quinta-feira, 18 de setembro de 2025

 



 

AVALIAÇÃO DO FRIO OCUPACIONAL ALÉM DO ANEXO 9 DA NR 15

 

 


 

Meus caros, a avaliação da exposição ao frio é um ponto que merece nossa atenção, não acham? Temos o Anexo 9 da NR-15, que trata da insalubridade, mas digo para ti que, para uma análise de risco completa, ele apresenta limitações significativas, especialmente fora de seu escopo principal.

O Anexo 9 da NR-15 destina-se especificamente às “atividades ou operações executadas no interior de câmaras frigoríficas, ou em locais que apresentem condições similares, que exponham os trabalhadores ao frio”.

Ele adota uma abordagem qualitativa para caracterizar a insalubridade nessas condições, sem estabelecer limites de tolerância quantitativos claros baseados em parâmetros ambientais e fisiológicos cruciais para outras situações de frio. Ele não fornece uma metodologia robusta para avaliar o estresse térmico considerando a temperatura do ar, velocidade do vento, umidade, isolamento da vestimenta e a taxa metabólica do trabalhador em conjunto para diversas outras atividades expostas ao frio.

Essa ausência de critérios técnicos detalhados para múltiplas situações dificulta a avaliação precisa do risco real e a definição de medidas de controle que vão além da simples constatação da condição insalubre, focando na prevenção do estresse térmico por frio de forma mais ampla.

 

FERRAMENTA QUANTITATIVA ESSENCIAL
Felizmente, dispomos de referências técnicas internacionais mais completas, como a norma ISO 11079: Ergonomics of the thermal environment — Determination and interpretation of cold stress when using required clothing insulation (IREQ) and local cooling effects (em português: Ergonomia do ambiente térmico — Determinação e interpretação do estresse pelo frio utilizando o isolamento requerido da vestimenta (IREQ) e efeitos do resfriamento localizado). Esta norma introduz a metodologia IREQ (Índice de Isolamento Requerido da Vestimenta).

O IREQ calcula o isolamento térmico (em ‘clo’) que a vestimenta precisa oferecer para manter o equilíbrio térmico do corpo, prevenindo a hipotermia, considerando as condições ambientais e a atividade física.

 

A beleza dessa metodologia está em integrar variáveis essenciais:

            • Temperatura do ar e radiante média;

            • Velocidade do ar e umidade relativa;

            • Taxa metabólica (calor gerado pela atividade);

            • Duração da exposição.

Com base nesses dados, calcula-se o IREQ neutral (para conforto) e o IREQ min (isolamento mínimo para evitar estresse).

 

EXEMPLO SIMPLIFICADO DO IREQ
Imagine um trabalhador realizando uma atividade moderada (taxa metabólica de 150 W/m²) dentro de uma câmara fria a -5°C, com velocidade do ar baixa (0.2 m/s) e umidade de 80%, por um período de 2 horas. Utilizando a metodologia IREQ (com auxílio de software ou tabelas da norma), poderíamos calcular o isolamento mínimo requerido (IREQ_min) para essas condições. Suponhamos que o cálculo resulte em IREQ_min = 1.9 clo. Se a vestimenta fornecida ao trabalhador tiver um isolamento de apenas 1.5 clo, a metodologia indicaria que a proteção é insuficiente para a exposição contínua de 2 horas. A norma permitiria, então, calcular o tempo máximo de exposição segura com essa vestimenta (Dlim), orientando sobre a necessidade de pausas para reaquecimento ou a adoção de uma vestimenta com maior isolamento.

 

GESTÃO DE RISCO EFICAZ
Portanto, meu caro, embora o Anexo 9 da NR-15 cumpra seu papel legal para a insalubridade em câmaras frigoríficas e similares, ele é insuficiente para uma gestão de risco eficaz contra o frio em todas as suas formas. A metodologia IREQ (ISO 11079) nos oferece a ferramenta quantitativa necessária para avaliar o estresse térmico de forma precisa, selecionar vestimentas adequadas e definir controles que realmente protejam a saúde do trabalhador. Adotar essas práticas é elevar o nível da Higiene Ocupacional.


Referências:

            • BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora nº 15 (NR-15): Atividades e Operações Insalubres. Anexo nº 9 – Frio. Brasília, DF.

            • INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION. ISO 11079:2007: Ergonomics of the thermal environment — Determination and interpretation of cold stress when using required clothing insulation (IREQ) and local cooling effects. Geneva: ISO, 2007.

 

 

 

 

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MAIOR ACIDENTE AÉREO DO PAÍS EM CONGONHAS É TEMA DE SÉRIE DA NETFLIX

 

 


 

A minissérie Congonhas estreou na Netflix em 23 de abril último. Segundo a Folha de São Paulo, ocupou o top 10 das séries em 36 países, e no Brasil chegou a ocupar a primeira posição. Assisti logo na primeira semana.

Combinando relatos pessoais com detalhes da investigação, associados ao momento político e social vivido pelo Brasil e pelo retrato do setor aéreo à época do acidente em 2007, a série busca reconstituir em três episódios o maior acidente aéreo ocorrido até agora no Brasil, que foi o pouso do voo 3054 da TAM que fazia o trecho Porto Alegre a São Paulo, aeroporto de Congonhas. Morreram 199 pessoas.

 

CENÁRIO DO ACIDENTE
O primeiro episódio tem o depoimento de familiares de várias vítimas, além de abordar condições estruturais de Congonhas, como a inexistência do grooving ou sistema de drenagem da pista, excesso de pousos e decolagens com intervalos curtos entre eles, a localização do aeroporto, entre outros aspectos. Os depoimentos de especialistas, bombeiros e familiares das vítimas também mostram preocupações anteriores ao acidente, levantando os problemas tanto de infraestrutura como de gestão aeroportuária no Brasil.

 

IMPACTO E POSSÍVEIS CAUSAS
Já o segundo episódio busca melhor entender a noite do acidente, mostrando as condições climáticas adversas e as decisões tomadas pela tripulação de cabine. Aborda, também, a atuação do Corpo de Bombeiros. Entrevistas com especialistas e gravações da caixa-preta revelam a sequência de eventos que levaram à colisão do avião com um prédio da companhia aérea. O episódio também traz o impacto da tragédia na sociedade brasileira, além, claro, do impacto e da mobilização das famílias das vítimas, que se uniram para exigir esclarecimentos. Este episódio ainda contextualiza o acidente dentro da crise de gestão aeroportuária de 2006 e 2007, o “apagão aéreo”. Além de familiares e especialistas, protagonistas da época como o então presidente da TAM, Marco Bologna, e a então diretora da ANAC, Denise Abreu, também foram entrevistados.

 

CONSEQUÊNCIAS DO ACIDENTE
O episódio final analisa as consequências do acidente e – “than-ram!!!” – Adivinhem só qual foi o método utilizado para elencar as falhas sistêmicas e pontuais que em conjunto compõem os fatores contribuintes do acidente? O bom, eficiente, simples e direto método e conceito do queijo suíço, do James Reason – aquele, que os críticos de sempre, que nunca apresentaram nada produtivo, gostam de espinafrar. Pois é, antigo, anacrônico, linear…, mas que foi utilizado na Pandemia e também agora na compreensão dos fatores envolvidos no maior acidente aéreo do Brasil. Chego a imaginar que a saúde e o setor aéreo são sistemas simples… só que não. E ambos usam o conceito do queijo suíço. Será que os tomadores de decisão na pandemia, os especialistas entrevistados pela Netflix, o mundo das empresas e setores que hoje utilizam de forma crescente os conceitos de James Reason estão tão errados assim? Ou será que a crítica gratuita, superficial, sem conhecimento das suas bases, interpretações e publicações é que está certa? Cada um que tire suas próprias conclusões.

 

ANÁLISE SISTÊMICA
Finalizando, a minissérie informa que o relatório da Polícia Federal atribuiu aos pilotos a responsabilidade pelo acidente. Mas, como sempre, o modelo de Reason consegue associar diversos outros fatores contribuintes sistêmicos que induziram, segundo um dos especialistas entrevistados na série, os pilotos ao erro com os manetes.

No diagrama do queijo suíço apresentado no documentário estão identificados o apagão aéreo, o cansaço, o uso de uma cabine com dois pilotos ao invés de piloto e co-piloto, o peso, a pista escorregadia, a ausência de área de escape, o treinamento falho, a falta de recall por parte da Airbus, e a configuração dos manetes. A figura abaixo, extraída do terceiro episódio, mostra o diagrama.

