RISCO QUÍMICO - O QUE
É, COMO IDENTIFICAR E MEDIDAS DE PREVENÇÃO
Os
agentes químicos estão presentes em praticamente todos os ambientes de
trabalho. Eles aparecem nas tintas de uma gráfica, nos produtos de limpeza de
um hospital, nos solventes de uma oficina mecânica e nos reagentes de um
laboratório de análises clínicas. O contato com essas substâncias, quando não
gerenciado de forma adequada, representa um dos principais riscos ocupacionais.
Segundo dados do setor de segurança do trabalho, a exposição a produtos
químicos responde por 14% dos acidentes de trabalho registrados no Brasil,
atingindo com maior frequência trabalhadores da saúde, da limpeza e da indústria.
O
problema não se resume aos acidentes agudos, aqueles que causam danos visíveis
e imediatos como queimaduras ou intoxicações. Grande parte dos danos provocados
por agentes químicos se desenvolve de maneira silenciosa, ao longo de meses ou
anos de exposição contínua a concentrações que, isoladamente, pareceriam
inofensivas. Doenças respiratórias crônicas, comprometimento do
sistema nervoso central e quadros de sensibilização química são exemplos de
condições que surgem lentamente e que, quando diagnosticadas, já impactam de
forma significativa a qualidade de vida e a capacidade de trabalho do
profissional afetado.
A
legislação brasileira, por meio das Normas Regulamentadoras do Ministério do
Trabalho (em especial a NR 01, a NR 09 e a NR 32), estabelece critérios claros
para a identificação, avaliação e controle dos agentes químicos presentes nos
ambientes ocupacionais. Empresas que ignoram essas obrigações estão sujeitas a
autuações, interdições e, principalmente, ao risco de responder por danos
causados à saúde de seus trabalhadores.
No
artigo de hoje falaremos sobre o que é risco químico, exemplos, o que diz a NR
32, identificação de riscos químicos, e como prevenir acidentes de trabalho.
Continue a leitura!
O
que é risco químico?
Risco
químico é a probabilidade de um trabalhador sofrer danos à saúde em decorrência
do contato com substâncias químicas presentes no ambiente de trabalho. Esses
danos podem ocorrer de forma imediata (como uma queimadura causada por ácido)
ou se manifestar a longo prazo, como é o caso de doenças pulmonares crônicas
provocadas pela inalação contínua de poeiras e fumos metálicos.
As
substâncias que representam risco químico podem ser naturais ou sintéticas e se
apresentam nos três estados físicos da matéria: no estado sólido (poeiras,
fumos e fibras), no estado líquido (névoas, neblinas, combustíveis e
inflamáveis) e no estado gasoso (hidrogênio, nitrogênio, dióxido de carbono,
entre outros). O que determina o grau de risco não é apenas a natureza do
agente, mas também a concentração no ambiente, o tempo de exposição do
trabalhador e a via de entrada no organismo - que pode ser respiratória,
cutânea ou digestiva.
Exemplos
de riscos químicos no trabalho
Os
agentes químicos presentes nos ambientes de trabalho são classificados de
acordo com os efeitos que causam à saúde. Essa classificação orienta tanto
a escolha dos equipamentos de proteção quanto os
procedimentos de controle de exposição. Veja os principais grupos:
Irritantes: amônia, cloro, soda
cáustica, ácido clorídrico, ácido sulfúrico (atacam as vias aéreas superiores e
mucosas).
Anestésicos: acetona, benzeno,
propano, butano (afetam o sistema nervoso central, causando sonolência,
cefaleia e depressão).
Asfixiantes: monóxido de carbono,
metano, hélio, nitrogênio (comprometem a oxigenação do sangue; em altas
concentrações, podem ser fatais).
Pneumotóxicos: poeiras minerais,
fumos metálicos, fibras vegetais (provocam pneumoconioses, asma ocupacional,
DPOC e rinite).
Além
desses grupos principais, há ainda os agentes cancerígenos - como o benzeno e o
asbesto - que demandam atenção redobrada por parte dos gestores de segurança do
trabalho, pois seus efeitos podem levar anos para se manifestar clinicamente.
O
que diz a NR 32 sobre riscos químicos?
A
NR 32 foi criada para estabelecer diretrizes de segurança e saúde para
os trabalhadores dos serviços de saúde. No que diz respeito aos riscos
químicos, a norma é objetiva: qualquer trabalhador que possa ser exposto a
agentes químicos deve ter essa exposição avaliada, monitorada e controlada.
'A
norma determina que os trabalhadores não devem ser expostos a agentes químicos
acima dos limites de tolerância estabelecidos, e que o empregador deve adotar
medidas de controle na seguinte hierarquia: eliminação, substituição, controle
de engenharia, medidas administrativas e, por último, uso de EPI’s.'
