ONGS REFORÇAM ELO
ENTRE BIODIVERSIDADE E CLIMA NA COP 30 EM BELÉM
Ao
integrar agendas climáticas, de biodiversidade e de conservação de espécies, o
terceiro setor transforma soluções isoladas em benefícios mútuos
Pantanal, a maior
planície contínua alagada do mundo é um bioma de rica biodiversidade que vem
sendo impactado pela crise climática e pela degradação ambiental. Crédito:
André Dib/WWF-Brasil
A
COP 30, que será realizada em novembro de 2025 em Belém, vai muito além de um
encontro diplomático: é um fórum histórico onde se decide o futuro do planeta.
O evento deve receber 50 mil participantes de 198 países, incluindo líderes
globais, cientistas e movimentos sociais. Entretanto, cabe destacar o
protagonismo que estará nas mãos das organizações da sociedade civil,
especialmente as ONGs. Longe de serem meras observadoras, elas chegam como
portadoras de conhecimento técnico e agentes de mudança, capazes de transformar
ciência em políticas concretas e fortalecer a agenda climática global de
maneira profunda e diversa.
A
relevância da participação dessas organizações não pode ser subestimada. Elas
representam a sociedade civil de forma autêntica, dando voz a comunidades
locais, grupos vulneráveis e causas que poderiam ser silenciadas. Sua presença
garante que o debate sobre o clima não fique restrito a governos e corporações,
mas se amplie para incluir a experiência de quem vive e sente os impactos das
mudanças climáticas na ponta.
Além
disso, sua atuação vai muito além da pressão política: elas trazem exemplos
práticos do campo, integram agendas de clima, biodiversidade e conservação de
espécies, e asseguram ações concretas, fortalecendo a transparência e a
efetividade das decisões globais. Para assegurar que essas vozes sejam
efetivamente ouvidas, ONGs nacionais e internacionais estarão credenciadas pelo
Portal Brasil Participativo e pelo Secretariado da UNFCCC. Essas organizações
atuam pressionando governos e empresas a manter a agenda climática ativa e
testando abordagens que podem ser replicadas em larga escala.
O
pano de fundo da conferência é ambíguo. O Brasil conseguiu reduzir suas
emissões em 17% em 2024, chegando a 2,145 bilhões de toneladas de CO₂
equivalente, segundo o SEEG do Observatório do Clima — a segunda maior queda em
16 anos, impulsionada principalmente pelo controle do desmatamento. O setor de
uso da terra e florestas foi responsável por essa redução expressiva, emitindo
906 MtCO₂e em 2024 contra 1,342 GtCO₂e no ano anterior. Ainda assim, o
desmatamento segue como principal fonte de poluição climática: de acordo com o
Prodes/Inpe, a taxa consolidada de 2024 foi de 6.288 km², uma queda de 30,6% em
relação a 2023. No período de agosto de 2024 a julho de 2025, os alertas do
Deter registraram 4.495 km², o segundo menor nível histórico do sistema. Esses
números mostram que a trajetória é positiva, mas instável, o que reforça a
necessidade de monitoramento independente e pressão da sociedade civil.
Um
dos focos do evento será a relação entre a biodiversidade e o clima. Segundo o
Painel Científico para a Amazônia (PCA), a floresta concentra 2.400 espécies de
peixes, 1.300 de aves, 425 de mamíferos, 371 de répteis e cerca de 50 mil
espécies de plantas vasculares. Essa riqueza não é apenas um patrimônio
ambiental, mas também uma barreira natural contra o agravamento da crise
climática. Áreas mais biodiversas têm maior capacidade de armazenar carbono,
reforçando o papel da Amazônia como sumidouro essencial para o equilíbrio do
planeta.
O IPCC, em seu
sexto relatório de avaliação (AR6), reforça que a perda de grandes árvores
tropicais compromete diretamente a capacidade da floresta de absorver carbono.
O MapBiomas Solo mostra que a Amazônia detém o maior estoque de carbono
orgânico no solo brasileiro, enquanto estudos do Instituto Socioambiental (ISA)
revelam que áreas protegidas absorvem mais carbono que áreas abertas à
exploração. A ciência deixa claro que proteger a biodiversidade é proteger o
clima, e as ONGs são cruciais para traduzir esses dados em políticas e ações
efetivas.
Ao
integrar agendas climáticas, de biodiversidade e de conservação de espécies, o
terceiro setor transforma soluções isoladas em benefícios mútuos, ampliando a
eficácia das políticas públicas. Em um contexto em que parte do discurso
político celebra, com razão, reduções no desmatamento, essas organizações
lembram que a resiliência da floresta não pode depender apenas de ciclos
econômicos ou políticas passageiras.
A
COP 30 será, portanto, um teste não apenas para governos, mas para a capacidade
da sociedade civil de transformar ciência em ação e integrar a biodiversidade à
política climática. Em Belém, o futuro do clima global passará necessariamente
pela força das vozes que defendem a diversidade de espécies do planeta de forma
integrada a vida das pessoas, com conhecimento técnico, mobilização social e
compromisso com soluções duradouras.
Gostou do conteúdo? Conte para gente nos comentários e não deixe de compartilhar nas redes sociais. Siga o Blog e Deixe seu comentário e compartilhe este artigo em suas redes sociais para que mais pessoas se informem sobre o tema.

Nenhum comentário:
Postar um comentário