 

 

Para terminar, recomendo aos profissionais de Segurança que ainda não assistiram esta série e que tenham acesso à Netflix, que o façam. O estudo deste caso traz importantes elementos para que se compreenda que quase sempre as soluções mais simples, e a análise da causa mais imediata são insuficientes ou mesmo injustas para se entender o que de fato aconteceu em um acidente, e para que se busquem recomendações que possam evitar a sua recorrência. Como a análise apresentada no documentário, é necessário ir muito além de uma simples discussão de dois minutos baseada em nossos pré-conceitos.

 

 

 

 

 

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quarta-feira, 17 de setembro de 2025

 



 

ADIAMENTO DOS FATORES PSICOSSOCIAIS – POR QUE SUA EMPRESA DEVE AGIR AGORA?

 

 


 

No dia 15 de maio de 2025, foi publicada a Portaria MTE nº 765, que prorrogou para 25 de maio de 2026 o início da vigência da nova redação do capítulo 1.5 da NR-1, referente ao Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).

Essa notícia levou muitos profissionais e empresas a acreditarem que agora poderiam “relaxar” quanto às ações ligadas à saúde mental no ambiente de trabalho. Mas será que é isso mesmo?

A resposta é clara: não. O adiamento da obrigatoriedade não significa isenção de responsabilidade.

 

O que realmente foi adiado?
A nova redação da NR-1 traria atualizações importantes sobre o gerenciamento dos riscos psicossociais — tema que vem ganhando destaque no cenário de SST. Com a publicação da Portaria 765, a exigibilidade dessas mudanças ficou para 2026.

Contudo, isso não elimina a obrigação legal de cuidar da saúde mental dos trabalhadores, especialmente quando outros dispositivos, como a NR-17 (Ergonomia), continuam plenamente em vigor e já tratam desses aspectos.

 

O que são fatores psicossociais e por que sua empresa deve identificá-los?
Os fatores psicossociais são riscos reais no ambiente de trabalho, que exigem identificação, controle e prevenção — como qualquer outro fator de risco ocupacional.

Esses fatores são capazes de acarretar ou influenciar doenças mentais, sendo relevantes na prevenção de doenças mentais. Esse tema tem ganhado relevância ao longo dos anos dentro do mundo do trabalho diante do aumento exponencial de doenças mentais em trabalhadores.

 

Entre os principais fatores psicossociais estão:

·       Sobrecarga de trabalho e pressões por prazos;

·       Falta de autonomia e de reconhecimento;

·       Relações interpessoais conflituosas;

·       Assédio moral, insegurança ou instabilidade profissional.

 

Ignorar esses elementos é negligenciar riscos que afetam diretamente a saúde mental e a produtividade das equipes.

A NR-17 e a responsabilidade que já existe
Mesmo sem a vigência da nova NR-1, a NR-17 já obriga as empresas a avaliar as condições psicossociais inseridas no contexto da ergonomia organizacional. Isso inclui clima organizacional, ritmo de trabalho, relações interpessoais e fatores cognitivos.

Ou seja, a identificação dos fatores psicossociais deve continuar sendo feita normalmente, e não pode ser adiada sob a justificativa da prorrogação da NR-1.

 

Antecipar-se é agir com responsabilidade
Empresas que optarem por se preparar desde já terão vantagens práticas e legais:

·       Maior estabilidade organizacional;

·       Redução de afastamentos por transtornos mentais;

·       Melhoria do clima e da produtividade;

·       Conformidade com exigências já vigentes, como a NR-17 e o dever geral de proteção previsto na CLT.

 

Por outro lado, apostar em soluções prontas ou “milagrosas” — como a aplicação indiscriminada de avaliações psicossociais clínicas ou a utilização de “modelos”, não cumpre a norma e pode representar desperdício de recursos.

 

Lógica da prevenção deve se manter
O adiamento da NR-1 não é sinônimo de inércia. Fatores psicossociais são riscos reais e devem ser tratados com a mesma seriedade que os riscos físicos, químicos, biológicos, estando inseridos dentro dos riscos ergonômicos.

A lógica da prevenção se mantém: identificar, avaliar e agir. Quem se antecipa, reduz riscos e mostra compromisso com a integridade de seus trabalhadores.

