações sobre a conservação da fauna, histórias e curiosidades sobre 50 espécies ameaçadas de extinção no Brasil. A obra tem mais de 60 mil downloads – então não é só um jabá.

 


Pedrinhas brilhantes que ficaram na bateia.

 

Em 2020, a consternação tomou conta do casal Manu Alves e Rafa Mayer frente às queimadas no Pantanal, quando cerca de 25% do bioma foi consumido pelo fogo. Artistas plásticos especializados em pintura e papéis de parede para decoração de ambientes para crianças – inconformados com produtos e imagem de florestas que misturavam “um leão, uma girafa, um urso-panda e um bicho-preguiça” por conta das infindáveis referências, sobretudo da fauna africana, em livros, filmes e animações –, decidiram criar e comercializar prints (reproduções de desenhos feitas em papel especial) de animais do Pantanal, transferindo os ganhos com as vendas para ONGs que estavam combatendo as queimadas: “Enquanto na Austrália as pessoas faziam campanhas direcionadas para determinados animais, no Pantanal, os brasileiros nem sabiam o que era um tuiuiú, ave símbolo do bioma”. Na plataforma de financiamento coletivo Catarse, na qual o projeto Manual dos Bichos foi divulgado, o casal relatou: “Mais de 70% das pessoas que viram a nossa campanha não conheciam pelo menos três dos nove animais que ilustramos. Foi assim que surgiu a ideia de criarmos um livro unindo o nosso trabalho lúdico, com uma proposta educativa”. Esse relato me fez lembrar de uma propaganda veiculada na TV, na década de 1990, salvo engano da Fundação Biodiversitas, na qual crianças eram convidadas a desenhar animais, como o leão, o elefante… e o tamanduá-bandeira; “Tamanduá?”, indaga uma das crianças no final da peça.

 



Os seis volumes – bonitos de ver e legais de ler – da coleção Manual do Bichos, de Manu Alves e Rafa Mayer, publicados entre 2022 e 2025 por meio de “vaquinha virtual”.

 

A coleção Manual dos Bichos é fruto do esforço do talentoso casal de artistas que apostou na escassez e na demanda por livros informativos sobre a #faunabrasileira. Em cada um dos seis volumes, 27 espécies – número que simboliza quantos são os estados do Brasil, mais o Distrito Federal – são apresentadas pelo nome comum, nome científico, minibiografia com dados biológicos e curiosidades – textos curtos e bem-humorados que tornam a leitura dinâmica –, e uma caricatura feita à mão, colorida com lápis de cor. Enriquecem o projeto gráfico da obra coisas e símbolos que fazem referência aos nomes, hábitos ou habitat dos bichos, criando conexões diretas ou imaginárias – por exemplo, o urucum enfeitando a página do lobo-guará, pincéis e paleta de madeira a da onça-pintada e um helicóptero a do morcego-beija-flor. Além disso, cada volume apresenta o bioma por meio do mapa do Brasil assinalando sua área de ocorrência e descrição das suas características (vegetação, clima, relevância ecológica, etc.). O resultado? Leitura prazerosa, quase uma brincadeira. 

Como fazedor de livro, fiquei com inveja, inveja boa que alimenta a coragem de quem tira da caixola e edita as próprias ideias, buscando apoio na coletividade, que valoriza obras impressas e quer consumir livros informativos que apresentem às crianças – com arte, ciência e estética – a diversidade da #faunabrasileira. Que a coleção Manual dos Bichos seja inspiração para que tenhamos mais e mais “livros de bicho”, de bichos brasileiros.

 


Procura-se livros informativos sobre a #faunabrasileira.

 


Histórias e brincadeiras de bichos brasileiros.

 


A onça-pintada: protagonista de mitos e lendas.

 


A caça faz parte da cultura, ora para suprir necessidades, ora pelo prazer. Então, não é estranho – e tampouco deveria ser motivo de “cancelamento” – que o escritor Monteiro Lobato tenha descrito, como algo comum ou natural, o violento e cruel encontro da turma do Sítio do Picapau Amarelo com a onça, narrado na obra «A caçada da onça», publicada em 1924.

