quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

 




 

JANEIRO BRANCO: 

O QUE É E COMO PROMOVÊ-LO

 


Os cuidados com a saúde mental são essenciais para todos, independentemente se você está trabalhando em home office ou presencial, a saúde mental em dia garante o bem-estar, a produtividade e até mesmo o bem-estar social do trabalhador, por isso, adotar práticas e princípios de saúde são de extrema importância, seguindo este caminho campanhas como o janeiro branco existem. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 5,8% da população brasileira sofre de depressão, totalizando mais de 11 milhões de casos. O índice é o maior da América Latina e o segundo maior das Américas, atrás apenas dos Estados Unidos, que registra 5,9% da população com o transtorno e um total de 17,4 milhões de casos, números que comprovam a importância dos cuidados com a saúde mental e de campanhas como o janeiro branco.

A saúde mental dos trabalhadores piorou também com a pandemia, gerando afastamentos do local de trabalho, dificuldade com o trabalho em home office, Síndrome de Burnout, incertezas sobre o futuro, ansiedade, depressão, síndrome do pânico, entre outras doenças mentais. 

Desta forma, dada a importância de aderir e utilizar campanhas preventivas, iremos falar sobre o janeiro branco, principalmente, sobre como adota-lo no local de trabalho, confira a seguir.

 

O que é o janeiro Branco?

 

janeiro Branco foi criado por psicólogos como um convite para iniciar discussões sobre a importância do cuidado na busca pela qualidade de vida. Assim, desenvolve-se também uma ação preventiva contra as doenças emocionais, promovendo e reforçando o conceito de saúde, principalmente, no ambiente de trabalho.

Criado em 2013, o Movimento janeiro branco tem como objetivo mostrar que cuidar da mente é tão importante quanto cuidar do corpo. Por questões culturais, é um tabu mental e emocional e acaba ficando de lado.

O objetivo é aproximar a sociedade, incluindo o trabalhador, dos cuidados com a saúde mental, a começar pela prevenção de transtornos mentais como depressão, ansiedade e pânico. Em 2023, o mote da campanha é “A vida pede equilíbrio“.

 

A saúde mental no trabalho

 

Para a Organização Mundial da Saúde - OMS, uma saúde mental em dia é a ausência de doenças mentais e a eliminação de situações estressantes no trabalho. Segundo o Ministério da Saúde, “estatísticas apontam que uma a cada cinco pessoas no trabalho podem sofrer de algum problema de saúde mental. Os problemas vão impactar diretamente no ambiente de trabalho, causando perda de produtividade e faltas ao trabalho, entre outros”.

A saúde mental depende de diversos fatores no ambiente de trabalho, como organização do trabalho, submissão a chefes autoritários, falta de comunicação entre as pessoas, aumento do ritmo de trabalho e aumento da exigência de produtividade.

Organização Internacional do Trabalho - OIT sugere que, em ambientes organizacionais, é preciso reconhecer sinais de depressão nos trabalhadores, como tristeza excessiva, falta de esperança, perda de interesse por atividades que antes davam prazer e mudanças no apetite e nos hábitos.

É essencial promover um ambiente de trabalho seguro para todos os trabalhadores e, além de um ambiente seguro, devemos nos esforçar para proteger a segurança física dos trabalhadores, incluindo seu bem-estar mental e psicológico. Lembre-se que investir na saúde mental dos funcionários faz bem para a saúde deles e faz bem para a economia da própria empresa.

 

A importância do janeiro Branco no trabalho

 

Conforme dados da Previdência Social, no ano de 2021, mais de 75 mil trabalhadores, tiveram afastamentos devido a depressão, número referente somente as pessoas que receberam benefícios previdenciários devido à afastamentos longos.

Os ambientes de trabalho são um dos principais fatores para o surgimento de transtornos mentais, como depressão, ansiedade, estresse e a síndrome de burnout. Do ponto de vista das empresas, essas questões se refletem em trabalhadores desmotivados, estressados e em situações como presenteísmo e absenteísmo.

Uma campanha que enfoque nos cuidados com a saúde mental, assunto que infelizmente é tratado como tabu ainda, pode ser muito importante dentro do ambiente de trabalho, ajudando na conscientização e com ações que possam ajudar os colaboradores neste assunto delicado.

