quarta-feira, 29 de março de 2023

 




 

SAIBA QUAIS EPI’s USAR PARA PROTEÇÃO DO TRABALHADOR CONTRA DENGUE, ZIKA E CHIKUNGUNYA

 



Saiba como utilizar o repelente para combate ao Aedes Aegypt

 

Conforme é de ampla divulgação pelo Ministério da Saúde, Ministério do Trabalho - MTe e imprensa, a epidemia de dengue, doença transmitida pelo mosquito Aedes Aegypt, atinge o país todos os anos. Em 2016, a enfermidade segue avançando entre a população. Desde o ano passado, outra enfermidade causada pelo mosquito passou a ser mais um motivo de preocupação: trata-se do zika virus. Dessa forma, ano após anos é divulgada a necessidade da utilização de repelente para combate ao Aedes Aegypt.

Além de sintomas semelhantes aos da dengue, o zika pode levar a casos de microcefalia em bebês infectados durante a gestação. No entanto, não podemos esquecer ainda da chikungunya, doença que, segundo especialistas, provoca os mesmos sintomas da dengue, mas de forma ainda mais intensa.

Diante da epidemia, faz-se necessário pensar em estratégias de proteção contra o Aedes. No ambiente de trabalho, o uso de Equipamentos de Proteção Individual - EPI’s, como luvas, vestimentas e calçados de segurança, podem reduzir as possibilidades que os mosquitos entre em contato com a pele.

Outro item de proteção neste sentido deve ser o repelente para combate ao Aedes Aegypt. Além de atuar em defesa contra a picada de pernilongos e outros insetos que podem incomodar.

 

Os repelentes usam substâncias que têm como função entupir os poros das antenas dos insetos para que eles não sejam capazes de utilizar as antenas para rastrear o alvo. Mesmo com as centenas de substâncias químicas que nossos corpos emitem e atraem os mosquitos, ao se aproximarem de uma pessoa com repelente, eles não serão capazes de localizar o indivíduo.

 

Outros usos

 

Com a intensificação do combate ao mosquito, mais colaboradores ocupam postos como agentes de combate ao Aedes Aegypt e estão ainda mais expostos aos riscos das doenças citadas acima. Por isso, vale ressaltar a importância de que pessoas que ocupam esses postos estejam cientes de seus direitos e deveres no uso do EPI’s adequado.

Porém, o uso do repelente, por exemplo, não é recomendado apenas para os agentes de combate ao mosquito. Especialmente quando aliado aos protetores solares, os repelentes são importantes para todo trabalhador que execute funções ao ar livre.

Também é importante dizer que o produto deve ser utilizado sempre, e não apenas em épocas de epidemias. Pois, existem durante jornadas ao ar livre, sempre há a possibilidade de complicações causadas por insetos.

 

 

 

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ENTENDA O QUE É A ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO (AET), COMO REALIZAR E QUAIS SÃO SEUS BENEFÍCIOS

 

 

Deixa eu adivinhar, a primeira coisa que vem à sua mente ao ler “ANÁLISE ERGONÔMICA” é o estudo de quais cadeiras são mais adequadas para oferecer o devido conforto ao trabalhador, certo?



No entanto, essa análise vai muito além de “POSTURA CORRETA” e “CADEIRAS”. Ela estuda cada atividade de um trabalhador e os equipamentos por ele utilizados, para identificar inadequações e fatores de risco para o mesmo, garantindo sua saúde e segurança.


A Análise Ergonômica do Trabalho - AET é o estudo psicofisiológico dos trabalhadores, que busca promover a perfeita integração entre as capacidades e limitações do trabalhador, suas condições de trabalho e a eficiência do sistema produtivo.

 

Investir na ergonomia de sua empresa é investir na produtividade, desempenho e satisfação dos colaboradores. Pois, dessa forma, medidas preventivas ou corretivas podem prevenir acidentes, corrigir erros e diminuir riscos.

 

Essa ferramenta permite analisar e identificar os RISCOS ERGONÔMICOS que os equipamentos utilizados na realização das atividades podem oferecer. Assim como a forma como são utilizadas e para medir os impactos que seu uso, esforço e repouso causam, direta ou indiretamente, nos funcionários em sua rotina de trabalho.

