quinta-feira, 25 de agosto de 2022

 






 

O PROFISSIONAL DE SEGURANÇA DO TRABALHO NO BRASIL

 



O profissional de segurança do trabalho no Brasil é regulamentado em 1985, sendo reconhecido como profissão que envolve a segurança do trabalho como foco principal. Conheça o histórico da segurança do trabalho no Brasil, até as dificuldades e desafios desta profissão.

 

Breve Histórico da Segurança do Trabalho no Brasil

 

A industrialização do Brasil é lenta e a passagem do artesanato à indústria é demorada. Traçando um pequeno histórico da legislação trabalhista brasileira, destacamos:

 

·       Em 15 de janeiro de 1919 é promulgada a primeira Lei nº 3724 sobre Acidente de trabalho, já com o conceito do risco profissional. Esta mesma Lei é alterada em 5 de março do mesmo ano pelo Decreto 13.493 e em 10 de julho de 1934, pelo Decreto 24.637. Em 10 de novembro de 1944, é revogada pelo Decreto Lei 7.036 que dá às autoridades do Ministério do Trabalho a incumbência de Fiscalizar a Lei dos Acidentes do Trabalho.

·       Em 01 de Maio de 1943 houve a publicação do Decreto Lei 5.452 que aprovou a CLT, Consolidação das Leis do Trabalho, cujo capítulo V refere-se a Segurança e Medicina do Trabalho.

·       Em 1953 a Portaria 155 regulamenta e organiza as CIPA´s e estabelece normas para seu funcionamento.

·       A Portaria 319 de 30.12.60 regulamenta a uso dos EPI´s.

·       A Lei 5.136 – Lei de Acidente de Trabalho – surge em 14 de setembro de 1967.

·       Em 1968 a Portaria 32 fixa as condições para organização e funcionamento das CIPA´s nas Empresas.

·       Em 1972 a Portaria 3.237 determina obrigatoriedade do serviço Especializado de Segurança do Trabalho, regulamentada pela Lei 6.514 em 08 de junho de 1978.

 

O profissional de Segurança do Trabalho

 

No Brasil, a profissão é regulamentada pela lei 7.410, de 27 de novembro de 1985 que dispôs sobre a especialização, em nível de pós-graduação, de engenheiros e arquitetos em engenharia de segurança do trabalho.

O engenheiro de segurança ou engenheiro de segurança do trabalho é todo engenheiro, arquiteto ou agrônomo que possui curso de especialização em engenharia de segurança do trabalho.

 



O engenheiro de segurança ou engenheiro de segurança do trabalho é todo engenheiro, arquiteto ou agrônomo que possui curso de especialização em engenharia de segurança do trabalho.

 

O engenheiro de segurança assim como o Engenheiro de Segurança Industrial tem atribuição, de acordo com o CBO – Classificação Brasileira de Ocupações, de controlar perdas de processos, produtos e serviços ao identificar, determinar e analisar causas de perdas, estabelecendo plano de ações preventivas e corretivas; desenvolver, testar e supervisionar sistemas, processos e métodos produtivos, gerenciar atividades de segurança do trabalho e do meio ambiente, planejar empreendimentos e atividades produtivas e coordenar equipes, treinamentos e atividades de trabalho.

A categoria de Técnico de Segurança do Trabalho, que na década de 50 era denominada Inspetores de Segurança, foi regulamentada em 1986 pela Lei n° 9235.

Segundo a Classificação Brasileira de Ocupações, o Técnico de Segurança do Trabalho é equiparado a Supervisor de Segurança do Trabalho, Técnico em Meio Ambiente e Técnico em Segurança Industrial, com atribuições de elaborar, participar da elaboração e implementar política se saúde e segurança no trabalho, realizar auditorias, identificar variáveis de controle de doenças, acidentes, qualidade de vida e meio ambiente; desenvolver ações educativas na área de saúde e segurança no trabalho, participar de perícias, fiscalizações e adoção de tecnologia e processos de trabalho, além de gerenciar documentação, investigar acidentes e recomendar medidas de controle e de prevenção. Leia também nosso artigo sobre Medidas de Controle: “As Medidas de Controles – Mitigando os Riscos”

 

A formação do profissional de Segurança do Trabalho

 

Conforme mencionado, o Engenheiro de Segurança do trabalho é um título atribuído a nível de pós-graduação com carga horária em torno de 600 horas sendo que se identifica cursos de formação de 612 a 660 horas.