 

Ações para promover o janeiro branco no trabalho

 

Como o janeiro branco é uma campanha voltada para a conscientização sobre cuidados com a saúde mental, quaisquer ações tomadas neste sentido são extremamente pertinentes. As ações que podem ser tomadas são as seguintes:

 

Palestras

 

O objetivo dessa iniciativa é levar conhecimento sobre saúde mental através de quem realmente entende do assunto. Por exemplo, é possível convidar um psicólogo ou um psiquiatra para falar sobre os cuidados que precisamos dar à nossa mente.

Essas palestras podem ser o primeiro contato com o tema para alguns. Isso ajuda a minimizar o estigma que existe para quem procura ajuda psicológica.

Além disso, alguns podem ouvir os fundamentos do atendimento psicológico pela primeira vez. Por exemplo, sobre não reprimir sentimentos negativos, refletir sobre seus pensamentos e perceber como você se comporta diante de tudo isso.

 

Benefícios voltados à saúde mental

 

Na maioria dos casos, o apoio deve vir de profissionais qualificados, como psicólogos e psiquiatras, neste caso, a empresa pode ajudar oferecendo benefícios corporativos, como psicoterapia, como parte do plano de saúde ou até mesmo a parte, como garantindo um valor para um número de consultas por mês.

Além disso, vale incluir outros benefícios como treinamentos, distribuição de ingressos para eventos culturais, convênios com academias, massagens e outros benefícios que proporcionam momentos de relaxamento e descompressão.

 

Capacitação das lideranças

 

Não é só a equipe de RH que precisa de treinamento prévio, os líderes também são muito importantes para o bem-estar da equipe e precisam estar alinhados para liderar pelo exemplo.

Portanto, a forma como um líder se comporta pode ter um grande impacto na forma como os profissionais veem o ambiente de trabalho.

Portanto, é fundamental capacitar os líderes para que tenham clareza de como podem contribuir positivamente para o fortalecimento de uma cultura voltada para a saúde mental.

 

Incentivo a atividades físicas

 

Uma ótima estratégia para promover o bem-estar no ambiente de trabalho é incentivar a atividade física, principalmente para os trabalhadores que passam grande parte do dia sentados.

Um dos principais procedimentos a serem adotados para esse fim é a ginástica laboral, que, além de favorecer a saúde dos trabalhadores, é uma ótima forma de relaxar antes ou depois das atividades.

Além disso, oferecer algumas aulas de ioga ou aeróbica também é uma ótima maneira de incentivar a atividade física.

 

Interações entre os trabalhadores

 

Uma ótima forma de diminuir o estresse e o atrito no trabalho é incentivar a interação entre todos os colaboradores, independente do setor ou cargo, a interação entre todos cria um ambiente colaborativo e amigável.

Empresas classificadas como os melhores lugares para se trabalhar, como Facebook, Google e Pixar, proporcionam esse tipo de experiência em seu ambiente e criam um sentimento de pertencimento à empresa.

Uma prática que deve ser incentivada no ambiente organizacional é o Diálogo Diário de Segurança - DDS. É uma atividade conjunta que pode ser utilizada para estabelecer uma conversa curta e rotineira com os trabalhadores sobre questões relacionadas à segurança no trabalho ou temas relacionados ao bem-estar no trabalho.

Além disso, um evento anual como a SIPAT, pode ser uma ótima forma para confraternizar com os funcionários e ainda os manterem cientes de cuidados com a SST.

 

Voluntariado para ações de caridade

 

Às vezes, o que precisamos para ter uma saúde mental melhor é focar um pouco em outras coisas além do nosso próprio trabalho. Assim, é possível incentivar os funcionários a ajudar, por exemplo, um abrigo de animais.

Muitos abrigos precisam de voluntários para ajudar durante a semana de trabalho, então considere dar um dia de folga aos funcionários para serem voluntários.

Se você não poder ser voluntário o dia todo, organize um almoço em que todos os seus funcionários se reúnam para doar brinquedos ou cobertores para animais de abrigo. Lembre-se que a vida pede equilíbrio e com ações como essas podemos ajudar nossos trabalhadores a enfrentar seus desafios pessoais! Seja um parceiro do Movimento Janeiro Branco.

