quinta-feira, 28 de julho de 2022

 



 

 

PLANO DE ABANDONO:

OS SEGREDOS PARA EVITAR GRANDES TRAGÉDIAS

 


 

Por melhor que seja, um empreendimento nunca está livre de riscos. Com mais de 600 mil acidentes por ano, as empresas brasileiras têm que tomar muito cuidado quando o assunto é a segurança do trabalho. Porém, é preciso ir além e considerar uma série de outras situações, como incêndios e desabamentos, que exigem um plano de abandono.

Essa rota de fuga garante que as pessoas possam deixar o prédio corporativo em segurança diante de uma emergência, evitando que tragédias maiores aconteçam. Tratando-se de uma ação preventiva, tudo deve ser elaborado e executado corretamente para gerar os efeitos esperados.

Pensando nessa necessidade, este artigo completo traz o que você precisa saber sobre esse assunto. Continue a leitura e entenda como proteger a empresa e seus funcionários por meio de um plano de abandono.

 

1. Conceito de rota de fuga

 

A rota de fuga é um trajeto específico e elaborado para ser utilizado em condições de emergência. Seu principal objetivo é garantir a evacuação das pessoas de maneira segura de um local fechado, evitando acidentes em quadros imprevistos.

Para que ela seja eficaz, precisa ser muito bem sinalizada. Durante uma situação como essa, os indivíduos devem ter visibilidade sobre o que fazer no menor tempo possível. Portanto, a rota não é apenas o caminho a ser seguido. Ela inclui toda a sinalização envolvida e, principalmente, o planejamento do que deve ser feito nessas circunstâncias.

Esse elemento é conhecido como plano de abandono justamente por prever que as pessoas devem deixar o local no menor tempo possível e da forma mais segura. Ela é útil para diversas situações, as quais listamos a seguir. Acompanhe.

 

1.1. Incêndios

 

Especialmente em um ambiente fechado, os incêndios são ocorrências que trazem grande perigo. Além do risco causado pelo fogo, há a fumaça e a liberação de materiais possivelmente tóxicos.

Em uma situação como essa, as pessoas precisam sair do local o quanto antes, evitando a exposição excessiva, que pode comprometer a sua integridade física. Além da sinalização, que deve ter contraste o suficiente para ser enxergada em meio à fumaça, há a exigência de uso da porta corta-fogo, a fim de evitar o alastramento ainda maior da condição.

 

1.2. Desabamentos

 

Em uma indústria, não é impossível que ocorra algum desabamento. Ela pode acontecer devido ao impacto contra a parte estrutural da edificação, por exemplo. Novamente, o plano de abandono ou evacuação serve para retirar as pessoas do local o mais rapidamente possível, evitando consequências graves. A sinalização ajuda a desviar de pontos inseguros e faz com que todos sigam em direção às saídas, garantindo o salvamento eficiente.

 

1.3. Acidentes

 

Há ainda a possibilidade de haver algum tipo de acidente — químico, nuclear ou físico de vários tipos. Em qualquer uma dessas situações de grandes proporções, é indispensável que todos deixem o lugar até que o socorro adequado chegue ao local. Com o plano para a fuga, é mais fácil garantir que todos saibam exatamente o que deve ser feito em uma situação como essa.

 

1.4. Tumultos em geral

 

Mesmo que não haja nenhuma condição de emergência, como incêndio ou desabamento, há chances de ocorrer tumultos. O disparo de arma de fogo, ações violentas por parte de terceiros e confusões em geral podem resultar em pânico, pessoas pisoteadas e falta de segurança. Levando isso em consideração, a rota também serve para essas situações incomuns, garantindo que ninguém fique no lugar em condições inadequadas.

 

2. Importância da rota de fuga

 

Ter um plano de abandono bem estruturado é fundamental para empresas de todos os tamanhos e setores. Tendo em vista que é impossível saber quando o próximo imprevisto acontecerá, todos devem estar sempre preparados para o que pode ocorrer.

A elaboração e o treinamento dessa rota têm caráter preventivo e, portanto, de segurança elevada, especialmente em relação às ações meramente reativas. Saiba quais são os pontos que justificam a importância dela.

 

2.1. Garante adequação do ambiente às obrigações

 

Mais do que uma possibilidade, ter uma rota de fuga é uma obrigação para qualquer espaço comercial ou industrial fechado e com circulação de pessoas. Mesmo eventos — que são temporários — precisam ter essa rota para imprevistos.

Isso é importante para conseguir a liberação e as constantes vistorias obrigatórias por parte do Corpo de Bombeiros. Responsáveis por analisar o ambiente, os profissionais dessa instituição podem não fornecer laudos indispensáveis para o funcionamento do estabelecimento se ele não tiver a sinalização necessária.

Além de tudo, é uma obrigação legal que o empregador garanta todas as condições de segurança para seus funcionários. Nesse sentido, o plano de abandono é um elemento relevante para evitar consequências de problemas imprevistos.

 

2.2. Aumenta a confiança de todos os envolvidos

 

Quando uma situação de emergência acontece, é comum que os indivíduos do local fiquem em pânico. Isso se torna ainda mais acentuado quando elas não sabem o que fazer ou para onde devem seguir, a fim de se proteger. Por isso, ter um plano do tipo é tão importante. Ele garante que as pessoas saibam exatamente para onde seguir e como têm que proceder, especialmente porque já treinaram várias vezes antes.

Os colaboradores, por exemplo, sabem reconhecer o sinal de alerta de forma adequada. Já as placas de sinalização garantem que todos saibam exatamente onde ficam as saídas de emergência. Tudo isso traz maior confiabilidade para o local e contribui para que as pessoas se sintam protegidas dentro do ambiente.

 

2.3. Evita a escalada de proporção dos imprevistos

 

Nem sempre um acidente de grandes proporções tem todo seu impacto de uma só vez. Um pequeno incêndio, por exemplo, pode ser o ponto de origem para problemas muito maiores e que causarão sérios danos, inclusive àqueles que estão no local.

Em muitos casos, o pânico decorrente da emergência é o responsável por piorar o quadro. Gente desesperada bloqueando a saída pode causar pisoteamentos e a falta de escape para todos que estão nessa situação.

Com a rota de fuga, todos sabem o que fazer e reconhecem que, seguindo o plano e as indicações, não é necessário ter pânico. Além disso, o próprio treinamento garante que as pessoas fiquem preparadas para reagir rapidamente e da forma correta, reduzindo os riscos.

 

2.4. Serve para proteger os visitantes

 

Entretanto, não é apenas quem trabalha no local que fica protegido de situações imprevistas e de emergências. É muito comum que visitantes circulem pelo ambiente, como fornecedores, clientes e mesmo indivíduos externos ao empreendimento.

