segunda-feira, 29 de julho de 2024

 





 

6 AÇÕES QUE REDUZEM A PERDA AUDITIVA

 

 


 

No Brasil, 5% da população apresenta alguma deficiência auditiva ou perda auditiva. Ou seja, mais de 10 milhões de cidadãos apresentam a deficiência e 2,7 milhões têm surdez profunda, ou seja, não escutam nada, conforme o IBGE. A perda auditiva pode ser associada a diferentes fatores, entre os quais está o envelhecimento da população e o ruído elevado nos ambientes de trabalho.

A perda auditiva varia de leve a severa e são trabalhadores enquadrados no grupo com deficiência auditiva. É uma pessoa que se comunica frequentemente pela linguagem oral e faz uso de aparelhos auditivos ou implantes cocleares – dispositivos eletrônicos parcialmente implantados capazes de transformar sons em estímulos elétricos enviados diretamente ao nervo auditivo.

O ruído é considerado o agente físico nocivo mais comum encontrado nos ambientes de trabalho das nossas indústrias e que provoca a perda auditiva do trabalhador, lesão que consiste na Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR).

Entre os anos de 2007 e 2022, foram notificados 9.244 casos de PAIR no Brasil. Em 2022, o estado de São Paulo foi o que mais registrou notificações no país (n=89), seguido por Minas Gerais (n=77) e a Bahia (n=45). A elevada exposição do colaborador ao ruído está provocando um agravo à própria saúde. A essa exposição também podemos somar maus hábitos como, por exemplo, ouvir música alta em fones de ouvido, carros, trio elétricos, shows, infecção no ouvido, entre outros.

A perda auditiva dos colaboradores ocasionada no ambiente ocupacional está relacionada principalmente pela exposição de altos níveis de ruído. Mas não é o único agente causador da doença ocupacional.

Vibrações de britadeiras, o calor das caldeiras e vários produtos químicos tóxicos como solventes orgânicos, metais pesados e combustíveis também podem afetar a audição. Quando esses fatores estão associados, o risco de perda auditiva se torna ainda maior.

Considera-se Perda Auditiva Ocupacional (PAO), propriamente dita, o dano ao aparelho auditivo de um ou dos dois ouvidos lesionados decorrentes de fatores relacionados ao ambiente de trabalho, dependendo da frequência de exposição, intensidade, dose do produto químico e tempo que o colaborador fica exposto.

Operadores de máquinas, mineradores, metalúrgicos, siderúrgicos e pedreiros são alguns exemplos de profissionais que ficam expostos a risco de perda auditiva. Além disso, a literatura associa que a exposição ocupacional ao ruído é um agente causador de acidentes de trabalho.

 

Quais são os Limites de Tolerância do Ruído?

O colaborador que é exposto a ruídos deve fazer obrigatoriamente exame de audiometria no admissional, periodicamente a cada seis meses e no demissional.

 

Além disso, nos casos que ultrapassam os limites de tolerância auditiva devem ser aplicadas medidas preventivas como:

·      Uso e Controle de EPI.

·      Redução da fonte de ruído.

·      Diminuição do tempo ou do nível de exposição.

·      Exames auditivos.

·      Treinamento dos colaboradores.

·      Monitoramento dos níveis de ruído.

 

A Norma Regulamentadora – NR 15 destaca que o limite de tolerância é de 85 dB e se refere ao ruído contínuo, cuja jornada de trabalho é de até 8 horas. Para ocupações que excedem este limite, o turno de trabalho deve ser reduzido pela metade conforme o aumento de cada 5 dB – utilizando como parâmetro o limite de 85 dB.

 

Ou seja, ambiente cuja medição é de 90 dB, a jornada de trabalho deve ser de apenas 4 horas (240 minutos). Isso apenas reduz a quantidade de horas trabalhadas, não excluindo o uso de EPI, que continua obrigatório, principalmente porque aumenta-se o risco de exposição.

Locais onde é preciso gritar para ser ouvido demonstram que a intensidade do som está afetando o desempenho do trabalho e também devem ser adotadas medidas de proteção. Outro sinal que requer atenção é quando o colaborador sente os ouvidos zumbirem após o expediente.

Vale ressaltar que sons que ultrapassam o limite de tolerância interferem também na saúde mental, aumentam a tensão psicológica, afetam a concentração do colaborador, provocam irritação e fadiga.

 

Impactos do Ruído no Ambiente de Trabalho

Além de afetar o aparelho auditivo e até a produtividade dos profissionais, o ruído pode atuar como um agente causador indireto de acidentes de trabalho.

