segunda-feira, 22 de setembro de 2025

 



 

TRAGÉDIA DE URUSSANGA

 


No próximo dia 28 de abril, a Organização Internacional do Trabalho homenageia todas as vítimas de acidente no trabalho, no Dia Mundial de Segurança e Saúde no Trabalho.

Tem gente dessas bandas de cá que associa esta data a uma explosão no mesmo dia de uma mina subterrânea de carvão em 1969, a Consol 9, nos Estados Unidos, na cidade de Farmington, onde havia 99 mineiros no subsolo e 78 deles morreram. Só que essa explosão aconteceu em 20 de novembro de 1968… Corpos de 19 mortos nunca foram recuperados. A causa mais provável, identificada décadas depois, indica falha no sistema de ventilação e em seu alarme de mau-funcionamento, que ocasionou acúmulo de gases e consequente explosão. Quase sempre é assim, e esta não foi a primeira explosão nesta mina; em 1954 já havia acontecido outra, matando 16 mineiros

Como sempre, vai ter gente postando nas redes sociais que a OIT homenageia a história e as vítimas deste acidente, dizendo que a explosão foi em 28 de abril (e não foi)… O dia criado pela OIT em 1989, repito, homenageia TODAS as vítimas de acidentes no trabalho. Este dia 28 de abril foi, sim, o dia da entrada em vigor da Lei de Segurança e Saúde Ocupacional (OSH Act) e da criação da OSHA, em 1971 nos Estados Unidos. E estes posts vão, também, ser enaltecidos pelas claques de sempre.

 

A HISTÓRIA DA MINA SANTANA
Pois é, nossos influencers se lembram de um acidente – sério e muito triste – que aconteceu nos Estados Unidos e erram em sua data apenas para gerar mais um post e muitas curtidas, mas desconhecem por completo o caso ocorrido na Companhia Carbonífera Urussanga (CCU), mina Santana. Aqui no Brasil, em Santa Catarina. Uma tragédia que resultou em 31 mineiros mortos também numa explosão em mina subterrânea de carvão. Talvez estes nossos mineiros não sejam lembrados porque não falavam inglês… ou porque é mais interessante contar histórias do estrangeiro. A história da mina Santana foi estudada e contada em detalhes pelo pesquisador e professor Bruno Mandelli, que já publicou dois livros sobre o assunto (aposto que é desconhecido por todos esses influencers), o mais recente chamado A explosão da mina Santana: uma tragédia anunciada. Espaços como este também existem para lembranças como esta:

Segunda-feira, 10 de setembro de 1984, pouco depois das 5h da manhã. Havia 85 mineiros iniciando o turno, quando uma explosão de gás metano levou a vida de 31 pessoas que estavam trabalhando no Painel 6, a 80 metros de profundidade e a 1,1 quilômetro da boca da mina. Supõe-se que a exaustão havia permanecido desligada ao longo do final de semana, e havia sido religada menos de uma hora antes da explosão, além da inexistência de um poço de ventilação, condições que permitiram um acúmulo anormal de gás metano, inodoro. Ainda, uma inspeção feita pela Secretaria de Medicina e Segurança do Trabalho um ano antes já apontava irregularidades. E, a propósito, a explosão de 1984 também não foi a primeira explosão na mina Santana; em maio de 1965 houve uma outra explosão onde morreram 4 mineiros e duas crianças que haviam ido levar o almoço para seus pais, além de outros acidentes também fatais.

A mina produzia cerca de 13 mil toneladas de carvão por mês. Tinha uma rampa de acesso de 140 metros. Seu eixo principal era um túnel de 1,8 quilômetro por 4 metros de largura, numa profundidade de 80 metros. Por este túnel entravam pessoas e equipamentos, bem como a distribuição de energia elétrica. Cada setor, ou Painel, eram espaços com largura de 200 metros, perpendiculares ao túnel principal. Sem ventilação e com monitoramento débil de gás metano, era de fato uma armadilha.