A formação do Engenheiro de Segurança no país não é uniforme em termos de abordagem e, possivelmente em termos de conteúdo conforme ilustra a tabela abaixo:

 

Tabela 1 – Grade Curricular da Formação do Engenheiro de Segurança do Trabalho no Brasil

 

No que se refere à formação do Técnico de Segurança do Trabalho também encontramos grades curriculares diferentes em abordagem e em dedicação em extensão maior comparado à grade de formação do Engenheiro de Segurança do Trabalho conforme mostra a tabela 2.

Curiosamente, a dedicação necessária em termos de horas requeridas para a formação do Técnico de Segurança do Trabalho é significativamente maior comparado à formação do Engenheiro de Segurança do Trabalho em no mínimo o dobro de carga horária.

O que não se sabe é se a profundidade e extensão de abordagem dos temas sejam diferentes ou similares comparando as disciplinas de conteúdo similar existente entre a formação desses dois profissionais.

 

Tabela 2 – Grades Curriculares de Formação do Técnico de Segurança

 



Para a FENATEST – Federação Nacional de Técnicos de Segurança do Trabalho há mais de 330.000 técnicos de Segurança do trabalho formados no Brasil.

 

Os dados do MTE, com base na RAIS – Relatório Anual de Informações Sociais indicam a existência de algo em torno de 10.000 engenheiros de Segurança do Trabalho com vínculo empregatício em atividade no país. De acordo com o CONFEA – Conselho Federal de Engenharia e Agronomia, existem no Brasil pelo menos 40.000 Engenheiros de Segurança do Trabalho registrados no conselho. Segundo a ANEST – Associação Nacional de Engenheiros de Segurança do Trabalho já foram graduados no Brasil algo em torno de 120.000 Engenheiros de Segurança do Trabalho.

Segundo os dados do MTE, com base na RAIS – Relatório Anual de Informações Sociais, há no Brasil mais de 90.000 técnicos de Segurança do Trabalho atuando com vínculo empregatício. Já para a FENATEST – Federação Nacional de Técnicos de Segurança do Trabalho há mais de 330.000 técnicos de Segurança do trabalho formados no Brasil.


Dificuldades e Desafios dos Profissionais de Segurança do Trabalho

 

Há de se dizer que as dificuldades e os desafios dos profissionais de segurança do trabalho são enormes e múltiplos. Vejamos algumas delas:

 

·       Primariamente, estes profissionais atuam como “bombeiros” apagando incêndios. Incêndios estes decorrentes da baixa ênfase em segurança de instalações industriais na fase de concepção, engenharia e projetos. Diferente da abordagem ambiental em que os empreendimentos potencialmente poluidores e de alto potencial de impacto ambiental são obrigatoriamente submetidos a um estudo de impacto ambiental e a um processo rigoroso de licenciamento ambiental. Será que se tivéssemos a mesma abordagem nos empreendimentos no que se refere a um “licenciamento ocupacional” seriamos capazes de diminuir as perdas de vida e qualidade de vida no trabalho?

 

·       Outro aspecto que dificulta o trabalho desses profissionais é a arcaica percepção por parte do empresariado de que segurança é centro de custo! A começar por ser obrigado por lei a ter nos seus quadros profissionais de segurança do trabalho. Como consequência tem-se a enorme dificuldade de justificar e aprovar investimentos em prevenção e melhorias no ambiente de trabalho. Sabidamente, prevenção requer recursos, mas não é difícil demonstrar que segurança é um investimento e que, portanto, prevenção é uma forma de melhorar a rentabilidade do negócio por que gera retorno, gera lucro a médio prazo.

 

·       Possivelmente em decorrência disto, uma fatia significativa das empresas ainda adota a conduta essencialmente legalista e menos prevencionista, com a crença de que segurança é de responsabilidade do profissional de segurança e não dos gestores e donos de processos. A consequência disto é que o profissional de segurança acaba se transformando num “missionário” tentando convencer e conscientizar as pessoas das empresas, inclusive os empregados, a importância do trabalho seguro, a importância de preservar a sua própria vida e a sua qualidade de vida no trabalho.