 

 



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terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

 





 

O TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGA

 


Para proporcionar um ambiente de trabalho mais seguro aos trabalhadores é fundamental, primeiro identificar, riscos aos quais os motoristas estão expostos. Hoje vamos falar dos riscos do transporte rodoviário de carga.

 

Riscos no ambiente de trabalho

 

ü Riscos Físicos: são associados a agentes do ambiente como, por exemplo, excesso de ruído, proveniente do motor ou ambiente externo, vibrações por trepidação do veículo, associadas às estradas ou a condições inadequadas do veículo;

 

ü Riscos Químicos: são associados a agentes químicos como substâncias como graxas, combustível, óleos ou gases expelidos pelos veículos, como é o caso do monóxido de carbono. Além disso, motoristas que transportam produtos químicos possuem esse risco associado a vazamentos do produto, por exemplo;

 

ü Riscos Biológicos:  são associados aos agentes biológicos, ou seja, que podem ser capazes de provocar danos à saúde. Ao estarem em contato com muitas pessoas e ambientes diferentes, os motoristas também estão sempre expostos a vírus, bactérias e outros organismos causadores de doenças;

 

ü Riscos Ergonômicos: estão associados às condições de execução das atividades do trabalhador. No caso dos motoristas, por passarem grande parte do dia sentados dentro do caminhão, os motoristas estão sujeitos a situações que podem gerar transtornos como: postura inadequada na direção, condições inadequadas de temperatura no interior do veículo, monotonia e repetitividade da tarefa e extensão da jornada de trabalho;

 

ü Riscos de Acidente nas Rodovias: podem estar relacionados às condições da rodovia (riscos de acidentes na rodovia), com o comportamento do próprio motorista e com as condições do veículo, principalmente, na hora de executar uma inspeção de carga, manutenção do motor, freios, pneus, luzes, ar condicionado, entre outras.

 

Dentre os riscos associados à profissão de motorista, o risco de acidentes nas rodovias pode ser considerado como o principal deles, uma vez que tem o potencial de ser fatal.

Estatísticas mostram que em média 17 pessoas por dia perderam a vida nas rodovias federais, em 2017, e diversas causas ou motivos são associados aos acidentes.

 

Principais riscos e recomendações ao trabalhar com Transporte Rodoviário de Carga

 

Imprudência dos motoristas, como velocidade incompatível com a via. O excesso de velocidade é a segunda infração de trânsito mais cometida, atrás apenas do uso do celular ao dirigir. Além de aumentar a probabilidade de acidentes, o excesso de velocidade, aumenta a gravidade dos mesmos. Por isso, seja um motorista consciente e prudente. Dirija sempre na velocidade recomendada. Em dias de chuva, reduza a velocidade. Pratique sempre a direção defensiva. Esteja sempre atento ao ambiente a sua volta, procure antecipar os movimentos dos outros motoristas.

 

ü Falta de atenção. A falta de atenção é uma das principais causas de acidente no mundo todo. De acordo com a instituição NHTSA (Administração Nacional de Segurança Viária) dos Estados Unidos, o uso de celular aumenta em 400% o risco de sofrer um acidente de trânsito. Então, cuidado com as distrações. Nunca use o celular enquanto dirige. Poucos segundos olhando para a tela já são suficientes para que um acidente ocorra. Ajuste o ar condicionado, rádio e GPS antes de começar a viajar.

 

ü Cansaço, fadiga e estresse. Dados da Associação Brasileira de Medicina e Tráfego (ABRAMET) apontam que sono e cansaço representam 60% dos acidentes de trânsito do país. Para evitar esse tipo de acidentes, planeje bem a viagem, conheça o caminho que irá fazer e se programe para realizar paradas em locais adequados. Antes de dirigir, evite comidas pesadas, pois a digestão causa sonolência. Tenha cuidado com medicamentos que podem gerar cansaço ou sono. E claro, se estiver com sono ou cansado, pare e descanse.