Barulho excessivo prejudica a comunicação, podendo acarretar distrações e comprometer o entendimento referente a orientações de trabalho. Prejudica também a escuta dos sinais de alarme em casos de emergência.

Caso haja alteração do histórico de saúde do colaborador, onde os exames comprovam a perda auditiva como causa de doença do trabalho, a empresa é responsável por indenizar esse funcionário.

Além disso, os prejuízos para a empresa podem aumentar. A comunicação de CAT vai interferir negativamente no Cálculo do FAP (Fator Acidentário de Prevenção) e, consequentemente, aumentar a alíquota do imposto RAT (Risco de Acidente de Trabalho).

 

Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR) e outras Doenças Auditivas

A PAIR é uma lesão caracterizada pela diminuição gradual da acuidade auditiva, decorrente da exposição continuada ao ruído, associado ou não a substâncias químicas, no ambiente de trabalho. É sempre neurossensorial, geralmente bilateral, irreversível e passível de não progressão, uma vez cessada a exposição ao ruído.

A PAIR é associada ao zumbido ou “a uma ilusão auditiva que não está relacionada com uma fonte externa de estimulação”, conforme citado nos trabalhos científicos de especialistas. É identificada por meio de um conjunto de procedimentos como anamnese clínica e ocupacional, avaliação audiológica e outros testes complementares, quando necessário.

 

Dentre os sinais e sintomas que caracterizam a PAIR, podemos citar:

·      Percepção de diminuição da capacidade auditiva.

·      Zumbido.

·      Dificuldade do entendimento da fala.

·      Intolerância a sons mais elevados.

·      Dificuldades em localizar a fonte de som.

·      Dificuldade de atenção e concentração durante realização de tarefas.

·      Dor de cabeça.

·      Tontura.

·      Isolamento.

·      Alterações do sono.

·      Ansiedade e irritabilidade

 

6 Ações para Reduzir a Perda Auditiva

As medidas preventivas destacadas na NR 15 colaboram e são básicas para a proteção auditiva dos colaboradores. Outras ações que podemos realizar em um ambiente de trabalho com o objetivo de prevenir a perda auditiva são:

·      Instalar ferramentas, máquinas e equipamentos com os menores níveis de ruído possíveis;

·      Assegurar a efetiva implantação do Planos de Manutenção de máquinas e equipamentos;

·      Instalar barreiras acústicas (no teto, nas paredes) ou cortinas abafadoras entre as fontes de ruído e os funcionários do ambiente de trabalho;

·      Divulgar orientações sobre quanto tempo um trabalhador pode ficar exposto a uma fonte de ruído. É necessário elaborar campanhas específicas para adesão ao uso de EPI pelas empresas, em paralelo às medidas protetivas coletivas, essenciais na perspectiva da Saúde do Trabalhador, em especial, com as trabalhadoras;

·      Operar máquinas com um excessivo ruído durante os períodos que tiver o menor número de colaboradores expostos;

·      Projetar um ambiente silencioso onde os colaboradores possam permanecer e descansar antes de retornar à ocupação onde ficam expostos ao ruído ocupacional. Vale ressaltar que a disposição dos postos de trabalho onde há fontes de ruído devem ser planejados de modo a ficarem afastados de ocupações que exigem atividades mentais.

 

Pesquisas realizadas também indicam que é fundamental investir em programas de conservação auditiva que controlem a emissão de ruídos na fonte, isto é, nas máquinas, equipamentos, ferramentas, ambientes de trabalho, etc. São ações preventivas que permitirão reduzir as perdas auditivas do trabalhador geradas pela exposição ao ruído.

 

 


 

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IMPACTOS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS NA SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO

 



As mudanças climáticas estão cada vez mais provocando impactos na sociedade. E, é necessário que a segurança e saúde dos trabalhadores seja reforçada para evitar o surgimento de doenças ocupacionais e o registro de acidentes de trabalho.

Os eventos climáticos extremos, principalmente, os relacionados com o calor e a atividade laboral no ambiente ao ar livre com uma elevada exposição ao sol – vem sendo associados por diversas agências e pesquisadores com diferentes doenças do trabalho como, por exemplo, a Dermatite Ocupacional, o Câncer de Pele, entre outros.

O monitoramento da temperatura realizado pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climático (CPTEC) demonstra que a temperatura média do Brasil vem aumentando em diversas regiões. Observa-se que ao projetar variações da temperatura média nos próximos anos ocorre um fenômeno de elevação das temperaturas mínimas (frio) e máximas (calor).