Há relatos de melhorias das condições das minas de carvão catarinenses após esta tragédia. E também há divergências entre as versões dos personagens envolvidos e o que parecem ser os fatos. O Brasil e o mundo eram outros, estávamos no último ano de governo militar. Todavia, nada justifica esquecermos desta tragédia que atingiu em cheio muitas famílias brasileiras. Na cidade de Urussanga, um memorial do Mineiro feito de pedra homenageia as vítimas deste acidente. E neste post no mês de abril, e neste dia 28, deixo uma homenagem a estes mineiros que mereciam condições seguras para ganharem seu sustento com dignidade.

Para ter certeza da data e de algumas informações da explosão de Farmington, sugiro consultar o site da MSHA (Mine Safety and Health Administration), a autoridade americana de Segurança na Mineração, no link https://www.msha.gov/mine-disaster-1968-farmington-explosion-anniversary.

E para mais informações sobre a tragédia de Urussanga, além do livro do Bruno que já citei, tem uma matéria na edição da revista Veja de 19 de setembro de 1984 que traz esta tragédia.

 

 

 

 

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ATÉ QUANDO EMPRESAS TERÃO DIFICULDADE EM ACESSAR INFORMAÇÕES DE SEUS FUNCIONÁRIOS JUNTO AO INSS?

 


Este é um tema que venho discutindo faz tempo: a dificuldade que as empresas têm em obter informações de benefícios concedidos aos seus funcionários pelo INSS.

As empresas não são notificadas pelo INSS das decisões tomadas na concessão de benefícios previdenciários aos seus funcionários, o que dificulta informações sobre a data de concessão do benefício, seu término e a espécie de benefício concedido.

A ausência desta informação de forma rápida impede, por exemplo, a avaliação e possibilidade de recursos para a não aplicação de NTEP (Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário), além da empresa não saber se realmente o funcionário foi afastado no INSS e se terá que manter o depósito do FGTS, em caso de benefício acidentário.

Apesar de não participar diretamente da relação entre o segurado e o INSS, as decisões da Autarquia Previdenciária têm reflexos diretos no contrato de trabalho.

 

Por qual motivo as empresas não são comunicadas pelo INSS de suas decisões?

Hoje, na prática, as empresas dependem de informações fornecidas pelo próprio funcionário, o que, muitas vezes, não recebem ou têm dificuldade em obter.

 

SISTEMA LIMITADO
Sei que alguns devem estar se perguntando: mas e o acesso das empresas ao site do DATAPREV?

É verdade, existe este acesso, porém as informações só ficam ali por 18 meses, muitas vezes ele está desatualizado e sua navegação é precária.

Para se ter uma ideia, no caso de empresas maiores, temos que ficar extraindo planilhas semana a semana para comparar, manualmente, pois o sistema não indica benefícios novos. São tantas dificuldades que muitas empresas desistem das consultas.

Fato é que estamos tratando de informações fundamentais para a correta condução da relação de trabalho, garantindo direitos e deveres de empresas e trabalhadores.

Até quando vamos nos deparar com essa situação?

 

GESTÃO DOS AFASTADOS
É urgente que o INSS crie sistema de consulta mais simples e objetivo para as empresas, permitindo que seja mais fácil a gestão dos afastados.

Muito se cobra das empresas em relação aos funcionários afastados, mas a falta de informações precisas prejudica muito esta gestão.

Vemos diariamente condutas equivocadas sobre exames de retorno ao trabalho, ausência de contestação de benefícios acidentários e situações de limbo trabalhista-previdenciário que poderiam ser evitadas com informações corretas e condutas adequadas.

 

Então não há nada para se fazer? Temos sim.

Buscamos informações com o próprio funcionário, que deve ser acompanhado de perto durante o afastamento e orientado a informar a empresa sobre as decisões do INSS.

Sem informações não se faz gestão de afastados!

