ENTENDENDO
O PAPEL DO SESMT NA AVALIAÇÃO DE FATORES PSICOSSOCIAIS
Noto que ainda há muita dúvida sobre a avaliação dos
fatores de riscos psicossociais por parte do profissional de SST. Vou tentar
uma nova abordagem para elucidar essa questão.
Imagine que, na sua empresa, há ruído elevado em
determinado setor. Como o profissional de segurança irá agir? Digamos que ele
tem um dosímetro: ele fará uma avaliação quantitativa, verificará a intensidade
do ruído, registrará no PGR e, com base nessa informação, o médico do Trabalho
elaborará o PCMSO. A partir disso, o médico pode concluir que seja interessante
realizar exames audiométricos naquele setor devido à presença deste risco.
Assim, será possível verificar se há trabalhadores com perda auditiva. Perceba
que, nesse caso, não foi necessário fonoaudiólogo, ou médico
otorrinolaringologista nem nenhum outro especialista, o profissional de
segurança fez o levantamento inicial.
Com os fatores de risco psicossociais, o raciocínio é
bem similar. O profissional de segurança tenta identificar se, no ambiente de
trabalho, há esse tipo de fator, registra isso no PGR, e a partir daí o médico
pode verificar a necessidade de uma avaliação psicossocial individualizada —
que aí sim pode ser feita por um psicólogo ou por um médico especializado.
A
principal dúvida que sempre surge é: “Mas eu consigo fazer esse levantamento? ”
Sua empresa não reconhece os trabalhadores que
realizam boas atividades? Isso é um fator psicossocial. Os trabalhadores não
são valorizados, não recebem feedback, não têm reconhecimento, isso é
um agente de risco.
MAIS
EXEMPLOS
“Ah,
professor, queria outros exemplos”… Ok, então imagine que na sua empresa tem
gestores que usam uma forma agressiva de gestão, com gritos, ameaças, pressões
excessivas. Isso pode ser definido como assédio moral. Nesse caso, é
interessante que uma comissão, de preferência até externa, faça uma análise
mais profunda. Mas quem pode iniciar essa identificação? O profissional de
segurança.
A avaliação vai ser sempre em parceria com os outros
setores, com o RH, com a CIPA, e assim por diante.
Percebo que você quer mais um exemplo: determinado
posto de trabalho exige muita atenção, é uma tarefa extremamente detalhada e
repetitiva, muito monótona. Isso você consegue identificar. E, a partir disso,
pode propor ações para enriquecer a atividade, dar mais autonomia, mais
responsabilidade, assim como faríamos no caso do ruído, em que propomos
revestimento acústico, enclausuramento de equipamentos, EPI etc. Para os
fatores de riscos psicossociais, o médico do Trabalho vai avaliar isso também.
Ele pode dizer: “Olha, vocês identificaram o problema, fizeram algumas ações,
mas ainda estou vendo aqui que tem trabalhadores com queixas, possíveis
distúrbios ou mesmo afastados. ” Então a gente pode pensar em mais ações. A
partir desse ponto, em que já foi identificado e avaliado, talvez seja o
momento de envolver o psicólogo de forma mais direta, junto com a equipe da
psicologia e com o médico do Trabalho.
RESUMINDO
Acho
que agora ficou mais claro que a dinâmica é a mesma: o profissional de
segurança identifica, faz uma pré-avaliação, passa a informação para o médico,
que verifica a necessidade de exames mais específicos. Se esses exames derem
alterados, a informação volta para o profissional de segurança, que percebe que
as melhorias implantadas não foram suficientes. Assim como no caso do ruído, em
que podemos reforçar o revestimento ou o isolamento acústico, nos fatores
psicossociais podemos propor novas ações. Se as mudanças surtirem efeito,
reduzindo a significância do fator de risco, isso também se registra no PGR e
no PCMSO, por exemplo, quando o número de trabalhadores com alterações diminui.
E claro, sempre pode ser interessante envolver o
psicólogo. Sempre. Mas, num primeiro momento, já conseguimos executar bastante
coisa. Espero que esse pequeno texto tenha deixado um pouco mais claro como é a
dinâmica da avaliação dos fatores de risco psicossociais.
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