 

ü Excesso de carga. O Departamento de Trânsito do Paraná (Detran), destaca que um caminhão com excesso de carga tem a eficiência dos freios reduzida pela metade. Além disso, o excesso de carga facilita a ocorrência de acidentes como o tombamento. Por isso, fique atento ao peso máximo permitido para o caminhão e nunca trafegue com o veículo acima da capacidade máxima permitida. A segurança nas estradas é responsabilidade de todos nós. Cuide da sua vida e da vida das outras pessoas nas estradas.

 

ü Falta de manutenção do veículo. Um dos desafios nas empresas que atuam no transporte rodoviário de cargas é manter em dia a manutenção da frota. Isso está relacionado com a necessidade de transportar mercadorias com distâncias longas, a característica da carga, cumprir prazos ou agendas de entregas / embarques e promover bons resultados financeiros. É necessário adotar procedimentos que determinem a prioridade de manutenção dos veículos e mantenha atualizada a própria manutenção preventiva, reduzindo com isso a probabilidade de falhas mecânicas em situações de risco.

 

Outros fatores que causam acidentes viários

 

Outros fatores contribuintes ou causas de um acidente viário são o fator veicular (falta de manutenção), humano (comportamento inadequado na via) meio ambiente (condições climáticas adversas), viário (condições inadequadas da rodovia, falta sinalização e geometria inadequada para circulação de veículos com carga), institucional/social (dificuldade para fiscalização) e socioeconômico (elevado fluxo de veículos e modo de direção inadequado), conforme apontado no relatório da pesquisa de Acidentes Rodoviários e Infraestrutura, conduzida pelo CNT (2018).

A nossa última reportagem traz uma série de 18 recomendações que ajudam a promover a segurança e saúde do trabalho nas transportadoras.

Fique atento que será publicada na próxima semana. Vamos destacar um conjunto de ações preventivas para promover no ambiente das transportadoras, cooperativas ou entre os profissionais autônomos com o objetivo de promover uma Cultura de Segurança do Trabalho e atender os requisitos mínimos da Inspeção do Trabalho.

 

 



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O QUE MUDOU NO PPP

 


Em 28 de março de 2022 o INSS divulgou a Instrução Normativa IN 128 2022, que alterou diversos regulamentos da legislação previdenciária e alterou bastante o modelo do PPP.

Depois tivemos a IN 133 e também a IN 141 que fizeram pequenas atualizações. Veremos tudo isso nesse post.

 

O que é PPP?

 

Para quem não sabe, PPP significa Perfil Profissiográfico Previdenciário. É um documento que o trabalhador precisa entregar ao INSS para requerer o benefício da aposentadoria especial.

Aposentadoria especial é o ato de se aposentar mais cedo, devido ao exercício de atividades com efetiva exposição a agentes químicos, físicos e biológicos prejudiciais à saúde, ou associação desses agentes.

Quem entrega o PPP ao trabalhador é a empresa, referente ao período trabalhado. E o PPP é preenchido com os dados extraídos do LTCAT (Laudo Técnico das Condições do Ambiente de Trabalho). É exatamente esse laudo que demonstra se o trabalhador estava ou não exposto aos agentes nocivos. Quem assina o LTCAT é o engenheiro de segurança do trabalho ou o médico do trabalho.

 

A IN 128 mudou o PPP

 

Como eu ia dizendo, a IN 128 revogou mais de uma centena de outras IN, portarias, memorandos, etc. Até mesmo a famosa IN 77 foi revogada.

São várias as mudanças, mas nesse post que falar especificamente do novo PPP, que já está valendo desde a publicação da IN 128.

Vou apresentar um breve resumo das duas principais mudanças, e depois vou colocar um vídeo, onde eu mostro o modelo antigo e depois mostro o novo PPP.

 

No modelo antigo do PPP, tinham os campos para informar os resultados da monitoração biológica.

 

Veja na imagem abaixo como era:

 

Resultados de monitoração biológica

não consta no novo PPP 2022

 

Toda essa parte saiu no novo PPP 2022.

Outra mudança importante diz respeito a parte sobre eficácia dos EPI (equipamentos de proteção individual).