 

·       Outro aspecto dificultador é a abordagem na condução da gestão de segurança e na prevenção com foco na reatividade. Isto é, coloca-se muita ênfase na investigação de incidentes, nas inspeções, no relato de não conformidade ocupacional, no acompanhamento físico do trabalho pelo profissional de segurança como “olheiro”, “fiscal”. Não que estas ações sejam irrelevantes, mas abordagem reativa não promove individualmente o trabalho seguro.

 

·       É fundamental aprender com nossos erros! E um acidente é uma caixa de erros! Mas só aprender errando é doloroso, cruel, dispendioso e as conquistas de um ambiente de trabalho seguro por este caminho pode durar uma eternidade.

 

·       A baixa cultura de antecipação dos problemas em relação à Segurança é um desafio e um dificultador do trabalho do profissional de segurança do trabalho. Antecipar significa ser proativo. Significa gerenciar efetivamente o risco. Significa abandonar os indicadores reativos da segurança do trabalho (taxa de frequência e taxa de gravidade) como orientadores das ações de prevenção e adotar indicadores de risco como instrumento de orientação estratégica da abordagem de prevenção de acidentes. Sabidamente, várias empresas no Brasil são certificadas em OHSAS 18001 e assim sendo elas têm necessariamente que evidenciar o mapeamento de perigos e a avaliação de risco. No entanto, sabemos também que inúmeros sistemas de Gestão de Segurança e Saúde Ocupacional apoiados nesta norma existem apenas no papel e com o propósito maior de ostentar um certificado e não necessariamente de prevenir acidentes e doenças ocupacionais.

 

·       Por fim, mas sem esgotar os argumentos das dificuldades e desafios dos profissionais de Segurança do Trabalho quero fazer referência à formação dos mesmos. É cruel tirar um Técnico de Segurança do Trabalho da escola e exigir dele o cumprimento das suas atribuições profissionais com base na descrição de sua ocupação e responsabilidade. Sabidamente, estes profissionais, em empresas menores acabam exercendo o papel técnico e o gerencial. Olhando a descrição destas responsabilidades e comparando com a grade curricular encontramos um vazio muito grande na preparação destes profissionais para a demanda do mercado. Da mesma forma, 600 horas é tempo irrisório para preparar um Engenheiro de Segurança do Trabalho com a abrangência e profundidade requeridas para prover bagagem técnica suficiente para a atuação eficaz desses profissionais. Adicionalmente, muitos desses profissionais acabam exercendo papéis menos técnicos e mais gerenciais nas organizações em que atuam sem o devido preparo acadêmico para esse exercício. Há de se rever e adequar a formação desses profissionais de modo que possam contribuir para mudar o “mapa mental” dos tomadores de decisão nas empresas que atuam, contribuindo para salvar vidas e preservar a qualidade de vida de quem conquista a sua sobrevivência no trabalho.

 

 



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quarta-feira, 24 de agosto de 2022

 




 

OS 3 PRINCIPAIS ERROS COMETIDOS NA GESTÃO DE RISCOS

 



Os 3 principais erros cometidos da Gestão de Riscos estão na maneira de dificultar a identificação dos riscos, no processo de não registrar os fatores de risco e não considerar os eventos de alto potencial. Esclarecemos um a um, logo abaixo.

O risco é parte integrante e indissociável do processo de tomada de decisão em qualquer empresa. Tomar decisão incorporando o risco não é uma tarefa fácil. Significa que para gerir uma empresa é fundamental a abordagem da gestão de riscos em todas as dimensões: risco ocupacional, risco ambiental, risco tributário, risco político, risco social, risco de reputação, risco legal, dentre outros. Ao não se considerar o risco nas decisões pode ser que os resultados não sejam o esperado e que tenhamos desperdiçado recursos preciosos.

Claro que cada empresa possui uma realidade diferente, no entanto, os principais erros são comuns a todas elas no que se refere à gestão do risco!