 

 

 

 

 

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ESTUDANDO NO CENTRO DE FORMAÇÃO DA OIT

 

 


 

O sonho de uma parte dos profissionais da área da Segurança e Saúde no Trabalho é possuir em seu currículo um curso internacional, aprimorando sua carreira com qualificados conhecimentos e com potencial de ampliação da sua inserção no mercado de trabalho.

Uma oportunidade para isto, além de universidades e instituições de ensino ao redor do mundo, é o Centro Internacional de Formação da Organização Internacional do Trabalho, criado em 1964 e dedicado para formentar a obtenção do trabalho digno, explorando as fronteiras do futuro do trabalho no mundo.

Além das atividades de ensino no Centro, na cidade de Turim – Itália, estende a sua ação para além da sala de aula. Os/as participantes podem conectar-se à plataforma eCampus, a experiências de realidade virtual, a workshops práticos e muito mais. Os certificados digitais são uma forma fácil de atestar a participação.

O Centro emite três tipos de Certificados: Certificados de Participação, Certificados de Aproveitamento e Diplomas – com base em horas de aprendizagem e créditos.

 

TIPOS DE CERTIFICADOS

·       Certificado de participação: para participantes que se inscreverem e concluírem um curso de uma hora.

·       Certificado de aproveitamento: para participantes selecionados que concluírem um curso com duração entre 60 e 300 horas de aprendizagem, incluindo uma avaliação final.

·       Diploma: para participantes selecionados que concluam uma atividade de formação de via única ou via múltipla com uma duração mínima de 300 horas de aprendizagem, incluindo um projeto de conclusão do curso.

Aa áreas de ensino tem um amplo espectro no mundo do trabalho como: normas internacionais do trabalho, proteção social, inovação, desenvolvimento sustentável, promoção do emprego, migração laboral, diálogo social, igualdade de gênero e diversidade, futuro do trabalho, justiça social e desenvolvimento organizacional.

 

MESTRADO E CURSOS
Os profissionais de SST do Brasil podem participar de cursos com curta duração (alguns gratuitos) e em formato on-line até a realização de Mestrado.

O MASTER IN OCCUPATIONAL SAFETY AND HEALTH já teve dezenas de profissionais brasileiros que obtiveram este título (mestrado), sendo a turma 2025/2026 planejada para acontecer de 1º de setembro de 2025 a 30 de Setembro de 2026, com aulas on-line, via plataforma eCampus, e presenciais no Centro, em Turim (de 12 de Janeiro a 26 de Março de 2026). O idioma do Mestrado será o inglês.

 

Informações: www.itcilo.org/pt/courses/master-occupational-safety-and-health

 

As capacitações em idioma português atualmente compreendem 18 cursos, sendo um deles sobre GESTÃO DE RISCOS QUÍMICOS NO SETOR AGRÍCOLA, em formato digital, gratuito e auto orientado.

 

Informações: www.itcilo.org/pt/courses/gestao-de-riscos-quimicos-no-setor-agricola

 

O curso sobre IMPROVING THE NATIONAL FRAMEWORK FOR OCCUPATIONAL SAFETY AND HEALTH, acontecerá de 7 de abril a 6 de junho de 2025 de modo on-line, via plataforma eCampus, no idioma inglês.

 

 

 


 

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terça-feira, 16 de setembro de 2025

 



 

DDS PROTEÇÃO AUDITIVA: 10 SUGESTÕES E COMO ABORDAR CADA TEMA

 


Você sabia que a exposição a ruídos elevados no ambiente de trabalho pode causar danos irreversíveis à audição? A perda auditiva ocupacional induzida por ruído é considerada uma das doenças que mais atingem a população trabalhadora, mas também uma das mais preveníveis. Abordar a proteção auditiva durante os DDS é essencial para garantir que todos os colaboradores estejam cientes dos riscos e das práticas necessárias para proteger sua audição. Vamos explorar como abordar a proteção auditiva de forma eficaz nos DDS.

O que considerar como ruído?