 

Veja na imagem abaixo como era:

 

Era assim as informações relativas aos EPI no PPP

 

Como ficou a parte do EPI no novo PPP

 

Essa parte relacionada a EPI se mantém, entretanto, o sim ou não deve ser informado por período. Ou seja, ela passa a ser acoplada no bloco de exposição a fatores de risco. Veja na imagem abaixo como ficou no novo modelo do PPP:

 

Novo PPP 2022 – Registros ambientais e eficácia dos EPI

 

Observe então, como ficou a parte relativa aos EPI na imagem acima.

Bem, essas foram as principais mudanças. Além disso, houve uma mudança pequena que é o seguinte: o número que identifica o trabalhador deixa de ser o NIT e passa a ser o CPF.

E se desejar ver um vídeo onde eu mostro a planilha com as mudanças, é só dar play no vídeo abaixo.

 

A IN 133 mudou o PPP novamente

 

No dia 26 de maio de 2022 saiu a IN 133 que mudou um pequeno detalhe no PPP.

 

Basicamente, no campo 18.1 vai entrar o “CPF do Representante Legal”.

 

Essa foi a única alteração da IN 133 versus a IN 128 no PPP.

 

Depois a IN 141 fez mais algumas pequenas alterações

 

As alterações feitas pela IN 141 foram bem pequenas, em destaque para a desobrigação do carimbo, ao final do PPP, ali onde entra a assinatura do responsável da empresa.

 

Se você quer baixar o novo modelo PPP, vou colocar aqui embaixo os links para as Instruções Normativas 128, 133 e 141. Os links são todos do site do Governo Federal.

Se você quer entender melhor a legislação previdenciária, recomendo ler a IN 128. Mas, se deseja apenas o formulário do PPP, então recomendo usar o link da IN 141.

 

ü IN 133 – novo modelo PPP (site do Governo) - https://in.gov.br/en/web/dou/-/instrucao-normativa-pres/inss-n-133-de-26-de-maio-de-2022-403670931

 

ü IN 128 – novo modelo PPP (site do Governo) - https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/instrucao-normativa-pres/inss-n-128-de-28-de-marco-de-2022-389275446

 

ü IN 141 – modelo PPP (site do Governo) - https://in.gov.br/en/web/dou/-/instrucao-normativa-pres/inss-n-141-de-6-de-dezembro-de-2022-448586976

 

Perguntas feitas pelos meus alunos

 

O técnico em segurança do trabalho pode elaborar o PPP e assinar?

 

Qualquer pessoa designada pela empresa pode fazer o PPP, incluindo o técnico em segurança do trabalho, ou qualquer outro. Já a assinatura deve ser feita pelo representante legal da empresa. Já vi casos onde o técnico preenche e o Gerente de RH assina, por exemplo (nos casos onde o Gerente de RH é o representante legal).

 

O PPP é obrigatório para todos os funcionários?

 

Toda empresa, inclusive o MEI, deve preencher o formulário PPP de forma individualizada, por meio do evento S-2240 do eSocial, para 100% dos seus empregados a partir de 01 de janeiro de 2023. Neste ano de 2022 o PPP ainda deve ser elaborado em papel, mas apenas para os trabalhadores expostos aos riscos constantes no regulamento da Previdência, sendo obrigatórias as informações no eSocial também pelo evento S-2240. Esse procedimento pode sofrer revisão. Recomendo a leitura sobre o tema nesse link do GOV:
https://www.gov.br/empresas-e-negocios/pt-br/empreendedor/servicos-para-mei/saude-e-seguranca-do-trabalho-2013-sst

 

A emissão de PPP para períodos anteriores a 2021 se faz no modelo antigo de PPP com número de NIT ou PIS?

 

A emissão do PPP, a partir de março de 2022, é sempre no modelo novo, mesmo que o período trabalhado seja anterior a março de 2022. Com a entrada do PPP eletrônico em janeiro de 2023, passará a ser de forma online.

 

Na parte de eficácia do EPI, no modelo novo do PPP, coloco o tempo de admissão/ demissão?

 

O campo 15.1-Período do PPP se refere ao período trabalhado na função. Por exemplo, se ficou na função de operador de empilhadeira, coloque início e fim, e se mudou para outra função, daí você já muda para outra linha e informa outro período. Essas informações constam na carteira de trabalho, ou podem ser fornecidas pelo RH da empresa.