As mudanças provocam a necessidade de adaptar nos próximos anos práticas de proteção e prevenção da saúde e segurança do trabalhador. Observa-se que em todo o Brasil, no mês de julho, a temperatura média foi de 22,97°C, ou seja, um desvio de 1,04°C acima da média histórica, colocando o recente julho como o mais quente já registrado no Brasil desde 1961.

 

Figura (a) – Distribuição Geográfica de Acidentes de Trabalho / (b) Climatologia e (c) Desvio de Temperatura média do ar em 2023, em °C, para o mês de julho. Período de Referência: 1991 – 2020. Fonte: INMET.

 

É necessário que os profissionais que atuam na Segurança e Saúde do Trabalho conscientizem os empregadores sobre a necessidade de criar planos para proteger os trabalhadores do desenvolvimento de doenças relacionadas ao calor. Além disso, é evidente a necessidade de adaptar ou revisar os métodos de trabalho, a organização do trabalho e monitoramento da segurança e saúde do trabalhador.

A saúde do trabalhador ou a manutenção da temperatura corporal interna saudável em um ambiente quente depende da capacidade do corpo se livrar do excesso de calor, ou seja, dissipação de calor. A dissipação de calor ocorre naturalmente por meio da transpiração e do aumento do fluxo sanguíneo para a pele. E, os trabalhadores esfriam mais rapidamente se o calor externo (ambiental) e a atividade física (calor metabólico) forem reduzidos (OSHA).

Entre os sintomas que podem ser associados a exposição do calor extremo estão a sede, irritabilidade, erupção cutânea, cólicas, exaustão pelo calor ou insolação. Problemas da saúde do trabalhador que devem ser evitados com medidas preventivas e com cuidados administrativos e de controle de riscos ocupacionais. Veja a seguir as principais recomendações que podemos adotar!

 

Impactos das Mudanças Climáticas na SST

As pesquisas científicas demonstram que os eventos extremos climáticos (tempestades tropicais, inundações, ondas de calor, seca, incêndios florestais associados, nevascas, furacões, tornados e tsunamis) são decorrentes do aquecimento global ou aumento da temperatura média do planeta.

E, além dos graves impactos na sociedade, na flora e fauna ou ecossistemas naturais, o crescimento da frequência dos eventos extremos climáticos vem provocando a exposição dos trabalhadores as mais adversas condições de trabalho inseguras.

 

Para a Agência Europeia de Segurança e Saúde no Trabalho (OSHA-EU), as alterações climáticas trazem desafios para as atividades econômicas relacionadas com a agricultura e a silvicultura. Ainda, cita que o aumento das temperaturas e da frequência dos eventos climáticos extremos exige a avaliação dos riscos emergentes e a adaptação das práticas de trabalho como, por exemplo, para evitar a exaustão devido ao calor e a exposição a poeiras e doenças.

O relatório especial do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), publicado em 2018, pelo órgão das Nações Unidas (UNEP), projeta um aquecimento global de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais e cita que as principais causas são as atividades humanas como, por exemplo, as atividades industriais e transportes, a queima de combustíveis fósseis (derivados do petróleo, carvão mineral e gás natural) para geração de energia, a conversão do uso do solo, agropecuária, o descarte de resíduos sólidos (lixo) e o desmatamento.

 

Para a ONG WWF-Brasil, no Brasil, as mudanças do uso do solo e o desmatamento são responsáveis pela maior parte das nossas emissões de dióxido de carbono (CO2) e fazem o país ser um dos líderes mundiais em emissões de gases de efeito estufa.

As mudanças nas áreas de vegetação florestal vêm acontecendo, principalmente, por atividades como agropecuária e geração de energia e conforme observamos no mapa vem aumentando ao longo dos anos.

Evolução da Cobertura e Uso da Terra do Brasil – Fonte: INDE (2021)

 

É estimado que os riscos relacionados ao clima para a saúde, meios de subsistência, segurança alimentar, abastecimento de água, segurança humana e crescimento econômico aumentem com o aquecimento global de 1,5°C. O relatório do IPCC também destaca que ilhas de calor urbanas frequentemente amplificam os impactos das ondas de calor nas cidades, fenômeno climático que pode ser associado ao crescimento da morbidade e mortalidade relacionadas ao calor.

O calor é um grande risco para a saúde dos trabalhadores que trabalham nos ambientes externos. Pode causar desidratação, exaustão e insolação, e pode até resultar em perda de consciência e um ataque cardíaco em circunstâncias extremas. Exigir o uso de Equipamento de Proteção Individual (EPI) em condições extremas de calor é um procedimento particularmente desafiador visto que aumenta o esforço e o estresse do trabalho (OSHA-EU).