 

Dificultar a identificação dos riscos

 

O Sistema Toyota de Produção é um sistema que foi criado com foco na produção de qualidade. Porém, é também um excelente exemplo para utilizarmos na gestão de riscos. Isso porque cada trabalhador individual em maior ou menor grau tem liberdade de tomar decisões, nem que seja reconhecer e identificar a possibilidade de algo dar errado.

 



É preciso facilitar a identificação de riscos para que os trabalhadores possam fazer parte dessa gestão e, desta forma, eles adquirem experiência e ficam mais envolvidos nas melhorias.

No sistema, há um cordão pendurado no teto ou mesmo um botão na estação de todos os trabalhadores. Logo, quando alguém puxa o cordão ou aperta esse botão, significa que o colaborador identificou um problema e que ele não poderá fazer mais nada até que o mesmo seja resolvido, o que não deixa de ser uma decisão. Em nosso cenário, a ideia funcionaria com um supervisor indo até o trabalhador para que o problema possa ser considerado e para que uma decisão imediata seja tomada.
A verdade é que a Toyota não se importa que o trabalhador “puxe a acorda” caso problema possa gerar uma consequência eminente ou não. Mesmo a incerteza deve ser identificada, compreendida e resolvida. Afinal, só o fato de termos um trabalhador preocupado com a qualidade do seu trabalho e às vezes a sua segurança e a de seus colegas já indica que o risco foi parte do processo decisório.

Onde queremos chegar com isso tudo? À simplicidade. É preciso facilitar a identificação de riscos para que os trabalhadores possam fazer parte dessa gestão e, desta forma, eles adquirem experiência e ficam mais envolvidos nas melhorias. Essa atividade está diretamente relacionada à liderança da organização e o ideal é que esteja aliada a coleta de dados e informações que possam ser transformados em conhecimento para alimentar o processo decisório utilizando as técnicas de gestão de riscos.

 

Não realizar o registro dos fatores de risco

 

Pode parecer óbvio, mas é mais comum do que se imagina o fato de que as pessoas dão pouca atenção ao registro sistêmico dos fatores de riscos como etapa complementar da identificação dos mesmos.

O registro permite compartilhar os dados e as informações além de possibilitar o tratamento dos mesmos através de meios específicos, técnicas de análise de modo a se identificar causas, consequências potenciais, tendências e fundamentalmente permitir a proposição de ações de mitigação. Além disso, o registro tanto dos dados e informações quanto das análises dão visibilidade ao processo de gestão do risco e de seus resultados.

 

Não considerar os eventos de alto potencial

 

Não é incomum se dar ênfase na coleta, registro e tratamento de dados apenas para aquelas situações que geraram perdas ou consequências significativas em detrimento dos eventos que não tiveram consequências reais mensuráveis, mas que tinham potencial para causar danos relevantes.

Pode ser uma tarefa árdua registrar todos os eventos para depois classifica-los de acordo com sua consequência potencial ao invés de apenas de acordo com sua consequência real. Mas a contrapartida obtida pelo tratamento das ações potencialmente perigosas justifica o investimento de tempo e energia.

Neste aspecto, podemos classificar a gestão de risco em pelo menos duas categorias: gestão de riscos reativa, concentrada em eventos que geraram perdas mensuráveis e significativas e gestão de riscos preventiva, que aborda os eventos que tenham potencial de gerar perdas independente das consequências reais observadas. Neste caso, o aprendizado é mais atrativo pois não se paga o valor da perda para se aprender com os fatos.

 


Certamente que completa este ciclo a gestão de riscos proativa que significa antecipação à ocorrência de eventos indesejados, mapeando as condições perigosas, avaliando suas consequências potenciais e promovendo ações mitigadoras com foco em reduzir a probabilidade de ocorrência de um evento indesejado ou mesmo reduzindo a sua consequência potencial caso ele ocorra.

Certamente que para construir toda esta estrutura de gestão de riscos há de se pensar em uso de ferramentas apropriadas e um sistema ágil, acessível e capaz de processar os dados e fornecer informações gerenciais que alimentem e orientem o processo decisório.

 



Autor: Reginaldo Pedreira Lapa
Engenheiro de Minas e de Segurança do Trabalho




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OS COMPORTAMENTOS DE RISCO NO AMBIENTE DE TRABALHO.