 

Onde acho o formulário PPP 2022 para preencher Word?

 

O INSS não forneceu o formulário em Word, apenas em PDF mesmo, nesse link - https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/instrucao-normativa-pres/inss-n-128-de-28-de-marco-de-2022-389275446. + eSocial recebem uma versão em Excel do novo modelo do PPP.

 

O funcionário trabalhou na matriz da empresa e também em uma filial exercendo diferentes funções. Posso colocar no mesmo PPP ou tem que fazer dois PPP’s?

 

Tudo no mesmo PPP. Observe que no campo “13 – LOTAÇÃO E ATRIBUIÇÃO” tem uma coluna para inserir o CNPJ. É ali que você irá especificar o período em cada função, o CNPJ correto (matriz x filial), o setor, o cargo, a função e o CBO.

 

Se o novo PPP exclui o monitoramento biológico como fica o pessoal que trabalha no ambiente hospitalar?

 

O monitoramento biológico a que se referia o PPP eram os resultados dos exames. Isso foi retirado para dar mais privacidade a esses dados dos trabalhadores. Não há nenhum impacto em quem trabalha em ambiente hospitalar.

 

 

 

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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

 




 

MANUTENÇÃO PREVENTIVA DE COZINHA INDUSTRIAL: 

COMO IMPLEMENTAR

 


Quase tudo precisa de manutenção para manter-se em pleno funcionamento. E com a cozinha industrial, não seria diferente. Como existem diversos tipos de manutenção e a cozinha é parte fundamental para muitas empresas, neste texto vamos abordar a manutenção preventiva de cozinha industrial, como foco na contenção de gastos e paradas repentinas de equipamentos essenciais para a operação.

As cozinhas industriais são diferentes desses espaços que temos em casa. Com produção de alimentos em alta escala, a utilização de recursos profissionais e equipamentos de alto padrão são necessários para atender a demanda individual de cada empresa, instituição ou até mesmo fabricantes da indústria alimentícia.

 

Além da produção de alimentos em si, na cozinha industrial também são realizadas:

 

·       Higienização dos alimentos;

·       Refrigeração;

·       Cocção;

·       Pré-preparo.

 

Para que nada seja entregue fora do prazo, a manutenção preventiva de cozinha industrial precisa ter um plano e você vai entender o porquê agora.

 

O que é manutenção preventiva?

 

A manutenção preventiva é uma ação que, como diz o nome, previne interrupções, trocas de peças que não estavam previstas e aparadas que afetam toda a produção.

Imagine você um hospital que produz refeições para os pacientes e que para a produção porque um dos equipamentos essenciais deixa de funcionar? Ou até mesmo uma fábrica que produz matéria prima perecível, com prazo de entrega para aquele dia e que por algum motivo, o forno não esquenta.

Dependendo do contrato, implicações como pagamento de multa podem acontecer, além da perda de pontos com o cliente que também precisa daquele produto para atender outras pessoas. Ou seja, é uma rede que não pode parar, já que um simples equívoco afeta muitas empresas e indivíduos.

 

Manutenção preventiva de cozinha industrial: como implementar

 

Tenha um planejamento

 

Cada equipamento, independentemente da marca, tem um manual e instrumentos para maior prevenção e conservação. Seguir essas orientações é o primeiro passo. E cada um deles exige também a prevenção. 

 

O calendário da manutenção preventiva de cozinha industrial precisa respeitar alguns aspectos como:

 

·       Frequência de uso;

·       Importância. Por exemplo, sem ele nenhum outro processo de produção vai para a frente;

·       Histórico de paradas repentinas ou troca de peças;

 

A empresa ou equipe responsável pela manutenção precisa estabelecer um plano que atenda às características do fabricante e também a individualidade de cada cozinha para estabelecer a frequência de aplicar a manutenção preventiva. O importante é realizá-la para que a manutenção corretiva seja aplicada raramente, já que tem custos extras embutidos.

 

Aprenda aqui mesmo como construir: Plano de manutenção preventiva: construa um em 6 etapas.

 

Se você tem uma empresa de instalação e manutenção focada em cozinha industrial, ter uma agenda que organize todas as demandas é fundamental. A organização é um dos fatores chave para a alta produtividade, por isso, preste muita atenção no momento de agendar.