Evidentemente, eles não passam por um processo constante de treinamento, já que não trabalham lá diariamente. Teoricamente, isso faria com que não estivessem protegidos em caso de acidentes.

Com o plano de abandono, no entanto, isso não acontece. A sinalização é clara e inteligível o suficiente para que qualquer pessoa saiba para onde seguir em caso de emergência, mesmo que não conheça o local. Além disso, o treinamento dos funcionários permite que eles transmitam as informações para pessoas de fora, caso algo aconteça.

 

2.5. Contribui para diminuir prejuízos financeiros e humanos

 

Quando uma situação do tipo acontece, é comum haver prejuízos de diversos tipos. Uma explosão, por exemplo, danifica equipamentos e até a estrutura, gerando um gasto financeiro com todo o reparo. O problema é que a falta de uma rota de fuga torna esses prejuízos ainda piores. Se as pessoas não puderem evacuar corretamente o local, há a pior consequência, que é a perda humana. Isso gera impactos intensos na dinâmica de trabalho e aumenta os custos com indenizações e multas. Portanto, ter um plano de emergência é uma maneira de reduzir tanto as perdas humanas quanto as financeiras envolvidas.

 

2.6. Melhora a imagem da empresa

 

Um estabelecimento socialmente responsável e que cumpre com as suas obrigações tem uma melhor percepção no mercado. Os consumidores finais enxergam a marca de uma maneira positiva, assim como há melhores oportunidades de negócios e parcerias.

Sem cuidar da segurança de quem está no ambiente, entretanto, isso é praticamente impossível. Caso ocorra algum problema e pessoas fiquem presas pela falta de cuidado do empreendimento, a repercussão tende a ser muito negativa. Preocupar-se com esse ponto, portanto, é importante para que a empresa seja enxergada de forma positiva e satisfatória.

 

3. Como funciona a rota de fuga

 

A rota de fuga somente é executada naturalmente quando ocorre alguma emergência que a exija. Porém, ela precisa seguir uma série de cuidados e etapas, as quais garantem que ela seja colocada em prática corretamente. Aprenda como o funcionamento é dado.

 

3.1. Alerta de emergência

 

A rota de fuga só começa a ser executada a partir do alerta de emergência que é emitido para todas as pessoas. Em geral, trata-se de um alerta sonoro, que informa a necessidade de executar o plano de abandono conforme o previsto.

Inicialmente, pode ser dado por uma sirene contínua e atípica, diferente dos sinais de intervalo e horário de almoço, por exemplo. Em alguns casos, o alerta também é visual, graças às luzes piscantes que passam a funcionar em esquema de alerta. A intenção é garantir que todos saibam que uma situação emergencial está ocorrendo e que é necessário realizar as medidas de contenção e de segurança.

 

3.2. Busca pela saída mais próxima

 

Uma vez que o alarme é disparado e ouvido por todos, as pessoas devem seguir ordenadamente até a saída mais próxima. É indispensável que nesse momento não haja confusão, como indivíduos correndo ou se empurrando entre os corredores. As situações de pânico aumentam a proporção dos casos e podem colocar um número maior de indivíduos em risco.

Também é fundamental que haja mais de uma saída, já que assim o fluxo é dividido de acordo com a proximidade. Uma vez que estejam fora do lugar, ninguém deve retornar sob nenhuma hipótese, devendo aguardar a emergência.

 

3.3. Uso da sinalização do ambiente

 

Colaboradores e pessoas acostumadas à empresa sabem muito bem quais são as saídas e os locais seguros em cada situação. Entretanto, visitantes não reconhecem a planta e mesmo quem estiver acostumado com ela pode se confundir em um quadro de emergência.

Por isso, é indispensável dispor de uma sinalização completa no espaço. É importante que haja placas apontando as saídas, assim como setas que levem quem está mais distante até elas. Caso ocorram situações inseguras, como locais que não podem ser acessados, eles devem ser destacados.

Para incêndios, os equipamentos de combate ao fogo inicial precisam estar identificados e exigem instruções básicas de uso, como a indicação para quebrar o vidro. Todas essas indicações devem estar visíveis mesmo em condições pouco favoráveis, como quando há fumaça. Para isso, é comum usar elementos de cores contrastantes.

 

3.4. Realização de treinamentos frequentes

 

Para que a rota de fuga realmente cumpra o seu papel e ajude a proteger as pessoas, é indispensável que todos saibam como proceder diante de uma emergência. Sendo assim, é necessário realizar treinamentos constantes, repassando as ações que devem ser executadas no caso de emergência.

Esses treinamentos servem para que todos reconheçam o sinal de alerta e entendam que ele significa a necessidade de executar o plano de abandono, por exemplo. Da mesma forma, é útil para garantir que todos possam reconhecer o quadro, em qualquer ponto da empresa. Ele também é importante para criar lideranças e designar responsáveis, além de servir para deixar todos ambientados, caso algo aconteça.

 

4. Elaboração da rota de fuga

 

Visando a funcionalidade do plano, é fundamental que a rota de fuga seja elaborada de maneira adequada e seguindo algumas especificações indispensáveis para oferecer bons resultados.

Esse cuidado garante tanto a consonância com o que é obrigatório quanto a facilitação de execução por parte dos colaboradores, visitantes e demais pessoas que estejam dentro do negócio. A seguir, apresentamos quais procedimentos precisam ser seguidos:

 

4.1. Observe as normas técnicas adequadas

 

Para padronizar a atuação, há algumas normas técnicas que precisam ser observadas na hora de estabelecer a rota de fuga. É necessário, por exemplo, seguir a NR-23, do Ministério do Trabalho e Emprego.

Ela trata da proteção contra incêndios e determina que as saídas de emergência não devem ser bloqueadas e que precisam ser assinaladas, além de exigir o uso de dispositivos, alarmes e de transmissão de conhecimento.

Já a NBR 9077 trata especificamente dos cuidados a serem tomados com as saídas de emergência em edifícios. Ela trata da presença de escadas, uso de rampas e até o número de saídas e o tamanho delas, de acordo com a quantidade de indivíduos presentes.

Enquanto isso, a NBR 13434-2 trata dos símbolos de emergência e de quais são os elementos padronizados que devem ser observados nesse momento. Isso garante a clareza de comunicação, possibilitando que todas as pessoas reconheçam os itens. Há ainda as determinações estaduais e recomendações do Corpo de Bombeiros de cada localidade.

 

4.2. Considere quais são as características e riscos do prédio

 

Ao mesmo tempo, não existe um plano de abandono que seja único para todos os espaços. A rota de fuga tem que ser feita de forma personalizada, considerando as necessidades e as exigências de cada prédio e tipo de empreendimento.