 

A diversidade da fauna marinha em histórias ficcionais, versos e em obras informativas, editadas por editoras tradicionais ou disponibilizadas gratuitamente – geralmente em versão eletrônica – por instituições de pesquisa.

 

A #faunabrasileira nas pinturas de Laurabeatriz, rimas e versos “biológicos” de Lalau.

 

As opiniões e informações publicadas nas seções de colunas e análises são de responsabilidade de seus autores e não necessariamente representam a opinião do site ((o))eco. Buscamos nestes espaços garantir um debate diverso e frutífero sobre conservação ambiental.

 

 

 

 

 

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VOCABULÁRIO AMBIENTAL INFANTOJUVENIL ESTÁ DISPONÍVEL EM PDF

 

São 100 verbetes divididos entre definições técnica e lúdica (tradução para a linguagem infantil), além dos desenhos feitos por crianças.

 

Ilustração que acompanha a definição de fauna.

 

Usando linguagem simples e ilustrado com desenhos feitos por crianças, o Vocabulário Ambiental Infantojuvenil foi pensado para popularizar os termos e conceitos da área para crianças e adolescentes e podem ser usados em sala de aula. O livro não é comercializado e a versão eletrônica está disponível gratuitamente em formato PDF.

A obra de Otávio Borges Maia e Tino Freitas conta com 100 verbetes ilustrados divididos entre 5 grandes temas: biodiversidade, clima, energia, poluição e sustentabilidade. As ilustrações foram feitas por alunos da Escolinha da Criatividade e do Centro Educacional Maria Auxiliadora, ambos da capital, e pelos participantes do Projeto Roedores de Livros, de Ceilândia, no Distrito Federal.

 

Também há desenhos premiados nos concursos infantis da Fundação SOS Mata Atlântica, da Bayer com o Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) e do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Espírito Santo. A resenha do livro foi feita pelo Prof. Mario Sergio Cortella.

 

Os verbetes ilustrados contêm as definições técnicas e as lúdicas. Por exemplo, a definição técnica de “espécie nativa” é:

 

“Espécie própria de uma região ou que existe originalmente nela. Por exemplo, a seringueira é nativa do Brasil, mas só da Amazônia. Se plantada em outra região, vira espécie exótica. E o mico-leão-da-cara-dourada? Também é nativo do Brasil, mas só da Mata Atlântica do sul da Bahia, de onde é endêmico”.

 

Na definição lúdica, a linguaguem é bem mais direta e simples: “Espécie nativa: bicho ou planta que vive naturalmente numa determinada região”.

 

O Vocabulário Ambiental Infantojuvenil é uma publicação do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict/MCTI), com cooperação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e apoio do Jardim Botânico de Brasília, vinculado à Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Distrito Federal.

 

 

 

 

 

 

 

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quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

 



 

A METRÓPOLE QUE NUNCA CHEGA: COMO O DESLOCAMENTO CONSOME A VIDA DOS FLUMINENSES

 

Para muitos trabalhadores, as horas gastas dentro de ônibus, trens, barcas, metrô ou vans acabam sendo maiores do que o próprio tempo passado no destino final




 

Um dos grandes desafios de quem vive na Região Metropolitana do Rio de Janeiro é enfrentar, todos os dias, um trânsito pesado e demorado. Para muitos trabalhadores, as horas gastas dentro de ônibus, trens, barcas, metrô ou vans acabam sendo maiores do que o próprio tempo passado no destino final.

Esse deslocamento exaustivo não é apenas um incômodo: virou tema recorrente justamente porque molda a rotina e a saúde de milhares de pessoas. O acúmulo de horas no transporte afeta o corpo e a mente – aumenta o estresse, piora o sono, reduz o descanso e obriga muita gente a seguir viagem em veículos lotados, muitas vezes em pé. No fim das contas, o trabalhador sai cansado de casa e volta ainda mais esgotado, enfrentando um trajeto que pesa tanto quanto a própria jornada de trabalho.