Ruído é qualquer som indesejado ou desagradável que pode causar desconforto, distração ou danos à saúde. Em termos de segurança ocupacional, o ruído é geralmente medido em decibéis (dB). Níveis de ruído acima de 85 dB são considerados potencialmente perigosos para a audição quando há exposição prolongada. Em ambientes de trabalho, fontes comuns de ruído incluem maquinário pesado, equipamentos de construção, ferramentas elétricas e processos industriais. É importante que os trabalhadores entendam o que constitui ruído perigoso para tomar as medidas adequadas de proteção.

10 temas de DDS sobre proteção auditiva

Abaixo, apresentamos 10 ideias de DDS sobre proteção auditiva para incluir nos seus diálogos hoje mesmo...

1.  A importância da proteção auditiva no ambiente de trabalho

2.  Tipos de proteção auricular e suas funções

3.  Normas de segurança para proteção auditiva 

4.  Consequências da exposição ao ruído sem proteção

5.  Como inserir e ajustar corretamente os protetores auditivos

6.  Manutenção e higienização dos protetores auriculares

7.  Impacto do ruído na produtividade e concentração

8.  Exames audiométricos periódicos 

9.  Identificação de áreas de risco sonoro no ambiente de trabalho

10.             Como os trabalhadores podem ajudar a melhorar a segurança auditiva

Veja a seguir como abordar cada tema no DDS sobre proteção auditiva!

 

1. A importância da proteção auditiva no ambiente de trabalho

Em muitos setores industriais, os trabalhadores estão expostos diariamente a ruídos excessivos. A proteção auditiva é essencial para preservar a saúde dos colaboradores, evitando danos irreversíveis à audição.
Como abordar no DDS:

·       Discuta os efeitos do ruído sobre a audição a longo prazo.

·       Mostre exemplos reais de trabalhadores que sofreram perda auditiva por não usarem proteção adequada.

·       Reforce a importância do uso consistente de protetores auriculares.

2. Tipos de proteção auricular e suas funções

 



Existem diferentes tipos de protetores auriculares, como plugues e conchas, cada um com finalidades específicas. Saber quando usar cada tipo é essencial para garantir proteção eficaz.

Como abordar no DDS: 

·       Apresente os tipos mais comuns de proteção auricular, como os protetores de inserção e os tipo concha.

·       Demonstre a maneira correta de utilizar e ajustar cada tipo de proteção.

·       Reforce os cuidados de manutenção e substituição do EPI.

 

3. Normas de segurança para proteção auditiva

As normas regulamentadoras, como a NR 15, definem limites de exposição ao ruído e determinam a obrigatoriedade do uso de proteção auditiva.

Como abordar no DDS: 

·       Explique os principais pontos da NR 15 e como se aplicam ao local de trabalho.

·       Discuta os limites de exposição ao ruído permitidos pela norma.

·       Encoraje os trabalhadores a conhecerem e seguirem as regulamentações para proteger sua saúde auditiva.

4. Consequências da exposição ao ruído sem proteção

A exposição contínua a níveis elevados de ruído sem a devida proteção pode causar problemas auditivos permanentes. A conscientização sobre esses riscos é fundamental.
Como abordar no DDS: 

·       Mostre os primeiros sinais de perda auditiva e como a exposição ao ruído pode agravar o quadro.

·       Discuta os efeitos a longo prazo de trabalhar sem proteção auricular.

·       Incentive os trabalhadores a monitorarem sua saúde auditiva e a reportarem qualquer desconforto.

5. Como inserir e ajustar corretamente os protetores auriculares

O uso correto dos protetores auriculares é essencial para garantir a proteção adequada. Um ajuste incorreto pode comprometer sua eficácia.
Como abordar no DDS: 

·       Demonstre, passo a passo, a maneira correta de inserir e ajustar os protetores auriculares.

·       Encoraje os trabalhadores a testarem seus protetores e ajustá-los conforme necessário.

·       Realize uma inspeção rápida para garantir que todos estejam utilizando o EPI corretamente.

6. Manutenção e higienização dos protetores auriculares

A manutenção e a higienização adequadas dos protetores auriculares são essenciais para garantir que eles continuem funcionando de maneira eficaz e para evitar infecções.
Como abordar no DDS: 

·       Discuta a importância de limpar regularmente os protetores auriculares.

·       Explique os sinais de desgaste e quando é necessário substituí-los.

·       Demonstre a maneira correta de guardar e transportar os protetores para garantir sua longevidade.