Uma siderúrgica, por exemplo, provavelmente terá uma rota diferente de uma indústria que envolva uma grande quantidade de materiais corrosivos ou que use energia nuclear. Da mesma forma, a configuração espacial de cada prédio também traz necessidades pontuais.

Portanto, é obrigatório realizar uma análise completa de quais são os riscos e as características de cada edificação, determinando onde ficam as saídas, onde estão localizados os equipamentos de apoio e assim por diante.

 

4.3. Determine os procedimentos de todos os envolvidos

 

Na sequência, defina como todos devem proceder. Esse momento é crucial para definir, por exemplo, como a Brigada de Incêndio deve agir em cada caso, priorizando as ações relevantes.

Além disso, vale a pena definir o que os supervisores precisam fazer e até escolher lideranças para evitar o pânico. A ideia é que todo mundo saiba com quem contar nessa situação e quais são as responsabilidades compartilhadas de cada um. Isso aumenta as chances de sucesso, pois todos ficam divididos em grupos menores, os quais são mais facilmente controláveis.

 

4.4. Cuide da sinalização e das adaptações

 

Na sequência, pense primeiramente em quais mudanças terão que ser feitas para que tudo funcione como o esperado. É necessário determinar se é preciso abrir novas saídas de emergência ou se elas têm que ser maiores, por exemplo.

As diretrizes técnicas servem como parâmetro e devem ser seguidas à risca. Caso seja necessário, faça pequenas reformas e trocas — como do mecanismo de abertura da porta, que deve acontecer para a saída —, adaptando o espaço.

Na sequência, sinalize tudo corretamente. Indique as saídas de emergência, escadas, rampas e equipamentos de segurança, proteção e combate ao incêndio. Se houver algum ambiente perigoso em uma situação de emergência, use os sinais gráficos de alerta.

 

4.5. Comunique adequadamente o conteúdo

 

Depois que a rota de fuga estiver planejada, é indispensável que todos saibam exatamente o que deve ser feito. Tudo isso começa com a comunicação da existência de uma rota de fuga, o que pode ser feito por meio de palestras e circulares.

É fundamental que todos reconheçam a importância desse elemento, bem como notem quais pontos merecem maior atenção. Dúvidas e questionamentos devem ser respondidos conforme surgirem, garantindo a execução adequada. Em seguida, os treinamentos serão realizados frequentemente, de modo que todos coloquem as ações em prática.

 

4.6. Conte com ajuda especializada

 

Dependendo do tamanho da equipe e das condições que existem em cada ambiente, a elaboração de um plano de abandono não é tão fácil. É preciso considerar uma série de riscos, atender obrigações muito específicas e ainda garantir que todos saibam como proceder.

Para contornar esses possíveis obstáculos, o recomendado é contar com ajuda especializada. Tendo profissionais por perto, os treinamentos in company são uma realidade e acontecem com muita efetividade.

Portanto, a melhor forma de elaborar e executar tudo com o máximo de segurança é contratando uma empresa especializada, a qual ajudará na elaboração desse elemento tão necessário.

 

5. O poder do treinamento em segurança do trabalho

 

Em qualquer que seja o sentido, a segurança do trabalho é altamente dependente do treinamento. É importante ensinar os colaboradores como agir de forma segura e quais são os pontos que merecem maior atenção.

Em uma emergência, isso não é diferente. Com o treinamento da rota de fuga, ficará muito mais fácil para que todos se protejam. Portanto, o poder de usar o treinamento inclui alguns benefícios, os quais listamos abaixo. Confira.

 

5.1. Ampliação da capacitação dos colaboradores

 

Quando feito de forma efetiva, o treinamento garante que os colaboradores se tornem muito capacitados quando o assunto é segurança. Ou seja, os profissionais estarão mais conscientes da necessidade de realizar ações preventivas, bem como entendem a importância de cada ato.

Isso faz com que eles fiquem preparados para lidar com imprevistos, melhorando a saúde e o bem-estar. Além disso, esse treinamento contribui para evitar problemas e acidentes que são causados por práticas ruins ou incorretas.

 

5.2. Diminuição dos riscos de perdas

 

Se as pessoas estão preparadas e conscientes sobre as ações de segurança, elas correm menos riscos, de maneira voluntária ou não. Uma equipe que passe por sucessivos treinamentos para uma situação de evacuação, entenderá adequadamente quais são as medidas que precisam ser executadas. Com menores riscos de haver pânico, há chances reduzidas de ocorrer tumultos prejudiciais.

Adicionalmente, os indivíduos entendem a necessidade de procurar urgentemente uma saída e conseguem tirar quaisquer dúvidas previamente, longe dos riscos de uma situação real. Portanto, há maior confiança para contornar situações de acidentes ou de imprevistos, evitando grandes tragédias.

 

5.3. Aumento do engajamento e da motivação

 

Quando um colaborador sente que a empresa se preocupa com ele, ele tende a ficar muito mais motivado e interessado no próprio trabalho. Com os treinamentos de segurança de trabalho, o estabelecimento demonstra que a proteção de todos faz parte dos melhores interesses corporativos.

Ou seja, a realização de treinamentos gera uma boa impressão nos funcionários, que têm maior segurança no estabelecimento. Com isso, produzem de maneira engajada e produtiva.

 

5.4. Fortalecimento da cultura de proteção

 

O fato é que a realização constante de treinamentos sobre a segurança do trabalho cria e fortalece uma cultura sobre esse tema. Assim, o negócio consegue consolidar essas ações, que passam a fazer parte do cotidiano de todos que estão relacionados à empresa.

Isso cria uma percepção de marca que se preocupa com seus funcionários, além de firmar a ideia de estabelecimento que leva a proteção a sério. Na prática, isso diminui os riscos de acidentes, reduzindo as perdas produtivas, financeiras e humanas. Ademais, garante que seja mais fácil integrar todos os novos funcionários às medidas de proteção, facilitando a adaptação segura.

O plano de abandono ou rota de fuga é um item indispensável para garantir que todos na empresa possam sair em segurança de um local em perigo. Ao usar essas informações, será possível elaborá-lo e executá-lo corretamente, especialmente se puder contar com a ajuda de uma empresa especializada.

 

6. As pessoas envolvidas em um plano de abandono

 

Convém saber quais são as pessoas que estão efetivamente envolvidas com a execução de um plano de abandono. Elas podem ser detalhadamente classificadas.