Quanto mais dados internos você tiver e conhecimento de cada cliente, mais assertivos serão os horários, sem deixar ninguém na mão, promovendo qualidade e fidelização de cada contrato assinado.


Saiba o histórico de cada equipamento 

 

Saber o histórico de cada equipamento prevê as falhas. Essas informações podem ser colhidas a cada manutenção preditiva, preventiva e corretiva, por meio de um relatório de visita técnica bem estruturado e que responda questionamentos futuros quanto ao comportamento daquela máquina ou equipamento.

Se você ainda não utiliza esse processo, comece hoje mesmo. Inclusive, anexar fotos antes e depois do serviço executado, comprova que a demanda foi atendida e que as chances de falhas foram reduzidas.


Localize a equipe externa em tempo real 

 

Um forno parou de funcionar e há uma enorme expectativa de entrega daquela produção que depende 100% daquele equipamento.

Sua empresa tem capacidade de atender essa chamada em tempo hábil, a ponto de o cliente conseguir seguir com o plano de produção do dia?

Para que isso aconteça, além de uma agenda planejada e ter um bom relatório de visita técnica de prontidão, você precisa saber onde cada equipe externa da sua empresa está. Dessa forma, terá condições de direcionar a que está mais próxima ao local e resolver o mais rápido possível o problema do cliente.

Mas, como fazer isso? Um simples rastreador do carro funciona, mas não de forma completa. Esse tipo de controle indica apenas a localização. Entretanto, para que você tenha uma maior efetividade, mais que saber onde a equipe está, ter acesso ao status da visita em que os técnicos estão no momento em que a prestadora recebe as demandas de emergência é fundamental para ter uma previsão de atendimento deste cliente que está passando apuros.

Essas informações, o rastreador de carros não te indica. Mas, um sistema de gestão de equipes externas sim! Além de digitalizar processos essenciais para cumprimentos das manutenções, independentemente de qual seja o tipo, indicamos o status das visitas de cada equipe que você tem na rua. E não importa o número delas, pode ser de 5 a 50.

Com essa informação em mãos, visualizada em um painel de controle que integra um aplicativo utilizado pelos técnicos, o gestor acompanha tudo o que acontece na rua. A tela do seu monitor pode ficar igualzinho a imagem abaixo. Caso mais de uma equipe esteja na mesmo região, você tem condições de analisar qual enviar para o chamado de última hora.

 

 



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ISENÇÃO DE PGRTR:

PODE ISSO?

 

Será que a NR-31 permite a isenção de PGRTR?

Vamos investigar esse assunto!

 

Sabe quando você recebe uma pergunta e seu cérebro entra em modo reflexão? Veja a pergunta desse aluno que me colocou para refletir sobre isenção de PGRTR (o PGR da área rural).

Por mais que a dúvida possa parecer simples para alguns, eu gosto sempre de embasar muito bem. Afinal, uma dúvida de um aluno é sempre um bom momento de aproveitar para ensinar mais sobre segurança do trabalho de uma forma mais ampla.

 


Propriedade rural pode emitir a DIR

para ter isenção de PGRTR?

 

Dá para responder essa pergunta em 1 linha, mas, eu resolvi fazer esse post, porque assim nós falamos de várias questões regulatórias interessantes, explorando algumas das normas regulamentadoras mais importantes: NR-01, NR-04 e NR-31.

 

O que a NR-01 diz sobre isenção de PGR?

 

Esse assunto de isenção de PGR surgiu dentro do contexto da NR-01, mais especificamente no subitem 1.5 que trata do gerenciamento dos riscos ocupacionais.

 

Vejamos o que diz o item abaixo:

 

“1.8.4 As microempresas e empresas de pequeno porte, graus de risco 1 e 2, que no levantamento preliminar de perigos não identificarem exposições ocupacionais a agentes físicos, químicos e biológicos, em conformidade com a NR9, e declararem as informações digitais na forma do subitem 1.6.1, ficam dispensadas da elaboração do PGR”

 

NR-01, item 1.8.4

 

Então perceba, para uma empresa ficar isenta do PGR tem que atender a 4 critérios ao mesmo tempo:

 

Ø precisa ser microempresa ou empresa de pequeno porte (critério contábil)

Ø precisa ser grau de risco 1 ou 2 (conforme a NR-04)

Ø precisa ter feito um levantamento preliminar (por profissional SST)

Ø precisa emitir a DIR (declaração de inexistência de risco)

 

Os 4 critérios acima devem ser todos atendidos para que uma empresa tenha o direito de ser isenta do PGR.