A
NR 32 também exige que todos os produtos químicos utilizados nos
serviços de saúde sejam identificados e que as fichas de informações de
segurança (FISPQ) estejam acessíveis aos trabalhadores. A capacitação
periódica da equipe sobre os riscos existentes e os procedimentos de emergência
é outra obrigação expressa na norma, com registros que devem ser mantidos pela
empresa.
Vale
destacar que a NR 32 atua de forma complementar à NR 09, que
trata do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) - hoje
incorporado ao PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos), estabelecido
pela NR 01. Juntas, essas normas formam a base legal do controle de
riscos químicos ocupacionais.
Identificação
de risco químico: cor e símbolo
Uma
das formas mais práticas de comunicar o risco químico no ambiente de trabalho é
por meio do sistema de rotulagem e sinalização. No Brasil, a identificação de
produtos químicos segue os padrões do GHS (Sistema Globalmente Harmonizado
de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos), adotado pela ABNT
NBR 14725. Esse sistema define pictogramas, cores e frases de perigo e
precaução que devem constar nos rótulos e nas fichas de segurança.
Além
do GHS, o Diamante de Hazmat (ou Diamante de Risco) é amplamente
utilizado para sinalização de áreas de armazenamento e transporte de
substâncias perigosas. Ele é dividido em quatro quadrantes coloridos, cada
um com uma função específica:
Vermelho
- Inflamabilidade:
indica o risco de incêndio da substância. Escala de 0 a 4.
Azul
- Saúde:
representa o grau de toxicidade e risco à saúde humana.
Amarelo
- Reatividade:
informa a instabilidade química e risco de explosão.
Branco
- Especial:
indica riscos especiais (oxidante, radioativo, corrosivo, etc.)
A
correta sinalização dos produtos e das áreas de risco não é apenas uma
exigência normativa - é uma medida de prevenção que pode salvar vidas em
situações de emergência, quando cada segundo conta para que os trabalhadores e
socorristas tomem as decisões certas.
Como
prevenir riscos químicos na sua empresa?
A
prevenção de riscos químicos começa muito antes do trabalhador entrar em
contato com qualquer substância. Ela passa pelo mapeamento dos agentes
presentes, pelo planejamento dos processos e pela criação de uma cultura de
segurança que seja levada a sério em todos os níveis da empresa. As ações a
seguir representam o caminho mais usado para reduzir a exposição ocupacional a
agentes químicos:
Elaborar
e manter atualizado o PGR
O
Programa de Gerenciamento de Riscos deve identificar todos os agentes químicos
presentes, avaliar os níveis de exposição e definir medidas de controle com
prazos e responsáveis.
Substituir
substâncias perigosas quando possível
Sempre
que viável, troque um agente químico de alto risco por uma alternativa menos
nociva. A substituição é a medida de controle mais eficaz da hierarquia de
prevenção.
Investir
em controles de engenharia
Ventilação
local exaustora, enclausuramento de processos e automação de etapas críticas
reduzem drasticamente a concentração de agentes no ar sem depender do
comportamento do trabalhador.
Fornecer
os EPI’s adequados e garantir seu uso
Respiradores,
óculos de proteção, aventais de PVC, luvas impermeáveis e botas resistentes a
produtos químicos devem ser fornecidos gratuitamente, higienizados e
substituídos dentro do prazo de vida útil.
Capacitar
os trabalhadores periodicamente
Treinamentos
sobre o manuseio seguro de produtos químicos, leitura de FISPQs e procedimentos
de emergência devem ser realizados na admissão e repetidos ao longo da jornada
profissional.
Realizar
monitoramento biológico e ambiental
A
realização de exames periódicos e a aferição das concentrações de agentes
químicos no ambiente de trabalho permitem detectar exposições acima dos limites
de tolerância antes que causem danos irreversíveis.
Sinalizar
e armazenar corretamente os produtos
Produtos
químicos devem ser armazenados de acordo com sua compatibilidade, em locais
ventilados, com sinalização adequada e acesso restrito a pessoal capacitado.
Conclusão
A
gestão de risco químico no ambiente de trabalho é uma responsabilidade direta
com a vida e a saúde de cada trabalhador. Acidentes e doenças ocupacionais
relacionadas a agentes químicos têm consequências que vão além do afastamento:
eles impactam famílias, elevam custos previdenciários, e comprometem a
produtividade.
Investir
em identificação de riscos, controles adequados, EPIs corretos e capacitação
contínua é o caminho mais seguro para toda e qualquer organização que utiliza
substâncias químicas. Quanto mais estruturada for a abordagem preventiva,
menores serão as chances de um acidente grave ocorrer.
Se
a sua empresa precisa mapear os riscos químicos presentes no ambiente de
trabalho ou estruturar um programa de prevenção eficiente, fale com um
profissional especializado em segurança do trabalho. A conformidade com a NR
09, NR 32 e demais normas aplicáveis começa com o diagnóstico correto.
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