 

Além de identificar aquelas tarefas, atividades, equipamentos e locais que mais causam riscos aos trabalhadores, avalia-se também:


Ø O ambiente e o impacto que cada elemento, desde a iluminação até a temperatura e os ruídos, pode causar, prejudicando e até adoecendo os funcionários;

Ø Condução e manipulação de materiais e tarefas que exijam esforço excessivo muscular — seja dinâmica ou estática de um ou vários membros do corpo;

Ø Impactos psicológicos, como a influência no nível de exaustão mental que essas atividades podem desencadear.

Ø As estruturas organizacionais que envolvem as comunicações, o trabalho realizado em grupo, os projetos participativos, o trabalho, etc, a fim de adaptar os processos da empresa para preservar a saúde e o bem-estar do trabalhador.


Sem esse tipo de trabalho é comum ter afastamentos, problemas de saúde, desmotivação profissional e pedidos de demissão na empresa.

 

Por isso, destaca-se a importância da AET, que possui diversos benefícios como:


Ø Aumento da produtividade, devido tanto à satisfação dos funcionários quanto à funcionalidade e melhoria dos processos;

Ø Redução e eliminação de multas trabalhistas ou ações movidas por funcionários que tiveram problemas de saúde decorrentes de suas atividades e postos de trabalho;

Ø Diminui a rotatividade de trabalhadores, tornando positivo o investimento feito em cada funcionário, pois contratar, registrar, treinar e desenvolver colaboradores requer grande investimento financeiro, de tempo e de esforço.

 

Grandes empresas já obtiveram em média 4 dólares a cada 1 dólar investido em ergonomia (Revista Exame, 1995):

 

Ø Redução no número de atrasos e faltas;

Ø Elevação dos padrões de qualidade e de segurança do trabalho adotado pela empresa;

Ø Aumento do engajamento — o funcionário se sente respeitado e amparado e seu empenho e envolvimento com a empresa se desenvolvem;

 

Visto a importância e os benefícios da análise ergonômica, é necessário que a AET seja aplicada o quanto antes e, para isso, existem ferramentas que aceleram essa análise e o diagnóstico de situações prejudiciais ao trabalhador.

 

1. PDSA: Ferramenta muito utilizada na resolução de problemas críticos, que afetam o desempenho de qualquer projeto ou serviço.

 

Ø Plan (planejamento) – identificação das demandas;

Ø Do (execução) – análise das demandas;

Ø Study (estudo) – definição das ações;

Ø Action (ação) – implementação das ações.

 

2. Moore e Garg: Índice de esforço que analisa a possibilidade de os trabalhadores desenvolverem doença musculoesqueléticas da parte distal dos membros superiores (mãos, punhos, antebraços e ombro), ao executar suas funções, devido aos movimentos repetitivos, considerando os seguintes aspectos:

 

Ø intensidade e duração do esforço;

Ø postura da mão e do punho;

Ø velocidade do trabalho;

Ø duração da tarefa;

Ø ciclo de trabalho.


3. Cronoanálise: é o estudo de Tempos e Métodos com o objetivo de melhorar a eficiência nos processos produtivos ao analisar o tempo gasto em cada etapa dos processos e verificar os tempos ideais. Essa ferramenta facilita a identificação de um ou múltiplos gargalos, possíveis riscos para a saúde do trabalhador, desconfortos e problemas no ambiente de trabalho que, se solucionados, garantem condições mais propícias para que os funcionários realizem suas tarefas diárias de maneira mais eficiente, além de obter o tempo padrão e o melhor método para a realização de cada atividade.

 

4. RULA (Rapid Upper Limb Assessment): Ferramenta que permite uma análise postural rápida, focando na realização de atividades estáticas ou repetitivas, sendo idealmente aplicado em colaboradores de escritório e atividades que requerem maior esforço dos membros superiores. Assim, classifica riscos de lesões musculoesqueléticas dos membros superiores ligadas ao trabalho e o nível de exposição a fatores de risco, sendo analisados em três estágios:

 

Ø identificação da postura de trabalho;

Ø aplicação de sistema de escore;

Ø aplicação de escala de níveis de risco.

 

 



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DESAFIOS NA EVOLUÇÃO DOS TECIDOS DE PROTEÇÃO

 



Desde a criação das primeiras tecnologias, os tecidos de segurança passaram por grandes evoluções no sentido de atender os requisitos e necessidades de proteção dos trabalhadores contra os riscos inerentes aos seus ambientes laborais e de proporcioná-los uma melhor sensação de conforto ao utilizar uma vestimenta de proteção.