A agência americana de Segurança e Saúde do Trabalho (OSHA) destaca que trabalhadores expostos as condições de calor e umidade extrema também correm o risco de doenças relacionadas ao calor. O risco de doenças relacionadas ao calor aumenta à medida que o clima fica mais quente e úmido. Esta situação é particularmente séria quando o calor aumenta repentinamente no início da estação quente e os trabalhadores tem dificuldades para se adaptar a temperaturas elevadas.

Estudos também mostram que o estresse que as mudanças climáticas causam em trabalhadores como, por exemplo, os agricultores e silvicultores, está ligado a problemas psicológicos como transtornos de ansiedade, transtornos do humor, estresse e depressão. Da mesma forma, medo, desespero, suicídio, aumento do uso de drogas e mortes relacionadas ao calor têm sido associados a mudanças climáticas adversas (OSHA-EU).

Outros exemplos de trabalhadores que ficam expostos ao calor e passam a maior parte do tempo ao ar livre são os trabalhadores da construção civil, carregadores de bagagens, trabalhadores que atuam nas atividades de transmissão, geração e distribuição de energia, manutenção de grandes equipamentos, jardins, etc. Para a OSHA outros fatores que contribuem com a exposição é a execução das atividades sob a luz solar direta, adicionando até 9ºC ao índice do calor, tempo de execução das atividades e o próprio uso de roupas pesadas.

 

Ações Preventivas para os Trabalhadores

A OSHA destaca que a maioria das fatalidades dos trabalhadores ao ar livre, 50% a 70%, ocorrem nos primeiros dias de trabalho em ambientes quentes nos quais o corpo precisa desenvolver uma tolerância ao calor gradualmente ao longo do tempo. O processo de tolerância de construção é chamado de aclimatação ao calor. A falta de aclimatação representa um importante fator de risco para desfechos fatais.

Entre as principais medidas preventivas para reduzir os impactos das elevadas temperaturas na segurança e saúde do trabalhador estão a consumir líquidos adequados (água e bebidas esportivas), trabalhar em turnos mais curtos, realizar e controlar pausas frequentes e identificar rapidamente quaisquer sintomas de doenças causadas pelo calor.

Para qualquer trabalho realizado ao ar livre e com a exposição do trabalhador aos raios solares é importante adotar um procedimento de controle da temperatura ambiente e corporal. Com essas informações será possível adotar ações preventivas mais eficientes e adequadas para a saúde e segurança dos trabalhadores.

 


 

Índice de Calor – Fonte: OSHA (2021)

Outras medidas administrativas da Segurança e Saúde do Trabalho estão relacionadas com, por exemplo, treinamentos dos supervisores e trabalhadores para desacelerar a atividade física quando estão expostos ao calor extremo, reduzir as velocidades de movimentação manual ou programar o trabalho pela manhã ou turnos mais curtos, com pausas frequentes para descanso na sombra ou pelo menos longe de fontes de calor. Os supervisores podem encorajar os trabalhadores em ambientes quentes a beber líquidos. No mínimo, todos os supervisores e trabalhadores devem receber treinamento sobre sintomas relacionados ao calor e primeiros socorros.

As doenças relacionadas ao calor podem ter um custo substancial para trabalhadores e empregadores. As doenças causadas pelo calor podem contribuir para a diminuição do desempenho, perda de produtividade devido a doenças e hospitalização e, possivelmente, morte. E, para finalizar reforçamos a necessidade de incentivar o fornecimento de água, intervalos de descanso e locais com sombra como prevenção, bem como tratamento para doenças relacionadas ao calor (OSHA).

 




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sexta-feira, 26 de julho de 2024

 





 

O QUE SÃO RISCOS PSICOSSOCIAIS E COMO EVITÁ-LOS?

 

 


 

Existem diversos tipos de riscos ocupacionais e a prioridade dos profissionais de SST é mitigar ao máximo esses riscos. Dentre estes riscos, temos os mais conhecidos, como os químicos, biológicos, ergonômicos, etc., e atualmente os riscos psicossociais vem ganhando cada vez mais espaço no debate sobre a saúde ocupacional.

Problemas como o estresse e a ansiedade já afetam milhares de pessoas pelo Brasil. Um estudo realizado em 2024 por exemplo, identificou que mais de 60% dos brasileiros têm um nível alto de ansiedade, e infelizmente um dos motivos por trás destes problemas psicológicos, é o trabalho.