 

 

 



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quinta-feira, 18 de setembro de 2025

 



 

AVALIAÇÃO DO FRIO OCUPACIONAL ALÉM DO ANEXO 9 DA NR 15

 

 


 

Meus caros, a avaliação da exposição ao frio é um ponto que merece nossa atenção, não acham? Temos o Anexo 9 da NR-15, que trata da insalubridade, mas digo para ti que, para uma análise de risco completa, ele apresenta limitações significativas, especialmente fora de seu escopo principal.

O Anexo 9 da NR-15 destina-se especificamente às “atividades ou operações executadas no interior de câmaras frigoríficas, ou em locais que apresentem condições similares, que exponham os trabalhadores ao frio”.

Ele adota uma abordagem qualitativa para caracterizar a insalubridade nessas condições, sem estabelecer limites de tolerância quantitativos claros baseados em parâmetros ambientais e fisiológicos cruciais para outras situações de frio. Ele não fornece uma metodologia robusta para avaliar o estresse térmico considerando a temperatura do ar, velocidade do vento, umidade, isolamento da vestimenta e a taxa metabólica do trabalhador em conjunto para diversas outras atividades expostas ao frio.

Essa ausência de critérios técnicos detalhados para múltiplas situações dificulta a avaliação precisa do risco real e a definição de medidas de controle que vão além da simples constatação da condição insalubre, focando na prevenção do estresse térmico por frio de forma mais ampla.

 

FERRAMENTA QUANTITATIVA ESSENCIAL
Felizmente, dispomos de referências técnicas internacionais mais completas, como a norma ISO 11079: Ergonomics of the thermal environment — Determination and interpretation of cold stress when using required clothing insulation (IREQ) and local cooling effects (em português: Ergonomia do ambiente térmico — Determinação e interpretação do estresse pelo frio utilizando o isolamento requerido da vestimenta (IREQ) e efeitos do resfriamento localizado). Esta norma introduz a metodologia IREQ (Índice de Isolamento Requerido da Vestimenta).

O IREQ calcula o isolamento térmico (em ‘clo’) que a vestimenta precisa oferecer para manter o equilíbrio térmico do corpo, prevenindo a hipotermia, considerando as condições ambientais e a atividade física.

 

A beleza dessa metodologia está em integrar variáveis essenciais:

            • Temperatura do ar e radiante média;

            • Velocidade do ar e umidade relativa;

            • Taxa metabólica (calor gerado pela atividade);

            • Duração da exposição.

Com base nesses dados, calcula-se o IREQ neutral (para conforto) e o IREQ min (isolamento mínimo para evitar estresse).

 

EXEMPLO SIMPLIFICADO DO IREQ
Imagine um trabalhador realizando uma atividade moderada (taxa metabólica de 150 W/m²) dentro de uma câmara fria a -5°C, com velocidade do ar baixa (0.2 m/s) e umidade de 80%, por um período de 2 horas. Utilizando a metodologia IREQ (com auxílio de software ou tabelas da norma), poderíamos calcular o isolamento mínimo requerido (IREQ_min) para essas condições. Suponhamos que o cálculo resulte em IREQ_min = 1.9 clo. Se a vestimenta fornecida ao trabalhador tiver um isolamento de apenas 1.5 clo, a metodologia indicaria que a proteção é insuficiente para a exposição contínua de 2 horas. A norma permitiria, então, calcular o tempo máximo de exposição segura com essa vestimenta (Dlim), orientando sobre a necessidade de pausas para reaquecimento ou a adoção de uma vestimenta com maior isolamento.

 

GESTÃO DE RISCO EFICAZ
Portanto, meu caro, embora o Anexo 9 da NR-15 cumpra seu papel legal para a insalubridade em câmaras frigoríficas e similares, ele é insuficiente para uma gestão de risco eficaz contra o frio em todas as suas formas. A metodologia IREQ (ISO 11079) nos oferece a ferramenta quantitativa necessária para avaliar o estresse térmico de forma precisa, selecionar vestimentas adequadas e definir controles que realmente protejam a saúde do trabalhador. Adotar essas práticas é elevar o nível da Higiene Ocupacional.