Na década de 1970, no segmento industrial, tecidos de proteção antichama passaram a ser comumente utilizados quando empresas químicas e petroquímicas começaram a implementar programas de vestimentas antichama. Estes programas foram implementados para prevenir queimadura causadas por fogo repentino – fogo intenso e de curta duração provocado por uma reação de combustão acidental onde exista a presença de substâncias combustíveis e inflamáveis, podendo gerar temperaturas acima de 1000°C. Nos dias atuais, vestimentas antichama são amplamente utilizadas por empresas do setor elétrico, óleo e gás, químicas, petroquímicas, siderúrgicas, mineradoras e indústrias em geral.

O intuito destas vestimentas é proteger os trabalhadores contra riscos térmicos, provenientes de um incidente de arco elétrico, fogo repentino ou respingo de metal líquido e projeção de materiais quentes e/ou incandescentes. As consequências destes incidentes podem ser queimaduras corporais de segundo e terceiro grau, chegando ao óbito nas condições mais extremas.

Considerando a gravidade dos riscos e das severas lesões mencionadas, a utilização de vestimenta antichama se torna indispensável. É a última barreira de proteção e garante ao trabalhador tempo suficiente para escapar de um ambiente em chamas. De acordo com estatísticas divulgadas pela Occupational Safety and Health Administration (OSHA), a maioria das lesões envolvendo estas atividades estão associadas à ignição dos tecidos que não apresentam resistência à chama.

Nos últimos 40 anos, muitos foram os avanços tecnológicos e as inovações realizadas na indústria de tecidos de proteção com o objetivo de desenvolver fibras e tecidos de alto desempenho capazes de proteger os trabalhadores, além de melhorar o bem-estar dos profissionais e atender exigentes critérios de performance e certificações. Os tecidos de segurança de alta qualidade ficaram mais leves, confortáveis e menos agressivos em contato com a pele. Sem comprometer a eficiência em parâmetros importantes considerados nestes riscos térmicos, como, por exemplo, percentagem de queimadura corporal, resultado de Arc Thermal Protective Value (ATPV), e características físico-químicas, quando submetidos a ensaios.

 

Combinar performance, conforto e sustentabilidade

 

A valorização de processos de fabricação e produtos que impactam positivamente na vida das pessoas e na preservação do planeta.

Os assuntos que envolvem sustentabilidade e responsabilidade ambiental são um dos temas mais relevantes da atualidade para todos os segmentos produtivos.

A partir da necessidade de preservar os recursos naturais para as novas gerações e a implementação de legislações globais mais rigorosas neste aspecto, empresas e consumidores estão mais ambientalmente conscientes. Este cenário não é diferente para futuro dos tecidos de proteção e dos tecidos antichama.

Práticas sustentáveis agregam valor aos produtos e ganham espaço e evidência entre os requisitos considerados pelos consumidores na definição de seus fornecedores.

O grande desafio para os fabricantes de tecidos Flame Resistant (FR) está em desenvolver e implementar tecnologias na fabricação de seus produtos que, além de melhorar os requisitos de desempenho, cumpram com a sua política de sustentabilidade, tendo sempre uma visão em relação aos impactos ambientais e o consumo dos recursos naturais em seus processos produtivos. Encontrando soluções ecologicamente adequadas e sustentáveis para toda a cadeia, desde a concepção e desenvolvimento das fibras até a finalização do tecido, bem como sendo inovadores e criativos para desenvolver alternativas na utilização de matérias primas renováveis e biodegradáveis que possam ser incorporadas na mescla dos tecidos antichama.

As fibras de celulose, por exemplo, têm base orgânica e são produzidas a partir da madeira, que é uma matéria prima renovável. São utilizadas na mescla de tecidos tanto para situações de arco elétrico e fogo repentino, quanto para situações de respingo de metal líquido, além de outras aplicações como tecidos para as áreas de combate a incêndio e proteção militar.

A lã é uma das mais antigas alternativas de fibra sustentável com aplicabilidade no segmento de tecidos de proteção. É biodegradável, reciclável e tem alta durabilidade e apresenta um bom desempenho na mescla com outras fibras para proteção contra respingo de metal fundido, com a característica principal de repelência.

