terça-feira, 9 de dezembro de 2025

 



 

GOVERNO QUER SABER ORIGEM DO VÍRUS QUE AMEAÇA A VOLTA DAS ARARINHAS À NATUREZA

 

Até agora 31 aves teriam testado positivo, mas órgão ambiental e criadouro discordam sobre o método usado nas avaliações

 



A ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) foi extinta da natureza no início dos anos 2000 e vinha sendo reintroduzida na Caatinga baiana, seu único habitat natural. Foto: ACTP / Divulgação

O circovírus que ameaça desde abril a reintrodução da ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) na Caatinga baiana já teria infectado 31 aves – 11 já em vida livre e outras 20 num criadouro conservacionista no município de Curaçá, de onde os emplumados aguardam liberação na natureza.

Em nota enviada a ((o)) eco, o ICMBio – coordenador da reintrodução da espécie – disse não estar confirmado se o vírus teve origem fora do Brasil ou entre animais que já estavam no país. “Esta hipótese está sob investigação de nossa equipe técnica”, ressaltou.

 

O órgão não descarta que o patógeno tenha chegado com aves vindas em janeiro do criadouro alemão ACTP (sigla em Inglês da Associação para a Conservação de Papagaios Ameaçados). À época, um dos 41 animais testou inicialmente positivo, mas ele seguiu viagem após exames posteriores o isentarem da contaminação.

Segundo Ugo Vercillo, diretor da ONG Blue Sky Caatinga e do Criadouro Ararinha-azul, as aves passaram por isolamento e exames no país europeu e na chegada ao Brasil, e os resultados – todos teriam sido negativos para qualquer enfermidade – foram conhecidos pelas autoridades brasileiras.

 

“Depois de investir milhões na construção e implementação do criadouro, qual seria o ganho para o projeto em trazer uma ave com resultado positivo para um vírus que poderia comprometer a soltura de 2025 e todo o plantel do criadouro? ”, indagou o biólogo.

Conforme Vercillo, o circovírus é registrado há cerca de 30 anos em criadouros, feiras, centros de reabilitação, pet shops e casas em vários estados brasileiros. Ele também citou solturas oficiais e não oficiais de aves, fugas de cativeiros e intenso comércio ilegal, inclusive em áreas próximas a Curaçá.

 

“É pouco crível que nenhuma ave nativa ou exótica infectada tenha alcançado o ambiente natural e que o patógeno tenha permanecido restrito apenas ao cativeiro”, destacou.

 

Ararinhas soltas em junho de 2022 num refúgio de vida silvestre, em Curaçá, na Bahia. Foto: Cromwell Purchase / ACTP-Brasil

 

Ararinhas soltas em junho de 2022 num refúgio de vida silvestre, em Curaçá, na Bahia foto Cromwell Purchase / ACTP - Brasil

 

Distintos métodos de testagem

Outra discórdia envolve como foram feitos os testes para indicar a presença do circovírus. Sem tratamento conhecido, a doença provoca perda de penas, deformação do bico, diarreia e pode ser fatal.

Como Vercillo alegou ao Conexão Planeta, os laudos sobre infecções do ICMBio foram imprecisos e precipitados porque usaram técnicas diferentes: o “PCR em tempo real” e o “PCR convencional”. O primeiro indicou positivo para 11 aves reintroduzidas, enquanto o segundo apontou infecção em três delas.

“O PCR em tempo real é muito sensível e sujeito a um alto grau de contaminação, inclusive ambiental”, disse.

 

“Os exames devem seguir o PCR convencional, recomendado em artigos científicos e pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza), e usado nas aves que vieram para o Brasil”.

 

O impasse deverá ser debatido nos próximos dias numa reunião entre a Blue Sky Caatinga e o ICMBio. Enquanto isso, o órgão federal quer evitar que mais animais no criadouro sejam infectados – onde atualmente há 103 ararinhas-azuis e duas araras-maracanãs (Primolius maracana).

 

“No momento, nossa principal preocupação é a separação segura entre animais positivos e negativos, para garantir que as medidas de biossegurança sejam absorvidas na rotina de manejo dessas aves”, destacou.

Uma ararinha voando livre pela Caatinga. Enfim, livre. Foto: Tim Flach / ACTP

 

Uma ararinha voando livre pela Caatinga.

Enfim, livre. Foto: Tim Flach / ACTP

 

Supostas condições precárias

Um outro comunicado repassado pelo ICMBio à reportagem descreve um auto de infração que gerou R$ 1,8 milhão em multas a Vercillo e ao Criadouro Ararinha-azul. Os motivos seriam suas condições sanitárias que aumentariam os riscos de contaminação dos animais.

Uma analista ambiental do ICMBio descreveu a situação à Folha de S. Paulo: “os recintos não eram limpos diariamente, havia fezes antigas no local junto com restos de comida. Os funcionários circulavam de chinelo de dedo, bermuda e camiseta, não usavam equipamentos de proteção”.

Vercillo confirmou a ((o)) eco ter recebido ontem (25) um auto de infração por suposto descumprimento de medidas de biossegurança, mas sem detalhes ou explicações. “Solicitamos acesso ao processo para que possamos recorrer e corrigir algo que não esteja adequado”, contou.

Ele também afirmou que as condições do criadouro vêm sendo aprimoradas para garantir o bem-estar das aves e evitar a contaminação entre ambientes. “Sempre houve um cuidado exímio, tanto que o índice de óbitos é baixíssimo, não houve nenhum registro de doença e tivemos sucesso reprodutivo com 14 filhotes”.

*Com informações do Conexão Planeta e da Folha de S. Paulo.

 

 

 

 

 

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