 

6.1 Os coordenadores

 

São pessoas que ocupam cargos mais elevados dentro da empresa, como gerentes, diretores e técnicos de segurança do trabalho. A eles compete decidir em situações críticas, de grande emergência. Eles devem ter informações exatas sobre os riscos envolvendo a área e sobre os equipamentos de combate a incêndio.

A responsabilidade dos coordenadores alcança grande escala, pois difunde a importância do Grupo de Emergência, faz a identificação das situações de riscos no local, promove a estruturação do grupo de acordo com as necessidades de cada caso, efetiva treinamentos para garantir um padrão elevado de qualidade. Também mantém aberto o canal de comunicação com o Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar e outras instituições que possam socorrer em situações emergenciais.

 

6.2 Os líderes de abandono

 

São os encarregados, gerentes e supervisores. Devem ter amplo conhecimento sobre os lugares de trabalho dentro da empresa e precisam identificar os funcionários que atuam nos setores. Devem ser dinâmicos e influenciar os outros colaboradores da organização.

Entre as suas responsabilidades, destaca-se a coordenação do abandono nos setores em que trabalham, sempre mostrando aos outros profissionais quais são as rotas de fuga e onde ficam os pontos de encontro.

Se, por alguma razão, o líder de abandono não marcar presença, é indispensável que exista outra pessoa capacitada que o substitua.

Esse líder deve ser a última pessoa a deixar o local de trabalho, depois de confirmar que todos já abandonaram o lugar. É sua responsabilidade também informar a quantidade de vítimas do setor e, inclusive, dar instruções aos funcionários para que retornem às suas atividades quando a área atingida for liberada.

 

6.3 A brigada de incêndio

 

Trata-se do grupo formado por funcionários da empresa devidamente preparados em técnicas de Prevenção e Combate ao Incêndio, em Primeiros Socorros e em Salvamentos. Os responsáveis são técnicos em segurança do trabalho, que devem esclarecer sobre o uso de equipamentos de proteção contra incêndio e passar informações básicas sobre primeiros socorros.

A brigada deve se responsabilizar pelo combate ao incêndio até a chegada do corpo de bombeiros. A partir desse momento, ele passa a coordenar a operação.

Outra responsabilidade dela é salvar os feridos durante o processo de reconhecimento das pessoas que se machucaram, reportando qualquer anomalia e mudança aos coordenadores e aos grupos de emergência.

 

6.4 O grupo de apoio

 

O grupo de apoio é formado pelos membros da CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), da Segurança Patrimonial, Telefonista, da Manutenção e Elétrica.

Os membros da CIPA se responsabilizam por isolar o lugar do sinistro, fornece equipamentos para proteção das pessoas e monitorar as atividades de salvamento.

A Segurança Patrimonial deve interditar os carros da empresa, garantindo livre passagem às viaturas de fora, sempre orientando sobre o lugar exato do acidente, dando prioridade aos telefonemas mais importantes no momento (início do Plano de Chamada Externo).

A Telefonista tem como responsabilidade priorizar as ligações com o Plano de Chamada Interno, descrevendo para o Grupo de Emergência qual foi o tipo de sinistro e mantendo contato com hospitais próximos para um rápido encaminhamento das pessoas em estado grave.

A Manutenção e a Elétrica somente atuam quando solicitadas, desligando os equipamentos.

 

As principais características do plano de abandono

 

O plano de abandono apresenta objetivos específicos. Sua finalidade é definir uma série de procedimentos em situações de emergência, a fim de garantir uma retirada segura e rápida dos funcionários e outras pessoas que estejam utilizando uma determinada área.

Com o apoio da brigada de incêndio e dos outros colaboradores, é possível direcionar as pessoas pela rota de fuga previamente traçada até um ponto de segurança, que já foi definido.

Outra característica do plano de fuga é a determinação de tarefas aos membros da brigada e, também, aos outros colaboradores atuantes nas situações em que se faz necessário tornar ativos os procedimentos de desocupação de emergência do prédio ou do setor específico.

Um bom plano deve levar em conta alguns critérios, como localização da empresa, o tipo de construção (material utilizado na estrutura, como alvenaria, concreto, metal, compensado, madeira, gesso), tipo de atividade desenvolvida (comercial, industrial, prestação de serviços), tipo de população (fixa ou flutuante), turnos de trabalho, gerenciamento de riscos, recursos disponíveis, características das edificações próximas e assim por diante.

Quebra de vidros, desligamento de máquinas, uso de portas corta-fogo são algumas das medidas que devem ser tomadas durante uma emergência e definidas com antecedência no planejamento preventivo.

 

As razões para elaborar um plano de abandono

 

Definir uma rota de fuga é fundamental porque garante a integridade das pessoas, das instalações e do patrimônio da empresa. É uma atitude proativa que procura evitar e minimizar situações mais críticas, ou seja, tragédias de grandes proporções, como as do Joelma e a da Boate Kiss.

Um plano bem elaborado contempla todos os aspectos relativos à segurança, como combate eficaz ao incêndio, primeiros socorros, contenção de vazamentos de produtos químicos e pronto atendimento às vítimas. Sem o plano de abandono, haveria somente o caos na hora do sinistro, o que simplesmente contribuiria para aumentar o número de vítimas.

A simulação de fuga evita que as pessoas ajam impulsivamente diante de um incêndio ou outra situação perigosa. Simular é uma forma de preparar os funcionários para uma situação real, que pode ou não acontecer.

O planejamento é importante de forma especial para as pessoas que apresentam algum tipo de limitação física e, por isso, tendem a se tornar as vítimas mais vulneráveis em situações de emergência (idosos, paraplégicos, deficientes visuais, gestantes). É preciso também contar com a presença de crianças e animais.

O plano de abandono também define pontos de apoio externos, como hospitais, para direcionamento imediato das pessoas em estado mais grave.

 

As situações que oferecem risco e merecem atenção

 

O planejamento deve considerar todas as situações que oferecem risco de sinistro e monitorá-las constantemente para evitar que se tornem um problema concreto.

Existem meios para reduzir as chances de um risco se tornar um perigo real, como a utilização correta dos equipamentos, o uso de EPI’s (Equipamentos de Proteção Individual) e EPC’s (Equipamentos de Proteção Coletiva), a manutenção periódica das máquinas, a infraestrutura segura no ambiente de trabalho, entre outras ações.

Dessa forma, é preciso ficar atento aos problemas nas redes elétrica e hidráulica, ao vazamento de produtos químicos e de gases/líquidos inflamáveis, ao acesso indiscriminado aos produtos radioativos, à pressões anormais nos equipamentos ou no ambiente de trabalho, à umidade excessiva, aos ruídos acima dos toleráveis, às rachaduras nas paredes, aos problemas sérios na cobertura, às condições dos veículos usados na empresa etc.