Apesar de não ser um conceito novo e a indústria têxtil de forma geral estar evoluindo muito na criação de tecidos orgânicos, biodegradáveis e recicláveis e na utilização sustentável de matérias primas, combinar estes critérios não é uma tarefa simples para o segmento de tecidos antichama em função da complexidade produtiva destes produtos.

Fabricantes inovadores e conscientes investem fortemente em pesquisa e alta tecnologia para desenvolver tecidos com esta combinação de características e estão realizando significantes avanços neste campo, lançando produtos que comprovam que resistência, qualidade e sustentabilidade podem ser compatíveis.

Ciência e tecnologia para melhorar e proteger a vida das pessoas e reduzir os impactos ambientais negativos.

 

Resistência à chama

 

Um aspecto que requer atenção de consumidores e fabricantes é a utilização de produtos químicos responsáveis por promover característica antichama aos tecidos.

Os tecidos FR são desenvolvidos a partir de fibras projetadas ou quimicamente tratadas para serem resistentes à chama. Neste processo, os químicos podem ser eficientemente adicionados tanto às fibras naturais quanto às sintéticas. Ou tornam-se antichama através da aplicação de produtos químicos em seu estágio final como tecido.

Atenção das empresas ao definir a vestimenta utilizada pelos seus trabalhadores, em avaliar as fibras na composição dos tecidos, os químicos envolvidos no processo e a metodologia aplicada para dar resistência antichama. Ainda existem no mercado tecidos tratados com produtos químicos que contém substâncias tóxicas e liberam gases contaminados quando entra em ignição. São prejudiciais tanto para as pessoas quanto para o meio ambiente. Podem causar sérios problemas de saúde, como alergias de pele, problemas respiratórios, problemas hepáticos, entre outros.

Fabricantes de tecido de alto desempenho, por sua vez, concentram esforços em utilizar produtos químicos com baixo índice de toxicidade, encontrar alternativas para reduzir a utilização de químicos no processo e garantir que o descarte dos resíduos não agrida o meio ambiente.

 

Reciclagem

 

Desenvolvida há mais de 30 anos, uma das bem-sucedidas inovações tecnológicas sustentáveis do setor é a utilização de fios produzidos a partir de garrafas plásticas recicladas na composição de poliéster. Além de consumir garrafas PET que seriam descartadas no meio ambiente, a produção de poliéster reciclado reduz o gasto de energia em 70% se comparado com o consumo do processo de fabricação original, e elimina o uso do petróleo que é base para a fabricação de fibras virgens. Assim, evita-se o uso de matéria prima não renovável e que causa danos ao meio ambiente em seu processo de extração.

 

Economia Circular

 

Tão importante quanto utilizar matérias primas renováveis e recicláveis é implementar metodologias de fabricação sustentáveis e reduzir o desperdício.

Um exemplo é a aplicação do conceito e certificação Cradle to Cradle, ou berço ao berço, na indústria de tecidos e fibras de proteção FR.

Mundialmente reconhecido e utilizado predominantemente por empresas e organizações dos Estados Unidos, Europa e China, o modelo prevê a não geração de resíduos, a utilização de fontes de energia renováveis e a reutilização de matérias primas que voltam para o ciclo de fabricação de forma infinita, além da eliminação do desperdício e do acúmulo de lixo.

 

Trata diretamente os três desafios globais de sustentabilidade: alterações climáticas, escassez de recursos e toxicidade em materiais.

 

A certificação considera a aderência das empresas aos cinco critérios:

 

·       Tratamento do material (todos os produtos químicos envolvidos no produto devem ser ótimos ou toleráveis);

·       Reutilização de Materiais;

·       Uso de Energia Renovável;

·       Gerenciamento de Água;

·       Responsabilidade Social;

 

Tecidos inteligentes e multifuncionais

 

Em suma, tecidos inteligentes são definidos como tecidos capazes de sentir e responder as mudanças do ambiente com o objetivo de proporcionar maior conforto e eficiência.

 

São classificados em três categorias de acordo com a funcionabilidade:

 

·       Tecidos Inteligentes Passivo: são a primeira geração de tecidos inteligentes, capazes de sentir as condições do ambiente, mas não de reagir a elas.

·       Tecidos inteligentes Ativos: a segunda geração de tecidos inteligentes combinam as duas funções: detectam sinais do ambiente através de sensores ou de uma unidade de controle. São tecidos com memória e termorreguladores, bem como são resistentes à água, mas permeiam vapor e umidade corporal.