Referências:

            • BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora nº 15 (NR-15): Atividades e Operações Insalubres. Anexo nº 9 – Frio. Brasília, DF.

            • INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION. ISO 11079:2007: Ergonomics of the thermal environment — Determination and interpretation of cold stress when using required clothing insulation (IREQ) and local cooling effects. Geneva: ISO, 2007.

 

 

 

 

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MAIOR ACIDENTE AÉREO DO PAÍS EM CONGONHAS É TEMA DE SÉRIE DA NETFLIX

 

 


 

A minissérie Congonhas estreou na Netflix em 23 de abril último. Segundo a Folha de São Paulo, ocupou o top 10 das séries em 36 países, e no Brasil chegou a ocupar a primeira posição. Assisti logo na primeira semana.

Combinando relatos pessoais com detalhes da investigação, associados ao momento político e social vivido pelo Brasil e pelo retrato do setor aéreo à época do acidente em 2007, a série busca reconstituir em três episódios o maior acidente aéreo ocorrido até agora no Brasil, que foi o pouso do voo 3054 da TAM que fazia o trecho Porto Alegre a São Paulo, aeroporto de Congonhas. Morreram 199 pessoas.

 

CENÁRIO DO ACIDENTE
O primeiro episódio tem o depoimento de familiares de várias vítimas, além de abordar condições estruturais de Congonhas, como a inexistência do grooving ou sistema de drenagem da pista, excesso de pousos e decolagens com intervalos curtos entre eles, a localização do aeroporto, entre outros aspectos. Os depoimentos de especialistas, bombeiros e familiares das vítimas também mostram preocupações anteriores ao acidente, levantando os problemas tanto de infraestrutura como de gestão aeroportuária no Brasil.

 

IMPACTO E POSSÍVEIS CAUSAS
Já o segundo episódio busca melhor entender a noite do acidente, mostrando as condições climáticas adversas e as decisões tomadas pela tripulação de cabine. Aborda, também, a atuação do Corpo de Bombeiros. Entrevistas com especialistas e gravações da caixa-preta revelam a sequência de eventos que levaram à colisão do avião com um prédio da companhia aérea. O episódio também traz o impacto da tragédia na sociedade brasileira, além, claro, do impacto e da mobilização das famílias das vítimas, que se uniram para exigir esclarecimentos. Este episódio ainda contextualiza o acidente dentro da crise de gestão aeroportuária de 2006 e 2007, o “apagão aéreo”. Além de familiares e especialistas, protagonistas da época como o então presidente da TAM, Marco Bologna, e a então diretora da ANAC, Denise Abreu, também foram entrevistados.

 

CONSEQUÊNCIAS DO ACIDENTE
O episódio final analisa as consequências do acidente e – “than-ram!!!” – Adivinhem só qual foi o método utilizado para elencar as falhas sistêmicas e pontuais que em conjunto compõem os fatores contribuintes do acidente? O bom, eficiente, simples e direto método e conceito do queijo suíço, do James Reason – aquele, que os críticos de sempre, que nunca apresentaram nada produtivo, gostam de espinafrar. Pois é, antigo, anacrônico, linear…, mas que foi utilizado na Pandemia e também agora na compreensão dos fatores envolvidos no maior acidente aéreo do Brasil. Chego a imaginar que a saúde e o setor aéreo são sistemas simples… só que não. E ambos usam o conceito do queijo suíço. Será que os tomadores de decisão na pandemia, os especialistas entrevistados pela Netflix, o mundo das empresas e setores que hoje utilizam de forma crescente os conceitos de James Reason estão tão errados assim? Ou será que a crítica gratuita, superficial, sem conhecimento das suas bases, interpretações e publicações é que está certa? Cada um que tire suas próprias conclusões.