A prevenção é a melhor solução — por isso, elaborar um plano de abandono é uma medida que torna a empresa mais segura para todos que transitam e trabalham nela.

 




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quarta-feira, 27 de julho de 2022

 



 

GERENCIAMENTO DE RISCOS: VEJA QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS TREINAMENTOS

 



Uma das maiores preocupações de uma empresa é com a segurança dos funcionários. Nesse sentido, o PGR é uma ferramenta estratégica da máxima importância. Trata-se do Programa de Gerenciamento de Riscos. Esse programa contribui com a prevenção de acidentes e com o cumprimento das normas de segurança definidas na legislação específica.

Em certos setores, a segurança é um fator de maior realce ainda, como acontece com a segurança na construção civil, dadas as características do trabalho no âmbito das edificações. Dessa forma, neste artigo, veremos o que é o PGR, como ele funciona e quais são os principais treinamentos para esse objetivo. Acompanhe e confira!

 

Qual é o conceito de PGR?

 

O PGR é um programa adotado pelas empresas objetivando gerenciar a totalidade dos riscos que existem no ambiente de trabalho. Ele consiste na formulação e implantação de técnicas, procedimentos E medidas administrativas, visando o controle dos riscos.

O Programa de Gerenciamento de Riscos propõe formas de combater qualquer ação que represente uma ameaça, considerando assuntos relacionados à segurança do trabalho, aos riscos ambientais, físicos, químicos, biológicos e ergonômicos e aos riscos de acidentes.

 

Qual é a finalidade desse programa?

 

A finalidade principal do PGR é prevenir a ocorrência de acidentes, já que eles podem colocar em perigo a vida dos trabalhadores, de toda uma população e também a integridade do meio ambiente. O PGR se propõe aplicar técnicas eficazes que impeçam a ocorrência de acidentes.

O Programa de Gerenciamento de Riscos precisa de uma estruturação que contemple os requisitos fundamentais para a prevenção de possíveis acidentes ambientais que, se vierem a acontecer, deverão ser adotadas ações que visem reduzir os impactos em curto, em médio e em longo prazo.

Quando existem um ou mais riscos no ambiente de trabalho, o primeiro passo é a identificação destes, com a realização de uma análise detalhada. Devem ser tomadas ações adequadas em relação a esses riscos e terceiros, caso eles não possam ser evitados ou eliminados. Dessa maneira, eles nunca se tornarão uma ameaça sem controle ou sem monitoramento.

 

Qual a sua importância?

 

O gerenciamento de riscos é importante em qualquer âmbito. Uma empresa que não considerar os riscos envolvidos em um determinado projeto, por exemplo, corre riscos de fracassar. Quando se trata de segurança do trabalho, essa importância torna-se ainda mais evidente, considerando todas as implicações negativas que a falta de uma gestão de riscos bem orientada pode causar.

Os riscos estão associados a perdas e a incertezas, sendo a gestão de riscos fundamental para que seja possível aumentar as taxas de sucesso. Não é preciso apenas identificar os riscos, o gerenciamento deles é uma importante ferramenta para diminuir as chances de que eles venham a acontecer e, caso sejam inevitáveis, seus efeitos sejam suavizados.

No caso dos processos logísticos, por exemplo, é normal que o gestor se sinta preocupado com os processos que colocam a vida de seus funcionários em risco, pois a logística trabalha com movimentação/separação de cargas e com diferentes equipamentos e veículos.

A preocupação é uma atitude proativa que evita que uma ameaça em potencial não se transforme em um perigo concreto. Os riscos só se transformam em distúrbio de maiores proporções quando não são devidamente controlados e monitorados.

Funcionários que trabalham em condições insalubres, enfrentando contínuas situações de risco, precisam ter esses riscos devidamente monitorados e controlados pelo Programa de Gerenciamento de Riscos. É o caso dos que trabalham em espaços confinados, em grandes alturas ou profundidades, com produtos perigosos, tóxicos, inflamáveis e assim por diante.

 

O que ele precisa oferecer?

 

Para ser efetivamente eficaz, o PGR precisa oferecer um conteúdo vasto e útil. São diferentes informações que embasam a análise de riscos e podem garantir o bem-estar corporativo.

O PGR deve conter os riscos físicos, químicos e biológicos, as atmosferas explosivas, as deficiências de oxigênio, a ventilação, a proteção respiratória (conforme a Instrução Normativa nº 1 do dia 11/04/1994, da Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho), a investigação e a análise dos acidentes de trabalho.

Além disso, também deve abranger a organização do trabalho e a ergonomia, os riscos resultantes do trabalho em profundidades, em espaços fechados (confinados) e em lugares altos, os riscos resultantes do uso de energia elétrica, de equipamentos, de veículos e mesmo de trabalhos feitos à mão.

Por fim, também deve abordar os equipamentos de proteção individual (EPIs) de utilização obrigatória conforme a Norma Regulamentadora nº 6, a estabilidade do maciço rochoso (onde se desenvolvem as atividades dos mineradores), outros riscos decorrentes de mudanças na tecnologia e da introdução de novos recursos tecnológicos.

 

Além desse conjunto de informações, fazem parte do conteúdo do Programa de Gerenciamento de Riscos:

 

·       as informações sobre a segurança do processo;

·       a revisão dos riscos que incidem sobre os processos;

·       a gestão de modificações;

·       os procedimentos operacionais;

·       a manutenção e a garantia da integridade dos sistemas críticos;

·       a investigação de incidentes;

·       a capacitação de recursos humanos;

·       as auditorias;

·       o Plano de Ação de Emergência (PAE).

 

O Plano de Ação de Emergência

 

O PAE de pequenas, médias e grandes empresas devem conter:

 

·       a estrutura do plano;

·       a descrição das instalações envolvidas;

·       os cenários acidentais;

·       o campo de abrangência e as restrições do plano;

·       o fluxograma de acionamentos;

·       a estrutura organizacional (contendo as responsabilidades dos profissionais envolvidos);

·       as ações de respostas às situações emergenciais relacionadas com os cenários acidentais considerados, respeitando os impactos previstos no estudo dos riscos, incluindo os procedimentos de avaliações, o controle de emergência (isolamentos, combates a incêndios, controle de vazamentos, evacuações) e as ações de recuperação.

 

O Plano de Ação de Emergência deve ser divulgado, implantado e integrado com outras organizações. A documentação deve ser composta por:

 

·       cronogramas e tipos de exercícios teóricos e práticos, ou simulados, respeitando os cenários de acidentes considerados;

·       documentação anexa, que são as plantas de localização da instalação e layout, envolvendo os vizinhos que estão correndo riscos;

·       as listas de equipamentos, os relatórios, os sistemas de comunicação, os sistemas alternativos para produção de energia elétrica e as listas de acionamentos (as listas internas e as listas externas).