·       Tecidos Ultra Inteligentes: são a terceira geração de tecidos inteligentes e tem a capacidade de perceber, reagir e se auto adaptar às reações do ambiente.

 

Apesar de a indústria têxtil estar bastante avançada no desenvolvimento de tecnologias e aplicação do conceito de tecidos inteligentes, estes ainda não são utilizados na fabricação de tecidos antichama. Mais uma vez, em função da complexidade envolvida no processo e na combinação de características necessárias para construir um produto resistente à chama.

No entanto, considerando a evolução dos tecidos de proteção e os esforços em inovações tecnológicas no segmento de tecidos FR, não devemos estar tão distantes do momento em que tecidos antichama também serão inteligentes e multifuncionais.

No futuro, quando estas tecnologias forem aplicadas, os tecidos antichama irão não apenas proteger as pessoas contra os riscos de exposição ao calor e à chama, mas também melhorarão a performance no ambiente de trabalho, incorporando funcionalidades como regulagem de temperatura corporal, melhora da respirabilidade, flexibilidade e controle de umidade.

Estamos vivenciando uma nova era de inovações tecnológicas na indústria têxtil, com o lançamento de fibras modernas, ecológicas, com bases orgânicas e sintéticos de alto desempenho. Os tecidos antichama caminham na mesma direção através de inesgotáveis estudos para o desenvolvimento de fibras e tecnologias que podem reinventar este mercado.

 

*Gabriela Azi – Especialista em tecidos e vestimentas de segurança. Graduada em Administração de Empresas pela Ulbra e MBA em Gestão de Vendas pela FGV

 

 



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terça-feira, 28 de março de 2023

 




 

MODERNIZAÇÃO DE NORMAS TÉCNICAS CONSOLIDA AVANÇOS EM SST NA CONSTRUÇÃO CIVIL

 


Políticas de prevenção ancoradas em análise de risco e redução da burocracia. Esses são os novos paradigmas para o fomento à segurança e saúde no trabalho (SST), que serão introjetados no processo de revisão de normas técnicas, incluídas as que estão diretamente ligadas à segurança e saúde do trabalhador da construção civil. Liderado pelo governo federal, esse movimento já está curso e terá reflexos positivos sobre a indústria da construção: ganham as empresas, que terão respaldo técnico para buscar melhores resultados; e o trabalhador, que terá garantias ainda mais sólidas de um ambiente de trabalho seguro.

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) tem participado ativamente da discussão em torno da modernização das normas técnicas de SST. Em 2019, foram atualizadas as NR 1, 3, 12 e 18. O exame de outras, como as NR 7, 9 ,15 e 17, está em andamento e pode ser concluído logo nos primeiros meses de 2020. A indústria da construção, que tem defendido a redução da burocracia e uma mudança de foco nas políticas de prevenção, apoia a revisão das normas. A modernização em curso coloca o Brasil na direção correta, em que o foco das ações passa a ser o resultado.

Uma das novidades da revisão de normas em curso é a introdução de um programa de gerenciamento de riscos em SST para as empresas, focado na análise prévia de riscos e adoção de medidas preventivas. Trata-se de um grande avanço, em que o processo burocrático deixa de ser mais importante que a efetiva redução dos acidentes de trabalho na construção civil. Essa é uma demanda histórica das empresas do setor, que têm investido em uma cultura prevencionista e revertido os indicadores de acidentes.

Essa é a mensagem que temos levado ao debate. Hoje, a gestão de SST é engessada pela combinação do excesso de normas e interpretações. As mudanças em curso darão mais fluidez à ação das empresas, que passam a ter responsabilidades ainda maiores, mas também contarão com ferramentas mais eficazes para formular e executar suas políticas de prevenção. Deixaremos de discutir como, para concentrar esforços no resultado das ações: canteiros mais seguros, trabalhador bem equipado e treinado, ambiente mais salubre e produtivo.

Para contribuir com esse novo cenário, a CBIC colocará à disposição do setor o Programa de Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho nos Canteiros de Obra, ferramenta de autorregulação para o setor da construção que auxiliará os gestores na implantação de gestão de Segurança e Saúde do Trabalho nos canteiros de obra, indicando os requisitos a serem observados e como aferir se foram atendidos.