 

O que a NR-04 diz sobre grau de risco de atividades rurais?

 

Muito bem, já entendemos que a NR-01 trouxe essa possibilidade de isenção de PGR e que é necessário atender aos 4 critérios. Então agora vem a pergunta: qual o grau de risco das atividades tipicamente rurais?

Para quem não sabe, a NR-04 trata do dimensionamento do SESMT, e também define as suas atribuições e responsabilidades. E lá no seu quadro 1 nós temos a “Relação da Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE (Versão 2.0) *, com correspondente Grau de Risco – GR para fins de dimensionamento do SESMT”.

É nesse quadro 1 da NR-04 que você encontra o grau de risco das diversas atividades econômicas.

 

Veja no print abaixo:

 

Isenção de PGRTR – Quadro 1 da NR-04 define

o grau de risco de atividades rurais

 

A imagem acima mostra algumas atividades rurais, e como podemos ver, o grau de risco (GR) é 3. Se você olhar todo grupo A deste quadro verá que apenas “Produção florestal – florestas nativas” é GR 4. Então, podemos concluir que atividades de agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura são GR 3 (apenas com 1 exceção).

Logo, vemos que essas atividades não atendem os critérios para isenção de PGR da NR-01, pelo critério de grau de risco.

Muita gente pararia a análise por aqui, mas, tem um detalhe. E esse detalhe, como veremos a seguir, nos faz avançar na nossa investigação.

 

NR-31 é uma norma do tipo Setorial

 

Meu caro leitor, Profissional SST, Segurança do Trabalho é osso! Temos sempre que ficar atentos aos mínimos detalhes da regulamentação para não cometer deslizes que poderiam levar a não conformidades.

O detalhe aqui reside no seguinte: a NR-31 é uma norma do tipo setorial, conforme determina a Portaria 787 de 27 de novembro de 2018 que “Dispõe sobre as regras de aplicação, interpretação e estruturação das Normas Regulamentadoras…”

 

 

Portaria 787 define que as normas setoriais

se sobrepõem as gerais

 

E, na portaria 787 temos o seguinte:

 

“Art. 8º Em caso de conflito aparente entre dispositivos de NR, sua solução dar-se-á pela aplicação das regras seguintes:

I. NR setorial se sobrepõe à NR especial ou geral; ”

Portaria 787 de 27 de novembro de 2018

 

Então espere! Temos uma brecha! Se a NR-31 é uma norma setorial e ela se sobrepõe a NR-01 que é uma norma geral, então, e se a NR-31 disser que atividades rurais podem ter isenção de PGRTR? Será que ela dá alguma brecha para isso? Vejamos!

 

Vamos seguir na nossa análise agora analisando a própria NR-31!

 

O que a NR-31 diz sobre isenção de PGRTR?

 

O que será que a NR-31 diz sobre isenção de PGRTR? Sabe o que ela diz? Nada! Nem uma linha sequer dedicada a esse assunto.

Segundo a NR-31 todo estabelecimento rural deve elaborar o Programa de Gerenciamento de Riscos no Trabalho Rural (PGRTR), conforme item 31.3.1, veja:

 

“O empregador rural ou equiparado deve elaborar, implementar e custear o PGRTR, por estabelecimento rural, por meio de ações de segurança e saúde que visem à prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho nas atividades rurais. ”

NR-31 item 31.3.1

 

Simplesmente, não há exceção.

 

Se você chegou até aqui então acompanhou toda a nossa investigação sobre isenção de PGRTR. Começamos pela NR-01, passamos pela NR-04 e terminamos na NR-31 e ainda usamos a Portaria 787 como apoio.

Então prezado leitor, a conclusão é uma só: não existe a possibilidade de isenção de PGRTR!

 

 



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