7. Impacto do ruído na produtividade e concentração

O ruído excessivo não apenas prejudica a audição, mas também afeta a produtividade e a capacidade de concentração dos trabalhadores.
Como abordar no DDS: 

·       Mostre como o ruído pode aumentar os níveis de estresse e reduzir a eficiência no trabalho.

·       Discuta maneiras de reduzir a exposição ao ruído no local de trabalho, além do uso de proteção auricular.

·       Reforce a importância de manter um ambiente de trabalho seguro e calmo.

8. Exames audiométricos periódicos

Os exames audiométricos são importantes para monitorar a saúde auditiva dos trabalhadores e prevenir problemas futuros.
Como abordar no DDS: 

·       Explique a importância de realizar exames audiométricos periódicos.

·       Encoraje os trabalhadores a fazerem os exames regularmente e a reportarem qualquer desconforto auditivo.

·       Mostre como os exames podem detectar problemas auditivos em fases iniciais.

9. Identificação de áreas de risco sonoro no ambiente de trabalho

Nem todos os locais de trabalho têm níveis de ruído elevados, mas algumas áreas são mais críticas que outras. Saber identificar esses locais é essencial para a segurança.
Como abordar no DDS: 

·       Mostre as áreas com maior risco de ruído no ambiente de trabalho.

·       Explique a importância de sinalizar corretamente essas áreas.

·       Incentive os trabalhadores a respeitarem as sinalizações e a usarem proteção auricular quando necessário.

10. Como os trabalhadores podem ajudar a melhorar a segurança auditiva

A segurança auditiva não depende apenas da empresa, mas também da colaboração de cada trabalhador em identificar e reportar riscos sonoros.
Como abordar no DDS: 

Encoraje os trabalhadores a comunicar áreas de alto ruído que não estejam adequadamente sinalizadas.

Discuta como cada colaborador pode contribuir para a segurança coletiva, ajudando a garantir que todos estejam usando os EPI’s corretamente.

Reforce a importância de manter uma cultura de segurança colaborativa no ambiente de trabalho.

A proteção auditiva é um aspecto crucial para a preservação da saúde dos trabalhadores expostos a ruídos. Por meio de DDS regulares focados em proteção auricular, as empresas podem reforçar a conscientização sobre os riscos, treinar adequadamente seus colaboradores e garantir que as normas de segurança sejam cumpridas. A incorporação desses temas em diálogos diários ajuda a criar um ambiente de trabalho mais seguro e produtivo, prevenindo problemas auditivos e melhorando a qualidade de vida dos trabalhadores.

 

 

 

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A EFICÁCIA DOS PROTETORES AUDITIVOS NA PREVENÇÃO DA PERDA AUDITIVA OCUPACIONAL

 

 


 

A Perda Auditiva Induzida por Ruído - PAIR é uma das doenças ocupacionais mais prevalentes, afetando significativamente a saúde e a qualidade de vida dos trabalhadores expostos a ambientes ruidosos. Diversos estudos nacionais e internacionais comprovam que o uso adequado de protetores auditivos é eficaz na prevenção da PAIR.

A eficácia dos protetores auditivos depende de sua correta seleção, ajuste e uso contínuo. Estudos realizados no Brasil indicam que a implementação de Programas de Conservação Auditiva - PCA, que incluem o uso adequado de Equipamentos de Proteção Individual - EPI’s, treinamento e monitoramento audiométrico, resulta na redução significativa dos casos de PAIR.

Internacionalmente, organizações como a Occupational Safety and Health Administration - OSHA dos Estados Unidos exigem que empregadores implementem programas de conservação auditiva quando a exposição ao ruído atinge ou excede 85 decibéis em média durante 8 horas de trabalho. Esses programas visam prevenir a perda auditiva ocupacional inicial, preservar e proteger a audição restante e equipar os trabalhadores com o conhecimento e os dispositivos de proteção auditiva necessários para se protegerem.

 

DESAFIOS NA LEGISLAÇÃO BRASILEIRA
Apesar das evidências científicas, a legislação brasileira impõe desafios à adoção efetiva de medidas preventivas. Após a decisão do Supremo Tribunal Federal em 2014, mesmo as empresas que comprovadamente implementam programas eficazes de conservação auditiva são obrigadas a pagar o adicional de insalubridade. Essa imposição desestimula as empresas a investirem em medidas de proteção auditiva, pois não há diferenciação entre aquelas que adotam práticas preventivas e as que não o fazem.