 

No último mês, durante a COP30, a Casa Fluminense lançou o De Olho no Transporte 5, a quinta edição de um projeto que, desde 2020, acompanha de perto o transporte público e cobra mudanças estruturais e emergenciais em nome da saúde das pessoas e das cidades – além de reforçar a urgência da transição energética. Desta vez, o foco foi direto ao ponto: olhar para quem sente os impactos todos os dias. A nova edição trouxe um panorama centrado no usuário, revelando como é, na prática, viver os desafios da mobilidade na Região Metropolitana do Rio.

O estudo acompanhou o dia a dia de quatro personagens com trajetórias distintas – rotinas, histórias e desafios próprios – mas unidos por um mesmo obstáculo: enfrentar o transporte público da RMRJ. E não é pouca coisa. A região lidera o ranking nacional de maior tempo médio de deslocamento: 58 minutos por viagem. Segundo o Censo 2022, é justamente ali que se concentra o maior número de pessoas no país que gastam duas horas ou mais para chegar ao trabalho ou à escola.

Para além dos números, o De Olho no Transporte 5 trouxe um olhar para as pessoas que vivem, na pele, esses desafios. Durante uma semana, quatro personagens – Maria Clara, Cristiane, Roberta e Wanderson – tiveram seus deslocamentos monitorados, incluindo tempo de viagem, gastos e até a exposição à poluição no trajeto, medida com dados de Monóxido de Carbono (CO) do satélite Sentinel-5P. Cada localização registrada virou um ponto no mapa, revelando a dimensão física e emocional do ir e vir diário.

Maria Clara: educação que custa tempo e segurança

Aos 24 anos, moradora de Queimados, Maria Clara enfrenta cerca de 20 horas semanais de deslocamento e gasta quase R$ 300 por semana. Entre trem, metrô, van e aplicativo, sua vida acadêmica é moldada pela insegurança e pelos horários limitados. Precisa escolher disciplinas de acordo com a hora do último trem e muitas vezes abre mão de atividades na universidade. Até o lazer exige cálculo e preocupação – o transporte dita o ritmo de tudo.

Cristiane: quando metade da semana vai embora no deslocamento

Moradora de Guaratiba, Cristiane passa longas horas entre ônibus, BRT, VLT e trem para trabalhar como empregada doméstica. Na semana monitorada, foram mais de 50 horas dentro do transporte público – o equivalente a dois dias inteiros só de viagem. A demora entre uma condução e outra afeta sua renda, seu tempo livre e até decisões sobre mudar de casa.

Roberta: a vida que atravessa três cidades

Mãe solo e estudante, Roberta viveu anos em deslocamentos entre São Gonçalo, Niterói e Rio. A falta de integração tarifária a obrigou a se mudar para garantir a ida do filho à escola. Ainda assim, gasta cerca de R$ 340 por semana com transporte. Sua rotina de cuidado, estudo e trabalho é marcada por incertezas e por impactos diretos na saúde do filho, que melhorou após a mudança.

Wanderson: o motorista que move a cidade, mas paga o preço

Motorista de ônibus, Wanderson sai de casa antes das 3h da manhã porque não há transporte disponível nesse horário. Entre deslocamentos pessoais e as viagens que realiza como profissional, acumula quase 52 horas semanais na estrada. O estresse agrava problemas cardíacos e deixa pouco espaço para o descanso.

Realizar um monitoramento como o do De Olho no Transporte não é simples: exige tecnologia, participação dos usuários, análise de dados e uma leitura sensível da cidade. Mas justamente por ser complexo, ele se torna essencial. Ao transformar trajetos em informação, o estudo aproxima gestores e sociedade da realidade de quem vive diariamente os gargalos do transporte – longos deslocamentos, custos altos, insegurança e exposição à poluição. Esses dados escancaram desigualdades e reforçam a urgência de medidas emergenciais que garantam dignidade no ir e vir.