 


Os comportamentos de risco no trabalho podem ser associados à falta de percepção do risco ou ainda ao fato de os colaboradores não terem se adaptado a situações de riscos mais comuns – além, é claro, quando há ausência de medidas de controle eficientes para proteção e prevenção de acidentes.

É sempre importante dizer que grande parte dos acidentes de trabalho ocorre devido ao fator humano. Ou seja, é o erro humano que coloca em risco a segurança e saúde dos colaboradores em um ambiente de trabalho – mesmo quando nos referimos à responsabilidade da gestão em si. Os comportamentos de risco no trabalho são um exemplo disso, pois tratam-se atitudes que podem causar acidentes graves, seja por falta de atenção ou de conhecimentos necessários para as atividades.

 

O que são comportamentos de risco no trabalho?

 

Comportamento de risco são ações e atitudes cotidianas de cada indivíduo em situações específicas. Isso significa que o comportamento de risco é individual, varia de pessoa para pessoa e depende dos atos de cada um. Neste caso, cabe ao Técnico em Segurança do Trabalho, a CIPA e a outros profissionais responsáveis pela segurança e gestão da empresa fazer a identificação e conscientização das equipes sobre os perigos e riscos decorrentes de certos comportamentos. Leia mais sobre a CIPA em nosso artigo: O que é e para que serve a CIPA?

 

Quais são os comportamentos de risco mais comuns?

 

Em cada área de uma empresa existem comportamentos de risco que são mais comuns que em outras. Alguns podem ser até mais fáceis de identificar, no entanto, outros às vezes passam despercebidos aos olhos dos responsáveis pela segurança e dos gestores.

 

A seguir você confere os comportamentos de riscos mais comuns no trabalho!

 

·       Falta de atenção e ritmo acelerado de trabalho:

 

A incessante busca por produtividade e cumprimento de metas acaba gerando comportamentos de risco no trabalho que afetam a saúde física e mental dos empregados. Além disso, tal desatenção e ritmo frenético podem diminuir a qualidade do produto ou serviço.

 

·       Pleno sentimento de segurança:

 

É claro que se sentir seguro no ambiente de trabalho é fundamental, principalmente para que os colaboradores trabalhem mais confiantes e felizes. No entanto, essa sensação de segurança não pode fazer com que eles subestimem as normas e procedimentos de segurança e, assim, criem diversos cenários de riscos. O mesmo vale para excesso de confiança em relação ao conhecimento e uso de ferramentas e equipamentos.

 

·       Utilização de ferramentas ou materiais antigos ou defeituosos:

 

Cabe à empresa oferecer sempre os materiais adequados e funcionais para a realização das atividades. O uso de ferramentas antigas ou com defeito são exemplos que, além de prejudicar a execução do trabalho, podem colocar em risco tanto os funcionários quanto a empresa.

 



É essencial que os gestores tenham certeza de que o funcionário está apto para desempenhar a tarefa corretamente.

 

·       Operação de máquinas e equipamentos sem capacitação:

 

Antes de efetivar qualquer funcionário, é essencial que os gestores tenham certeza de que o mesmo está apto para desempenhar a tarefa corretamente. A empresa que oferece cursos e treinamentos específicos está sempre um passo à frente na hora de se precaver contra acidentes de trabalho.

 

·       Brincadeiras impertinentes no local de trabalho:

 

Todas as brincadeiras têm um limite. Às vezes, elas servem para deixar o ambiente de trabalho mais sociável e amigável. Porém, a segurança vem em primeiro lugar e é preciso saber lidar para que essas brincadeiras não se tornem um problema de comportamentos de risco.

 

·       Não usar os Equipamentos de Proteção adequados (EPI’s ou EPC’s):

 

Muitos funcionários se sentem confiantes o suficiente para realizar tarefas sem os Equipamentos de Proteção Individual ou Coletivo recomendados, colocando a própria vida em risco e também a estrutura, imagem e reputação da empresa. Os responsáveis pela segurança devem supervisionar e garantir que os funcionários façam o uso correto dos EPIs e EPC’s, pois não o fazer significa estar cometendo um erro humano.

 

Quais as soluções para os gestores adotarem?