Preparado em parceria com o Serviço Social da Indústria (SESI Nacional), o programa permite que os empreendimentos sejam reconhecidos por sua adoção e tem como objetivo principal induzir redução ainda maior nos indicadores de acidentes do setor. Destinado à cadeia produtiva da indústria da construção, o programa já contempla as mudanças da NR 18, aprovadas em dezembro de 2019, e será apresentado ao setor em fevereiro.

A revisão das normas técnicas vai ao encontro de outras iniciativas em curso para tornar a construção civil um setor seguro e eficiente. Essa transição está ancorada na conscientização e mobilização dos empresários e entidades do setor, uma mentalidade que também alcança a mão de obra. Segurança, saúde, produtividade e qualidade do emprego interessam a todos. Interessa ao Brasil.

O acompanhamento desse tema tem interface com o projeto Elaboração e Divulgação de Materiais Orientativos sobre Atualizações das Regras Trabalhistas e de Segurança e Saúde no Trabalho para a Indústria da Construção, realizado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e o Serviço Social da Indústria (Sesi Nacional).



*José Carlos Martins – presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e vice-presidente da Confederation of International ContractorsAssociations (CICA). Engenheiro civil formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), foi presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi-PR) e vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Paraná (Sinduscon-PR), entre outras funções.

 

 



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ESPECIALISTA INDICA TIPOS DE EPI’s ADEQUADOS DE ACORDO COM O RISCO DE TRABALHO ENVOLVENDO ALTAS TEMPERATURAS

 



O uso de Equipamento de Proteção Individual (EPI’s) é obrigatório em atividades profissionais que oferecem algum risco físico aos colaboradores, conforme a lei 6514/77 e regulamentado pela NR-6, que também prega a responsabilidade de empregadores e empregados no uso dos dispositivos. Além disso, conhecer a especificidade de cada um deles é fundamental para garantir a proteção de forma correta de acordo com o risco envolvido. É o que explica Valdir Ferreira, gerente Especialista de Produto da Ansell, empresa que atua no desenvolvimento de EPI’s para áreas como metalurgia, construção civil, saúde, química, entre outras.

Dados do Ministério do Trabalho divulgados em setembro de 2021, mostram que o Brasil registrou redução nos acidentes de trabalho de 725.664 para 582.507 entre os anos de 2013 e 2019. Apesar da queda, os números continuam altos e, por isso, destacar o uso adequado dos equipamentos é um dos pilares mais importantes em termos de proteção.

“Tenho rodado o Brasil inteiro e visto várias pessoas usando EPI’s inapropriados para a área de risco. Já vi profissional de combate a incêndio florestal utilizando vestimenta para arco elétrico ou um eletricista utilizando um capuz para combate a incêndio”, conta Ferreira.

 

Coeficiente normativo de proteção

 

As vestimentas de proteção térmica, por exemplo, muito utilizadas por bombeiros e profissionais que atuam em áreas que envolvem altas temperaturas, são desenvolvidas de acordo com os riscos que os locais oferecem. Por isso, há uniformes que são adequados para incêndios estruturais, florestais e também outros ambientes de exposição ao calor, como fornos e caldeiras. Apesar de oferecerem resistência ao fogo, cada um é apropriado para determinado cenário.

 

“É importante entender que tudo pega fogo, até o aço quando exposto a temperaturas extremamente altas. Mesmo a roupa de proteção tem um coeficiente normativo de proteção de 15 segundos. Quando um tecido é enviado para teste em laboratório de resistência ao fogo, para saber se é técnico, o material é exposto à chama e quando retirado, se o fogo é normativo, tende a apagar em menos de dois segundos. Não pode gotejar e nem criar área de incandescência de acordo com a norma ISO 15025, que é de flamabilidade”.

 

Incêndio estrutural

 

São os incêndios que ocorrem em estruturas como prédios, carros, fábricas, embarcações, galpões e, geralmente, envolvem brigadas industriais ou os bombeiros militares no combate. As vestimentas térmicas utilizadas pelos profissionais desta área atendem às normas ISO 15025 de propagação limitada da chama para tecidos e EN469, que exige que os uniformes possuam quatro camadas de proteção: barreira de fogo, barreira de líquidos e umidade, e as duas barreiras térmicas.

 

“As funções delas são, em caso de flash over ou qualquer deslocamento de fogo sobre o combatente, a primeira camada segura. Se tiver contato com líquidos ou alguns produtos químicos básicos, a segunda camada, que é impermeável, protege, não permitindo que as substâncias atinjam o corpo do combatente. Já as terceira e quarta camadas correspondem ao feltro de fibras de aramida, material que lembra muito um edredom e serve para manter a temperatura corporal isolada da temperatura externa”, explica Ferreira.