 

ANÁLISE SISTÊMICA
Finalizando, a minissérie informa que o relatório da Polícia Federal atribuiu aos pilotos a responsabilidade pelo acidente. Mas, como sempre, o modelo de Reason consegue associar diversos outros fatores contribuintes sistêmicos que induziram, segundo um dos especialistas entrevistados na série, os pilotos ao erro com os manetes.

No diagrama do queijo suíço apresentado no documentário estão identificados o apagão aéreo, o cansaço, o uso de uma cabine com dois pilotos ao invés de piloto e co-piloto, o peso, a pista escorregadia, a ausência de área de escape, o treinamento falho, a falta de recall por parte da Airbus, e a configuração dos manetes. A figura abaixo, extraída do terceiro episódio, mostra o diagrama.

 

 

Para terminar, recomendo aos profissionais de Segurança que ainda não assistiram esta série e que tenham acesso à Netflix, que o façam. O estudo deste caso traz importantes elementos para que se compreenda que quase sempre as soluções mais simples, e a análise da causa mais imediata são insuficientes ou mesmo injustas para se entender o que de fato aconteceu em um acidente, e para que se busquem recomendações que possam evitar a sua recorrência. Como a análise apresentada no documentário, é necessário ir muito além de uma simples discussão de dois minutos baseada em nossos pré-conceitos.

 

 

 

 

 

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quarta-feira, 17 de setembro de 2025

 



 

ADIAMENTO DOS FATORES PSICOSSOCIAIS – POR QUE SUA EMPRESA DEVE AGIR AGORA?

 

 


 

No dia 15 de maio de 2025, foi publicada a Portaria MTE nº 765, que prorrogou para 25 de maio de 2026 o início da vigência da nova redação do capítulo 1.5 da NR-1, referente ao Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).

Essa notícia levou muitos profissionais e empresas a acreditarem que agora poderiam “relaxar” quanto às ações ligadas à saúde mental no ambiente de trabalho. Mas será que é isso mesmo?

A resposta é clara: não. O adiamento da obrigatoriedade não significa isenção de responsabilidade.

 

O que realmente foi adiado?
A nova redação da NR-1 traria atualizações importantes sobre o gerenciamento dos riscos psicossociais — tema que vem ganhando destaque no cenário de SST. Com a publicação da Portaria 765, a exigibilidade dessas mudanças ficou para 2026.

Contudo, isso não elimina a obrigação legal de cuidar da saúde mental dos trabalhadores, especialmente quando outros dispositivos, como a NR-17 (Ergonomia), continuam plenamente em vigor e já tratam desses aspectos.

 

O que são fatores psicossociais e por que sua empresa deve identificá-los?
Os fatores psicossociais são riscos reais no ambiente de trabalho, que exigem identificação, controle e prevenção — como qualquer outro fator de risco ocupacional.

Esses fatores são capazes de acarretar ou influenciar doenças mentais, sendo relevantes na prevenção de doenças mentais. Esse tema tem ganhado relevância ao longo dos anos dentro do mundo do trabalho diante do aumento exponencial de doenças mentais em trabalhadores.

 

Entre os principais fatores psicossociais estão:

·       Sobrecarga de trabalho e pressões por prazos;

·       Falta de autonomia e de reconhecimento;

·       Relações interpessoais conflituosas;

·       Assédio moral, insegurança ou instabilidade profissional.

 

Ignorar esses elementos é negligenciar riscos que afetam diretamente a saúde mental e a produtividade das equipes.

A NR-17 e a responsabilidade que já existe
Mesmo sem a vigência da nova NR-1, a NR-17 já obriga as empresas a avaliar as condições psicossociais inseridas no contexto da ergonomia organizacional. Isso inclui clima organizacional, ritmo de trabalho, relações interpessoais e fatores cognitivos.

Ou seja, a identificação dos fatores psicossociais deve continuar sendo feita normalmente, e não pode ser adiada sob a justificativa da prorrogação da NR-1.

 

Antecipar-se é agir com responsabilidade
Empresas que optarem por se preparar desde já terão vantagens práticas e legais:

·       Maior estabilidade organizacional;

·       Redução de afastamentos por transtornos mentais;

·       Melhoria do clima e da produtividade;

·       Conformidade com exigências já vigentes, como a NR-17 e o dever geral de proteção previsto na CLT.