 

Para conseguir evitar os comportamentos de risco dos funcionários que podem comprometer toda a gestão de segurança de uma empresa, é fundamental possuir políticas de segurança desenvolvidas dentro da própria organização. Deve haver orientação, supervisão e atenção contínua em relação às atividades e aos trabalhadores. 

A grande maioria dos acidentes pode ser evitada por meio de medidas de proteção e prevenção, logo, cabe aos profissionais da área e aos gestores identificarem os comportamentos de risco e reeducarem os trabalhadores para que possam cuidar de sua segurança e a dos colegas.

 



Autor: Reginaldo Pedreira Lapa
Engenheiro de Minas e de Segurança do Trabalho

 

 

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terça-feira, 23 de agosto de 2022

 



 

PRESERVAR E CONTROLAR OS DADOS

 



A preservação e o controle das evidências são essenciais para evitar a perda ou alteração, para conferir credibilidade à investigação e para poderem ser facilmente encontradas quando necessário. Deste modo, é recomendado que se tenha procedimentos definindo a forma de preservação e controle dos mesmos.

Embora esta etapa do ritual de investigação de incidentes esteja mencionada logo após etapa de coleta de dados, deixamos propositalmente para aborda-la por último para incluir na preservação e no controle os relatórios que documentam a investigação além dos dados propriamente ditos.

 

Antes de remover qualquer evidência da cena da ocorrência, é necessário adotar ações que preservem a sua integridade tais como:

 

·       Registrar o local e orientação exatos da evidência na cena utilizando medidas, anotações, esquemas, fotografias, vídeos ou mesmo marcas indicativas no local como, por exemplo, utilizando tinta spray;

·       Providenciar local de armazenamento seguro para as evidências;

·       Embalar cuidadosamente e etiquetar com clareza para identificar a evidência e sua procedência;

·       Equipamentos e peças que estejam com defeito, avariados, montados inadequadamente e removidos para avaliação técnica devem ser registrados e terem seu posicionamento identificados com mapas, croqui ou imagem mostrando a sua posição na cena da ocorrência;

·       Itens que tenham sido quebrados ou danificados devem ser embalados cuidadosamente para preservar os detalhes da sua superfície;

·       Peças frágeis devem ser acondicionadas adequadamente para preservar a sua integridade;

·       O cuidado ao trafegar no local de ocorrência do incidente é essencial, pois além de evitar descaracterizar a cena do incidente pode ser perigoso pela possível presença de material nocivo ou mesmo estruturas enfraquecidas decorrente da ocorrência.

 

Embalar cuidadosamente e etiquetar com clareza

para identificar a evidência e sua procedência;

 

É essencial prover um registro sistemático das imagens em foto e vídeo numa folha de controle descrevendo o local, data e hora em que foram produzidas. Não é recomendado utilizar anexos fotográficos que gravem digitalmente a data e hora na própria imagem, pois podem tornar ilegível parte da cena do incidente ou detalhes importantes. Da mesma forma, o uso das datas impressas no verso de fotos processadas em laboratórios fotográficos não deve ser considerado como o registro de fotos, pois as datas ali impressas são normalmente as datas de processamento e não a data na qual a imagem foi obtida.

Os itens, peças, materiais removidos da cena do incidente e coletados como evidências, devem ser registrados numa folha de controle indicando também data, hora, quem coletou e onde estão guardados.

Os documentos e registros coletados devem ser registrados em uma folha de controle indicando o tipo, a origem, o seu propósito e a data da versão do documento, pelo menos.

O acesso às evidências deve ser controlado. Elas devem ser disponibilizadas apenas para quem precisa examinar ou utilizar para outro fim durante o ritual da investigação. O acesso ao local físico onde as evidências estão armazenadas deve ser também controlado e restrito.

Os registros eletrônicos devem ser mantidos organizados num local apropriado e de acesso restrito. As declarações das testemunhas e informações médicas devem ser tratadas com confidencialidade e armazenadas de modo a impedir acesso público.

Após o término da investigação, é recomendável que todos os arquivos eletrônicos, incluindo o relatório final sejam copiados para um CD ou outro formato de armazenamento adequado e todos os dados deletados do computador onde a equipe de investigação estava trabalhando.