 

O kit de brigada é composto por capacete e luvas de combate a incêndio (aprovado para riscos térmicos provenientes de incêndio), blusão ¾ com quatro camadas de proteção, calça com suspensório e bota específica, feita com borracha vulcanizada, biqueira de aço inoxidável, duas lâminas de aço na estrutura para resguardar do fogo, resistências no contato com substâncias químicas e proteção a eletricidade de até 600 volts. Além disso, o capuz balaclava é de uso obrigatório e tem como função manter rosto e pescoço preservados.

 

Incêndio florestal

 

Segundo o especialista, esta categoria de vestimenta atende a norma ISO 15614 e é um EPI mais leve, composto por apenas uma camada, já que é usado em incêndios caracterizados pelo fogo rasteiro.

 

“Existe calça e camisa, mas sempre recomendo o macacão peça única, porque praticamente protege o corpo do colaborador do pescoço para baixo. Outra exigência importante da norma é que o material seja de alta visibilidade. Por isso, é confeccionado nas cores amarelo ou laranja, para que seja possível enxergar o combatente a uma distância de até 2 km, tanto durante o dia quanto à noite”, afirma Ferreira.

 

Neste caso, o kit é composto pelo macacão, as luvas e botas específicas e proteção para a cabeça contra o fogo e calor irradiado.

 

Alto forno

 

No Brasil, ainda muitos colaboradores sofrem acidentes pela alta exposição ao calor e metais a altas temperaturas. Na exposição dos colaboradores em alto forno, com risco de contato com materiais em metal líquido, o gerente recomenda o uso das vestimentas aluminizadas, com aprovação pelas normas ISO 11611 e ISO 11612. Os trajes possibilitam que as substâncias escorram pela superfície, evitando a aderência ao uniforme e oferecem proteção também contra calor irradiado.

 

Ferreira alerta que “todo tipo de irradiação, em fornos pequenos ou grandes, ou as de forjarias, que são incandescentes, exige o uso de vestimentas aluminizadas. Elas podem ser em formato blusão e calça, avental frontal que protege somente as partes vitais do corpo ou avental tipo barbeiro, mas tudo isso precisa ser dimensionado de acordo com o tipo de serviço”.

 

Estas vestimentas são acompanhadas de capuzes, luvas e perneiras aluminizadas. “Quanto maior o risco, maior o nível de proteção”, finaliza.

Todos estes equipamentos – além de luvas para área de saúde, óculos de proteção, dispositivos para trabalhos em altura e/ou na indústria química, entre outros – e suas características foram temas do Workshop Interativo Online organizado pela Ansell, maior grupo global de produção de EPI’s, do qual a Hércules faz parte, e contou com a participação de distribuidores e clientes de empresas de diferentes ramos de atuação. O evento foi realizado nos dias 09 e 10 de fevereiro.

 


Crédito da foto: Ansell by Hércules/Divulgação 

 

 

 



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MULTA QUE PRODUTORA DO FILME RUST, NOS EUA, LEVOU, MOSTRA IMPORTÂNCIA DA ANÁLISE DE ACIDENTES DO TRABALHO

 



No dia 21 de outubro de 2021, durante as gravações do filme Rust, estrelado e produzido pelo ator Alec Baldwin, um acidente com uma arma de fogo levou a óbito a diretora de fotografia Halyna Hutchins, de 42 anos. Joel Souza, diretor do longa, também ficou ferido com o tiro acidental.

Segundo consta nas investigações, o protagonista do filme Alec Baldwin ensaiando ou filmando uma cena do filme dentro de uma igreja com uma arma de fogo que deveria estar com balas de festins, mas que estava com pelo menos uma bala real mirou em direção a câmera e as duas vítimas, que estavam por trás da câmera, receberam o disparo da bala.

As investigações, tantos policiais como dos órgãos de segurança do trabalho, foram iniciadas logo em seguida ao ocorrido. No dia 20 de abril passado, o órgão regulador da segurança do Novo México anunciou que vai aplicar a multa mais alta possível para a empresa produtora do filme “Rust”, por negligência de segurança que resultou na morte de Halyna Hutchins.