 

Por outro lado, apostar em soluções prontas ou “milagrosas” — como a aplicação indiscriminada de avaliações psicossociais clínicas ou a utilização de “modelos”, não cumpre a norma e pode representar desperdício de recursos.

 

Lógica da prevenção deve se manter
O adiamento da NR-1 não é sinônimo de inércia. Fatores psicossociais são riscos reais e devem ser tratados com a mesma seriedade que os riscos físicos, químicos, biológicos, estando inseridos dentro dos riscos ergonômicos.

A lógica da prevenção se mantém: identificar, avaliar e agir. Quem se antecipa, reduz riscos e mostra compromisso com a integridade de seus trabalhadores.

 

 

 

 

 

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ESTUDANDO NO CENTRO DE FORMAÇÃO DA OIT

 

 


 

O sonho de uma parte dos profissionais da área da Segurança e Saúde no Trabalho é possuir em seu currículo um curso internacional, aprimorando sua carreira com qualificados conhecimentos e com potencial de ampliação da sua inserção no mercado de trabalho.

Uma oportunidade para isto, além de universidades e instituições de ensino ao redor do mundo, é o Centro Internacional de Formação da Organização Internacional do Trabalho, criado em 1964 e dedicado para formentar a obtenção do trabalho digno, explorando as fronteiras do futuro do trabalho no mundo.

Além das atividades de ensino no Centro, na cidade de Turim – Itália, estende a sua ação para além da sala de aula. Os/as participantes podem conectar-se à plataforma eCampus, a experiências de realidade virtual, a workshops práticos e muito mais. Os certificados digitais são uma forma fácil de atestar a participação.

O Centro emite três tipos de Certificados: Certificados de Participação, Certificados de Aproveitamento e Diplomas – com base em horas de aprendizagem e créditos.

 

TIPOS DE CERTIFICADOS

·       Certificado de participação: para participantes que se inscreverem e concluírem um curso de uma hora.

·       Certificado de aproveitamento: para participantes selecionados que concluírem um curso com duração entre 60 e 300 horas de aprendizagem, incluindo uma avaliação final.

·       Diploma: para participantes selecionados que concluam uma atividade de formação de via única ou via múltipla com uma duração mínima de 300 horas de aprendizagem, incluindo um projeto de conclusão do curso.

Aa áreas de ensino tem um amplo espectro no mundo do trabalho como: normas internacionais do trabalho, proteção social, inovação, desenvolvimento sustentável, promoção do emprego, migração laboral, diálogo social, igualdade de gênero e diversidade, futuro do trabalho, justiça social e desenvolvimento organizacional.

 

MESTRADO E CURSOS
Os profissionais de SST do Brasil podem participar de cursos com curta duração (alguns gratuitos) e em formato on-line até a realização de Mestrado.

O MASTER IN OCCUPATIONAL SAFETY AND HEALTH já teve dezenas de profissionais brasileiros que obtiveram este título (mestrado), sendo a turma 2025/2026 planejada para acontecer de 1º de setembro de 2025 a 30 de Setembro de 2026, com aulas on-line, via plataforma eCampus, e presenciais no Centro, em Turim (de 12 de Janeiro a 26 de Março de 2026). O idioma do Mestrado será o inglês.

 

Informações: www.itcilo.org/pt/courses/master-occupational-safety-and-health

 

As capacitações em idioma português atualmente compreendem 18 cursos, sendo um deles sobre GESTÃO DE RISCOS QUÍMICOS NO SETOR AGRÍCOLA, em formato digital, gratuito e auto orientado.

 

Informações: www.itcilo.org/pt/courses/gestao-de-riscos-quimicos-no-setor-agricola

 

O curso sobre IMPROVING THE NATIONAL FRAMEWORK FOR OCCUPATIONAL SAFETY AND HEALTH, acontecerá de 7 de abril a 6 de junho de 2025 de modo on-line, via plataforma eCampus, no idioma inglês.