 

É recomendável que todos os arquivos eletrônicos, incluindo

o relatório final sejam copiados para um CD ou outro formato de armazenamento adequado

 

Há de se lembrar de que podem existir ações recomendadas que tenham tempo de implantação mais longo e, consequentemente a verificação de sua eficácia também estendido no tempo. E assim sendo, pode ser também que alguma ação implantada não tenha sua eficácia comprovada ou reconhecida. Nestes casos, será necessário revisitar a investigação, rever os dados, a análise e, se os dados não estiverem preservados e com acesso facilitado esta ação fica dificultada ou mesmo impossibilitada.

 

 



Autor: Reginaldo Pedreira Lapa
Engenheiro de Minas e de Segurança do Trabalho

 

Fonte: Lapa, Reginaldo Pedreira. Investigação e Análise de Incidentes, Editora Edicon, São Paulo, 2011

 

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ACOMPANHAR AS AÇÕES

 


Acompanhar as ações! Certamente que o ritual da investigação não se encerra com a entrega do relatório. A prevenção de ocorrências similares futuras depende da adoção das observações, da implantação das ações recomendadas e da verificação da sua eficácia.

Deste modo, um ciclo de investigação pode se estender por longos períodos, dependendo da ocorrência, da sua abrangência, das suas consequências e das ações requeridas para evitar recorrência. Assim sendo, é fundamental a etapa de acompanhamento das ações ilustrada na figura 1

 

Figura 1 – Processo de acompanhar as ações

 

O processo de acompanhamento tem início com o detalhamento das ações recomendadas, na forma de um plano de ações, desdobrando o que precisa ser feito na forma de ações executáveis, indicando os seus responsáveis, definindo o tempo de execução das mesmas na forma de um cronograma e detalhando os recursos necessários para que as ações sejam efetivamente implantadas.

O papel primeiro da administração é assegurar os recursos necessários para que o plano de ações seja conduzido.

Adicionalmente, é recomendado que auditorias sistemáticas sejam conduzidas para avaliar o andamento, a execução das ações, assim como a avaliação da efetividade das mesmas como meios de prevenção de recorrência de incidentes, uma vez implantadas. Deste modo, o ciclo do ritual da investigação somente é encerrado quando a última ação é concluída e tem a sua efetividade atestada.

Sumário do ritual de aprendizado para com o incidente

É certo que um ritual completo de uma investigação como apresentados nos 10 artigos, somente faz sentido ocorrer, observando todas as suas etapas, no caso de eventos mais sérios e de consequências maiores. Haverá eventos que não justificam o investimento em tempo e recursos na condução de uma investigação completa. Há eventos em que as causas são claramente conhecidas apenas com uma análise simples; há eventos em que as causas são claramente reconhecidas e que as ações de prevenção são de simples execução; há eventos em que, embora as causas sejam de fácil reconhecimento, as ações necessárias têm mais complexidade e há eventos em que as causas são de difícil identificação, mas que, uma vez identificadas, as ações são de fácil execução.

Deste modo, não há por que insistir no uso e aplicação do ritual completo e mais detalhado de investigação com todas as suas etapas para todo e qualquer tipo de ocorrência.

Uma forma de considerar este aspecto é definir um critério combinando a facilidade ou dificuldade de identificação das causas com a facilidade ou dificuldade de adotar as ações para evitar a sua recorrência, para escolha da abordagem do ritual de investigação. A figura 2 mostra uma sugestão de como utilizar esta combinação e construir o critério.

 

Figura 2 – Critério para uso do ritual de investigação

 

Independente da abordagem, o registro do ritual de investigação adotado deve ser feito na forma de um relatório. Naturalmente, no caso de a abordagem “Ver e agir” o relatório deve ser bem mais simples e expedito, comparado àquele do ritual completo da investigação.

Em qualquer abordagem será necessário descrever o sumário executivo, a justificativa da escolha da abordagem para o ritual da investigação, a sequência de eventos, as consequências, a técnica de investigação adotada, as conclusões e as recomendações. No entanto, dependendo da abordagem selecionada, adotando o critério mostrado na figura 2, as descrições destes elementos, parte do relatório da investigação, vão requer mais ou menos detalhes.