Mais do que apontar problemas, o monitoramento evidencia a necessidade de ações estruturantes, como a implementação de um Plano de Mitigação para reduzir impactos à saúde e ao meio ambiente e a criação de uma Secretaria do Clima, que trate a mobilidade, energia e qualidade do ar como pautas inseparáveis. Em uma metrópole onde o transporte molda a vida cotidiana de milhões, olhar para esses trajetos com seriedade é o primeiro passo para transformar a cidade – e o futuro de quem a atravessa todos os dias.

As opiniões e informações publicadas nas seções de colunas e análises são de responsabilidade de seus autores e não necessariamente representam a opinião do site ((o))eco. Buscamos nestes espaços garantir um debate diverso e frutífero sobre conservação ambiental.

 

 

 

 

 

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JARDINAGEM COMUNITÁRIA

 COMO HORTAS URBANAS ESTÃO TRANSFORMANDO CIDADES EM ESPAÇOS MAIS SUSTENTÁVEIS

 

Do combate às ilhas de calor à segurança alimentar, a jardinagem comunitária une meio ambiente e sociedade em uma poderosa estratégia de transformação urbana.

 

Relatórios recentes da FAO apontam que a jardinagem comunitária cresce como alternativa real em áreas urbanas, ajudando a enfrentar a escassez de áreas verdes, o aumento das ilhas de calor e a insegurança alimentar. Essa prática não é apenas estética: ela conecta pessoas, gera aprendizado e fortalece laços sociais em meio à urbanização acelerada.

 

A jardinagem comunitária é um recurso socioambiental que pode ser incorporado em diferentes contextos, desde praças públicas até espaços escolares, oferecendo benefícios que vão além do cultivo de alimentos. Trata-se de um modelo de cidade sustentável e resiliente, onde a comunidade participa ativamente da regeneração do espaço urbano e da construção de um futuro mais verde.

 

“O engajamento comunitário é a raiz do sucesso da jardinagem urbana. ”

 

Manutenção de horta comunitária no projeto Prato Verde Sustentável, que promove agricultura urbana e sustentabilidade.

 

Jardinagem Comunitária: Fortalecendo Vínculos e Promovendo a Sustentabilidade Urbana

A jardinagem comunitária consiste na criação e manutenção coletiva de áreas verdes em espaços públicos ou privados de uso comunitário. Além de embelezar as cidades, ela promove interação social, combate a solidão e melhora a saúde mental dos participantes.

 

No aspecto ambiental, atua contra as ilhas de calor, aumenta a permeabilidade do solo, melhora a infiltração da água e favorece a biodiversidade. Estudos do IBAMA mostram que bairros com mais áreas verdes apresentam redução significativa de doenças respiratórias e cardiovasculares.


A importância dos sistemas alimentares sustentáveis

 

Impactos Ambientais e Sociais

A jardinagem comunitária traz resultados concretos: redução do estresse hídrico, melhoria da qualidade do ar, estímulo à agricultura urbana e acesso a alimentos frescos. Em São Paulo, iniciativas como as hortas comunitárias em praças públicas aproximam vizinhos, estimulam a troca de saberes e promovem a inclusão social.

 

Um exemplo inspirador é o projeto “Hortas Cariocas”, no Rio de Janeiro, que já transformou mais de 50 áreas urbanas em polos de produção orgânica, garantindo alimento de qualidade para milhares de famílias.

 

Além disso, organizações como o Prato Verde Sustentável incentivam práticas alimentares conscientes que dialogam diretamente com a jardinagem comunitária, reforçando a importância de sistemas alimentares mais justos e acessíveis.

 

Como Implementar Hortas Comunitárias em Áreas Urbanas

Compostagem comunitária: transformar resíduos orgânicos em adubo, reduzindo o lixo e nutrindo o solo.

Horta compartilhada: cultivo coletivo de hortaliças e ervas, fortalecendo a segurança alimentar local.

Revitalização de áreas degradadas: transformar terrenos baldios em espaços verdes produtivos.

Muitos municípios já oferecem apoio técnico para implementação de hortas comunitárias, incluindo capacitações em permacultura e agroecologia.