 

 

 


 

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terça-feira, 16 de setembro de 2025

 



 

DDS PROTEÇÃO AUDITIVA: 10 SUGESTÕES E COMO ABORDAR CADA TEMA

 


Você sabia que a exposição a ruídos elevados no ambiente de trabalho pode causar danos irreversíveis à audição? A perda auditiva ocupacional induzida por ruído é considerada uma das doenças que mais atingem a população trabalhadora, mas também uma das mais preveníveis. Abordar a proteção auditiva durante os DDS é essencial para garantir que todos os colaboradores estejam cientes dos riscos e das práticas necessárias para proteger sua audição. Vamos explorar como abordar a proteção auditiva de forma eficaz nos DDS.

O que considerar como ruído?

Ruído é qualquer som indesejado ou desagradável que pode causar desconforto, distração ou danos à saúde. Em termos de segurança ocupacional, o ruído é geralmente medido em decibéis (dB). Níveis de ruído acima de 85 dB são considerados potencialmente perigosos para a audição quando há exposição prolongada. Em ambientes de trabalho, fontes comuns de ruído incluem maquinário pesado, equipamentos de construção, ferramentas elétricas e processos industriais. É importante que os trabalhadores entendam o que constitui ruído perigoso para tomar as medidas adequadas de proteção.

10 temas de DDS sobre proteção auditiva

Abaixo, apresentamos 10 ideias de DDS sobre proteção auditiva para incluir nos seus diálogos hoje mesmo...

1.  A importância da proteção auditiva no ambiente de trabalho

2.  Tipos de proteção auricular e suas funções

3.  Normas de segurança para proteção auditiva 

4.  Consequências da exposição ao ruído sem proteção

5.  Como inserir e ajustar corretamente os protetores auditivos

6.  Manutenção e higienização dos protetores auriculares

7.  Impacto do ruído na produtividade e concentração

8.  Exames audiométricos periódicos 

9.  Identificação de áreas de risco sonoro no ambiente de trabalho

10.             Como os trabalhadores podem ajudar a melhorar a segurança auditiva

Veja a seguir como abordar cada tema no DDS sobre proteção auditiva!

 

1. A importância da proteção auditiva no ambiente de trabalho

Em muitos setores industriais, os trabalhadores estão expostos diariamente a ruídos excessivos. A proteção auditiva é essencial para preservar a saúde dos colaboradores, evitando danos irreversíveis à audição.
Como abordar no DDS:

·       Discuta os efeitos do ruído sobre a audição a longo prazo.

·       Mostre exemplos reais de trabalhadores que sofreram perda auditiva por não usarem proteção adequada.

·       Reforce a importância do uso consistente de protetores auriculares.

2. Tipos de proteção auricular e suas funções

 



Existem diferentes tipos de protetores auriculares, como plugues e conchas, cada um com finalidades específicas. Saber quando usar cada tipo é essencial para garantir proteção eficaz.

Como abordar no DDS: 

·       Apresente os tipos mais comuns de proteção auricular, como os protetores de inserção e os tipo concha.

·       Demonstre a maneira correta de utilizar e ajustar cada tipo de proteção.

·       Reforce os cuidados de manutenção e substituição do EPI.

 

3. Normas de segurança para proteção auditiva

As normas regulamentadoras, como a NR 15, definem limites de exposição ao ruído e determinam a obrigatoriedade do uso de proteção auditiva.

Como abordar no DDS: 

·       Explique os principais pontos da NR 15 e como se aplicam ao local de trabalho.

·       Discuta os limites de exposição ao ruído permitidos pela norma.

·       Encoraje os trabalhadores a conhecerem e seguirem as regulamentações para proteger sua saúde auditiva.