Os riscos psicossociais são também associados a diferentes fatores como, por exemplo, o uso das novas tecnologias e novos processos de produção, a carga de trabalho mais elevada, a economia informal, a suberização do trabalho, entre outros. Neste caso, o reconhecimento e a investigação científica destes fatores no ambiente de trabalho permitem a construção de planos preventivos mais efetivos.

Os efeitos dos riscos psicossociais na saúde dos trabalhadores e, consequentemente, nas rotinas das empresas demandam alterações na área de SST e para iniciar essa discussão preparamos este artigo que descreve os riscos psicossociais e destaca as medidas para evitá-los no ambiente de trabalho, confira a seguir.

 

O que são os riscos psicossociais?

São os riscos que afetam a saúde mental de um trabalhador, podendo ser originados por fatores organizacionais, comportamentais e até mesmo decorrentes das condições físicas do ambiente de trabalho.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) considera que os riscos psicossociais são provenientes de:

Problemas na organização do trabalho: carga de trabalho exagerada, falta de autonomia, cobrança excessiva, trabalho precário, insegurança no emprego, entre outros;

Fatores psicodinâmicos: conflitos com colegas de trabalho, assédio moral e o assédio sexual, a discriminação, falta de reconhecimento, entre outros;

Condições ambientais inadequadas: ruído excessivo, iluminação inadequada, problemas na ergonomia, calor extremo, entre outros.

 

As principais consequências desses riscos

Doenças psicossociais

 

Os riscos psicossociais, se não identificados e tratados, podem acarretar diversos tipos de problemas e os mais evidenciados entre os trabalhadores são:

Síndrome de Burnout: Um distúrbio causado pelo esgotamento físico e mental. Os principais sintomas são agressividade, baixa autoestima, isolamento, déficit de memória e desatenção;

Estresse: o estresse crônico pode levar a diversos problemas de saúde, como doenças cardíacas, pressão alta, ansiedade, depressão e insônia.

Depressão: Doença que leva a transtornos de humor e prazer, à perda de interesse pelas atividades profissionais e pessoais, desesperança, tristeza e desmotivação;

Síndrome do pânico: É um transtorno de ansiedade que causa medo, fraqueza, aumento da frequência cardíaca, sudorese, dor e falta de ar;

Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT): Pode ocorrer após um incidente pessoal ou com um colega de trabalho. A pessoa perde todo o interesse pelas atividades;

Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG): Desencadeada devido à preocupação excessiva, mesmo na ausência de qualquer risco aparente. Isso pode causar fadiga, irritabilidade e dificuldade de concentração.

 

Problemas no trabalho

Além das doenças psicológicas acarretadas por estes riscos, alguns problemas no trabalho podem ocorrer, sendo eles:

Aumento de absenteísmo: Que é simplesmente a falta do trabalhador, quanto mais abalado psicologicamente está o trabalhador, maior a probabilidade de que ele falte ao serviço, o que acaba sobrecarregando outros funcionários, piorando ainda mais o clima organizacional;

Aumento do presenteísmo: Situação em que o trabalhador “está mas não está” presente no trabalho, estando ali fisicamente mas sem atenção e preocupado com outras coisas. Situação esta que pode prejudicar a produtividade ou colocar o trabalhador em risco em momentos em que ele desempenha tarefas perigosas desatentamente;

Acidentes de trabalho: Como citado no item acima, um trabalhador exposto a riscos psicossociais, pode desempenhar sua função sem nenhuma atenção e acabar sofrendo um acidente ou envolvendo outros em um acidente, além da falta de atenção outros fatores desencadeados por doenças psicossociais que podem acabar em acidente são o cansaço, mudanças de humor, etc.

Doenças psicofisiológicas: Algumas doenças fisiológicas podem surgir ou serem agravadas por fatores psicológicos, por exemplo: hipertensão, psoríase, úlceras, doença de Crohn, etc.

Além de todos estes problemas citados acima, é muito comum a reação em cadeia tendo como ponto de partida os riscos psicossociais no trabalho, por exemplo: Um trabalhador exposto a uma jornada de trabalho inadequada, a cobranças excessivas e à metas irreais, pode desenvolver estresse crônico, que pode levar a um quadro de hipertensão, que por fim pode terminar em um enfarte.

 

Como evitar os riscos psicossociais?

A principal medida preventiva é construir um ambiente de trabalho que contribua para a qualidade de vida, reduza o estresse e esteja preparado para identificar e eliminar riscos psicossociais.