 

Prato Verde Sustentável: alimentos frescos e ideias para um estilo de vida ecológico e nutritivo.

 

Perspectiva Crítica

Apesar de seu potencial, a jardinagem comunitária enfrenta desafios: falta de espaços, resistência cultural e escassez de apoio institucional.

Mito: Atrai pragas.
Realidade: A biodiversidade controlada previne desequilíbrios.

Mito: Consome muita água.
Realidade: Técnicas de irrigação sustentável reduzem o gasto.

Boas práticas, como evitar plantas invasoras e reduzir o uso de químicos, são fundamentais para garantir o equilíbrio ambiental.

 

Jardinagem Comunitária como Pilar da Sustentabilidade Urbana

A jardinagem comunitária não é apenas um recurso de embelezamento das cidades, mas um verdadeiro pilar para a construção de sociedades mais sustentáveis, resilientes e inclusivas. Ao unir pessoas em torno de um objetivo comum – cuidar da terra e produzir alimentos –, ela gera benefícios múltiplos: melhora a qualidade do ar, reduz o impacto das ilhas de calor, fortalece a biodiversidade, amplia a segurança alimentar e promove o bem-estar físico e emocional dos participantes.

 

Além de sua dimensão ambiental, esse movimento é também profundamente social. Espaços de cultivo compartilhado transformam-se em locais de aprendizado, convivência e solidariedade, onde crianças, jovens e adultos encontram oportunidade para trocar saberes e desenvolver consciência ecológica. Projetos como o Prato Verde Sustentável e as hortas comunitárias em diversas capitais brasileiras mostram que é possível regenerar territórios, integrar populações marginalizadas e gerar impactos positivos diretos na saúde e na economia local.

 

Do ponto de vista educacional, hortas comunitárias funcionam como salas de aula a céu aberto, estimulando práticas de agroecologia e conceitos de economia circular. Ao mesmo tempo, criam pontes entre gerações, fortalecem laços culturais e despertam novos hábitos de consumo mais conscientes e responsáveis.

 

No entanto, para que essa transformação se consolide, é preciso superar desafios: garantir apoio público e privado, incentivar políticas de uso do solo urbano para hortas, ampliar a capacitação comunitária e, sobretudo, fomentar uma visão coletiva de que cuidar da terra é também cuidar da vida.

 

Assim, a jardinagem comunitária deve ser encarada como estratégia essencial para enfrentar a crise climática e os dilemas urbanos do século XXI. Não é exagero afirmar que hortas comunitárias podem se tornar um dos caminhos mais eficientes para cidades mais verdes, democráticas e humanas


Horta comunitária urbana promo sustentabilidade, segurança alimentar e laços sociais entre moradores.

 

 

 

 


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quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

 



 

NO ISOLAMENTO DA FLORESTA, UM CANTO PODEROSO REVELOU UMA NOVA ESPÉCIE

 

Na remota Serra do Divisor, a sururina-da-serra combina vocalização única, isolamento extremo e ameaças crescentes

 


A nova espécie (Tinamus resonans) ganhou o nome popular de sururina-da-serra. Foto: Luís

 

Parte inferior do formulário

Um canto incomum ouvido numa área montanhosa do Acre levou à identificação de uma nova espécie. Ela vive em faixa de ocorrência muito limitada, o que aumenta sua exposição a projetos de infraestrutura, mudanças na proteção do território e efeitos do aquecimento global.

No fim de uma tarde abafada de 2021, depois de oito horas de barco rio acima até o remoto Parque Nacional da Serra do Divisor, no oeste do Acre, o biólogo e ilustrador Fernando Igor de Godoy só queria dar uma “passarinhada” rápida antes de escurecer. Foi então que, em meio à floresta, um canto chamou sua atenção.

 

“Quando eu ouvi, falei na hora: isso não existe. Não parecia a variação de nada conhecido, era alguma coisa nova”, relatou.

O som longo, agudo e metálico ecoava pela serra, mas não lembrava nenhuma espécie conhecida. Godoy gravou ali mesmo o que se tornaria o primeiro registro da sururina-da-serra, hoje descrita por um time de cientistas como Tinamus resonans, a mais nova integrante da família dos inhambus.