O ritual da investigação do incidente é a forma de “aprender com o incidente” individualmente. Para a grande maioria dos eventos classificados como “quase acidentes” a abordagem será a de “Ver e agir”, especialmente quando o potencial de severidade for baixo. Normalmente, poucos eventos são tratados com uma investigação completa. Sabemos que, se atuarmos na base da pirâmide de consequência seja a de Frank Bird, seja a de Heinrich, estaremos aprendendo com os incidentes, não individualmente, mas globalmente, verificando tendências e tratando fatores de causa comuns aos eventos, prevenindo assim a ocorrência de eventos mais sérios.

As técnicas e as ferramentas para proporcionar este aprendizado são abordadas são as mais diversas. Uma abordagem dessas técnicas e ferramentas é encontrada no livro Investigação e Análise de Incidentes publicado em 2011. No entanto, para que o uso das técnicas e ferramentas seja incentivado e mesmo facilitado é fundamental que se disponha de um banco de dados sobre os incidentes registrados e suas respectivas investigações.

 



Para que o uso das técnicas e ferramentas seja incentivado e mesmo facilitado é fundamental que se disponha de um banco de dados sobre os incidentes registrados e suas respectivas investigações.

Deste modo é possível parametrizar as variáveis que envolvem um incidente e analisá-las de maneira coletiva e mais ampla, de modo que possamos definir ações preventivas para evitar, não somente a ocorrência de eventos similares, mas também atenuar as consequências dos mesmos, caso ocorram.

A NBR 14280 pode ser um bom ponto de partida para esta parametrização, pois esta norma apresenta os fatores de causa e outros parâmetros associados ao incidente, já codificados. Em outras palavras, estamos fazendo referência à importância da adoção de um sistema de informações para registro sistemático dos incidentes e suas decorrências, que possa ser utilizado com as características de um banco de dados.

 

É importante lembrar que os incidentes custam caro considerando suas consequências sociais e econômicas. É importante também inaugurar a prática de compartilhamento público dos resultados de investigações, mesmo que entre segmentos específicos, especialmente aqueles que causaram ou tem potencial de causar consequências sérias, de modo a ampliar o aprendizado para com os incidentes, considerando que é o mínimo que se pode fazer, face às consequências sociais e econômicas dos eventos maiores, catastróficos.

 



”os acidentes não acabam nunca… deixam marcas profundas nas vítimas…”. Haja vista o que aconteceu no incêndio do Edifício Joelma (1974).

Citando Michel Llory, autor do livro-texto Acidentes Industriais, publicado em 1999, ”os acidentes não acabam nunca… deixam marcas profundas nas vítimas…” Haja vista o que aconteceu no incêndio do Edifício Joelma (1974), no vazamento de Metilisocianato em Bhopal (1984), no vazamento de gasolina em um oleoduto seguido de incêndio na Vila Socó em Cubatão(1984); no vazamento de radiação em Chernobyl(1986), na explosão da plataforma Piper Alpha(1988), no afundamento da plataforma de petróleo P36(2001), nos desastres aéreos como por exemplo a queda do vôo RG 234(1989), a colisão do vôo G1907(2006), a explosão do vôo TAM 3054(2007), nas explosões de minas de carvão na Polonia (Ruda Slaka – 2009), na Rússia (Kemesovo – 2010) e, mais recentemente, o episódio de desmoronamento na mina San Jose no Chile, que não matou ninguém mas que deixou sequelas significativas que dificilmente serão extintas ao longo do tempo. Em consideração e respeito aos milhões de óbitos e mutilações advindas de incidentes do trabalho no mundo, o mínimo que podemos fazer é “aprender com eles”.

No próximo artigo abordaremos a etapa 10, que trata a importância de preservar e controlar os dados de todo o ritual de aprendizado com o incidente de trabalho, encerrando esta sequência de 10 artigos.

 




Autor : Reginaldo Pedreira Lapa
Engenheiro de Minas e de Segurança do Trabalho

 

Fonte: Lapa, Reginaldo Pedreira. Investigação e Análise de Incidentes, Editora Edicon, São Paulo, 2011

 

 

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