4. Consequências da exposição ao ruído sem proteção

A exposição contínua a níveis elevados de ruído sem a devida proteção pode causar problemas auditivos permanentes. A conscientização sobre esses riscos é fundamental.
Como abordar no DDS: 

·       Mostre os primeiros sinais de perda auditiva e como a exposição ao ruído pode agravar o quadro.

·       Discuta os efeitos a longo prazo de trabalhar sem proteção auricular.

·       Incentive os trabalhadores a monitorarem sua saúde auditiva e a reportarem qualquer desconforto.

5. Como inserir e ajustar corretamente os protetores auriculares

O uso correto dos protetores auriculares é essencial para garantir a proteção adequada. Um ajuste incorreto pode comprometer sua eficácia.
Como abordar no DDS: 

·       Demonstre, passo a passo, a maneira correta de inserir e ajustar os protetores auriculares.

·       Encoraje os trabalhadores a testarem seus protetores e ajustá-los conforme necessário.

·       Realize uma inspeção rápida para garantir que todos estejam utilizando o EPI corretamente.

6. Manutenção e higienização dos protetores auriculares

A manutenção e a higienização adequadas dos protetores auriculares são essenciais para garantir que eles continuem funcionando de maneira eficaz e para evitar infecções.
Como abordar no DDS: 

·       Discuta a importância de limpar regularmente os protetores auriculares.

·       Explique os sinais de desgaste e quando é necessário substituí-los.

·       Demonstre a maneira correta de guardar e transportar os protetores para garantir sua longevidade.

7. Impacto do ruído na produtividade e concentração

O ruído excessivo não apenas prejudica a audição, mas também afeta a produtividade e a capacidade de concentração dos trabalhadores.
Como abordar no DDS: 

·       Mostre como o ruído pode aumentar os níveis de estresse e reduzir a eficiência no trabalho.

·       Discuta maneiras de reduzir a exposição ao ruído no local de trabalho, além do uso de proteção auricular.

·       Reforce a importância de manter um ambiente de trabalho seguro e calmo.

8. Exames audiométricos periódicos

Os exames audiométricos são importantes para monitorar a saúde auditiva dos trabalhadores e prevenir problemas futuros.
Como abordar no DDS: 

·       Explique a importância de realizar exames audiométricos periódicos.

·       Encoraje os trabalhadores a fazerem os exames regularmente e a reportarem qualquer desconforto auditivo.

·       Mostre como os exames podem detectar problemas auditivos em fases iniciais.

9. Identificação de áreas de risco sonoro no ambiente de trabalho

Nem todos os locais de trabalho têm níveis de ruído elevados, mas algumas áreas são mais críticas que outras. Saber identificar esses locais é essencial para a segurança.
Como abordar no DDS: 

·       Mostre as áreas com maior risco de ruído no ambiente de trabalho.

·       Explique a importância de sinalizar corretamente essas áreas.

·       Incentive os trabalhadores a respeitarem as sinalizações e a usarem proteção auricular quando necessário.

10. Como os trabalhadores podem ajudar a melhorar a segurança auditiva

A segurança auditiva não depende apenas da empresa, mas também da colaboração de cada trabalhador em identificar e reportar riscos sonoros.
Como abordar no DDS: 

Encoraje os trabalhadores a comunicar áreas de alto ruído que não estejam adequadamente sinalizadas.

Discuta como cada colaborador pode contribuir para a segurança coletiva, ajudando a garantir que todos estejam usando os EPI’s corretamente.

Reforce a importância de manter uma cultura de segurança colaborativa no ambiente de trabalho.

A proteção auditiva é um aspecto crucial para a preservação da saúde dos trabalhadores expostos a ruídos. Por meio de DDS regulares focados em proteção auricular, as empresas podem reforçar a conscientização sobre os riscos, treinar adequadamente seus colaboradores e garantir que as normas de segurança sejam cumpridas. A incorporação desses temas em diálogos diários ajuda a criar um ambiente de trabalho mais seguro e produtivo, prevenindo problemas auditivos e melhorando a qualidade de vida dos trabalhadores.

 

 

 

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