No mundo das aves, novas espécies muitas vezes vêm do refinamento de populações já conhecidas, apartadas por análises genéticas. Não foi o caso. A sururina tem plumagem, comportamento e vocalização únicos entre os tinamídeos, grupo de animais como os macucos, perdizes e codornas.

 


Ilustração de Fernando Igor de Godoy com alguns membros da família Tinamidae: no topo a sururina-da-serra (Tinamus resonans), abaixo à esquerda um tururim (Crypturellus soui), à direta um inhambu-anhangá (Crypturellus variegatus) e mais abaixo um inhambu-carijó (Crypturellus brevirostris). A sururina adulta tem cerca de 30 cm de comprimento e peso próximo de 340 gramas.

Sua cabeça exibe uma máscara cinza-ardósia escura contrastando com peito castanho-avermelhado e o dorso pardo uniforme, compondo uma “vestimenta” não usada por nenhum de seus parentes.

O canto – com notas longas e potentes, em sequências que podem ultrapassar 45 segundos – foi a pista mais forte. Uma vocalização tão distinta acendeu um alerta de que ali havia algo fora do comum.

“Os inhambus já nascem sabendo cantar. Eles não aprendem com o ambiente. Por isso, quando você escuta uma vocalização tão diferente, o alerta acende na hora”, explicou Godoy.

A descoberta começou durante um trabalho de Godoy como ilustrador para um guia de aves da Serra do Divisor, financiado por instituições brasileiras e estadunidenses. No campo, comunidades locais ajudaram a selecionar as espécies da publicação. Foi nessa época que topou com o novo inhambu.

Nos meses seguintes, pesquisadores que ouviram o áudio levantaram dúvidas e sugeriram ser uma variação de espécies conhecidas. O biólogo Luís Morais foi o primeiro a defender a novidade. No ano passado, conseguiu fotografar e filmar a ave, cujo nome científico lembra a reverberação do canto na morraria.

“Muita gente achou que eu estava ‘viajando’. Disseram que era variação, híbrido, um bicho cantando estranho. Foram poucos os que levaram a sério no começo”, lembrou Godoy.

O inigualável canto é uma marca registrada da sururina-da-serra. Vídeo: Kenny Ueslei

 

Um mundo próprio

A sururina viveria apenas entre cerca de 310m e 435m de altitude, num mosaico de floresta úmida, solo raso e raízes expostas. Essa estreita faixa da Serra do Divisor abrigaria as estimadas 2.100 aves da espécie. Ainda não há registros dela fora dessa região. 

Tal isolamento – onde a caça é rara e grandes predadores são escassos – explicaria seu comportamento tranquilo e a fácil aproximação com as pessoas. “Mas, essa docilidade não é regra, depende muito da pressão de caça. Onde o acesso é difícil, os animais tendem a ser mais tranquilos”, explicou Godoy

O comportamento dócil e o isolamento renderam à espécie o apelido de “dodô brasileiro”, mas esse era um pombo das ilhas Maurício, de outra família de animais. Mesmo assim, o paralelo vale como um alerta de que aves mansas costumam desaparecer quando chegam as estradas, caçadores e animais domésticos.

 



Pesquisadores vasculhando a floresta da Serra do Divisor, no extremo oeste do Acre, próximo à fronteira com o Peru. Foto: Luís Morais

 

Rasgando o parque

Com 837,5 mil ha, o Parna da Serra do Divisor é uma das áreas mais intactas da Amazônia brasileira. Estimativas recentes indicam que quase toda sua cobertura florestal segue conservada, enquanto o entorno registra taxas de desmatamento bem maiores.

Ela abriga florestas com imponentes árvores, palmeiras, cipós, bambus, orquídeas e a singular vitória-régia. O ICMBio lista na área 1.233 espécies animais, como o macaco uacari, a onça-pintada, o quati, tartarugas, o boto-vermelho, o araçari-castanho e o peixe-boi.