É fundamental que os profissionais da SST estejam em acordo com os responsáveis pelos recursos humanos, uma vez que este deve criar um plano que inclua assistência aos colaboradores que apresentam problemas psicossociais.

 

Para que estes riscos sejam evitados, algumas medidas devem ser tomadas, como:

·      Tratar o bem-estar no trabalho como prioridade;

·      Adotar medidas para o controle de estresse do trabalho;

·      Incentivar os cuidados com a saúde mental, trazendo palestras sobre o assunto, informando o máximo e se possível programas de apoio e acompanhamento psicológico;

·      Avaliar o ambiente, identificar fontes geradoras de ruídos, problemas de ventilação e de iluminação, etc. e reduzir seus impactos;

·      Investimento em planos de saúde;

·      Fornecimento de material de trabalho seguro e adequado;

·      Realização de feedbacks;

·      Fornecimento de um ambiente de trabalho confortável e ergonomicamente adequado;

·      Medidas preventivas para os trabalhadores terceirizados e trabalhadores temporários;

·      Incentivo de interação entre os trabalhadores, com dinâmicas em grupo, trabalho em equipe, realização de confraternizações e medidas para que se mantenha um clima amigável e não de competição.

 

 

 

 

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ERGONOMIA NO TRABALHO: SEUS BENEFÍCIOS E SUA IMPORTÂNCIA

 



 

A ergonomia no trabalho estabelece os parâmetros que permitem a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente.

As condições de trabalho são relacionadas com a iluminação, ventilação, sinalização, móveis adequados para os trabalhadores, treinamentos, assim como, com o levantamento, transporte e descarga de materiais, entre outros fatores que provocam lesões e doenças ocupacionais ou até acidentes de trabalho.

Os requisitos mínimos que devem ser seguidos em termos de Ergonomia são estabelecidos pela Norma Regulamentadora – NR 17. Neste caso, a NR-17 determina a necessidade de avaliar a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores e, destaca que, cabe ao empregador realizar a análise ergonômica do trabalho, devendo a mesma abordar, no mínimo, as condições de trabalho.

A Ergonomia do Trabalho traz benefícios relacionados com a prevenção de lesões de LER e DORT, pelas avaliações ergonômicas denominadas de Análise Ergonômica Preliminar (AEP) e Análise Ergonômica do Trabalho (AET) e identificação de riscos ergonômicos. Informações que permitem implementar ações preventivas e trazer benefícios para os trabalhadores da indústria e no home office.

E, se você tem dúvidas sobre o assunto, confira neste post, os principais parâmetros definidos pela NR 17 para trazer benefícios à saúde e segurança dos trabalhadores e a importância da ergonomia no trabalho. Uma boa leitura!

 

O que é Ergonomia?

Ergonomia é o conjunto de disciplinas que estudam a organização do ambiente de trabalho e as interações entre o homem e as máquinas ou equipamentos, com o intuito de trazer conforto ao trabalhador, prevenir as doenças ocupacionais e realizar uma boa interação entre o ambiente de trabalho, as capacidades físicas e psicológicas do empregado e a eficiência do sistema.

 

Origem e História

A primeira vez em que foram documentadas as doenças e lesões relacionadas ao trabalho, foi no ano de 1700, quando o médico italiano, Bernardino Ramazzini, publicou o livro De Morbis Artificum, que relatava os riscos que produtos químicos, poeira, metais e mais alguns materiais encontrados em trabalhos da época, traziam à saúde do trabalhador.

Após anos de descrições sobre doenças relacionadas ao trabalho, em 1911, Frederick Taylor, publicou o livro Princípios da Administração Científica, onde ele procurava pela melhor maneira de executar um trabalho e as tarefas relacionadas a ele.

Nesta época, Taylor reduziu o peso e o tamanho de pás de carvão e triplicou a quantidade de carvão que os trabalhadores carregavam num dia.

Nessa mesma época, Frank Gilbreth e sua esposa Lilian, expandiram o que Taylor havia publicado e começavam a desenvolver o Estudo de Tempos e Movimentos, na intenção de eliminar ações desnecessárias para certa atividade no trabalho, aumentando a eficiência do trabalhador.

Gilbreth foi o primeiro à observar que melhorias nas condições de trabalho preveniam lesões por esforço repetitivo e à longo prazo reduzia prejuízos.

Com base nos primeiros estudos de Taylor e do casal Gilbreth, com o avanço da tecnologia e as mudanças que passavam a ocorrer nos ambientes de trabalho, a ergonomia começou à se desenvolver, até que em 1959, em Oxford, foi fundada a Associação Internacional de Ergonomia e partir disso a ergonomia foi se ampliando e se tornando uma área de estudos.

