POR
QUE A SEGURANÇA DO TRABALHO NÃO PODE DEPENDER APENAS DO PROFISSIONAL DE SST?
Imagine um dia comum na rotina de um profissional de
Segurança do Trabalho. Logo cedo, às 7h30, ele já está distribuindo os EPIs
para os funcionários, verificando se todos estão em boas condições e orientando
sobre a importância do uso correto desses equipamentos. Pouco depois, às 7h55,
ele começa a emitir as Permissões de Trabalho, analisando as atividades para
garantir que as medidas preventivas sejam cumpridas. Às 8h20min, já realiza uma
ronda pela empresa, procurando potenciais problemas.
Por volta das 9h10, ele finalmente senta-se ao computador
para ler e-mails e atualizar os planos de ação. Mal começa, o telefone toca e
ele é chamado às pressas ao chão de fábrica. Um líder de produção reclama,
preocupado, que um terceirizado está utilizando uma escada inadequada para um
trabalho em altura. Após corrigir a situação e orientar os trabalhadores sobre
a forma correta de proceder, ele retorna ao escritório para registrar o
incidente, já são 10h40. Pouco antes do almoço, por volta das 11h50, ele
imprime a planilha para a inspeção dos extintores.
ENQUANTO
ISTO…
Um
dia aparentemente normal, certo? Mas o que acontecia simultaneamente a essa
rotina?
Às 7h30, enquanto os EPIs eram distribuídos, a gerente de
logística quase sofreu um acidente, ao subir numa escada de salto alto.
Felizmente, um funcionário conseguiu segurá-la no último segundo. Pouco depois,
às 7h50, o operador da injetora começa o seu turno sem utilizar o protetor
auricular, desconsiderando, mais uma vez, as normas de segurança.
Às 8h20, enquanto a ronda acontecia em outra parte da
empresa, o Joaquim, da manutenção, arriscava-se testando uma máquina
energizada, com o objetivo de “ganhar tempo”. Às 9h10, por sorte, não houve
incidentes, afinal, a empresa não é caos completo.
Porém, às 10h20, recebe a ligação do líder de produção
sobre o problema da escada do terceirizado. Às 11h20, outro alerta: o gerente
de produção percebe um terceirizado subindo num andaime com o cinto solto e
pensa imediatamente: “Cadê o TST que não vê isso? ”.
ONIPRESENÇA
IMPOSSÍVEL
Essa
dinâmica acontece com frequência em muitas organizações, mas deixa claro um
ponto frequentemente ignorado: é absolutamente impossível para o profissional
de Segurança do Trabalho estar presente em todos os lugares ao mesmo tempo.
É preciso que os gestores compreendam que o papel do TST é
de apoiar, orientar e agir nas situações mais críticas, mas que a segurança
diária depende diretamente das ações de toda a equipe. Cada líder precisa estar
atento e ter autonomia para corrigir riscos imediatos, como o operador sem EPI
ou o terceirizado em comportamento perigoso. Quando todas as situações de risco
são vistas como “tarefa do SESMT”, a equipe de segurança fica sobrecarregada,
presa num ciclo contínuo de “apagar incêndios”, sem conseguir se concentrar em
prevenção, treinamentos adequados ou em implementar melhorias estruturais.
Enquanto a segurança for vista como responsabilidade
exclusiva do SESMT, empresas jamais alcançarão excelência em SST. O verdadeiro
avanço vem quando gestores agem como líderes em segurança, funcionários
seguram colegas em atitudes arriscadas, e todos entendem: proteger vidas é
um compromisso de cada um, não apenas do “homem do capacete”.
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