A multa será de US$ 139 mil, correspondente a R$ 650 mil. O relatório do Departamento de Saúde e Segurança no Trabalho do Novo México, estado do sul dos Estados Unidos em que o filme era gravado, cita diversas violações de protocolos de segurança no set de filmagens.

As autoridades concluíram que os produtores do longa-metragem “sabiam que as medidas de segurança com armas de fogo não estavam sendo respeitadas”, diz a agência AFP.

 

“A indústria do cinema tem protocolos claros a nível nacional para garantir a segurança com o uso de armas”, justificou o departamento, mas “quando essas práticas não foram seguidas, houve a perda evitável de uma vida”.

 

“A Rust Movie Productions, LLC não seguiu esses protocolos nem tomou medidas para proteger seus trabalhadores”, acrescenta o texto, que cita que queixas da equipe sobre ocasiões anteriores de problemas com armas foram ignoradas.

 

Investigação de SST

 

Para Diógenes Calheiros, técnico de segurança do trabalho e especialista em Investigação de Acidente de Trabalho: “a aplicação da multa é bem-vinda considerando que uma trabalhadora foi a óbito, porém devemos questionar neste acidente a análise da investigação, visando aprendizagens para que fatos como esse não venham se repetir”.

Calheiros conta que o ator George Clooney, em recente entrevista a um podcast, fala sobre sempre verificar suas armas de filme. “Ele não confia em outra pessoa dizendo-lhe que uma arma é ‘fria’ ou segura. Em certa medida, Clooney mostra menos confiança nas informações que ele pode obter de outras pessoas”. Segundo Calheiros, ao ser entrevistado em um recente podcast Clooney disse: “Toda vez que me recebem com uma arma no set… Eu olho para ele, eu abro, mostro para a pessoa para quem estou apontando, mostro para a tripulação… Cada tomada”. Com isso, Diógenes Calheiros observa que o ator deixa claro que a segurança com esse tipo de equipamento é essencial.

Ele informa que análises ou Investigações de Acidente de trabalho é uma das principais atividades dos profissionais de segurança do trabalho visto que sua importância tem por objetivo o entendimento e compreensão de que os fatos acontecidos que levaram ao sinistro não se repitam.

Diógenes Calheiros ressalta ainda que filmes de ação têm cenas que são produzidas em condições perigosas, portanto é importante contar com uma equipe competente em segurança e avaliação de riscos para não somente analisar as condições materiais da atividade, mas entender o ambiente e os sinais que, no caso das gravações do filme Rust, foram ignorados, quando nenhuma ação foi tomada, em descargas acidentais anteriores na mesma estação de filmes. “Eram quase erros que poderiam ter sido aprendidos e evitados. Somente a multa, desacompanhada de um protocolo de segurança, não é garantia que eventos, como o que vitimou a cineasta Halyna Hutchins, não voltem a acontecer”, observa o especialista.

 

Fatores organizacionais

 

Com base nesta perspectiva, Calheiros afirma que as investigações de acidentes do trabalho devem não se limitar a uma visão imediata do erro humano. “Não podemos vê-los como eventos indesejados que decorrem de falhas dos trabalhadores, sejam por omissão ou ações, de não seguir normas, procedimentos e prescrições de segurança”, pontua.

Calheiros destaca que investigações de acidentes em que concluem a imperícia, negligência ou imprudência como causa para o acidente, concluindo o trabalhador foi desleixado com a sua atividade, pecam em não considerar os fatores organizacionais que possibilitaram, permitiram ou contribuíram para o sinistro. “O erro do trabalhador é a ponta do iceberg, mas não entender esse erro como os dilemas, pressão e angústias tem como causa mais profunda a natureza organizacional”, informa.

O especialista salienta que compreender acidentes como eventos simples que tenha como causas falhas dos trabalhadores, sejam em ações ou omissões, motivados por poucas causas são análises grosseiras e limitadas que não cumprem o objetivo das análises de acidentes que são correção dos fatores mais profundos e latentes que originam acidentes. “Falhas humanas são consequências e não causas e estas estão no sistema ou falhas na gestão das organizações”, diz.

Para Calheiros, não seguir esta linha nas análises de acidente leva a conclusões equivocadas, fora da realidade e limitadas do acidente deixando que as falhas latentes, aquelas que estão na raiz do acidente continuem e contribuem para outros acidentes. “O erro humano deve ser visto como o ponto de partida das investigações, mas nunca o seu final”, conclui.

 

 



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