 

Quais são as principais etapas desse processo?

 

Para a elaboração efetiva de um Plano de Gerenciamento de Riscos completo, convém seguir algumas etapas. Seguindo as doze que abordaremos abaixo, a empresa estará apta a enfrentar riscos de qualquer natureza. Acompanhe!

 

Etapa 1: a definição do escopo

 

Os riscos se fazem presentes em diferentes áreas de uma empresa. Por esse motivo, é necessário definir qual o escopo do PGR. É necessário definir se serão analisados os riscos inerentes a um projeto específico, a um determinado processo, ao planejamento estratégico, a uma categoria de ativos ou à segurança do trabalho.

O Plano de Gerenciamento de Riscos é destinado, principalmente, a reduzir acidentes de trabalho e está estreitamente ligado à Gestão Ocupacional, ou seja, à segurança e saúde no trabalho.

 

Etapa 2: o levantamento de informações

 

Para ter uma noção mais exata sobre os riscos, vale a pena reunir funcionários e perguntar a eles o que poderia acontecer de ruim, como seria possível prevenir-se contra essas possibilidades e, no caso de elas acontecerem de qualquer jeito, o que poderia ser feito.

Trata-se do conhecido brainstorming, só que por meio de um debate voltado unicamente para o gerenciamento de riscos. É importante registrar todas as informações obtidas, pois muitas delas serão úteis nas próximas etapas.

 

Etapa 3: a identificação dos riscos e dos seus efeitos

 

Outra etapa importante no gerenciamento é a listagem dos riscos e a correspondência de cada um deles a uma consequência. No caso de ser necessário estimar valores, procure ser o mais preciso possível.

 

Etapa 4: a identificação do controle de cada risco


Os controles correspondem a atividades e a procedimentos que, quando implementados, exercem sua atuação sobre um determinado risco, modificando a probabilidade de sua ocorrência ou seu impacto. Por esse motivo, é importante identificar os controles que já existem em cada risco.

 

Etapa 5: a atribuição de uma probabilidade

 

Para cada risco elencado, é importante definir se a probabilidade deles se tornarem reais é baixa, média ou alta. A atribuição não precisa ser necessariamente dessa forma. O importante é que seja possível compreender a dimensão do perigo com a ajuda de uma classificação que seja compatível com o perfil da empresa.

 

Etapa 6: a avaliação do impacto

 

Baseando-se na análise de riscos, procure classificar o impacto como baixo, médio ou alto. Caso seja preciso utilizar números, organize a lista de impactos em uma escala numérica, de forma similar ao que fez com a atribuição de probabilidade.

 

Etapa 7: a definição do nível de risco

 

Para definir o nível do risco, costuma-se fazer uso de uma tabela. Mas a utilização de um software pode ser bem melhor. Caso tenha sido aplicada a atribuição baixa, média e alta para probabilidade e impacto, basta realmente fazer uso de uma tabela.

No caso de terem sido aplicados valores numéricos, a classificação será mais complexa e um sistema automatizado é mais recomendável. Não há uma fórmula única que alinhe impacto e probabilidade, pois isso pode variar de empresa para empresa e de projeto para projeto.

 

Etapa 8: a organização dos riscos de acordo com as avaliações

 

É preciso identificar todos os riscos identificados e avaliados, dos mais graves para os menos graves.

Etapa 9: o planejamento de estratégias de mitigação e contingência

A finalidade da mitigação é diminuir ao máximo as chances de um risco se tornar real. A contingência, por sua vez, tem como finalidade diminuir os efeitos de um risco caso ele se torne real.

No geral, só são aplicados procedimentos de mitigação e contingência para gerenciamento de riscos com resultados médios ou altos. Mitigar riscos baixos também é uma possibilidade, mas os riscos médios e, principalmente, os altos devem ter prioridade.

 

Etapa 10: a análise da eficácia das estratégias aplicadas

 

Avalie se suas estratégias realmente ajudaram a diminuir a probabilidade e o impacto dos riscos. Analise suas estratégias de mitigação e de contingência e, depois, faça uma revisão na análise dos riscos.

 

Etapa 11: o cálculo do risco residual

 

Após serem aplicados os planos de mitigação e contingência, verifique se a avaliação melhorou. Caso a resposta seja positiva, é uma prova de que foi possível obter uma redução do risco, colocando-o dentro de limites aceitáveis.

 

Etapa 12: o monitoramento dos riscos

 

Esse último passo é definir como saber quando os riscos acontecerão. Somente assim, será possível identificar o momento mais oportuno para colocar as medidas corretivas em ação. Fazer uso de alertas e indicadores com certeza ajudará nesse objetivo.

É recomendável que existam gatilhos e alertas para cada um dos riscos de nível médio e de nível alto. No decorrer do projeto e das operações, o gestor terá como identificar que um determinado risco está se tornando uma preocupação efetiva.

 

Existem exigências?

 

Quem deve elaborar e assinar o PGR é a própria empresa. Muitos órgãos ambientais exigem o Plano de Gerenciamento de Riscos como uma condição ao licenciamento ambiental.

Da mesma maneira que o PPRA (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais) e o PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional), o PGR exige atualização anual. No caso de qualquer mudança dentro do processo de trabalho, a atualização deve ser anual também. Em relação à guarda do Programa de Gerenciamento de Riscos, o período mínimo é de 20 anos.

 

Em quais casos ele é obrigatório?

 

O Programa de Gerenciamento de Riscos foi criado pela Norma Regulamentadora NR 22, Portaria nº 732 de 22/05/2014 do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego).

A instituição do PGR se deu por meio do item 22.3.7, o qual determina: “Cabe à empresa ou Permissionário de Lavra Garimpeira elaborar e implementar o Programa de Gerenciamento de Riscos – PGR, contemplando os aspectos desta Norma…”.

Dessa forma, o Programa de Gerenciamento de Riscos é obrigatório para empresas que desenvolvem atividades de risco, como mineradoras e suas subcontratadas. Mas é importante para todas as empresas.

A NR 22 tem a proposta de, por meio do PGR, manter a organização operando dentro dos melhores padrões de segurança, seguindo a legislação atual e o ramo de atuação da organização.

O Ministério do Trabalho e Emprego exige e realiza a fiscalização da aplicação apropriada das Documentações de Segurança, que foram criadas para assegurar a saúde e a integridade física dos funcionários.