 

A Importância da Ergonomia para a Saúde do Trabalhador

A ergonomia se preocupa com as condições do ambiente de trabalho. Afinal, uma das principais causas da baixa produtividade é o desconforto consequente da má adequação do corpo a um determinado equipamento de trabalho.

 

São objetos de estudo da ergonomia fatores que podem causar problemas à saúde física e mental dos trabalhadores, bem como formas de minimizar seus efeitos. Entre esses fatores podemos citar a iluminação, o ruído e a temperatura.

 

A iluminação pode, por exemplo, causar danos à visão e, com isso, contribuir para um baixo desempenho da capacidade de produção de uma pessoa, seja em um escritório ou em uma fábrica.

 

A exposição a elevados índices de temperaturas (Índice de Calor ou Frio) e umidade alta no ambiente de trabalho influenciam negativamente a produtividade e aumentam o índice de erros, inclusive causando danos à saúde do trabalhador.

 

Por exemplo, Masterton e Richardson, destacados por D’AMBROSIO ALFANO et al. (2011), apresentam parâmetros (limite mínimo e máximo) de conforto térmico (calor e umidade) para trabalhadores.

 

 

Intervalo de Temperatura

Nível de Desconforto Térmico


20°C ≤ ICF ≤ 29°C

Confortável


30°C ≤ ICF ≤ 39°C

Desconfortável


40°C ≤ ICF ≤ 45°C

Altamente Desconfortável, evite esforço


Acima de 45°C

Perigoso


Acima de 54°C

Insolação Iminente

 


ICF Índice de Conforto Térmico

 

A exposição a ruídos excessivos no ambiente de trabalho também pode influenciar a saúde auditiva do trabalhador. Pesquisas demonstram que a exposição constante sem adotar medidas preventivas e/ou de controle geram a perda de audição temporária, podem passar a ser permanente, entre outros sintomas.

 

Com relação aos problemas de postura, o ideal é a prevenção, buscando a adequação de mesas, cadeiras e instrumentos de trabalho, com o intuito de garantir o conforto do trabalhador e consequentemente a produtividade do mesmo.

Um investimento em melhorias no ambiente de trabalho e nos instrumentos utilizados é indispensável para uma boa qualidade de vida do trabalhador, pois o uso da ergonomia contribui para uma diminuição do cansaço e tornam eficientes os procedimentos que tem como objetivo evitar lesões ao trabalhador.

Assim, se por um lado, a ergonomia pode insinuar maiores gastos, por outro representa uma economia para empresa, ao resultar em uma melhoria significativa da saúde e da eficiência do trabalhador.

 

Os benefícios da ergonomia no trabalho

Previne Doenças Ocupacionais

 

Trabalhadores podem, em muitos casos, passar mais tempo no ambiente de trabalho do que em casa, tornando a jornada de trabalho exaustiva e podendo resultar em doenças ocupacionais à longo prazo.

Dentre as doenças ocupacionais mais comuns hoje em dia, a maioria está diretamente relacionada à falta de ergonomia no trabalho, doenças ocupacionais como a Lesão por Esforço Repetitivo (LER), Estresse, Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT’s), Surdez (Temporária ou permanente) poderiam ser evitadas com simples cuidados ergonômicos.

Levando em conta que a ergonomia é a adaptação do ambiente de trabalho e de seus instrumentos ao trabalhador é justamente ela que pode prevenir estas doenças, e com cuidados muitas vezes simples como:

Fornecer cadeiras ajustáveis, com ajuste para altura e para lombar. Diversos tipos de DORT’s podem ser evitadas com um simples cuidado com a postura;

Em caso de trabalho com computador, teclados, mouses e mousepads ergonômicos são essenciais para evitar a LER;

Em ambientes com ruídos frequentes, o uso de EPI’s que protegem os ouvidos deve ser obrigatório;

 

Aumenta a produtividade

O ambiente influencia diretamente no comportamento do ser humano e com o ambiente de trabalho não é diferente, um ambiente de trabalho confortável e organizado estimula os trabalhadores e evita o absenteísmo.

Em 1927, a Experiência de Hawthorne mostrou que os trabalhadores eram influenciados através de cuidados que recebiam, um dos exemplos que este experimento pode nos dar é de que um grupo estudado que possuiu horas mais flexíveis e tempo para descanso produziu mais.

Os trabalhadores são motivados ao ver que são valorizados e que sua saúde é uma das prioridades da empresa, fora que como a ergonomia reduz afastamentos por doenças ocupacionais, logicamente a produção aumentará.

