segunda-feira, 15 de setembro de 2025

 



 

POR QUE A SEGURANÇA DO TRABALHO NÃO PODE DEPENDER APENAS DO PROFISSIONAL DE SST?

 

 


 

Imagine um dia comum na rotina de um profissional de Segurança do Trabalho. Logo cedo, às 7h30, ele já está distribuindo os EPIs para os funcionários, verificando se todos estão em boas condições e orientando sobre a importância do uso correto desses equipamentos. Pouco depois, às 7h55, ele começa a emitir as Permissões de Trabalho, analisando as atividades para garantir que as medidas preventivas sejam cumpridas. Às 8h20min, já realiza uma ronda pela empresa, procurando potenciais problemas.

Por volta das 9h10, ele finalmente senta-se ao computador para ler e-mails e atualizar os planos de ação. Mal começa, o telefone toca e ele é chamado às pressas ao chão de fábrica. Um líder de produção reclama, preocupado, que um terceirizado está utilizando uma escada inadequada para um trabalho em altura. Após corrigir a situação e orientar os trabalhadores sobre a forma correta de proceder, ele retorna ao escritório para registrar o incidente, já são 10h40. Pouco antes do almoço, por volta das 11h50, ele imprime a planilha para a inspeção dos extintores.

 

ENQUANTO ISTO…
Um dia aparentemente normal, certo? Mas o que acontecia simultaneamente a essa rotina?

Às 7h30, enquanto os EPIs eram distribuídos, a gerente de logística quase sofreu um acidente, ao subir numa escada de salto alto. Felizmente, um funcionário conseguiu segurá-la no último segundo. Pouco depois, às 7h50, o operador da injetora começa o seu turno sem utilizar o protetor auricular, desconsiderando, mais uma vez, as normas de segurança.

Às 8h20, enquanto a ronda acontecia em outra parte da empresa, o Joaquim, da manutenção, arriscava-se testando uma máquina energizada, com o objetivo de “ganhar tempo”. Às 9h10, por sorte, não houve incidentes, afinal, a empresa não é caos completo.

Porém, às 10h20, recebe a ligação do líder de produção sobre o problema da escada do terceirizado. Às 11h20, outro alerta: o gerente de produção percebe um terceirizado subindo num andaime com o cinto solto e pensa imediatamente: “Cadê o TST que não vê isso? ”.

 

ONIPRESENÇA IMPOSSÍVEL
Essa dinâmica acontece com frequência em muitas organizações, mas deixa claro um ponto frequentemente ignorado: é absolutamente impossível para o profissional de Segurança do Trabalho estar presente em todos os lugares ao mesmo tempo.

É preciso que os gestores compreendam que o papel do TST é de apoiar, orientar e agir nas situações mais críticas, mas que a segurança diária depende diretamente das ações de toda a equipe. Cada líder precisa estar atento e ter autonomia para corrigir riscos imediatos, como o operador sem EPI ou o terceirizado em comportamento perigoso. Quando todas as situações de risco são vistas como “tarefa do SESMT”, a equipe de segurança fica sobrecarregada, presa num ciclo contínuo de “apagar incêndios”, sem conseguir se concentrar em prevenção, treinamentos adequados ou em implementar melhorias estruturais.

Enquanto a segurança for vista como responsabilidade exclusiva do SESMT, empresas jamais alcançarão excelência em SST. O verdadeiro avanço vem quando gestores agem como líderes em segurança, funcionários seguram colegas em atitudes arriscadas, e todos entendem: proteger vidas é um compromisso de cada um, não apenas do “homem do capacete”.

 





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