Não cumprir o que a legislação prescreve pode causar acidentes que causam danos à saúde do funcionário e comprometem a imagem da empresa. Além disso, a organização sofrerá ônus financeiros, pagando multa ao MTE, geralmente bem pesada, e sofrendo processos judiciais de natureza trabalhista.

A NR 18 é outra importante norma que deve ser cumprida pelas empresas que atuam na área da construção civil. Ela reúne medidas preventivas para reduzir as probabilidades de acidentes no desenvolvimento de obras da construção civil, que envolvem as construções propriamente ditas, reformas, limpezas, pinturas e outras atividades.

 

Quais são os principais treinamentos?

 

Os treinamentos da NR 22, que propõe o Programa de Gerenciamento de Riscos, envolvem o combate a incêndios e os primeiros socorros, o transporte de explosivos e o treinamento para admissão na empresa.

A finalidade do treinamento é capacitar os trabalhadores sobre a necessidade de prever acidentes e atender às exigências legais sobre os riscos que envolvem a mineração. Também deixará o funcionário consciente sobre as técnicas preventivas, as medidas de controle e a eliminação dos acidentes e das doenças de trabalho.

O funcionário aprende a combater o começo de incêndio no próprio ambiente de trabalho, conhece e gerencia os riscos de incêndio na planta, aprende a evacuar o ambiente de trabalho e a fazer a comunicação do incidente, aprende quais são os tipos de extintores e como usá-los e também aprende a prestar os primeiros socorros às vítimas de um incêndio.

Atualmente, existem companhias que vão até a empresa, tornando tudo mais simples para o gestor e os trabalhadores. É o que se chama de treinamento in company. Os campos de treinamento móvel com alta tecnologia vão até sua organização com recursos tecnológicos bem avançados e padronizados.

As boas vantagens desse sistema são que o treinamento tem carga horária efetiva. A padronização pode ser aplicada em lugares diferentes. Dispensa o deslocamento do funcionário, já que a empresa é quem vai até o cliente, o que melhora ainda mais a segurança dele que não precisa ficar saindo às ruas.

O treinamento in company, embora padronizado, vai fornecer orientações respeitando a realidade física de sua organização. É possível identificar áreas de risco na empresa, reduzir gastos e tempo em todas as etapas do processo logístico e operacional. Esse tipo de treinamento também ajuda na redução do pagamento de horas extras.

 

O treinamento de Brigada de Incêndio (NR 23)

 

O treinamento de Brigada de Incêndio atende às prerrogativas da Norma Regulamentadora 23 do MTE e às diretrizes de cada estado, fornecendo uma experiência de aprendizagem prática e imersiva.

Esse treinamento costuma ser personalizado, de acordo com as necessidades de cada empresa. Existem simulações de combate ao fogo na área interna (casa da fumaça com fogo) e na área externa com diferentes tipos de simuladores. São vários níveis de treinamento de acordo com as necessidades do cliente e a carga horária varia de 4 a 40 horas.

 

O treinamento de Emergências Químicas

 

Esse tipo de treinamento faz simulações com produtos perigosos, deixando os funcionários aptos a atuar em situações de alto risco. O treinamento ensina a executar ações defensivas de contenção, a estancar vazamentos e a tomar outras ações relacionadas às emergências químicas.

São utilizados equipamentos de simulação de vazamento de amônia e derramamento de substâncias químicas. Nesse caso, o treinamento também é oferecido em níveis diferentes conforme as necessidades da empresa. A carga horária pode variar de 4 a 40 horas.

 

O treinamento de trabalho/resgate em espaço confinado (NR 33)

 

Esse treinamento deve atender às prerrogativas da Norma Regulamentadora 33 do Ministério do Trabalho e Emprego, deixando o funcionário capacitado para desenvolver ações em diferentes níveis de especialização.

O treinamento para resgate em espaços confinados tem como objetivo qualificar o funcionário para desenvolver técnicas e planos para a realização de operações de resgate em diferentes situações de emergência. O treinamento é oferecido em níveis diferentes conforme as necessidades de cada empresa e a carga horária pode variar de 4 a 40 horas.

 

O treinamento de trabalho/resgate em altura

 

O treinamento de trabalho em altura deve atender de forma completa às prerrogativas da Norma Regulamentadora 35 do MTE, preparando o funcionário para agir em diferentes ambientes e em diversos níveis de especialização.

Ele tem como objetivo qualificar o funcionário para o desenvolvimento de planos e estratégias para efetuar operações de resgate em diversas situações emergenciais. É ofertado em níveis diferentes respeitando as necessidades da empresa e a carga horária varia de 4 e 40 horas.

 

O treinamento de atendimento pré-hospitalar (APH)

 

O treinamento de atendimento pré-hospitalar ou de primeiros socorros capacita o funcionário na realização de ações de emergência no caso de acidentes.

Também é realizado o treinamento em DEA (Desfibrilador Externo Automático) para reanimação cardiorrespiratória e atendimentos cardiovasculares de emergência.

O treinamento é ofertado em diversos níveis respeitando as necessidades da empresa com uma carga horária que varia de 4 a 40 horas.

 

Outros treinamentos

 

O Programa de Gerenciamento de Riscos ainda contempla diferentes outros cursos, como o treinamento da Norma Regulamentadora 5, que é o da CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes).

 

Existem treinamentos relativos a outras normas:

 

Norma Regulamentadora 6: que trata dos equipamentos de proteção individual (EPI’s);

Norma Regulamentadora 10: que fala da segurança em instalações e serviços em eletricidade;

Norma Regulamentadora 11: que trata do transporte, armazenagem, movimentação e manuseio de materiais;

Norma Regulamentadora 12: que trata da segurança no trabalho em máquinas e em equipamentos;

Norma Regulamentadora 13: que aborda a questão das caldeiras e dos vasos de pressão;

Norma Regulamentadora 18: sobre as condições de ambiente de trabalho na indústria da construção;

Norma Regulamentadora 20: cujo foco é a segurança e saúde no trabalho com inflamáveis e combustíveis.

Outro treinamento que merece menção é o de aperfeiçoamento de bombeiro civil, que visa aprofundar os conhecimentos e as práticas do profissional que atua no corpo de bombeiros.

A realização de treinamentos específicos contribui para tornar os PGR’s mais funcionais e melhorar a imagem da empresa. A falta de treinamento pode ocasionar problemas graves, que afetam o funcionário e a empresa, tanto do ponto de vista financeiro quanto organizacional.

O gerenciamento de riscos integra um programa que pretende otimizar a segurança do trabalho, garantindo uma melhor qualidade de vida para todos os funcionários, mesmo para aqueles que lidam com situações adversas diariamente.