 

A TRANSMISSÃO ÓSSEA DO RUÍDO
Alguns argumentam que a transmissão do ruído pode ocorrer não apenas pelo canal auditivo, mas também por condução óssea. Embora essa forma de transmissão seja possível, ela é considerada limítrofe e ocorre somente em casos extremos, representando raras ocorrências no âmbito do trabalho. Portanto, a eficácia dos protetores auditivos permanece válida e reconhecida na prevenção da perda auditiva ocupacional.

 

REVISÃO URGENTE
A proteção auditiva eficaz é essencial para a saúde dos trabalhadores expostos a ruídos ocupacionais. É fundamental que a legislação brasileira reconheça e valorize os esforços das empresas que implementam programas de conservação auditiva eficazes, incentivando práticas que realmente protejam a saúde auditiva dos trabalhadores. A revisão de legislações que desconsideram a eficácia comprovada dos protetores auditivos é um passo necessário para alinhar estas às evidências científicas e promover ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis.

Aqueles que colocam em dúvida a eficácia do protetor auditivo estão, na prática, contribuindo para o aumento da perda auditiva do trabalhador brasileiro, pois, sem oferecer nenhuma alternativa para a grande maioria dos trabalhadores, beneficiam a troca da saúde destes por remuneração. Sim, o protetor auditivo tem limitações, como todos os sistemas na hierarquia da proteção. Cabe a nós incentivar o uso de todos estes: eliminação do risco, sistemas de engenharia, EPC’s e evidentemente os EPI’s, lembrando que, na esmagadora maioria dos casos reais, o trabalhador só terá o protetor auditivo para proteger sua audição.

 

 

 

 

 

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segunda-feira, 15 de setembro de 2025

 



 

CINCO ERROS COMUNS NA AVALIAÇÃO DE AGENTES QUÍMICOS

 

 


 

A avaliação dos agentes químicos no ambiente de trabalho é uma das atividades mais críticas na gestão de riscos ocupacionais. No entanto, é também uma das mais mal compreendidas. É comum encontrar avaliações superficiais, baseadas em análises documentais ou em percepções visuais, que ignoram completamente os fundamentos técnicos da Higiene Ocupacional.

 

A seguir, listo cinco erros que, infelizmente, ainda são frequentes nas avaliações de agentes químicos no Brasil:

1. Acreditar que a FDS é suficiente para avaliar o risco de exposição aos agentes químicos

A Ficha de Dados de Segurança (FDS) tem uma função essencial, é uma ferramenta de identificação de perigo, mas limitada a algumas aplicações. Ela informa perigos e características dos produtos, mas não é um instrumento de avaliação de exposição ocupacional. A presença de um produto não significa, necessariamente, que exista exposição significativa. Somente uma avaliação técnica, considerando concentração no ar e tempo de exposição, pode determinar o risco real.

2. Basear-se na percepção sensorial para identificar um perigo de origem química

Cheiro forte, fumaça visível ou poeira aparente não são critérios técnicos de avaliação. Muitos agentes perigosos são inodoros, invisíveis e imperceptíveis. Por outro lado, compostos e/ou substâncias, com odor forte podem estar muito abaixo dos limites de preocupação. Avaliação sensorial não substitui medições quantitativas.

3. Ignorar a dinâmica dos processos

Um erro clássico é não compreender como o agente químico se comporta no processo. Fazer uma medição fora dos momentos críticos da operação invalida completamente o resultado. É indispensável observar a rotina, entender ciclos produtivos, manuseios, manutenção, limpeza e todas as atividades que possam gerar emissão de contaminantes.

4. Realizar medições sem estratégia adequada

Coletar amostras sem definir corretamente o agente de interesse, o tempo de amostragem, o método analítico ou o tipo de dispositivo (tubos, filtros, amostradores, etc.) leva a dados inconsistentes. Além disso, muitos esquecem de verificar se o método é compatível com a faixa esperada de concentração e com as condições do ambiente (umidade, temperatura, interferentes).