Apesar desse patrimônio público, o parque enfrenta ameaças persistentes. Projetos de uma estrada e de uma ferrovia voltados à exportação de commodities por portos do Pacífico seguem vivos em órgãos públicos e nos congressos brasileiro e peruano.

Paralelamente, avançam propostas para rebaixar o parque à categoria de Área de Proteção Ambiental (APA), a categoria de unidade de conservação mais débil na legislação federal brasileira. A mudança abriria espaço para mineração, exploração madeireira e agropecuária.

O principal projeto rodoviário é a estrada binacional Cruzeiro do Sul (AC) – Pucallpa (Peru), na prática uma extensão da BR-364, cortando o Parna da Serra do Divisor e terras indígenas. Seu licenciamento ambiental federal está paralisado por decisões da Justiça Federal no Acre.

Para Francisco Piyãko, liderança do povo Ashaninka e nativo da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, os prejuízos socioambientais da obra superariam qualquer benefício. “É uma região extremamente sensível. Essa ligação não vai ajudar a região, vai só destruir”, afirma.

 



O sinuoso Rio Moa cortando a Serra do Divisor perto da fronteira Brasil – Peru. Foto: Pedro Devani / Secom/AC

Segundo ele, também coordenador da Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (OPIRJ), uma das principais ameaças é o avanço da criminalidade. A estrada conectaria o Acre a áreas peruanas já marcadas por exploração madeireira ilegal e plantios de coca.

“Você vê o narcotráfico se instalando, as facções circulando, porque virou uma fronteira internacional sem proteção”, descreveu.

Piyãko também questionou as promessas – sobretudo de políticos acreanos – de desenvolvimento econômico associado às obras. Como exemplo, ele citou a experiência ao longo da BR-364 – em obras desde os anos 1980 – onde a infraestrutura não teria melhorado a vida da coletividade.

“As cidades viraram só caminho. Cresceu a pobreza, gente sem ter onde morar, sem ter o que comer”, disse. “É muito mais discurso eleitoreiro, dizendo que vai tirar o estado do isolamento. O estado não está isolado, já existe uma ligação com o Pacífico, por Assis Brasil (AC) e Puerto Maldonado (Peru)”, disse.

 


O uacari-vermelho (Cacajao calvus rubicundus) é um dos impressionantes animais que habitam o Parna da Serra do Divisor. Foto: Eugenia Kononova / Creative Commons

 

Ameaça silenciosa 

Além das obras de infraestrutura e dos motosserras, a crise global do clima também pode afetar espécies vivendo em condições muito específicas, como a sururina-da-serra. Afinal, como ela já ocupa o terreno mais alto disponível, não teria como subir e fugir do aumento da temperatura. 

Incêndios florestais também são um perigo real e crescente pelas mudanças ambientais e degradação da Amazônia. Um único foco grande pode consumir boa parte do habitat da espécie, diante da sua ocorrência muito restrita.

“Se a Serra do Divisor vai bem, a sururina vai bem. Se o parque vira estrada, boi e fogo, não tem papel que resolva”, reforçou Godoy.

Ainda assim, a ave ainda não tem categoria oficial de ameaça. Os dados reunidos pelos cientistas serão avaliados numa oficina sobre aves amazônicas para propor um enquadramento – possivelmente como “espécie ameaçada”, dada a distribuição mínima e o risco climático.

Para Godoy, a descoberta também expõe o quanto a região permanece pouco conhecida. “Se uma ave dessa foi descrita agora, imagine a quantidade de animais, de plantas, de fungos, se tantos organismos para serem descritos”, projetou.

Diante disso, Piyãko afirmou que a Serra do Divisor devia ser reservada como uma fonte para o equilíbrio do planeta. “Muitas espécies hoje destacadas pela ciência são conhecidas há gerações pelos povos indígenas da região”, descreveu.

 


O Parna da Serra do Divisor é uma das áreas protegidas mais preservadas da Amazônia Brasileira. Foto: Pedro Benevides/Ascom Mâncio Lima

 

 

 

 

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