 

 



 

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SINALIZAÇÃO DE SEGURANÇA: POR QUE DEVE SER REALIZADA DA MANEIRA CORRETA?

 



 

Independentemente do tipo de atividade exercida pela empresa, é relevante que o ambiente laboral tenha sinalização de segurança a fim de promover e garantir, além de qualidade no local de trabalho, a proteção dos profissionais.

Pensando em elucidar as questões inerentes a esse tema, elaboramos esta publicação na qual abordaremos o porquê da importância da utilização dos meios adequados de sinalização de segurança e como fazer de maneira que atenda aos padrões legais. Confira!

 

A importância da sinalização de segurança

 

A sinalização é um conjunto de estímulos que proporcionam a melhor orientação para os profissionais, os quais saberão se comportar em determinados locais e circunstâncias sinalizados. Dessa forma, ela tem muita importância quando o assunto é a segurança laboral.

Destarte, a sinalização de segurança tem como escopo informar os empregados dos riscos inerentes à atividade profissional. Isso faz com que os indivíduos tomem atitudes preventivas e de autoproteção.

Ademais, essas medidas reduzirão os riscos de acidentes trabalhistas, otimizando a qualidade do ambiente laboral. Assim, os trabalhadores poderão exercer as suas atribuições de maneira tranquila e responsável, algo que aumentará os resultados da empresa.

Vale destacar que a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), mesmo implícita, prevê a obrigatoriedade de se adotar medidas de segurança, mediante uso dos instrumentos de sinalização laboral. Já as normas regulamentadoras, a exemplo da NR 26, são responsáveis por especificar cada caso.

 

As seis categorias da sinalização de segurança

 

É preciso frisar que os sinais, as suas cores e formas, assim como os seus números e dimensões serão variáveis conforme o grau de risco, da importância, do perigo e da extensão a cobrir cada zona. Vejamos as categorias:

 

1. Sinalização de perigo

 

Indica a necessidade de adoção de cautela, precaução ou que não se tenha acesso ao local em virtude do perigo presente. Será instalado um símbolo de cor negra sobre uma base amarela, borda negra em formato triangular.

Essa placa trará a informação que o setor é uma área restrita, traz risco de contaminação ou de queda de objetos, como exemplo, pode ser um espaço de alta tensão, dentre outras condições.

 

2. Sinalização de emergência

 

Demonstra saídas ou equipamentos de emergências e rotas de fuga, entre outros. Nesses casos, utilizam uma figura branca em cima de um fundo verde em geometria retangular ou quadrada.

É uma maneira de orientar, estratégica e imediatamente, em casos de incêndio, vazamentos de gás ou outras situações de perigo que necessitem de evasão rápida.

 

3. Sinalização de proibição

 

É um guia de quais atitudes são proibidas em determinados lugares ou no tocante a materiais, equipamentos ou substâncias. É feito o uso de dísticos com fundo vermelho e com formato retangular.

Assim, ocorrerá a eficiente prevenção de acidentes laborais, o que torna o ambiente mais seguro, proporcionando melhor desempenho daqueles que fazem parte da empresa.

 

4. Sinalização de obrigação

 

Tem como fim indicar a obrigatoriedade do uso de equipamento de proteção individual (EPI), em momentos ou locais definidos. Esse aviso é feito mediante um pictograma branco sobre fundo azul e de forma circular.

Seu principal objetivo é prevenir acidentes no ambiente de trabalho, os quais acarretam grandes prejuízos para os empregados e empregadores.

 

5. Sinalização de incêndio

 

É uma medida de segurança indispensável que objetiva sinalizar e facilitar a evacuação ágil do espaço, assim como viabilizar a localização de equipamentos para o trabalho de combate ao incêndio. Usa-se um sinal branco por cima de um fundo vermelho no retângulo ou quadrado.

Em situações como essa, é normal que as pessoas entrem em desespero. Sendo assim, a sinalização adequada será um guia para seguirem as rotas de fuga, evitando a ida para uma direção equivocada. Além disso, acelera o trabalho do Corpo de Bombeiros.

 

6. Sinalização de obstáculos e locais perigosos

 

Indica quais locais possuem obstáculos ou são perigosos, sobretudo para facilitar a imediata saída das pessoas dos setores em situações de extrema necessidade de evacuação rápida e sem pânico.

Utiliza-se listras de cor vermelho e branco ou amarelo e negro, alternadas com superfícies sensivelmente similares e uma inclinação de cerca de 45º. São faixas que ficam entorno da zona perigosa ou do obstáculo.

 

Algumas cores usadas em variados tipos de sinalização

 

A norma regulamentadora NR 26 junto à norma técnica NBR 7195 determinam quais cores serão utilizadas para cada tipo de sinalização, a fim de implementar meios de orientação para prevenir possíveis acidentes. Vejamos:

 

1. Vermelha

 

A cor vermelha destaca circunstâncias em que será obrigatório o uso de equipamentos de proteção e de combate a incêndios. Além disso, indica pontos de parada obrigatória e de saída de emergência.

 

2. Amarela

 

Essa cor é usada para apontar avisos em relação a cuidados a serem tomados, como no caso de meios-fios ou diferenças de nível, onde haja necessidade de chamar atenção.

 

3. Branca

 

É utilizada para demarcar setores de circulação exclusiva para determinadas pessoas, assim como para destacar coletores de resíduos gerais e de serviços de saúde. Também é aplicada nos entornos dos equipamentos de socorro e urgência, dentre outras situações.

 

4. Preta

 

É empregada para sinalizar coletores de resíduos, exceto os relacionados a serviços de saúde e materiais de alta temperatura.

 

5. Azul

 

Essa cor visa orientar alguma obrigação, como usar algum equipamento de proteção ou não movimentar algum instrumento.

 

6. Verde

 

Tem como finalidade indicar segurança vinculada a algum tipo de objeto de primeiros socorros, locais de proteção ou salvamento.

 

7. Púrpura

 

Essa cor sinaliza os perigos relacionados a radiações eletromagnéticas e partículas nucleares.

A importância de contar com uma empresa especializada

Ter o auxílio de uma empresa especialista para a instalação dos sinais de segurança é imprescindível, pois ela respeitará as regras estabelecidas pelas normas. Com isso, evitará que o empregador seja responsabilizado, o que pode ocasionar sérios danos, ademais, contribuirá na proteção concreta dos trabalhadores.

Esperamos que você tenha compreendido a relevância de adotar esses instrumentos de segurança, pelo fato de trazer benefícios tanto para os trabalhadores quanto para as empresas.

Gostou de saber sobre a sinalização de segurança? Aproveite e entenda a respeito da segurança do trabalho na construção civil. Até mais!

 



 

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