5. Interpretar resultados sem critério técnico

Comparar resultados com limites de exposição sem compreender o conceito do limite de exposição média ponderada (TLV-TWA), valor teto/limite ceiling (TLV-C) ou de curta duração para 15 minutos (TLV-STEL) gera conclusões equivocadas. É fundamental dominar os conceitos da ACGIH, das NHOs da Fundacentro e das normas internacionais para interpretar corretamente os dados.

 

CONFORMIDADE DESEJADA
Avaliar agentes químicos é uma atividade que exige rigor técnico, conhecimento científico e, acima de tudo, responsabilidade. É fundamental abandonar práticas simplistas e adotar metodologias fundamentadas em boas práticas da Higiene Ocupacional.

Empresas que desejam proteger efetivamente seus trabalhadores e estar em conformidade com a legislação precisam ir além do papel — precisam medir, interpretar e agir.

 




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POR QUE A SEGURANÇA DO TRABALHO NÃO PODE DEPENDER APENAS DO PROFISSIONAL DE SST?

 

 


 

Imagine um dia comum na rotina de um profissional de Segurança do Trabalho. Logo cedo, às 7h30, ele já está distribuindo os EPIs para os funcionários, verificando se todos estão em boas condições e orientando sobre a importância do uso correto desses equipamentos. Pouco depois, às 7h55, ele começa a emitir as Permissões de Trabalho, analisando as atividades para garantir que as medidas preventivas sejam cumpridas. Às 8h20min, já realiza uma ronda pela empresa, procurando potenciais problemas.

Por volta das 9h10, ele finalmente senta-se ao computador para ler e-mails e atualizar os planos de ação. Mal começa, o telefone toca e ele é chamado às pressas ao chão de fábrica. Um líder de produção reclama, preocupado, que um terceirizado está utilizando uma escada inadequada para um trabalho em altura. Após corrigir a situação e orientar os trabalhadores sobre a forma correta de proceder, ele retorna ao escritório para registrar o incidente, já são 10h40. Pouco antes do almoço, por volta das 11h50, ele imprime a planilha para a inspeção dos extintores.

 

ENQUANTO ISTO…
Um dia aparentemente normal, certo? Mas o que acontecia simultaneamente a essa rotina?

Às 7h30, enquanto os EPIs eram distribuídos, a gerente de logística quase sofreu um acidente, ao subir numa escada de salto alto. Felizmente, um funcionário conseguiu segurá-la no último segundo. Pouco depois, às 7h50, o operador da injetora começa o seu turno sem utilizar o protetor auricular, desconsiderando, mais uma vez, as normas de segurança.

Às 8h20, enquanto a ronda acontecia em outra parte da empresa, o Joaquim, da manutenção, arriscava-se testando uma máquina energizada, com o objetivo de “ganhar tempo”. Às 9h10, por sorte, não houve incidentes, afinal, a empresa não é caos completo.

Porém, às 10h20, recebe a ligação do líder de produção sobre o problema da escada do terceirizado. Às 11h20, outro alerta: o gerente de produção percebe um terceirizado subindo num andaime com o cinto solto e pensa imediatamente: “Cadê o TST que não vê isso? ”.

 

ONIPRESENÇA IMPOSSÍVEL
Essa dinâmica acontece com frequência em muitas organizações, mas deixa claro um ponto frequentemente ignorado: é absolutamente impossível para o profissional de Segurança do Trabalho estar presente em todos os lugares ao mesmo tempo.

É preciso que os gestores compreendam que o papel do TST é de apoiar, orientar e agir nas situações mais críticas, mas que a segurança diária depende diretamente das ações de toda a equipe. Cada líder precisa estar atento e ter autonomia para corrigir riscos imediatos, como o operador sem EPI ou o terceirizado em comportamento perigoso. Quando todas as situações de risco são vistas como “tarefa do SESMT”, a equipe de segurança fica sobrecarregada, presa num ciclo contínuo de “apagar incêndios”, sem conseguir se concentrar em prevenção, treinamentos adequados ou em implementar melhorias estruturais.

Enquanto a segurança for vista como responsabilidade exclusiva do SESMT, empresas jamais alcançarão excelência em SST. O verdadeiro avanço vem quando gestores agem como líderes em segurança, funcionários seguram colegas em atitudes arriscadas, e todos entendem: proteger vidas é um compromisso de cada um, não apenas do “homem do capacete”.

 





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