 

Melhora a qualidade de vida dos colaboradores

 

O mais óbvio e o que seria o principal objetivo da ergonomia, a preocupação com a saúde dos empregados deve ser prioridade, principalmente por criar um ambiente de trabalho mais amigável e demonstrar que a empresa se importa com seus efetivados.

Com a melhora na qualidade de vida dos trabalhadores, é evitado cansaço e estresse, o que melhora a relação entre os empregados, aumenta produtividade também, reduz faltas e atrasos e os motiva à ir ao trabalho.

 

A Ergonomia no Trabalho e a relação Humano-Computador

Na questão dos equipamentos de trabalho, em suma podemos dizer que a ergonomia é a adaptação dos dispositivos à pessoa que os está operando. Com a revolução tecnológica e o aumento de trabalhos burocráticos, de escritório em que o computador se torna o principal instrumento de trabalho, a usabilidade se torna o foco principal.

Quanto mais otimizado o computador ou sistema for, maior será a eficácia e eficiência de seu operador, quando alguma parte de um sistema acarreta em perca de tempo de uma ação ou até mesmo a impossibilita, a eficiência do sistema como um todo fica comprometida.

Com os computadores cada vez mais presentes nos ambientes de trabalho, alguns problemas de saúde relacionados à seu uso passaram a se tornar mais comuns, como lesões por esforço repetitivo devido a digitação, problemas de postura e de visão, o que incentivou a criação de equipamentos adaptados ao conforto do trabalhador, como mouses, cadeiras e teclados ergonômicos.

 

Atualmente o maior desafio da ergonomia é adaptar as tecnologias cada vez mais, tanto para softwares e hardwares, trazendo a usabilidade como foco para aumentar a eficiência, reduzindo ações desnecessárias de sistemas, e para reduzir doenças ocupacionais, adaptando os equipamentos para trazerem mais conforto ao empregado durante seu uso.

 

A NR 17 e a Ergonomia no Trabalho

Em 1978, surgiu a NR 17 do Ministério do Trabalho e Emprego, que aprovou as normas regulamentadoras do Capítulo V, Título II, da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, relativas à Segurança e Medicina do Trabalho.

A NR 17 regulamenta a ergonomia no ambiente de trabalho e visa o conforto, a diminuição de lesões e o aumento da produtividade dentro das empresas.

Observa-se que a NR 17 é uma norma básica na indústria, já que a maioria das doenças de trabalho são desenvolvidas a partir da exposição dos trabalhadores ao risco ergonômico. Como exemplos podemos citar os trabalhos realizados em pé durante toda a jornada, tarefas que necessitam de movimentos repetitivos e levantamento de cargas.

Fique atento com o desconforto do trabalhador em seu ambiente de trabalho, além de causar danos à saúde, gera também baixa produtividade para a empresa. Portanto, não cumprir o determinado na NR 17 não é vantajoso para nenhuma das partes, empregado e empregador saem perdendo.

 

Fique Atento as Consequências do Descumprimento da NR 17

O não cumprimento da NR 17 pelos trabalhadores e pelas empresas pode acarretar em várias consequências.

 

Descumprimento pela empresa

Caso seja constatada alguma irregularidade durante a fiscalização, a empresa será notificada e será estipulado um prazo de até 60 dias para que se realizem as correções. Após o prazo estabelecido na notificação, será realizada nova fiscalização. Se houver a continuidade das irregularidades aplica-se uma multa e a empresa poderá responder processo perante a Justiça do Trabalho.

 

Descumprimento pelo trabalhador

Se o trabalhador se recusa, de forma injustificada, a cumprir a NR 17, fica caracterizado ato faltoso e ele poderá sofrer as penalidades previstas em lei, podendo até ser demitido por justa causa.

 

Inicie com o Treinamento para Melhorar a Ergonomia no Trabalho

É extremamente importante que as empresas deem atenção à aplicação da ergonomia no ambiente de trabalho, a fim de se evitar futuros problemas. O primeiro passo é introduzir um programa de treinamento com vários métodos de intervenções (palestras, vídeos, panfletos, instrução programada etc.) que promovam uma Cultura de Segurança do Trabalho e demonstrem a preocupação com a qualidade de vida do trabalhador.

 

Referência

D’AMBROSIO ALFANO; F.R.; PALELLA, B.I.; RICCIO, G., Thermal Enviroment Assessment Reliability Using Temperature – Humidity Indices. Industrial Health, v.49, p.95-106, 2011. [Google Scholar] [CrossRef] [Green Version]

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